You are browsing the archive for ciência aberta.

[Tradução] Apresentando Datashades.info, um serviço à Comunidade CKAN

- October 16, 2019 in ciência aberta, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, Open Knowledge Foundation

* Texto originalmente publicado no blog da Open Knowledge Foundation, traduzido por Augusto Herrmann Você usa o CKAN para sustentar um portal de dados abertos? Nesta postagem a convite a Link Digital explica como você pode aproveitar a sua mais nova iniciativa, o Datashades.info. Datashades.info é uma ferramenta projetada para fornecer insumos para pesquisadores, gestores de portais e a comunidade técnica em geral e apoiar as iniciativas de dados abertos relacionadas a dados hospedados em plataformas com CKAN. A Link Digital criou o serviço online por meio de alguns lançamentos alfa e considera o datashades.info, agora em beta, como uma iniciativa de longo prazo que eles esperam melhorar com mais funcionalidades em futuros lançamentos. Especificamente, o Datashades.info fornece um índice acessível ao público de metadados e estatísticas sobre portais de dados com CKAN ao redor do mundo. Para cada portal, algumas estatísticas são agregadas e apresentadas envolvendo número de conjuntos de dados, usuários, organizações e tags de conjuntos de dados. Essas estatísticas dão aos gestores de portais a capacidade de comparar rapidamente o tamanho e o escopo de portais de dados com CKAN para ajudar a informar os seus planos de desenvolvimento. Além disso, para cada portal, a informação sobre plugins instalados é coletada, juntamente com a presença relativa desses plugins em todos os portais do índice. Isso possibilitará aos desenvolvedores do CKAN rapidamente ver quais extensões são as mais populares e em que portais elas estão sendo usadas. Por fim, todos os dados históricos são persistidos e tornados publicamente acessíveis, permitindo a pesquisadores analisar as tendências históricas nos dados de qualquer portal CKAN indexado. O Datashades.info foi construído para suportar um modelo de indexação baseado em crowdsourcing. Se um visitante pesquisar por um portal CKAN e ele não for encontrado no índice, o sistema irá consultar imediatamente esse portal e tentar gerar na hora uma nova entrada no índice. A agregação das estatísticas de um novo portal no Datashades.info também acontece automaticamente. Maximize a ferramenta e obtenha informações interessantes com as seguintes funcionalidades: Dados abertos globalmente acessíveis Com o Datashades.info, você pode facilmente acessar um índice de metadados e estatísticas sobre portais de dados com CKAN ao redor do mundo. Para fazer isso, simplesmente digite a URL do portal na página inicial e clique em “Search”. Valores integrados de todas as métricas Depois de entrar com a URL de um portal, o Datashades.info irá carregar as suas informações. Depois de alguns segundos, você será capaz de ver uma relação de dados sobre usuários do portal, conjuntos de dados, recursos, organizações, tags e plugins. Gestores de portais podem ter acesso a estes pela página individual do portal que pode ser encontrada no site. Dados históricos facilmente rastreados Quer revisitar dados que você explorou anteriormente? A ferramenta também guarda dados antigos em um índice histórico que os utilizadores podem explorar a qualquer momento em qualquer página de portal ou ao clicar “View All Data Portals” na página principal. Crowdsourcing   O Datashades.info usa crowdsourcing para construir o seu índice. Isso significa que os utilizadores podem facilmente adicionar qualquer portal de dados com CKAN que não se encontre no site. Para fazer isso, simplesmente pesquise por um portal que você conhece e ele será automaticamente adicionado ao site e às estatísticas globais. Como o projeto permanece em um nível beta de maturidade, ele ainda carece de melhorias em muitas áreas. Mas com o feedback contínuo vindo da comunidade CKAN, espere que mais dados e funcionalidades serão adicionados em lançamentos futuros. Por enquanto, dê uma olhada e fique ligado! Flattr this!

OKBR marca presença no III Encontro Brasileiro de Governo Aberto

- December 11, 2018 in acesso à informação, ciência aberta, colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, governo aberto, Internet, Jornalismo de dados, Lei de acesso à informação, Open Knowledge Brasil, sociedade civil, transparência

Nos dias 3 e 4 de dezembro foi realizada a terceira edição do Encontro Brasileiro de Governo Aberto, que tem por objetivo debater e trocar experiências sobre os desafios para a promoção de transparência, participação, prestação de contas e novas tecnologias no Brasil. Além da Open Knowledge Brasil, as organizações Agenda Pública, Artigo 19, Ceweb.br/NIC.br, Fast Food da Política, Fórum de Gestão Compartilhada, Imaflora, Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União, Controladoria Geral do Município de de São Paulo e São Paulo Aberta também ficaram responsáveis pela realização do evento. Durante o evento, membros da Open Knowledge estiveram presentes em debates sobre a Lei de Acesso à Informação, jornalismo de dados e ciência aberta.

Privacidade e acesso à informação são debatidos em mesa do III Encontro Brasileiro de Governo Aberto

Na conversa sobre as fronteiras entre acesso à informação e privacidade, os debatedores apresentaram casos concretos que exemplificam a importância de trazer esses dois tópicos para o mesmo debate. Renato Morgado, gerente de políticas públicas do Imaflora, falou da necessidade de abrir o CPF no Cadastro Ambiental Rural para o cruzamento dessa base de dados. Discutiu-se a questão dos limites dos sigilos comercial e fiscal frente ao interesse público de algumas informações. Camille Moura, pesquisadora da Open Knowledge, falou do Queremos Saber, plataforma lançada no último mês com o apoio da organização, que assegura a privacidade de quem utiliza a LAI. Além deles, participaram da mesa Eduardo Nogueira, auditor do TCU, e Kátia Brasil, diretora da agência de jornalismo Amazônia Real.

Natália Mazotte, Luiz Fernando Toledo e Bruna Santos discutem jornalismo de dados em mesa do III Encontro Brasileiro de Governo Aberto

Já Natália Mazotte, diretora da OKBR, debateu alfabetização em dados com Bruna Santos, diretora de conhecimento e inovação da Comunitas, e Luiz Toledo, repórter do Estadão Dados. Os participantes abordaram os principais desafios e as estratégias utilizadas para levar letramento em dados a públicos não técnicos, como jornalistas e membros de organizações sociais. “As estratégias de abertura de dados e mobilização em prol de mais transparência pública precisam passar por pensar os usuários dos dados. Diminuir a brecha de letramento de dados entre atores da sociedade civil e nos próprios órgãos governamentais é essencial para que as políticas de governo aberto sejam realmente efetivas”, afirmou Natália. Ainda tivemos a participação de Neide de Sordi, conselheira da organização, na mesa sobre ciência aberta e livre acesso às publicações e aos dados de pesquisas. Segundo ela, é possível aproveitar a expansão do acesso à Internet para também expandir o acesso online e sem limitações às publicações de pesquisa e seus dados brutos, estimulando o uso de formatos e licenças abertas. Você pode ver a íntegra de todas as transmissões que foram feitas durante o encontro na página São Paulo Aberta. Flattr this!

Como foi 2015 para a Open Knowledge Brasil: uma retrospectiva de nossos momentos

- January 29, 2016 in #EuVoto, brasil, ciência aberta, colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Gastos Abertos, Open Knowledge Brasil, retrospectiva, São Paulo, sociedade civil, transparência, USP

Talvez seja certo afirmar que 2015 foi um dos anos mais movimentados da breve história da Open Knowledge Brasil. Com um início de reformulações para a instituição, o ano acabou se tornando bastante movimentado a partir de julho. Separamos, aqui no blog, alguns momentos dignos de lembrança. Logo no início de março, a plataforma virtual Eu Voto, iniciativa da Open Knowledge Brasil em parceria com a Fundação Avina, que permite à população votar em projetos de lei em tramitação na Câmara Municipal, foi lançada. No mesmo mês, houve um encontro visando discutir a governança da OKBr. Já em abril, nos dias 6 e 10, houve a primeira edição de 2015 do curso “Introdução ao Jornalismo de Dados”, em São Paulo. Realizado anteriormente em Salvador  e no Rio de Janeiro, esta edição foi oferecida pela Escola de Dados junto à Escola de Comunicação da Universidade de São Paulo (ECA/USP). O treinamento, gratuito, integrou o programa Partnership for Open Data (POD), uma parceria entre o Banco Mundial, o Open Data Institute e a Open Knowledge Internacional para acelerar a abertura de dados em países em desenvolvimento. Em julho, a OKBr promoveu, junto ao Eu Voto, o debate “Democracia e Internet: Criando uma cultura de participação política no século XXI”, que tinha como objetivo propor uma discussão aprofundada sobre as ferramentas tecnológicas para o uso e acesso a dados, decisões e construção do que é público, assim como sobre as novas iniciativas de participação política pela internet que estão surgindo no Brasil e no mundo. O evento contou com a participação de Marina Silva (Rede), ex-Ministra do Meio Ambiente e presidenciável nas eleições de 2014 pelo Partido Verde, Milton Jung, jornalista, âncora da rádio CBN e implementador da plataforma Adote um vereador; e Santigo Siri, co-fundador do Partido de la Red na Argentina, além de Ariel Kogan, conselheiro deliberativo da OKBr e idealizador da plataforma Eu Voto, e Heloisa Pait, professora de sociologia da UNESP,especialista em sociologia dos meios de comunicação e conselheira consultiva da OKBr. O mês também marcou o início da coordenação da Escola de Dados por Natália Mazotte, dando fôlego a uma série de novas atividades para o projeto ligado à OKBr.  
Agosto marcou o recebimento de um subsídio da Shuttleworth Foundation a nosso diretor executivo, para ajudar a conduzir a instituição. Também foi promovido um prêmio para um vídeo que explicasse a importância da Open Knowledge Brasil, que foi conquistado por Thiago Avila, pesquisador do Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES), Superintendente de Produção da Informação e do Conhecimento da Secretaria de Estado do Planejamento e Gestão de Alagoas. O mês teve uma agenda bastante movimentada, com a participação da organização em diversos eventos ligados ao conhecimento aberto, como Universidade Aberta, Inclusão Digital Aberta, Cidade Aberta, Paulista Aberta e Ciência Aberta. Este último tratou-se do lançamento do livro “Ciência Aberta, questões abertas”, que conta com capítulos escritos por colaboradores da OKBr e de atores ligados à nossa rede.
Em setembro, foi realizada a Con Datos e a desconferência AbreLatam. Alguns colaboradores da Open Knowledge Brasil participaram do evento e manifestaram suas impressões sobre as reuniões e sobre a comunidade de dados abertos, como Natália Mazotte e Marco Túlio Pires, da Escola de Dados, Thiago Rondon e Gisele Craveiro, assim como o diretor executivo da OKBr, Everton Zanella Alvarenga. Foi também neste mês que a instituição se manifestou abertamente contra o PL espião, projeto de lei que ainda está para ser votado e ameaça a liberdade de expressão na internet no Brasil. Ainda no dia 18 do mesmo mês, ocorreu o encontro Diálogos para Governo Aberto, organizado pela Controladoria Geral da União. A Open Knowledge Brasil foi uma das cinco organizações da sociedade civil escolhidas e subsidiadas para ir para Brasília. O principal objetivo do encontro foi fazer uma rodada de conversa sobre o Grupo de Trabalho da sociedade civil que participará da construção do 3º Plano de Ação do Brasil para a Parceria para Governo Aberto (Open Government Partnership – OGP). Outubro, por sua vez, foi marcado por nosso posicionamento em relação ao acordo que a Câmara Municipal de São Paulo fechou com a plataforma Vote na Web, ferramenta de código proprietário, paga e que pretere a plataforma que desenvolvemos e pretendemos usar junto à CMSP, o EuVoto. Consideramos que a situação foi um reflexo da falta diálogo entre a população e o poder público e, sobretudo, pedimos que as instituições públicas adotem processos mais transparentes, claros e coerentes. Ao final do ano, em novembro, a Open Knowledge Brasil participou do evento “Repensando as instituições e sistemas de participação no século XXI” no Columbia Global Center, no Rio de Janeiro. O movimento emergente do encontro se dedicará a pensar democracia digital e reformas estruturais no sistema político brasileiro. A reunião, realizada no dia 11/11, teve como um dos desdobramentos a conformação de um observatório em rede sobre democracia digital. No mesmo mês, nosso diretor executivo também esteve presente no Open Development Camp, em Haia, no painel “Breaking through silos”, com especialistas em organizações de tecnologia cívica (Everton Zanella, OKBr) ONGs (David Saldivar, Oxfam USA) e financiadores (Lea Gimpel, GIZ.de) discutindo suas experiências na empreitada de falar para além de seus pares. Como se nossa agenda já não estivesse cheia o suficiente, ainda em novembro, apoiamos o lançamento do Eu Voto Piracicaba, iniciativa conjunta do Observatório Cidadão de Piracicaba e da Rede Engajados. E fechamos uma parceria com a plataforma jornalística Aos Fatos, que produzirá histórias do orçamento para o projeto Gastos Abertos em troca do apoio que a Open Knowledge Brasil deu à sua campanha de crowdfunding. O início de dezembro marcou o começo do curso do projeto Gastos Abertos. No primeiro módulo das aulas, Pedro Marin explicou um pouco sobre orçamento público e Diego Rabatone falou sobre dados abertos e alguns conceitos importantes para jornalistas contarem suas histórias, como e o que é uma API. Já na segunda fase do curso, Natália Mazotte, coordenadora da Escola de Dados, apresentou os alunos a diferentes iniciativas de jornalismo de dados. Rodrigo Bugarelli ensinou os alunos a cruzarem dados, Marco Túlio Pires promoveu uma oficina sobre raspagem de dados e Natália Mazotte e Sérgio Spagnuolo mostraram aos jornalistas que participavam do curso ferramentas úteis para visualização de dados. O ano foi fechado com chave de ouro com nossa celebração, no dia 9 de dezembro, de um Termo de Cooperação Técnica com a Câmara Municipal de São Paulo. A data simbólica, do dia internacional contra a corrupção, marcou a assinatura de um documento no qual as partes se comprometem a desenvolver um programa de cooperação por meio de projetos, cursos e eventos, aprimorando o uso das tecnologias da informação e comunicação com o objetivo de ampliar e qualificar os espaços de participação cívica e estimular a transparência das instituições públicas. 20150303145302 20150303145306 20150301_170820 _MG_4668 _MG_4710 _MG_4801 _MG_4810 IMG_5515 IMG_5536 _MG_4663 _MG_4639 _MG_4813 IMG_5471 IMG_5549 _MG_4788 jorge Edital Governo Aberto Fernanda Campagnucci _MG_5023 _MG_5006 _MG_4909 GT de Ciência Aberta inclusao digital aberta helo e tom espacos urbanos IMG_5850 Kww18z8o9c4fgub3Vt1RFkJoU8Uuf6A9aIiYXh0J3kE Todos Abrelatam 2016 2015-09-18 15.57.33 abrelatam-condatos2 abrelatam-condatos abrelatam01 abrelatam02 11204399_10205361659027216_3455073508820645991_n 12232706_958350657570017_4666269818940930684_o 812337971_76644_12143393710532773371 2015-11-13 10.30.07 2015-11-13 09.45.14 aosfatosgastosabertos Pedro Marin aula Gastos Abertos cmsp2 cmsp1 cmsp3 Flattr this!

Aaron Swartz: contra a privatização do conhecimento

- September 8, 2015 in Aaron Swartz, ciência aberta, colaboração, computação, Conhecimento Livre, Destaque, emprego, governo aberto, JSTOR, programação, reddit, Sociedade, WIkipedia

Aaron Swartz num encontro da Wikipédia em Boston, em 2009

Aaron Swartz num encontro da Wikipédia em Boston, em 2009. Crédito: Sage Ross

Segundo Aaron Swartz, programador americano, escritor, organizador político e ativista na Internet falecido em 2013, informação é poder. Em seu “manifesto da Guerrilla Open Access“, Swartz revela que embora o patrimônio científico e cultural da humanidade venha sendo crescentemente digitalizado, seu acesso tem sido regulado por algumas corporações privadas que o vendem, a um preço por vezes muito caro, para uma minoria de privilegiados. No entanto, há aqueles que reconhecem a injustiça da concentração e da restrição do acesso a todo esse patrimônio. Trata-se do Open Access Movement (Movimento do Acesso Aberto). Eles lutam para que cientistas publiquem seus trabalhos na internet sob termos que permitam o acesso a qualquer pessoa. Mesmo assim, afirma, esse esforço só servirá para as publicações futuras. Tudo até agora vem sendo perdido. No momento, pesquisadores são obrigados a pagar para ler o trabalho de seus colegas. Bibliotecas são digitalizadas, mas apenas o pessoal do Google pode lê-las. E artigos científicos são fornecidos para grandes universidades de elite do primeiro mundo, mas não para as crianças do sul global. Como solução, Swartz convoca seus leitores ao contra-ataque: todos aqueles com o privilégio do acesso a esses recursos têm o dever moral de compartilhar o conhecimento, seja disponibilizando senhas ou downloads para colegas. Ele nos assegura de que aqueles que não têm acesso já vêm se esgueirando em busca de informações por meio da pirataria — termo que sugere que o compartilhamento de conhecimento é um crime equivalente ao saque de bens de um navio e ao assassinato de sua tripulação — mas que, pelo contrário, compartilhar é um imperativo moral. “Não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir para a luz e, na grande tradição da desobediência civil, declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública”, afirma Swartz. E recomenda: é necessário pegar informações, onde quer que elas estejam armazenadas, fazer cópias e compartilhá-las com o mundo. É preciso pegar o material que está fora do copyright e adicioná-lo ao arquivo, comprar bancos de dados secretos e colocá-los na Web, baixar revistas científicas e subi-las para redes de compartilhamento de arquivos. É preciso, ressalta o ativista, lutar pela Guerilla Open Access. Todo o idealismo de Swartz surge de uma profunda consciência de seus privilégios. Em “How to get a job like mine” (“Como conseguir um trabalho como o meu“, em tradução livre), Swartz lista alguns deles — ele vem de uma família endinheirada, é homem e americano — e descreve sua trajetória: de um garoto de Chicago com um grande interesse pela internet a um dos principais ativistas pela democratização do conhecimento. Em sua fala, ele revela uma verdadeira inquietação pelo conhecimento. Sua busca começou ainda adolescente, ao procurar saber tudo o que pudesse sobre computadores, a Internet e a cultura da Internet. Aos treze anos, já tinha aprendido a construir sites, aplicações da web e já começava a ter ideias para seus primeiros projetos — uma enciclopédia colaborativa e um agregador de links. Em pouco tempo, se envolveu na criação do sistema de feeds RSS e co-fundou o Reddit, um site de avaliação de links para conteúdo na web. Ao longo de sua jornada, teve que se conectar com milhares de pessoas que pensavam como ele por meio de listas de e-mails, ligações telefônicas e fóruns de internet, descobrindo o real poder da colaboração em massa. Após vender o Reddit para a Condé Nast, empresa dona da Wired, Swartz se mudou junto com sua equipe para São Francisco. Ele afirma ter odiado a Wired e a vida de escritório. Aos poucos, foi ficando cada vez mais insatisfeito, até que pediram para que ele se demitisse. Depois de sua tentativa de se adaptar ao mundo corporativo, resolveu iniciar outros projetos: fundou a Open Library, mantida pelo Internet Archive, e o site Watchdog.net, para agregar e visualizar dados sobre políticos americanos. Ao final de seu discurso, ele nos brinda com uma série de conselhos: cultive a sua curiosidade, diga sim às oportunidades e presuma que ninguém mais tenha ideia do que está fazendo também. Segundo Aaron, “pouca gente realmente tem alguma ideia de como fazer as coisas de maneira correta e menos ainda está disposta a tentar coisas novas, então normalmente se você der o seu melhor em alguma coisa você vai se dar muito bem.” Em janeiro de 2011, Aaron Swartz foi preso pelas autoridades federais americanas, após usar a rede do MIT para descarregar sem cobrança grandes volumes de artigos da revista científica JSTOR. Ele foi acusado pelo governo dos EUA pelo crime de invasão de computadores — podendo enfrentar até 35 anos de prisão ou uma multa superior a um milhão de dólares — por ter usado formas não convencionais de acesso ao repositório da revista. Swartz era contrário à prática da JSTOR de compensar financeiramente as editoras, e não os autores, e de cobrar o acesso aos artigos, limitando o acesso para fins acadêmicos. Dois anos depois, em janeiro de 2013, Aaron foi encontrado enforcado no seu apartamento em Crown Heights, Brooklyn – num aparente suicídio. Após sua morte, a promotoria federal retirou as acusações contra ele. Flattr this!

Universidade Aberta, Inclusão Digital Aberta, Cidade Aberta, Paulista Aberta e Ciência Aberta!

- August 27, 2015 in Alexandre, Av. Paulista, avaliação, CGM, ciência aberta, CMSP, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, EACH, Educação Aberta, espaço urbano, igualdade, inclusão digital, Jorge Machado, lançamento, lei, livro, meritocracia, Open Knowledge Brasil, Parceiros, Paulista, Police Neto, São Paulo, Sarita Albagli, Secretaria Municipal de Serviços, Sociedade, sustentabilidade, USP Leste

A última semana foi intensa para a Open Knowledge Brasil. Participamos de cinco eventos que envolve algum tipo de abertura, alinhado com o que promovemos para uma sociedade mais justa e igualitária. Vamos descrever cada um desses eventos. Fotos dos eventos aqui.

Apresentações na USP Leste sobre dados abertos, meritocracia, universidades públicas e ciência aberta

Seminários USPFomos convidados para participar da 5ª Semana de Sistemas de Informação da USP, que ocorreu entre os dias 18 e 21 de agosto de 2015, na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo. No dia 21 (quinta-feira), apresentei sobre ‘Meritocracia, Dados Abertos e Universidades Públicas’ e o Alexandre Abdo, conselheiro consultivo da OKBr, sobre ‘Sistemas, informação e a confiabilidade do conhecimento científico-acadêmico‘. Na minha apresentação comecei definindo como via meritocracia, distinguindo a boa da má, bastante inspirado no ‘Good Meritocracy, Bad Meritocracy‘, de Donal Low, que aponta algumas falhas do sistema meritocrático de Singapura e dá sugestões como resolver esses problemas. A questão da igualdade de oportunidade, que sempre surge quando meritocracia é abordada, teve inspiração no artigo ‘Equality of Opportunity‘, da enciclopédia de filosofia de Stanford. Por essas palestras recebemos, eu e o Alexandre, R$ 100 (R$ 50 para cada), que será doado para a Open Knowledge Brasil e destinado aos custos para manter o site do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta. Ofereci metade do dinheiro para os custos do livro sobre ciência aberta recém lançado (vejam abaixo), mas ele foi gentilmente doado para nós pela professora Sarita! (Obrigado, Sarita!)

Inclusão Digital Aberta

inclusao digital abertaTambém fomos convidados para participar pela Secretaria Municipal de Serviços, da cidade de São Paulo, da discussão da Lei Municipal nº 14.668/2008, criada pelo vereador José Police Neto. Já foi proposto pelo vereador Police, quando presidente da Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), o uso do fundo previsto por ele para criarmos um portal de dados abertos mantido pela sociedade civil, o que nunca ocorreu. Tentamos um diálogo entre a CMSP via sua presidência e a Controladoria Geral do Município na época, mas não houve progresso. Saudamos a iniciativa dessa secretaria em retomar o diálogo com a sociedade civil e colocar essa lei sob consulta pública para seu aprimoramente, disponível nesse site aqui. Acho de extrema importância nossa participação para que esse fundo, proveniente essencialmente do ISS (Imposto Sobre Serviço) para empresas de tecnologia, tenha um processo aberto e transparente para seu uso, que foi o que propusemos há quase 2 anos no diálogo entre CMSP e CGM. Durante o painel que participei, destaquei a importância de focarmos menos na questão da infra-estrutura quando formos pensar em inclusão digital, mas também no conteúdo, mencionando o caso do tanto de conhecimento produzido com dinheiro público que fica trancafiados em locais como se fossem feudos, como por exemplo universidades públicas, onde a maior parte de seu conhecimento é financiado, em alguns casos, por impostos indiretos, mas apenas uma minoria tem acesso a tudo o que é produzido de forma fechada. Citei exemplos nossos, como a Escola de Dados, que oferece cursos gratuitos sobre alguns temas de extrema relevância para o que estava sendo discutifdo.

Cidade Aberta e Hackeável: espaços urbanos

espacos urbanos No sábado fomos eu e a Heloisa Pait, conselheira consultiva da OKBR, num interessante debate sobre Espaço urbano: interesse privado, poder público, organicidade e planejamento, que levantava a questão principal sobre como podem as mídias digitais contribuir para a construção de novas perspectivas dentro deste embate? Questionei o fato de alguns espaços não terem estímulos públicos para o seu uso, como alguns campi da Universidade de São Paulo, que poderia servir nos finais de semana para levar para a população cultura e ciência através de programas de extensão, mas por algum motivo que desconhecemos, não há políticas públicas que estimulem isso na cidade.

Paulista Aberta: transporte sustentável

paulista abertaComo em nosso estatuto foi previsto a promoção de políticas públicas sustentáveis, também participamos da inauguração de mais um trecho da ciclovia na região da Av. Paulista, ligando seu início na praça do cliclita até a região do Paraíso. No último domingo a Av. Paulista foi aberta para toda população que quisesse passear com suas bicicletas, familiares e amigos, num clima muito bom de confraternização na cidade de pedra.

Lançamento do livro Ciência Aberta, Questões Abertas

Fomos também convidados pela professora Sarita Albagli para o lançamento do livro ‘Ciência Aberta, Questões Aberta’, organizado pela prória Sarita,  pelo Alexandre Abdo e pela Maria Lucia Maciel. Ficamos muito contentes que, além de receber a doação mencionada acima no valor de R$ 50, recebemos um livro para nossa biblioteca assinado pela Sarita, pelo Alexandre e pelos professores Jorge Machado, Henrique Parra e pela Luca. Muito obrigado a todos! GT de Ciência Aberta Flattr this!

Ciência aberta, questões abertas: lançamento do livro

- August 8, 2015 in Alexandre Abdo, ciência aberta, Destaque, Eventos, lançamento, livro

Escrito por Alexandre Abdo no portal do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta. Lançamento-Ciência-Aberta-Questões-Abertas-1024x658

Nos dias 19 de agosto (no Rio de Janeiro) e 24 de agosto de 2015 (em São Paulo), ocorrerá o lançamento do livro “Ciência Aberta, questões abertas”, resultado do Seminário Internacional com o mesmo nome, realizado no Rio de Janeiro em agosto de 2014. Locais e horários dos lançamentos serão: No Rio de Janeiro, dia 19 de agosto das 17:00 às 19:30, no restaurante do CBPF, Rua Lauro Muller 455, Botafogo. Em São Paulo, dia 24 de agosto das 18:30 às 21:30, na Casa Jaya, Rua Capote Valente 305, próximo ao metrô Clínicas. A coletânea foi organizada por Sarita Albagli (Ibict), Maria Lucia Maciel (UFRJ) e Alexandre Hannud Abdo (GHC), e editada pelo Ibict e a Unirio. O livro conta com os seguintes capítulos:
  1. Ciência aberta em questão por Sarita Albagli
  2. Modos de ciencia: pública, abierta y común por Antonio Lafuente e Adolfo Estalella
  3. Ciência aberta: revolução ou continuidade? por Alessandro Delfanti e Nico Pitrelli
  4. O caminho menos trilhado: otimizando para os impactos desconhecidos e inesperados da pesquisa por Cameron Neylon
  5. O que é ciência aberta e colaborativa, e que papéis ela poderia desempenhar no desenvolvimento? por Leslie Chan, Angela Okune e Nanjira Sambul
  6. Ciência cidadã: modos de participação e ativismo informacional por Henrique Parra
  7. Hardware aberto para ciência aberta no sul global: Diplomacia geek? por Denisa Kera
  8. Ciência aberta: dos hipertextos aos hiperobjetos por Rafael Pezzi
  9. Dados abertos e ciência aberta por Jorge Machado
  10. Educação superior a distância, universidade aberta e ciência cidadã: o desafio das diferenças por Ludmila Guimarães
  11. Por que open notebook science? Uma aproximação às ideias de Jean-Claude Bradley por Anne Clinio
  12. Direções para uma academia contemporânea e aberta por Alexandre Hannud Abdo
Em breve, teremos também o livro digital (em português e em inglês) disponível no Portal do Livro Aberto do IBICT. Fonte: http://www.cienciaaberta.net/ciencia-aberta-questoes-abertas-o-livro/ Flattr this!

Acesso à Informação: CGU manda pedido da CAPES para a gaveta

- February 24, 2015 in CAPES, CGU, ciência aberta, Dados Abertos, Lei de Acesso, transparência

A solicitação era para que CAPES divulgasse as planilhas com os componentes da avaliação Qualis periódicos de todas as áreas – conforme pode ser visto neste e neste outro post. Cada uma das 24 coordenações de área do órgão é responsável por estabelecer os critérios que definem a nota dos periódicos onde é publicizada a ciência produzida no Brasil. Essa nota tem um papel fundamental para a avaliação acadêmica, pois é a partir dela que que se mede a produtividade, se avaliam pesquisadores e programas de pós-graduação e se distribuem verbas e bolsas. Ademais, a nota QUALIS está diretamente relacionada às relações de poder estabelecidas entre aqueles que controlam os canais de comunicação científica e a comunidade científica de modo geral. 5040638582_978b31874e_z Atualmente os critérios de onde derivam as notas dos periódicos são estabelecidos sem qualquer processo de consulta pública à comunidade acadêmica. Embora os critérios sejam expostos, com grau de detalhamento variável, pelas coordenações de área, eles não podem ser auditados em sua aplicação. A mesma se dá às escuras: não se conhece tais planilhas ou mesmo se elas existem. Isso dá margem a suspeitas sobre a influência de interesses políticos, uma vez que essa avaliação tem forte implicações na carreira de pesquisadores, no êxito de grupos de pesquisa e programas de pós-graduação, no sucesso comercial de editoras científicas e se relaciona ao acesso a recursos públicos oferecidos à ciência brasileira. A abertura desses documentos – que não estão sujeitos a qualquer situação de sigilo prevista pela Lei de Acesso à Informação (LAI) – é fundamental para que o processo possa vir a luz e ficar disponível ao escrutínio público. A CGU demorou cerca de 20 meses para decidir, sendo que em maio de 2013, o presidente da CGU tinha determinado que a CAPES disponibilizasse tais dados. Na resposta final da CGU, afirma-se que:
“A CGU buscou organizar reunião com a participação do cidadão e dos representantes da CAPES de modo a possibilitar compreender o processo de avaliação do sistema Qualis.” (23480.020334/2012-91, despacho de arquivamento)
  Cabe observar que em nenhum momento o solicitante foi procurado pela CGU para tal encontro. O parecer surpreendentemente afirma que não se “constatou não existirem documentos além daqueles já entregues ao cidadão”  – cabe dizer que a CAPES não entregou NADA do solicitado – e pede que o órgão passe a produzir e divulgar tais documentos:
“Por meio do Relatório de Auditoria no 201407745, a SFC constatou não existirem documentos além daqueles já entregues ao cidadão e recomendou à entidade aprimorar seus procedimentos de transparência no âmbito do Qualis, produzindo e divulgando em seu site documentos que demonstrem de forma detalhada a utilização dos indicadores previstos na metodologia (quantitativos e qualitativos) de modo a deixar claro como a comissão chegou à classificação dos periódicos.”
O relatório da “auditoria” da CGU tampouco foi disponibilizado pelo órgão, embora numa das respostas tivessem indicado que o documento estaria disponível no link http://sistemas.cgu.gov.br/relats/relatorios.php. Em busca no site da CGU, é possível localizar apenas relatório de auditoria de contas no órgão.
As Informações existem ou não existem?
Se as informações sobre como são aplicados os critérios não existem, então todo o sistema de avaliação da qualidade da produção científica brasileira seria um gigantesco castelos de cartas? Se confirmado, então esse complexo simulacro serviria para escamotear trocas de interesses pessoais e coletivas envolvendo imensos recursos públicos, de modo a torná-los imunes a qualquer auditoria. E se não existem registros públicos, estamos face a um escândalo de proporções gigantescas. Caso essas informações existam, a CGU como órgão de controle deixou de cumprir seu papel, mostrando não possuir nem força nem independência para fazer valer a lei.
Arquivamento do pedido
A conclusão do relatório, é pelo arquivamento do pedido:
“Por todo o exposto, opina-se pelo arquivamento do processo em epígrafe, haja vista inexistirem documentos adicionais a serem fornecidos ao cidadão, razão pela qual não merece prosperar a denúncia de descumprimento de decisão apresentada.”
Com o “arquivamento” do pedido, a CGU manda para sua gaveta um solicitação que atendia não apenas àqueles que defendem uma ciência aberta e transparente, mas ao interesse maior da sociedade brasileira, que é a ética na gestão pública. Cabe dizer que com mais de dois anos de lei e nenhuma punição por descumprimento da Lei de Acesso à Informação (LAI), a CGU parece se apequenar cada vez mais, mostrando que não é um órgão preparado para a importante função que lhe foi atribuída de zelar pelo cumprimento da LAI junto ao Poder Executivo Federal. Imagem: https://www.flickr.com/photos/eflon flattr this!

Participe do Encontro Virtual do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta

- November 18, 2014 in ciência aberta, encontro virtual, GT ciência aberta

Acontece no dia 25 de novembro, às 20h30, mais um Encontro Virtual do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta. Organizado de forma colaborativa, o encontro de novembro pretende discutir, entre outros tópicos, seu formato. O objetivo é melhorar a participação e a qualidade dos eventos. Na próxima reunião também se discutirá o desenvolvimento de um manual de ciência aberta, a realização de oficinas temáticas e a conjuntura de 2015. O encontro também é uma oportunidade para os novos membros ou interessados em participar do Grupo de Trabalho se apresentarem e conhecerem as atividades desenvolvidas pelos demais. As discussões do grupo podem ser acompanhadas pelos canais do GT e na página dos encontros na Wikiversidade, onde também é possível se sugerir novos temas para discussão. Para participar basta acessar https://meet.jit.si/cienciaaberta (em caso de problemas utilizar #cienciaaberta na Freenode: https://kiwiirc.com/client/irc.freenode.org/#cienciaaberta) no dia e horário marcados. Criado em 2013, o Grupo de Trabalho em Ciência Aberta é parte de uma rede global de ciência aberta apoiada pela Open Knowledge. No Brasil, ele é formado por pesquisadores e pesquisadoras em dezenas de universidades brasileiras que buscam promover e estudar práticas abertas na ciência. Atualmente, o grupo mantém um blog com textos de reflexão e notícias sobre o tema, além de uma lista de emails aberta onde as pessoas interessadas podem se inscrever para acompanhar as discussões e se envolver com as atividades do grupo. Serviço: Saiba mais: Imagem de capa: Por English: U.S. Department of Defence [Public domain], via Wikimedia Commons flattr this!

Unesco e Unicamp lançam cátedra em educação aberta

- October 31, 2014 in cátedra, ciência aberta, Destaque, Educação Aberta, MIRA, REA, unesco, unicamp

Será inaugurada no dia 11 de novembro, a Cátedra em Educação Aberta da Universidade de Campinas (Unicamp) em parceria com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura). Na ocasião, Celso Costa, diretor Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal Fluminense, dará a palestra inaugural com o título “Trajetória da educação aberta nos meus caminhos de professor”. Costa foi coordenador geral da Universidade Aberta do Brasil e atualmente coordena o grupo de pesquisa Formação de professores e Tecnologias de Informação e Comunicação (CNPq). Para participar do evento, basta se inscrever aqui. A iniciativa busca promover pesquisa e capacitação na área de educação aberta e recursos educacionais abertos, facilitando a colaboração entre pesquisadores e professores da área no Brasil e no mundo. Seus objetivos são: desenvolver e implementar atividades que busquem compreender como as práticas e espaços do ensino público básico e de ambientes não-formais de aprendizado podem implementar o uso e produção de Recursos Educacionais Abertos (REA); fomentar a adoção e disseminação de políticas de acesso aberto e licenciamento aberto; promover a criação e disseminação de recursos digitais que possam ser utilizados em ambientes educacionais, entre outros. Além disso, a proposta é se criar uma rede de colaboração internacional ao redor dos temas de educação aberta e REA que possa facilitar a troca de conhecimentos nos níveis nacional, regional e global. Leia a seguir entrevista com Tel Amiel, coordenador da Cátedra, Pesquisador do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED) na Unicamp e coordenador do projeto Mapa de Iniciativas de Recursos Abertos (MIRA) feito em parceria entre a OKBr, Instituto Educadigital e a ESPOL (Ecuador).
Na entrevista, o coordenador da cátedra, Tel Amiel, fala sobre seu histórico e atividades, o conceito e pesquisas em educação aberta e indica referências onde encontrar Recursos Educacionais Abertos (REA).

Na entrevista, o coordenador da cátedra, Tel Amiel, fala sobre seu histórico e atividades, o conceito e pesquisas em educação aberta e indica referências onde encontrar Recursos Educacionais Abertos (REA).

O que é educação aberta? Como essa ideia dialoga com o movimento mais amplo pelo conhecimento livre? No Livro REA eu defini educação aberta como: “Fomentar (ou ter a disposição) por meio de práticas, recursos e ambientes abertos, variadas configurações de ensino e aprendizagem, mesmo quando essas aparentam redundância, reconhecendo a pluralidade de contextos e as possibilidades educacionais para o aprendizado ao longo da vida”. O essencial, para mim, é pensar na articulação de vários modelos e propostas. É ir além da noção simplista e recorrente de que a mudança educacional precisa necessariamente suplantar algo que já existe. Podemos agregar novas configurações de ensino e novas oportunidades de aprendizagem ao que já existe. É nesse embate que geramos mudança no que está posto e calibramos as novas propostas. Você poderia resumir um pouco o histórico e características principais da parceria que resultou na cátedra? A Cátedra nasceu de um bate papo que tive durante uma conferência com Rory McGreal, que é coordenador da Cátedra Unesco em REA na Athabasca University. Desta conversa veio outra, em Paris com Abel Caine, que coordena as iniciativas relacionadas à REA na Unesco e incentivou a criação do projeto. Já começamos a trabalhar em parceria com outras Cátedras em temas relacionados (estas existem atualmente no Canadá, Eslovénia, Holanda, Nova Zelândia e México). A criação de redes internacionais de colaboração é um objetivo central da instauração de Cátedras pela Unesco. Para nosso projeto, o enfoque é o no ensino básico e na formação docente, o que complementa o trabalho dos outros parceiros que agem com maior esforço em outras áreas (como no ensino superior).

Tel Amiel, Priscila Gonzalez e Everton Zanella durante o lançamento do projeto Mira

Qual a importância dessa cátedra para a pesquisa na área de educação aberta e REA no Brasil? Que atividades se pretende desenvolver? O estabelecimento da Cátedra vem para reconhecer o trabalho que é feito no Brasil por ativistas, professores, pesquisadores e educadores, particularmente no que tange a área de recursos educacionais abertos. Esperamos que ela fortaleça e possa dar maior exposição a toda essa produção. Com a Cátedra, temos como intenção de continuar e expandir a nossa linha de trabalho. Isso inclui a produção de material e oportunidades para formação e a pesquisa. Em 2013 fizemos um projeto piloto com um grande número de parceiros, um Curso Aberto sobre “abertura” que buscaremos replicar em 2015. Continuamos o trabalho em torno do Caderno REA e da Bibliografia REA que servem como porta de entrada para o tema. Ainda esse ano, entregaremos uma análise detalhada dos portais de recursos abertos na América Latina por conta do projeto MIRA e continuaremos nossa colaboração central na construção de uma cartografia global sendo desenvolvida sobre REA. Buscaremos expandir nosso trabalho de pesquisa em torno da Universidade Aberta do Brasil (grupo coordenado pela UFF, em parceria com a UEL). Como as universidades e pesquisadores brasileiros têm trabalhado o tema da educação aberta? Como você avalia a pesquisa que tem sido desenvolvida nessa área? A noção de uma “educação aberta” pode ser interpretada de múltiplas maneiras, portanto não é fácil definir uma linha de trabalho comum. Parte do nosso esforço futuro será o de juntar noções históricas e contemporâneas sobre abertura. Isso inclui o legado da educação alternativa do início do século XX, caminhando pela educação progressiva e o movimento do “open education” nos anos 60-70. Hoje, propulsionado pelo crescimento do movimento REA, “educação aberta” está muito ligado às oportunidades de aprendizado que existem gratuitamente na web. É interessante buscar paralelos teóricos e práticos nessa trajetória, identificando como isso pode impactar nossa visão de escola e formação docente para o futuro. A história e pesquisa brasileira nessa área é rica e incluem desde a pedagogia crítica à projetos importantes em educação democrática. Qual a importância de se criar uma rede de intercâmbio internacional sobre o tema? A questão da “abertura” na educação tomou proporções globais e interdisciplinares. Precisamos nos conectar cada vez mais com outras iniciativas e trocar experiências com outros países e grupos de estudo. Serve para oxigenar o debate em torno de REA/EA, particularmente no ensino superior. Digo isso porque o que é discutido como inovador ainda é dominado pelo contexto de países ricos e falantes de inglês — precisamos de maior pluralidade. Que iniciativas brasileiras na área de REA / Educação Aberta você destacaria? Terminamos recentemente um projeto, o Mapa de Iniciativas de Recursos Abertos (MIRA) que tem como enfoque uma área ainda pouco estudada: repositórios voltados para o ensino básico na América Latina. Este recorte rendeu um mapa interativo e detalhado de vários projetos notáveis. Esperamos dar maior visibilidade a essas iniciativas, identificar boas práticas e compartilhar esse conhecimento. Além disso, a Comunidade REA (rea.net.br), da qual participo, é um projeto pioneiro no Brasil, que tem atuado fortemente para sensibilizar, formar e construir política pública sobre o tema. O Grupo de Trabalho sobre Ciência Aberta que conta com vários atores e projetos expressivos nessa área, é também uma referência. Um bom recurso para quem tem interesse na área e alguns de seus atores é o Livro REA. Foto de capa: Teacher in classroom flattr this!

O estado da matemática no acesso aberto

- October 24, 2014 in acesso aberto, ciência aberta, Destaque, matemática, MathML, Open Access Week

(Publicado primeiro no blog do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta) Na semana de 20 a 26 de outubro, ocorre a Open Access Week e o Mozilla Festival, que possui uma ótima trilha de ciência. Este post traz alguns pensamentos sobre matemática, acesso aberto e esses dois eventos. Acesso Aberto e Matemática Da Budapest Open Access Initiative temos:
“By ‘open access’ to this literature, we mean its free availability on the public internet, permitting any users to read, download, copy, distribute, print, search, or link to the full texts of these articles, crawl them for indexing, pass them as data to software, or use them for any other lawful purpose, without financial, legal, or technical barriers other than those inseparable from gaining access to the internet itself. The only constraint on reproduction and distribution, and the only role for copyright in this domain, should be to give authors control over the integrity of their work and the right to be properly acknowledged and cited.”
Infelizmente, atualmente, qualquer recurso matemática em acesso aberto não encontra-se totalmente de acordo com a definição de Budapeste pois algumas vezes usuários não podem ler ou buscar ou transmitir a expressão matemática para um software devido a barreiras técnicas. Continue a ler para entender isso. Dispositivos Usuários deveriam ser capazes de ler expressões matemáticas independente do dispositivo que possuem. Você já tentou ler uma expressão matemática em um dispositivo pequeno (como um celular)? small-screen-200x300 Em alguns casos a expressão matemática é maior que a tela e o dispositivo não quebra a equação em múltiplas linhas nem deixa o usuário rolar a tela ou ampliar/reduzir o texto. Expressões Matemáticas como Imagens Atualmente, na maior parte do tempo, o que você encontra na Internet é uma imagem rasterizada (pense em um arquivo JPG). Isso não ajuda o acesso aberto, pois você não pode remixar, buscar ou usar a expressão como entrada para um programa de computador. Se você possuir alguma dificuldade visual, também pode não conseguir ler a expressão. Existe uma solução? Sim, MathML. MathML é um padrão proposto pelo W3C que possibilita remixar, buscar ou usar a expressão como entrada para um programa de computador (que torna possível oferecer soluções para pessoas com dificuldades visuais). Ferramentas de Escrita para MathML Já temos uma longa lista de ferramentas com suporte para produzir MathML. No caso do acesso aberto, gostaria de destacar pandoc, que converte vários formatos de arquivo para HTML+MathML e LaTeXML, que converte LaTeX para HTML+MathML e possui suporte a vários pacotes LaTeX. Ferramentas de Leitura para MathML Ferramentas para renderizar MathML é o grande empecilho para adoção de MathML. O motor utilizado pelo Firefox e Chrome possuem suporte ao MathML (Chrome não é distribuido com suporte a MathML) mas o Gecko, o motor do Firefox, ainda precisa seguir parte da especificação do W3C (quebra de expressões em linhas e matemática elementar) e o WebKit, o motor do Chrome, precisa de várias melhorias e, também, seguir parte da especificação do W3C. mathml-on-epiphany-273x300 mathml-on-firefox-279x300 Nota: A maior parte, se não toda, da implementação do suporte ao MathML no Gecko e WebKit foi feito por voluntários que algumas vezes têm a sorte de ter sucesso em projetos de crowd founding para alavancar o suporte ao MathML. MathML na Open Access Week e MozFest Estou um pouco desapontado por não ter visto notícias relacionadas com MathML durante a Open Access Week e que, algumas vezes, a conversa em grupos de Acesso Aberto limitação a licenças e barreiras financeiras. Em relação ao MozFest, também não vi nenhuma proposta dedicada ao MathML mas tenho esperança de ouvir alguma coisa da sessão sobre ferramentas para escrita. flattr this!