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[Tradução] Apresentando Datashades.info, um serviço à Comunidade CKAN

- October 16, 2019 in ciência aberta, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, Open Knowledge Foundation

* Texto originalmente publicado no blog da Open Knowledge Foundation, traduzido por Augusto Herrmann Você usa o CKAN para sustentar um portal de dados abertos? Nesta postagem a convite a Link Digital explica como você pode aproveitar a sua mais nova iniciativa, o Datashades.info. Datashades.info é uma ferramenta projetada para fornecer insumos para pesquisadores, gestores de portais e a comunidade técnica em geral e apoiar as iniciativas de dados abertos relacionadas a dados hospedados em plataformas com CKAN. A Link Digital criou o serviço online por meio de alguns lançamentos alfa e considera o datashades.info, agora em beta, como uma iniciativa de longo prazo que eles esperam melhorar com mais funcionalidades em futuros lançamentos. Especificamente, o Datashades.info fornece um índice acessível ao público de metadados e estatísticas sobre portais de dados com CKAN ao redor do mundo. Para cada portal, algumas estatísticas são agregadas e apresentadas envolvendo número de conjuntos de dados, usuários, organizações e tags de conjuntos de dados. Essas estatísticas dão aos gestores de portais a capacidade de comparar rapidamente o tamanho e o escopo de portais de dados com CKAN para ajudar a informar os seus planos de desenvolvimento. Além disso, para cada portal, a informação sobre plugins instalados é coletada, juntamente com a presença relativa desses plugins em todos os portais do índice. Isso possibilitará aos desenvolvedores do CKAN rapidamente ver quais extensões são as mais populares e em que portais elas estão sendo usadas. Por fim, todos os dados históricos são persistidos e tornados publicamente acessíveis, permitindo a pesquisadores analisar as tendências históricas nos dados de qualquer portal CKAN indexado. O Datashades.info foi construído para suportar um modelo de indexação baseado em crowdsourcing. Se um visitante pesquisar por um portal CKAN e ele não for encontrado no índice, o sistema irá consultar imediatamente esse portal e tentar gerar na hora uma nova entrada no índice. A agregação das estatísticas de um novo portal no Datashades.info também acontece automaticamente. Maximize a ferramenta e obtenha informações interessantes com as seguintes funcionalidades: Dados abertos globalmente acessíveis Com o Datashades.info, você pode facilmente acessar um índice de metadados e estatísticas sobre portais de dados com CKAN ao redor do mundo. Para fazer isso, simplesmente digite a URL do portal na página inicial e clique em “Search”. Valores integrados de todas as métricas Depois de entrar com a URL de um portal, o Datashades.info irá carregar as suas informações. Depois de alguns segundos, você será capaz de ver uma relação de dados sobre usuários do portal, conjuntos de dados, recursos, organizações, tags e plugins. Gestores de portais podem ter acesso a estes pela página individual do portal que pode ser encontrada no site. Dados históricos facilmente rastreados Quer revisitar dados que você explorou anteriormente? A ferramenta também guarda dados antigos em um índice histórico que os utilizadores podem explorar a qualquer momento em qualquer página de portal ou ao clicar “View All Data Portals” na página principal. Crowdsourcing   O Datashades.info usa crowdsourcing para construir o seu índice. Isso significa que os utilizadores podem facilmente adicionar qualquer portal de dados com CKAN que não se encontre no site. Para fazer isso, simplesmente pesquise por um portal que você conhece e ele será automaticamente adicionado ao site e às estatísticas globais. Como o projeto permanece em um nível beta de maturidade, ele ainda carece de melhorias em muitas áreas. Mas com o feedback contínuo vindo da comunidade CKAN, espere que mais dados e funcionalidades serão adicionados em lançamentos futuros. Por enquanto, dê uma olhada e fique ligado! Flattr this!

‘Apagão’ de dados é risco para toda a sociedade: queremos mais transparência e respeito à ciência

- August 5, 2019 in Dados Abertos, Destaque, Open Knowledge Brasil

As entidades abaixo-assinadas acompanham com preocupação a tendência do atual governo de contestar, sem base científica, dados produzidos por agências do próprio governo e institutos de pesquisa de sólida reputação. Também alertam para os riscos da interrupção de estudos científicos e mudanças em metodologias há anos aplicadas para apoiar políticas de interesse público, como as de preservação ambiental e de combate ao desmatamento. A notícia da última sexta-feira (2 de agosto) da exoneração do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, Ricardo Galvão, vem na esteira de uma série de outras ações direcionadas a institutos nos últimos meses, como IBGE, Ibama e Inep. Em vez de agir sobre a realidade, o governo prefere atacar os dados que a descrevem, demonstrando pouco apreço por estudos científicos e evidências que, na verdade, deveriam embasar as políticas públicas. Os dados do INPE que foram alvo de questionamento vêm sendo tornados públicos ativamente na plataforma Terra Brasilis, lançada pelo instituto em 2018 para reunir dados de dois importantes sistemas de monitoramento da vegetação nativa: o PRODES e o DETER. A divulgação desses dados indicava um aumento do desmatamento no país, o que gerou desconforto em setores do governo. O acesso aos dados públicos é fundamental para que a sociedade possa observar a realidade, realizar análises independentes sobre ações do governo e exercer o controle social para que os interesses públicos sejam defendidos. O acesso à informação pública está previsto na Constituição brasileira e regulamentado pela Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação Pública – LAI). Por isso, dados públicos não devem ser vistos como instrumento publicitário, ou seja, usados apenas quando indicam situações favoráveis ou quando comprovam posições pré-estabelecidas. O compromisso de disponibilização de dados públicos completos, atuais e acessíveis é fundamental para que as discussões e decisões sobre políticas públicas sejam alicerçadas em fatos, evidências e participação social. Além disso, o Brasil aderiu a compromissos internacionais na área de governo aberto, propondo-se a ampliar a informação disponível sobre atividades governamentais e implementar os mais altos padrões de integridade profissional em toda a administração pública. As recentes intervenções em institutos que coletam e disponibilizam dados cruciais para accountability e controle social são contrários a essas diretrizes, além de opostos a princípios constitucionais de moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência. Interromper a divulgação de dados que permitem o acompanhamento de outras obrigações internacionais, como o Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, traz impactos negativos na imagem do Brasil, no âmbito das relações internacionais. Os dados resultantes do trabalho de institutos de pesquisa e produção científica como o INPE não pertencem a um governo ou administração vigente, mas a toda a população brasileira. As organizações que assinam esta carta ressaltam a importância de que a produção e publicação dos dados seja mantida e fortalecida com os insumos necessários. Qualquer mudança metodológica na forma de coleta ou análise desses dados deve ser devidamente esclarecida e debatida com a sociedade civil, tratada com transparência e de acordo com os princípios de governo aberto e dos acordos internacionais. Assinam: Abraço Guarapiranga Agenda Pública ARTIGO 19 BRASIL Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) Espaço de Formação Assessoria e Documentação Greenpeace Brasil Instituto Centro de Vida Instituto Cidade Democrática Instituto Construção Instituto de Governo Aberto Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (IMAFLORA) Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social Observatório do Código Florestal (OCF) Open Knowledge Brasil (OKBr) Programa Cidades Sustentáveis Rede GTA – Grupo de Trabalho Amazônico Rede pela Transparência e Participação Social (RETPS) Transparência Brasil Flattr this!

Outros projetos de dados abertos que você pode ajudar

- July 11, 2019 in Dados Abertos, Destaque

*Por Pedro Vilanova e Adriano Belisário Estamos muito felizes que a campanha de crowdfunding da Escola de Dados foi um sucesso. Com 279 apoiadores, a iniciativa bateu e superou a meta estabelecida. Além do valor arrecadado, entre muitas mensagens, retuítes e palestras durante as semanas de campanha, podemos perceber a movimentação de pessoas com vontade de atuar ou auxiliar iniciativas que trabalham com dados abertos. Isso sem contar no empenho da própria comunidade, que ajudou a aumentar o engajamento e foi essencial para alcançarmos nosso objetivo. Quando uma iniciativa de dados abertos ganha, toda a comunidade também ganha. Pensando nisso, decidimos fazer uma lista de outros projetos da comunidade de dados abertos dos quais somos fãs e que todos os entusiastas da área deveriam conhecer e, se possível, colaborar. Todos têm o mesmo em comum: precisam da colaboração financeira das pessoas para que consigam continuar seu trabalho. Fiquem Sabendo O Fiquem Sabendo é mais uma iniciativa independente. Seu trabalho é de uma agência que busca, analisa, apura e transforma dados sobre serviços públicos em informação clara para a população, que pode acompanhar com facilidade como parte do dinheiro arrecadado pelo Estado está sendo utilizado. Atualmente, eles estão com uma campanha de crowdfunding recorrente ativa. Vale conhecer e colaborar. Colaboradados O Colaboradados é um projeto colaborativo, criado por amigos, para melhorar a transparência e o acesso a dados públicos por parte da população. Totalmente voluntário e sem fins lucrativos, a iniciativa tem um amplo menu com diferentes tipos de dados trabalhados pelos integrantes. Esse trabalho também por ser auxiliado por meio de um financiamento coletivo recorrente. Acesse aqui. Transparência Brasil Outra iniciativa com ampla atuação na abertura de dados e no empoderamento da população para monitoramento social é a Transparência Brasil. O grupo é responsável por projetos como o “Às claras” e o “Tá de pé?”, que auxiliam o acompanhamento da gestão pública e dos políticos. Você pode apoiar o trabalho da Transparência Brasil no financiamento organizado pela instituição. Brasil.IO O Brasil.IO é uma iniciativa que trabalha de forma contínua dando maior acessibilidade a bases de dados públicas antes inacessíveis. A partir do trabalho de “libertação de dados”, como o próprio projeto define, diversos datasets são disponibilizados para a população, auxiliando outras iniciativas e levando mais informação para a população. É possível colaborar com código para o projeto e fazer parte de seu crowdfunding. Vale muito a pena participar dessa iniciativa. Tem alguma iniciativa em dados abertos? Manda pra gente aqui nos comentários. Dissemine na comunidade. Assim, todo mundo ganha. Flattr this!

Quer entender sobre a gestão do Sistema de Justiça no Brasil? Conheça o Justa

- June 6, 2019 in Dados Abertos, Destaque, Open Knowledge Brasil

O Justa é um projeto de pesquisa que se propõe a facilitar o entendimento do financiamento e da gestão do Sistema de Justiça a partir da visualização de dados públicos, em formato acessível e inovador. Quais impactos a proximidade entre os Três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – pode ter na vida social e na organização democrática, principalmente quando o assunto é segurança pública e justiça criminal? O Justa será lançado no dia 11 de junho, às 17h, na Casa de Francisca, em São Paulo, e é realizado pelo IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), em parceria com a Open Knowledge Brasil. O projeto ainda conta com a assessoria de um comitê formado por integrantes de conceituadas instituições de pesquisa do Brasil e do mundo. O lançamento conta com o seminário “Sistema de Justiça, orçamento público e desigualdades – Há uma porta de saída para o sistema prisional?”, que discutirá os principais tópicos envolvidos na criação da ferramenta. Natália Mazotte, diretora-executiva da OKBR, falará sobre o tema “Transparência e democracia”. As inscrições estão abertas e vão até o dia 10 de junho. O evento oferece vagas nas modalidades presencial e à distância. Confira a programação completa e inscreva-se. Saiba mais sobre o projeto. Flattr this!

CGU, NIC.BR e FGV-DAPP mapeiam ecossistema de dados abertos

- May 21, 2019 in Dados Abertos, governo aberto

  • com informações da CGU
A Controladoria-Geral da União (CGU), o Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV-DAPP) estão mapeando o ecossistema de dados abertos para o Compromisso nº 2 do 4º Plano Brasileiro de Governo Aberto. O questionário tem como objetivo entender como funciona, na prática, as atuações individuais e em rede que dão forma ao ecossistema brasileiro de dados abertos. As informações coletadas servirão para identificar e mapear os atores deste ecossistema nas três esferas de governo e na sociedade. O mapeamento proverá informações importantes para as organizações avançarem no desenvolvimento de soluções conjuntas na área. Interessados podem contribuir até o dia 2 de junho. Clique aqui para responder o questionário. Flattr this!

Mapeamento aberto no Brasil no Open Data Day 2019

- April 3, 2019 in Dados Abertos

Este relatório faz parte da série de relatórios de eventos sobre o Dia Internacional dos Dados Abertos de 2019. O Code for Curitiba e a Open Knowledge Brasil / UG Wikimedia no Brasil receberam financiamento através do esquema de mini-grants do Mapbox para organizar eventos sobre o tema Mapeamento aberto. Este é um relatório conjunto de Ricardo Mendes Junior e Celio Costa Filho: suas biografias estão incluídas no final deste post.

Open Data Day São Paulo

O Open Data Day é uma celebração anual de dados abertos que ocorre em todo o mundo. Em sua nona edição, em 2019, pessoas de vários países organizaram eventos usando e / ou produzindo dados abertos. Esta é uma ótima oportunidade para mostrar os benefícios dos dados abertos e encorajar a adoção de políticas de dados abertos no governo, nos negócios e na sociedade civil. No Brasil, alguns desses eventos ocorreram na primeira quinzena de março. A iniciativa de realizar um desses eventos na cidade de São Paulo veio de dois voluntários do grupo Wiki Movimento Brasil. A ideia do evento veio após o desastre da barragem de Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, quando uma barragem de rejeitos em uma mina de minério de ferro em Brumadinho, Minas Gerais, sofreu uma falha catastrófica. Nesse contexto, percebemos a importância da existência de dados de barragens brasileiras de rejeito devidamente estruturadas em plataformas abertas e com dados legíveis por máquina, como a Wikidata. Isso ficou ainda mais visível quando, até o final de janeiro deste ano, um relatório da Agência Nacional de Águas classificou 45 reservatórios de represas como vulneráveis, afetando potencialmente uma população de 3,5 milhões de pessoas em cidades com barragens de risco. A finalidade deste Open Data Day, portanto, era realizar a captura de bancos de dados cujo conteúdo é gratuito e criar itens no Wikidata ricos em informações estruturadas sobre as barragens existentes no Brasil. O site do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens, controlado pela Agência Nacional de Águas, era a principal fonte; o site registra mais de 3.500 barragens. Uma vez que os dados foram organizados em uma planilha, o processo de “wikidadização” começou com a ajuda dos participantes do evento. Dados Wikidadizar nada mais é do que modelar dados estruturáveis, isto é, tentar estabelecer correspondências entre os conceitos e valores apresentados na tabela de dados e as propriedades e itens do Wikidata. Somente após a wikidadização é possível fazer o upload dos dados para o Wikidata. Cada participante do evento levantou cerca de 500 itens de barragens. Os itens criados neste evento podem servir a vários propósitos, como a ilustração dos mapas de barragens por nível de dano potencial associado (http://tinyurl.com/yyavll5o) e verificação cruzada das estatísticas de segurança de barragens com outros bancos de dados (por exemplo, os relacionados nas notícias brasileiras hoje: https://bit.ly/2CxqOla O evento foi organizado pelos membros do Wiki Movimento Brasil e contou com o apoio da Creative Commons Brasil. Exemplo de mapa: https://bit.ly/2Fwtdid Fotos: https://commons.wikimedia.org/  

Open Data Day Curitiba 2019

O Open Data Day Curitiba 2019 foi realizado no Centro de Treinamento do FIEP Paula Gomes e contou com 61 pessoas participando, em 4 salas de trabalho e assistindo as palestras no auditório. A programação de palestras contou com a colaboração de 11 convidados especiais que falaram 15 minutos cada um, nos temas Acesso e reutilização de dados científicos, Dados abertos de gastos públicos em formatos acessíveis, Ciência aberta: Repositório de dados científicos de Pesquisa, Mapeamento Colaborativo, Educação aberta e tecnologia educacional aberta, Impactos da Lei de Proteção de Dados Gerais brasileira, Sistemas de Informação para transporte público, Uso da metodologia City Information Modeling (CIM) para planejamento urbano, Transparência e controle social, Roteiro para inovação cívica no setor público e Urbanismo e mapeamentos colaborativos, engajamento cívico e laboratórios urbanos. Na abertura do evento, a diretora da Agência Curitiba / Vale do Pinhão, Cris Alessi, falou sobre o ecossistema de inovação de Curitiba e quais ações podemos realizar como participantes do movimento de hackers cívicos e incentivando os dados públicos abertos. Nas salas de trabalho os participantes discutiram e desenvolveram atividades relacionadas aos temas do ODD Curitiba 2019.  

Ciência aberta

Na sala de trabalho de Ciência aberta, 13 pessoas participaram das atividades e o grupo começou a discutir a contextualização do conceito de dados científicos e algumas abordagens internacionais sobre o tema, a diferenciação entre informação científica e produto de pesquisa. O grupo então identificou três conjuntos de dados, analisando suas estruturas (dados, documentação e apoio da publicação original que contextualiza as informações). Após essa atividade, o grupo discutiu os 8 Princípios de Panton que analisam a qualidade dos dados abertos e discutiu os repositórios https://www.re3data.org/ e https://www.kaggle.com/. Como última atividade, discutiram o contexto dos dados científicos em periódicos científicos, os tipos de licença de copyright para dados e a dificuldade de obter informações a partir dos dados publicados na plataforma http://lattes.cnpq.br/.  

Acompanhando o fluxo de dinheiro público

Na sala de trabalho “Acompanhando o fluxo de dinheiro público”, 28 pessoas participaram. As discussões iniciais foram sobre dinheiro gasto em eventos públicos e ações de políticas públicas que usam recursos públicos e como encontrar o destino desses recursos nos documentos da cidade (ofertas, compromissos, avisos, etc.). Após essa discussão, o grupo decidiu concentrar-se no acompanhamento dos gastos com medicamentos e nos custos do transporte público. Então, eles começaram a discussão com questões relacionadas a essas despesas. Posteriormente, foi elaborado um mapa com a trilha do dinheiro para essas despesas, incluindo as fontes de informação. Essa trilha será aprimorada pelo grupo, que se comprometeu a continuar trabalhando nessas ideias. E a conclusão do grupo é que o engajamento cidadão é o melhor remédio e foi resumido em uma frase:
“O Ministério da Saúde adverte: a participação cidadã é o melhor remédio para a gestão da saúde pública.”

Mapeamento Aberto

Na sala de trabalho de Mapeamento Aberto foi realizada a 1ª Mapatona de Acessibilidade Urbana de Curitiba (Mapatona = Maratona de Mapeamento Colaborativo). A atividade consistiu na coleta de informações no campo de cerca de 800 metros de calçadas, por equipe, na vizinhança da localização do evento. Com a ajuda de aplicativos móveis, foram coletadas situações relacionadas a problemas de acessibilidade, com coordenadas, fotos e vídeos. A lista de verificação tinha 18 itens, como pavimento irregular, rampa de acessibilidade irregular ou inexistente, buraco nas faixas. Após a coleta, os dados brutos foram editados utilizando o software gratuito QGIS, gerando os mapas finais unificados que foram disponibilizados para a comunidade através de um mapa online (https://goo.gl/UWezNK). Foram levantados 39 problemas de acessibilidade nos arredores.  

Ônibus.io

8 pessoas participaram da sala de trabalho do projeto do ônibus.io. A iniciativa, iniciada em 2019 e mantida pelo Code for Curitiba, pretende ser um agregador de dados relacionados ao transporte público na cidade de Curitiba. No evento, os líderes do projeto, Guilherme e Henrique, apresentaram o projeto, levantaram questões e os participantes discutiram maneiras de identificar as respostas. Eles realizaram uma pesquisa exploratória de serviços públicos e privados, extraíram dados e estudaram o serviço da web fornecido pela URBS (Urbanização de Curitiba S / A). Eles criaram uma tabela comparativa para identificação de linhas em diferentes serviços e codificaram em PHP + HTML uma visão desses cronogramas. Ao final, aproveitaram a oportunidade para desenvolvimento e integração com o projeto Kartão, desenvolvido no Code for Curitiba em 2016, que apresenta os pontos de venda e recarga do cartão de transporte público.

Resultados

O Open Data Day Curitiba nos anos anteriores também foi realizado pelo Código de Curitiba. O ODD de 2019 foi maior na participação do público e nas atividades realizadas. Os resultados obtidos neste ano incluem alguns resultados diretos indicados abaixo. Um grupo formado para discutir e implementar uma solução para rastrear o dinheiro público aplicado em medicamentos em Curitiba. A atividade da 1ª Mapatona de Acessibilidade Urbana de Curitiba resultou em informações geolocalizadas que serão entregues ao Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba) demonstrando como é possível, por meio da tecnologia, envolver a população no planejamento urbano colaborativo com o mapeamento de informações da cidade. O projeto ônibus.io recebeu contribuições valiosas dos participantes e passou a contar com novos colaboradores. Todos os projetos em desenvolvimento no Code for Curitiba são realizados por voluntários. As discussões sobre o Open Research Data iniciadas no ODD 2018 avançaram. E finalmente, a avaliação feita pelos participantes considerou o evento positivo para entender os desafios existentes para trabalhar com dados abertos e que a integração de dados ainda requer grande trabalho. Os participantes do mapeamento colaborativo gostaram da ideia de usar dados georreferenciados para a melhoria da cidade. Todos foram unânimes em afirmar que gostariam de continuar nas atividades propostas pelo ODD 2019, gostariam de receber mais informações e consideram essas atividades importantes e de grande impacto para a cidade e para o entendimento de cidadania efetiva.

Mais informações e fotos:

Biografia

O Code for Curitiba é uma brigada do Code for Brazil, inspirada no Code for America. Usa os princípios e práticas da era digital para melhorar a forma como o governo serve ao público e como o público melhora o governo. Para inspirar os funcionários públicos, as pessoas do setor de tecnologia e os organizadores da comunidade a criar mudanças ao provarem que o governo pode fazer melhor e mostrar aos outros como. Fornecem ao governo acesso aos recursos e talentos digitais necessários para que juntos possamos impactar significativamente alguns dos desafios sociais mais difíceis do mundo. Conectando e convocando pessoas de dentro e de fora do governo e de todo o mundo para se inspirarem, compartilharem sucessos, aprenderem, construírem e moldarem uma nova cultura de serviço público para o século XXI. Ricardo Mendes Junior é atualmente o capitão do Code for Curitiba. Graduado em Engenharia Civil e PhD em Engenharia de Produção, atualmente é professor da Universidade Federal do Paraná, atuando no Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação. Seus tópicos de interesse são: Engenharia da Informação, City Information Modeling (CIM), produção colaborativa, participação pública através de mapeamento colaborativo, crowdsourcing e inteligência artificial, crowd collaboration e empreendedorismo cívico. Celio Costa Filho é membro fundador da Open Knowledge Brasil, do grupo de usuários do Wiki Movimento Brasil e coordenador wiki do Creative Commons Brasil. Flattr this!

Open Data Day Fortaleza 2019: os highlights do evento

- April 2, 2019 in Dados Abertos

  • Texto por Thays Lavor
Este ano, o Open Data Day chegou à capital cearense com uma vasta programação, incluindo oficinas, debates, web-conferência e palestras. As atividades buscaram a interdisciplinaridade das áreas do conhecimento e envolveram servidores públicos, desenvolvedores, designers, estatísticos, cientistas sociais, economistas e jornalistas. Ciência aberta, rastreamento do fluxo de dinheiro público, mapeamento aberto e desenvolvimento igualitário. Focado nestes quatro eixos o Open Data Day Fortaleza reuniu um público de 50 pessoas com o objetivo de incentivar governos, empresas e a sociedade civil a usarem dados abertos em suas iniciativas. Durante essa edição do evento foram apresentadas ferramentas, leis e métodos importantes para se trabalhar com os dados públicos disponíveis atualmente. Um dos principais resultados das oficinas foi a extração dos gastos dos 46 deputados estaduais com a  Verba de Desempenho Parlamentar (VDP). Apesar de estarem disponibilizados no site da Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), os dados encontram-se em formato fechado, no caso PDF, o que dificulta a análise por parte da sociedade em geral. Foram obtidas informações da última legislatura, 2015 a 2018, e dos primeiros meses da nova composição da AL-CE, empossada este ano. O resultado da extração aponta que dentre as 20 categorias de despesas permitidas pela VDP,  os maiores gastos por ano dos parlamentares são com combustível, refeição e serviços de telecomunicações. Além de estarem bem sujos, com repetição de nomes e não padronização da nomenclatura, espaço vazios, entre outros problemas, verificou-se também uma padronização dos valores dos gastos em diversos meses. Um exemplo é o gasto com combustível, é difícil encontrar um  valor diferente de R$ 6 mil. Fora os problemas apresentados acima, existe ainda a falta de transparência com as despesas. Isso porque  os gastos não são detalhados, ou seja, é impossível saber quem são os fornecedores e CNPJs, pois a documentação, incluindo notas fiscais que possam comprovar os gastos de cada parlamentar,  não é apresentada. A casa registra apenas que o dinheiro foi gasto com uma determinada categoria. O trabalho de extração, limpeza e visualização destes dados foi feito pelos pelos cientistas da computação André Campos, que ministrou a oficina de web scraping com R, Riverson Rios, responsável pela limpeza de dados, e Emanuele Santos, responsável pela oficina de visualização de dados com R. Os códigos utilizados para a raspagem estão disponíveis neste link e os de visualização aqui. Já o arquivo em CSV você pode ser acessado neste link. Além das três oficinas acima citadas, o evento também contou com uma atividade de introdução ao R, com a cientistas sociais Carla Marques e Isabel Melo. Já os debates giraram torno da importância de temas como Lei de Acesso à Informação (LAI), Mapeamento Aberto, Dados Abertos e Jornalismo de Dados para a democracia. O evento foi encerrado com o Cerveja Com Dados, uma iniciativa da Escola de Dados que busca aproximar pessoas interessadas no trabalho com dados a partir de um bate-papo informal. As famosas lightning talks contaram com apresentações de Eduardo Cuducos (Operação Serenata de Amor), Alessandra Benevides (educLAB – UFC), Mapa Cultural (André Lopes – Secult) e apresentação do produto final das oficinas do Open Data Day – Fortaleza. O Open Data Day Fortaleza 2019 foi organizado pela jornalista Thays Lavor e a equipe da Casa da Cultura Digital Iracema – equipamento da Prefeitura Municipal de Fortaleza –  que sediou o evento, realizado no último dia 23. Flattr this!

Por que a Operação Serenata de Amor não consegue atuar nas contas do Senado?

- April 2, 2019 in Dados Abertos, Destaque

  • Texto por Pedro Vilanova
Desde que a Operação Serenata de Amor nasceu, em setembro de 2016, a nossa equipe escuta o mesmo questionamento: “Por que vocês não mapeam também o Senado?” Bom, antes de mais nada, a Serenata nasceu como um projeto para auxiliar na auditoria das contas públicas utilizando inteligência artificial. Nós começamos pela Câmara dos Deputados pela possibilidade técnica que os dados da casa forneceram. Desde que começamos, sempre foi possível ter acesso integral aos dados da Cota Parlamentar para deputados, inclusive com as imagens de grande parte dos documentos, desde 2011. (Guarde essa informação dos documentos. Nós já retornaremos a ela.) O resto da história da Serenata, a maioria das pessoas já conhece: o grupo uniu forças com a Open Knowledge e, pelo Programa de Inovação Cívica, lançou novos projetos, como o Perfil Político, o Queremos Saber e o Vítimas da Intolerância. Sempre voltados a qualificar a informação disponível e engajar a cidadania, mesmo que com dados de origens diferentes. O nosso dia-a-dia inclui trocas de mensagens com os órgãos públicos do nosso país. Seja por pedidos de informação, seja por questionamentos diretos, estamos sempre em contato para esclarecer melhor alguns pontos em nome do conhecimento livre. Um dos pontos que mais ajudaram no crescimento e na popularização da Operação Serenata de Amor foi a possibilidade de levar o cidadão até documentos públicos de uma forma muito rápida. Como a Câmara disponibiliza com detalhes as despesas, qualquer pessoa conseguia, ao acessar o Twitter da Rosie, checar diretamente na fonte as notas fiscais apresentadas pelos seus deputados. É a mão dupla da transparência funcionando. A abertura de dados leva ao engajamento, que leva a um controle maior por parte da população. A Operação se popularizou e já teve seus resultados comprovados em outros textos. O problema, porém, é que esses resultados ainda estão restritos à Câmara dos Deputados. E o Senado? A abertura de dados referentes à Cota Parlamentar no Senado sempre foi mais conturbada. A imagem dos documentos, um dos pilares do controle como fazemos, não é disponibilizada pela Casa, mesmo que esse seja o tema de constantes pedidos nossos desde 2016. Esse ano, ao questionarmos novamente os motivos que levam o Senado a não disponibilizar as imagens dos comprovantes fiscais, recebemos a resposta oficial de que a abertura de dados é uma decisão que cabe ao próprio parlamentar. Isto é, quem decide se o documento que detalha como o dinheiro público foi empregado será ou não disponibilizado é o senador responsável pela despesa.

De acordo com a Advocacia do Senado Federal, o senador pode escolher não disponibilizar parte ou toda nota fiscal de forma arbitrária. A exceção é caso exista alguma investigação em curso. Ou seja, a transparência e o engajamento da população dependem, acima de tudo, da boa vontade do próprio parlamentar em mantê-los. Isso é particularmente estranho, tendo em vista que o art. 7º, III da LAI assegura o direito de acesso a qualquer informação custodiada por pessoa física (não precisaria ser um parlamentar) decorrente de qualquer vínculo com a administração pública. Isso se torna ainda mais preocupante em razão de se tratar de informações sobre despesas públicas, algo tão discutido atualmente. Além disso, a falta desses documentos dificulta a própria análise e comunicação feita pela equipe. As normas da Cota Parlamentar são diferentes para deputados e senadores, os segundos, ao contrário dos primeiros, por exemplo, podem custear alimentação de terceiros com o dinheiro público. A análise das imagens das notas seria mais um elemento para identificar exageros e mau uso da verba pública, quando houvesse, e comunicar da maneira simples que popularizou a Serenata no trabalho junto à Câmara.

O próprio Senado já detectou problemas em sua gestão de informação, como vemos acima. Em relatório de 2014, fica clara a carência em setores de gestão do sistema e do registro das empresas dos parlamentares. Em resposta a um requerimento feito no ano passado, a Casa ainda afirmou não controlar se as despesas são feitas em empresas ativas ou cujos sócios sejam parentes dos senadores.

Bom, agora vocês já sabem. Apesar dos nossos esforços, não conseguimos atuar tornando mais transparente o uso da cota parlamentar no Senado porque não temos acesso aos documentos que detalham como os gastos foram feitos. Isso fica a critério dos senadores, e o controle das milhares de notas das suas despesas, a cargo de alguns poucos servidores da Casa. A gente continua querendo aplicar tecnologia para ajudar a democratizar esse controle. Flattr this!

ODI: mais dados abertos com mais qualidade.

- March 28, 2019 in Dados Abertos, Destaque

* texto de Pedro Vilanova para a iniciativa 101 dias de inovação no setor público, do WeGov Dados abertos são essenciais para a transparência e o engajamento da população. Porém, temos que concordar: dados abertos sem qualidade geralmente são tão úteis quanto a inexistência deles. Por isso a importância de se haver indicadores que auxiliem na mensuração da qualidade desses dados. O Índice de Dados Abertos (Open Data Index, em inglês) foi desenvolvido com esse propósito. A iniciativa começou de forma global com a Open Knowledge e foi trazida para o Brasil em uma parceria entre a Open Knowledge Brasil e a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV-DAPP). O Índice agora avalia não apenas o governo federal, mas também os municipais, atuando junto a líderes locais, selecionados em chamada pública, para garantir a escalabilidade necessária em um país do tamanho do Brasil. Trata-se de uma iniciativa pioneira na promoção da transparência nos municípios brasileiros, uma vez que o índice pode ser utilizado como ferramenta de avaliação e identificação de gargalos, de forma a orientar os municípios em relação ao aprimoramento de suas políticas de dados abertos. Em 2018, o Índice avaliou 136 bases de dados, distribuídas em 17 dimensões, referentes a oito cidades (Belo Horizonte-MG, Brasília-DF, Natal-RN, Porto Alegre-RS, Rio de Janeiro-RJ, Salvador-BA, São Paulo-SP e Uberlândia-MG). As dimensões abarcam conjuntos de dados sobre: Resultados Eleitorais, Escolas Públicas, Estatísticas Socioeconômicas, Estatísticas criminais, Gastos Públicos, Orçamento Público, Limites Administrativos, Leis em Vigor. Atividade Legislativa, Mapas da Cidade, Compras Públicas, Transporte Público, Localizações, Qualidade da água, Qualidade do Ar, Registro de Empresas e Propriedade da Terra. Para cada uma dessas dimensões, a análise contabiliza os gargalos identificados, que são classificados como problemas de usabilidade (dataset incompleto, indisponibilidade de formato aberto, desatualização e dificuldade para se trabalhar os dados) ou de processo (acesso restrito, dificuldade para localizar os dados, download indisponível e licença não explícita). O relatório de 2018 revelou que o Brasil possui uma boa qualidade de dados porém com deficiências visíveis. Das 17 dimensões analisadas, apenas três tiveram nota máxima. Curiosamente, a mesma quantidade de dimensões que não puderem sequer ser avaliadas, por sua inexistência técnica. Entre os problemas mais comuns estão metadados insuficientes, indisponibilidade de download da base de dados completa, dataset incompleto e ausência da informação em formato aberto. O ODI é uma forma prática de auxiliar servidores, gestores de informação e profissionais de ouvidoria a aumentarem a qualidade da abertura de dados de forma eficiente, seguindo um índice comparativo totalmente gratuito. Confira o relatório. * Pedro Vilanova é jornalista e colaborador da Open Knowledge Brasil. É um dos membros da Operação Serenata de Amor e ativista da informação livre e dos dados abertos no Brasil. Flattr this!

23/03: segunda rodada de eventos do Open Data Day

- March 18, 2019 in colaboração, Dados Abertos, Gastos Abertos, governo aberto, Jornalismo de dados, Open Data Day, sociedade civil, transparência

Como já mencionamos antes, o Open Data Day é um momento anual onde todo o mundo debate e promove, por um dia, o uso de dados abertos. Em geral, acontecem eventos, workshops, fóruns online, hackatons e todo o tipo de atividade usando informação livre. O intuito da data é incentivar governos, empresas e a sociedade civil a usarem dados abertos em suas iniciativas. A gente explicou um pouco melhor o que é o dia neste texto aqui. Neste ano, o evento acontece pela nona vez e conta com uma peculiaridade. A data escolhida pela nossa rede internacional foi o dia 2 de março, sábado de carnaval. Sendo assim, os eventos comemorativos do Open Data Day foram agendados para o dia 9 e 23 de março. Já contamos um pouco do que aconteceu nas edições de Curitiba, Recife e Porto Alegre em um texto do nosso blog. Agora, Fortaleza e Natal se preparam para receber suas respectivas edições no dia 23/03. A edição de Natal conta com 7 palestras sobre dados abertos no contexto da saúde, gastos públicos, direito e governo aberto, além de um minicurso sobre Python para Open Data. Já a edição de Fortaleza conta com 4 debates, 4 oficinas sobre R e dados abertos e uma edição temática do Cerveja com Dados para encerrar o dia com chave de ouro. Fortaleza
Dia: 23/03
Hora: 09:00
Local: Casa da Cultura Digital (Rua dos Pacajus, 33 – Praia de Iracema).
Confira a programação completa na página de Facebook do evento ou no Instagram.
Natal
Dia: 23/03
Hora: 08:30
Local: IFRN Central (Avenida Senador Salgado Filho, 1559, Tirol).
Confira a programação completa e inscreva-se.
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