You are browsing the archive for Dados Abertos.

Mapeamento aberto no Brasil no Open Data Day 2019

- April 3, 2019 in Dados Abertos

Este relatório faz parte da série de relatórios de eventos sobre o Dia Internacional dos Dados Abertos de 2019. O Code for Curitiba e a Open Knowledge Brasil / UG Wikimedia no Brasil receberam financiamento através do esquema de mini-grants do Mapbox para organizar eventos sobre o tema Mapeamento aberto. Este é um relatório conjunto de Ricardo Mendes Junior e Celio Costa Filho: suas biografias estão incluídas no final deste post.

Open Data Day São Paulo

O Open Data Day é uma celebração anual de dados abertos que ocorre em todo o mundo. Em sua nona edição, em 2019, pessoas de vários países organizaram eventos usando e / ou produzindo dados abertos. Esta é uma ótima oportunidade para mostrar os benefícios dos dados abertos e encorajar a adoção de políticas de dados abertos no governo, nos negócios e na sociedade civil. No Brasil, alguns desses eventos ocorreram na primeira quinzena de março. A iniciativa de realizar um desses eventos na cidade de São Paulo veio de dois voluntários do grupo Wiki Movimento Brasil. A ideia do evento veio após o desastre da barragem de Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, quando uma barragem de rejeitos em uma mina de minério de ferro em Brumadinho, Minas Gerais, sofreu uma falha catastrófica. Nesse contexto, percebemos a importância da existência de dados de barragens brasileiras de rejeito devidamente estruturadas em plataformas abertas e com dados legíveis por máquina, como a Wikidata. Isso ficou ainda mais visível quando, até o final de janeiro deste ano, um relatório da Agência Nacional de Águas classificou 45 reservatórios de represas como vulneráveis, afetando potencialmente uma população de 3,5 milhões de pessoas em cidades com barragens de risco. A finalidade deste Open Data Day, portanto, era realizar a captura de bancos de dados cujo conteúdo é gratuito e criar itens no Wikidata ricos em informações estruturadas sobre as barragens existentes no Brasil. O site do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens, controlado pela Agência Nacional de Águas, era a principal fonte; o site registra mais de 3.500 barragens. Uma vez que os dados foram organizados em uma planilha, o processo de “wikidadização” começou com a ajuda dos participantes do evento. Dados Wikidadizar nada mais é do que modelar dados estruturáveis, isto é, tentar estabelecer correspondências entre os conceitos e valores apresentados na tabela de dados e as propriedades e itens do Wikidata. Somente após a wikidadização é possível fazer o upload dos dados para o Wikidata. Cada participante do evento levantou cerca de 500 itens de barragens. Os itens criados neste evento podem servir a vários propósitos, como a ilustração dos mapas de barragens por nível de dano potencial associado (http://tinyurl.com/yyavll5o) e verificação cruzada das estatísticas de segurança de barragens com outros bancos de dados (por exemplo, os relacionados nas notícias brasileiras hoje: https://bit.ly/2CxqOla O evento foi organizado pelos membros do Wiki Movimento Brasil e contou com o apoio da Creative Commons Brasil. Exemplo de mapa: https://bit.ly/2Fwtdid Fotos: https://commons.wikimedia.org/  

Open Data Day Curitiba 2019

O Open Data Day Curitiba 2019 foi realizado no Centro de Treinamento do FIEP Paula Gomes e contou com 61 pessoas participando, em 4 salas de trabalho e assistindo as palestras no auditório. A programação de palestras contou com a colaboração de 11 convidados especiais que falaram 15 minutos cada um, nos temas Acesso e reutilização de dados científicos, Dados abertos de gastos públicos em formatos acessíveis, Ciência aberta: Repositório de dados científicos de Pesquisa, Mapeamento Colaborativo, Educação aberta e tecnologia educacional aberta, Impactos da Lei de Proteção de Dados Gerais brasileira, Sistemas de Informação para transporte público, Uso da metodologia City Information Modeling (CIM) para planejamento urbano, Transparência e controle social, Roteiro para inovação cívica no setor público e Urbanismo e mapeamentos colaborativos, engajamento cívico e laboratórios urbanos. Na abertura do evento, a diretora da Agência Curitiba / Vale do Pinhão, Cris Alessi, falou sobre o ecossistema de inovação de Curitiba e quais ações podemos realizar como participantes do movimento de hackers cívicos e incentivando os dados públicos abertos. Nas salas de trabalho os participantes discutiram e desenvolveram atividades relacionadas aos temas do ODD Curitiba 2019.  

Ciência aberta

Na sala de trabalho de Ciência aberta, 13 pessoas participaram das atividades e o grupo começou a discutir a contextualização do conceito de dados científicos e algumas abordagens internacionais sobre o tema, a diferenciação entre informação científica e produto de pesquisa. O grupo então identificou três conjuntos de dados, analisando suas estruturas (dados, documentação e apoio da publicação original que contextualiza as informações). Após essa atividade, o grupo discutiu os 8 Princípios de Panton que analisam a qualidade dos dados abertos e discutiu os repositórios https://www.re3data.org/ e https://www.kaggle.com/. Como última atividade, discutiram o contexto dos dados científicos em periódicos científicos, os tipos de licença de copyright para dados e a dificuldade de obter informações a partir dos dados publicados na plataforma http://lattes.cnpq.br/.  

Acompanhando o fluxo de dinheiro público

Na sala de trabalho “Acompanhando o fluxo de dinheiro público”, 28 pessoas participaram. As discussões iniciais foram sobre dinheiro gasto em eventos públicos e ações de políticas públicas que usam recursos públicos e como encontrar o destino desses recursos nos documentos da cidade (ofertas, compromissos, avisos, etc.). Após essa discussão, o grupo decidiu concentrar-se no acompanhamento dos gastos com medicamentos e nos custos do transporte público. Então, eles começaram a discussão com questões relacionadas a essas despesas. Posteriormente, foi elaborado um mapa com a trilha do dinheiro para essas despesas, incluindo as fontes de informação. Essa trilha será aprimorada pelo grupo, que se comprometeu a continuar trabalhando nessas ideias. E a conclusão do grupo é que o engajamento cidadão é o melhor remédio e foi resumido em uma frase:
“O Ministério da Saúde adverte: a participação cidadã é o melhor remédio para a gestão da saúde pública.”

Mapeamento Aberto

Na sala de trabalho de Mapeamento Aberto foi realizada a 1ª Mapatona de Acessibilidade Urbana de Curitiba (Mapatona = Maratona de Mapeamento Colaborativo). A atividade consistiu na coleta de informações no campo de cerca de 800 metros de calçadas, por equipe, na vizinhança da localização do evento. Com a ajuda de aplicativos móveis, foram coletadas situações relacionadas a problemas de acessibilidade, com coordenadas, fotos e vídeos. A lista de verificação tinha 18 itens, como pavimento irregular, rampa de acessibilidade irregular ou inexistente, buraco nas faixas. Após a coleta, os dados brutos foram editados utilizando o software gratuito QGIS, gerando os mapas finais unificados que foram disponibilizados para a comunidade através de um mapa online (https://goo.gl/UWezNK). Foram levantados 39 problemas de acessibilidade nos arredores.  

Ônibus.io

8 pessoas participaram da sala de trabalho do projeto do ônibus.io. A iniciativa, iniciada em 2019 e mantida pelo Code for Curitiba, pretende ser um agregador de dados relacionados ao transporte público na cidade de Curitiba. No evento, os líderes do projeto, Guilherme e Henrique, apresentaram o projeto, levantaram questões e os participantes discutiram maneiras de identificar as respostas. Eles realizaram uma pesquisa exploratória de serviços públicos e privados, extraíram dados e estudaram o serviço da web fornecido pela URBS (Urbanização de Curitiba S / A). Eles criaram uma tabela comparativa para identificação de linhas em diferentes serviços e codificaram em PHP + HTML uma visão desses cronogramas. Ao final, aproveitaram a oportunidade para desenvolvimento e integração com o projeto Kartão, desenvolvido no Code for Curitiba em 2016, que apresenta os pontos de venda e recarga do cartão de transporte público.

Resultados

O Open Data Day Curitiba nos anos anteriores também foi realizado pelo Código de Curitiba. O ODD de 2019 foi maior na participação do público e nas atividades realizadas. Os resultados obtidos neste ano incluem alguns resultados diretos indicados abaixo. Um grupo formado para discutir e implementar uma solução para rastrear o dinheiro público aplicado em medicamentos em Curitiba. A atividade da 1ª Mapatona de Acessibilidade Urbana de Curitiba resultou em informações geolocalizadas que serão entregues ao Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba) demonstrando como é possível, por meio da tecnologia, envolver a população no planejamento urbano colaborativo com o mapeamento de informações da cidade. O projeto ônibus.io recebeu contribuições valiosas dos participantes e passou a contar com novos colaboradores. Todos os projetos em desenvolvimento no Code for Curitiba são realizados por voluntários. As discussões sobre o Open Research Data iniciadas no ODD 2018 avançaram. E finalmente, a avaliação feita pelos participantes considerou o evento positivo para entender os desafios existentes para trabalhar com dados abertos e que a integração de dados ainda requer grande trabalho. Os participantes do mapeamento colaborativo gostaram da ideia de usar dados georreferenciados para a melhoria da cidade. Todos foram unânimes em afirmar que gostariam de continuar nas atividades propostas pelo ODD 2019, gostariam de receber mais informações e consideram essas atividades importantes e de grande impacto para a cidade e para o entendimento de cidadania efetiva.

Mais informações e fotos:

Biografia

O Code for Curitiba é uma brigada do Code for Brazil, inspirada no Code for America. Usa os princípios e práticas da era digital para melhorar a forma como o governo serve ao público e como o público melhora o governo. Para inspirar os funcionários públicos, as pessoas do setor de tecnologia e os organizadores da comunidade a criar mudanças ao provarem que o governo pode fazer melhor e mostrar aos outros como. Fornecem ao governo acesso aos recursos e talentos digitais necessários para que juntos possamos impactar significativamente alguns dos desafios sociais mais difíceis do mundo. Conectando e convocando pessoas de dentro e de fora do governo e de todo o mundo para se inspirarem, compartilharem sucessos, aprenderem, construírem e moldarem uma nova cultura de serviço público para o século XXI. Ricardo Mendes Junior é atualmente o capitão do Code for Curitiba. Graduado em Engenharia Civil e PhD em Engenharia de Produção, atualmente é professor da Universidade Federal do Paraná, atuando no Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação. Seus tópicos de interesse são: Engenharia da Informação, City Information Modeling (CIM), produção colaborativa, participação pública através de mapeamento colaborativo, crowdsourcing e inteligência artificial, crowd collaboration e empreendedorismo cívico. Celio Costa Filho é membro fundador da Open Knowledge Brasil, do grupo de usuários do Wiki Movimento Brasil e coordenador wiki do Creative Commons Brasil. Flattr this!

Open Data Day Fortaleza 2019: os highlights do evento

- April 2, 2019 in Dados Abertos

  • Texto por Thays Lavor
Este ano, o Open Data Day chegou à capital cearense com uma vasta programação, incluindo oficinas, debates, web-conferência e palestras. As atividades buscaram a interdisciplinaridade das áreas do conhecimento e envolveram servidores públicos, desenvolvedores, designers, estatísticos, cientistas sociais, economistas e jornalistas. Ciência aberta, rastreamento do fluxo de dinheiro público, mapeamento aberto e desenvolvimento igualitário. Focado nestes quatro eixos o Open Data Day Fortaleza reuniu um público de 50 pessoas com o objetivo de incentivar governos, empresas e a sociedade civil a usarem dados abertos em suas iniciativas. Durante essa edição do evento foram apresentadas ferramentas, leis e métodos importantes para se trabalhar com os dados públicos disponíveis atualmente. Um dos principais resultados das oficinas foi a extração dos gastos dos 46 deputados estaduais com a  Verba de Desempenho Parlamentar (VDP). Apesar de estarem disponibilizados no site da Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), os dados encontram-se em formato fechado, no caso PDF, o que dificulta a análise por parte da sociedade em geral. Foram obtidas informações da última legislatura, 2015 a 2018, e dos primeiros meses da nova composição da AL-CE, empossada este ano. O resultado da extração aponta que dentre as 20 categorias de despesas permitidas pela VDP,  os maiores gastos por ano dos parlamentares são com combustível, refeição e serviços de telecomunicações. Além de estarem bem sujos, com repetição de nomes e não padronização da nomenclatura, espaço vazios, entre outros problemas, verificou-se também uma padronização dos valores dos gastos em diversos meses. Um exemplo é o gasto com combustível, é difícil encontrar um  valor diferente de R$ 6 mil. Fora os problemas apresentados acima, existe ainda a falta de transparência com as despesas. Isso porque  os gastos não são detalhados, ou seja, é impossível saber quem são os fornecedores e CNPJs, pois a documentação, incluindo notas fiscais que possam comprovar os gastos de cada parlamentar,  não é apresentada. A casa registra apenas que o dinheiro foi gasto com uma determinada categoria. O trabalho de extração, limpeza e visualização destes dados foi feito pelos pelos cientistas da computação André Campos, que ministrou a oficina de web scraping com R, Riverson Rios, responsável pela limpeza de dados, e Emanuele Santos, responsável pela oficina de visualização de dados com R. Os códigos utilizados para a raspagem estão disponíveis neste link e os de visualização aqui. Já o arquivo em CSV você pode ser acessado neste link. Além das três oficinas acima citadas, o evento também contou com uma atividade de introdução ao R, com a cientistas sociais Carla Marques e Isabel Melo. Já os debates giraram torno da importância de temas como Lei de Acesso à Informação (LAI), Mapeamento Aberto, Dados Abertos e Jornalismo de Dados para a democracia. O evento foi encerrado com o Cerveja Com Dados, uma iniciativa da Escola de Dados que busca aproximar pessoas interessadas no trabalho com dados a partir de um bate-papo informal. As famosas lightning talks contaram com apresentações de Eduardo Cuducos (Operação Serenata de Amor), Alessandra Benevides (educLAB – UFC), Mapa Cultural (André Lopes – Secult) e apresentação do produto final das oficinas do Open Data Day – Fortaleza. O Open Data Day Fortaleza 2019 foi organizado pela jornalista Thays Lavor e a equipe da Casa da Cultura Digital Iracema – equipamento da Prefeitura Municipal de Fortaleza –  que sediou o evento, realizado no último dia 23. Flattr this!

Por que a Operação Serenata de Amor não consegue atuar nas contas do Senado?

- April 2, 2019 in Dados Abertos, Destaque

  • Texto por Pedro Vilanova
Desde que a Operação Serenata de Amor nasceu, em setembro de 2016, a nossa equipe escuta o mesmo questionamento: “Por que vocês não mapeam também o Senado?” Bom, antes de mais nada, a Serenata nasceu como um projeto para auxiliar na auditoria das contas públicas utilizando inteligência artificial. Nós começamos pela Câmara dos Deputados pela possibilidade técnica que os dados da casa forneceram. Desde que começamos, sempre foi possível ter acesso integral aos dados da Cota Parlamentar para deputados, inclusive com as imagens de grande parte dos documentos, desde 2011. (Guarde essa informação dos documentos. Nós já retornaremos a ela.) O resto da história da Serenata, a maioria das pessoas já conhece: o grupo uniu forças com a Open Knowledge e, pelo Programa de Inovação Cívica, lançou novos projetos, como o Perfil Político, o Queremos Saber e o Vítimas da Intolerância. Sempre voltados a qualificar a informação disponível e engajar a cidadania, mesmo que com dados de origens diferentes. O nosso dia-a-dia inclui trocas de mensagens com os órgãos públicos do nosso país. Seja por pedidos de informação, seja por questionamentos diretos, estamos sempre em contato para esclarecer melhor alguns pontos em nome do conhecimento livre. Um dos pontos que mais ajudaram no crescimento e na popularização da Operação Serenata de Amor foi a possibilidade de levar o cidadão até documentos públicos de uma forma muito rápida. Como a Câmara disponibiliza com detalhes as despesas, qualquer pessoa conseguia, ao acessar o Twitter da Rosie, checar diretamente na fonte as notas fiscais apresentadas pelos seus deputados. É a mão dupla da transparência funcionando. A abertura de dados leva ao engajamento, que leva a um controle maior por parte da população. A Operação se popularizou e já teve seus resultados comprovados em outros textos. O problema, porém, é que esses resultados ainda estão restritos à Câmara dos Deputados. E o Senado? A abertura de dados referentes à Cota Parlamentar no Senado sempre foi mais conturbada. A imagem dos documentos, um dos pilares do controle como fazemos, não é disponibilizada pela Casa, mesmo que esse seja o tema de constantes pedidos nossos desde 2016. Esse ano, ao questionarmos novamente os motivos que levam o Senado a não disponibilizar as imagens dos comprovantes fiscais, recebemos a resposta oficial de que a abertura de dados é uma decisão que cabe ao próprio parlamentar. Isto é, quem decide se o documento que detalha como o dinheiro público foi empregado será ou não disponibilizado é o senador responsável pela despesa.

De acordo com a Advocacia do Senado Federal, o senador pode escolher não disponibilizar parte ou toda nota fiscal de forma arbitrária. A exceção é caso exista alguma investigação em curso. Ou seja, a transparência e o engajamento da população dependem, acima de tudo, da boa vontade do próprio parlamentar em mantê-los. Isso é particularmente estranho, tendo em vista que o art. 7º, III da LAI assegura o direito de acesso a qualquer informação custodiada por pessoa física (não precisaria ser um parlamentar) decorrente de qualquer vínculo com a administração pública. Isso se torna ainda mais preocupante em razão de se tratar de informações sobre despesas públicas, algo tão discutido atualmente. Além disso, a falta desses documentos dificulta a própria análise e comunicação feita pela equipe. As normas da Cota Parlamentar são diferentes para deputados e senadores, os segundos, ao contrário dos primeiros, por exemplo, podem custear alimentação de terceiros com o dinheiro público. A análise das imagens das notas seria mais um elemento para identificar exageros e mau uso da verba pública, quando houvesse, e comunicar da maneira simples que popularizou a Serenata no trabalho junto à Câmara.

O próprio Senado já detectou problemas em sua gestão de informação, como vemos acima. Em relatório de 2014, fica clara a carência em setores de gestão do sistema e do registro das empresas dos parlamentares. Em resposta a um requerimento feito no ano passado, a Casa ainda afirmou não controlar se as despesas são feitas em empresas ativas ou cujos sócios sejam parentes dos senadores.

Bom, agora vocês já sabem. Apesar dos nossos esforços, não conseguimos atuar tornando mais transparente o uso da cota parlamentar no Senado porque não temos acesso aos documentos que detalham como os gastos foram feitos. Isso fica a critério dos senadores, e o controle das milhares de notas das suas despesas, a cargo de alguns poucos servidores da Casa. A gente continua querendo aplicar tecnologia para ajudar a democratizar esse controle. Flattr this!

ODI: mais dados abertos com mais qualidade.

- March 28, 2019 in Dados Abertos, Destaque

* texto de Pedro Vilanova para a iniciativa 101 dias de inovação no setor público, do WeGov Dados abertos são essenciais para a transparência e o engajamento da população. Porém, temos que concordar: dados abertos sem qualidade geralmente são tão úteis quanto a inexistência deles. Por isso a importância de se haver indicadores que auxiliem na mensuração da qualidade desses dados. O Índice de Dados Abertos (Open Data Index, em inglês) foi desenvolvido com esse propósito. A iniciativa começou de forma global com a Open Knowledge e foi trazida para o Brasil em uma parceria entre a Open Knowledge Brasil e a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV-DAPP). O Índice agora avalia não apenas o governo federal, mas também os municipais, atuando junto a líderes locais, selecionados em chamada pública, para garantir a escalabilidade necessária em um país do tamanho do Brasil. Trata-se de uma iniciativa pioneira na promoção da transparência nos municípios brasileiros, uma vez que o índice pode ser utilizado como ferramenta de avaliação e identificação de gargalos, de forma a orientar os municípios em relação ao aprimoramento de suas políticas de dados abertos. Em 2018, o Índice avaliou 136 bases de dados, distribuídas em 17 dimensões, referentes a oito cidades (Belo Horizonte-MG, Brasília-DF, Natal-RN, Porto Alegre-RS, Rio de Janeiro-RJ, Salvador-BA, São Paulo-SP e Uberlândia-MG). As dimensões abarcam conjuntos de dados sobre: Resultados Eleitorais, Escolas Públicas, Estatísticas Socioeconômicas, Estatísticas criminais, Gastos Públicos, Orçamento Público, Limites Administrativos, Leis em Vigor. Atividade Legislativa, Mapas da Cidade, Compras Públicas, Transporte Público, Localizações, Qualidade da água, Qualidade do Ar, Registro de Empresas e Propriedade da Terra. Para cada uma dessas dimensões, a análise contabiliza os gargalos identificados, que são classificados como problemas de usabilidade (dataset incompleto, indisponibilidade de formato aberto, desatualização e dificuldade para se trabalhar os dados) ou de processo (acesso restrito, dificuldade para localizar os dados, download indisponível e licença não explícita). O relatório de 2018 revelou que o Brasil possui uma boa qualidade de dados porém com deficiências visíveis. Das 17 dimensões analisadas, apenas três tiveram nota máxima. Curiosamente, a mesma quantidade de dimensões que não puderem sequer ser avaliadas, por sua inexistência técnica. Entre os problemas mais comuns estão metadados insuficientes, indisponibilidade de download da base de dados completa, dataset incompleto e ausência da informação em formato aberto. O ODI é uma forma prática de auxiliar servidores, gestores de informação e profissionais de ouvidoria a aumentarem a qualidade da abertura de dados de forma eficiente, seguindo um índice comparativo totalmente gratuito. Confira o relatório. * Pedro Vilanova é jornalista e colaborador da Open Knowledge Brasil. É um dos membros da Operação Serenata de Amor e ativista da informação livre e dos dados abertos no Brasil. Flattr this!

23/03: segunda rodada de eventos do Open Data Day

- March 18, 2019 in colaboração, Dados Abertos, Gastos Abertos, governo aberto, Jornalismo de dados, Open Data Day, sociedade civil, transparência

Como já mencionamos antes, o Open Data Day é um momento anual onde todo o mundo debate e promove, por um dia, o uso de dados abertos. Em geral, acontecem eventos, workshops, fóruns online, hackatons e todo o tipo de atividade usando informação livre. O intuito da data é incentivar governos, empresas e a sociedade civil a usarem dados abertos em suas iniciativas. A gente explicou um pouco melhor o que é o dia neste texto aqui. Neste ano, o evento acontece pela nona vez e conta com uma peculiaridade. A data escolhida pela nossa rede internacional foi o dia 2 de março, sábado de carnaval. Sendo assim, os eventos comemorativos do Open Data Day foram agendados para o dia 9 e 23 de março. Já contamos um pouco do que aconteceu nas edições de Curitiba, Recife e Porto Alegre em um texto do nosso blog. Agora, Fortaleza e Natal se preparam para receber suas respectivas edições no dia 23/03. A edição de Natal conta com 7 palestras sobre dados abertos no contexto da saúde, gastos públicos, direito e governo aberto, além de um minicurso sobre Python para Open Data. Já a edição de Fortaleza conta com 4 debates, 4 oficinas sobre R e dados abertos e uma edição temática do Cerveja com Dados para encerrar o dia com chave de ouro. Fortaleza
Dia: 23/03
Hora: 09:00
Local: Casa da Cultura Digital (Rua dos Pacajus, 33 – Praia de Iracema).
Confira a programação completa na página de Facebook do evento ou no Instagram.
Natal
Dia: 23/03
Hora: 08:30
Local: IFRN Central (Avenida Senador Salgado Filho, 1559, Tirol).
Confira a programação completa e inscreva-se.
Flattr this!

Quem trabalha com dados abertos no Brasil?

- March 13, 2019 in Dados Abertos, design, Destaque, direito, hackathons, Jornalismo de dados, Lei de acesso à informação, ouvidorias, pesquisa, Python, R, transparência

  • Texto por Pedro Vilanova
Em março acontece o Open Data Day, movimento mundial de promoção ao uso de dados abertos. São vários eventos ao redor do mundo com essa temática. Uma boa oportunidade para conhecer novas pessoas, ampliar horizontes técnicos e debater um tema super em voga. Este é o meu 4º ano de open data. Foi tempo suficiente para conhecer bastante gente diferente. Nos preparativos para mais um Open Data Day, resolvi investigar um pouco quem são as pessoas que trabalham com dados abertos em terras brasileiras. Eu sou formado em comunicação, mas desde 2016 eu trabalho analisando dados para escrever. Em 2017, aprendi a programar e um novo mundo se abriu. Apesar de hoje ter dezenas de colegas jornalistas de dados, percebo que o tema open data, ou simplesmente dados abertos, ainda está muito distante da maioria das pessoas. Resolvi bater um papo com alguns amigos da área, com formações bem diferentes, para tentar facilitar para quem sempre quis participar e nunca conseguiu  – e para quem não faz nem ideia do que sejam dados abertos. Afinal, quem é que trabalha com dados abertos? Otávio Carneiro, o arquiteto e agitador da comunidade. O primeiro papo que tive foi com o Otávio Carneiro. Ele é arquiteto, com mestrado em gestão do conhecimento e tecnologia da informação. E talvez você já tenha visto ele em algum evento por aí. O Otávio faz parte do Calango Hacker Club desde 2013 e, de acordo com ele, começou a se inteirar sobre dados abertos com o pessoal por lá. Um ano depois, já estava participando de eventos com a Câmara dos Deputados e mais um aninho na frente organizou o Open Data Day em Brasília  – e por 3 anos: 2015, 2017 e 2018 (com uma pausa em 2016 por causa do mestrado). Para mim, ele é uma das pessoas mais engajadas na comunidade. Não me lembro de ter ido a um evento sequer sem tê-lo encontrado. Mesmo assim, ele nunca ganhou dinheiro com open data. E também nunca precisou lidar com a área diretamente no trabalho  – o que, confesso me deixou até um pouco chocado. O Otávio não sabe, mas foi ele que me convidou para a minha primeira palestra sobre open data, justamente com o pessoal do calango. Para mim, é curioso o fato de ele não trabalhar diretamente com isso. Na conversa, o Otávio disse que muitos dos desafios são técnicos: qualidade e formato dos dados, dificuldade de encontrar os dados e o despreparo dos órgãos do governo com a LAI são os principais. Para ele, mais pessoas deveriam ter a habilidade de lidar com dados abertos. Concordo, Otávio. E é por isso que estamos aqui. A segunda pessoa com quem bati um papo foi a Judite Cypreste, com uma pegada bem menos hacker club e bem mais jornalística, ela mantém uma característica comum com o Otávio: não é formada em computação, mas em Letras, com pós em Jornalismo Cultural. Judite Cypreste, redação, zumbis e um bot que cobra dados. A Judite Cypreste começou a trabalhar com open data em um treinamento na Folha de S.Paulo sobre Jornalismo de Dados, ano passado. Antes disso, só estudava sobre o tema como pesquisadora na UERJ. Ela aprendeu a programar com o Fernando Masanori. Aliás, pausa aqui. Eu também aprendi a programar em Python com o Masanori, no Python para Zumbis, curso totalmente gratuito, com todas as aulas disponíveis no YouTube. Fim da pausa. A partir da programação, a Judite fez algumas reportagens bem legais, com um impacto considerável, passeou em algumas redações e esse ano lançou o Colaboradados, um projeto que se propõe a auxiliar as pessoas a acharem bases de dados confiáveis e gratuitas (siga o bot, o @colaboradados, que cobra resposta dos órgãos sempre que portais da transparência apresentam problemas de acesso). Para ela, a importância do open data é central não só no seu trabalho, mas na sociedade. Os dados abertos podem auxiliar no combate à falta de informação. Quem não conhece, não monitora e não cobra. E para melhorar isso, ela tem tentado contar boas histórias, de impacto, e mexer com dados. Perfis como o da Judite são o que mais encontrei desde que comecei a trabalhar com open data: pessoas que escrevem e usam dados para isso, mesmo que de forma voluntária. Às vezes programam, às vezes não. Às vezes são jornalistas, às vezes não. O grande segredo está na busca por dar sentido aos dados. E isso pode ser feito com Python, R ou até mesmo em uma tabela no Excel. Por isso é tão importante que a gente cobre dos órgãos competentes que disponibilizem esses dados em bons formatos, de maneira acessível. E é daí que surge o gancho com a terceira pessoa com quem bati um papo: Fabrício Rocha, uma das pessoas por trás da API de dados abertos da Câmara dos Deputados. Fabrício Rocha, o repórter que não afrouxa. Talvez você conheça o Fabrício Rocha da televisão. Ele apresenta o programa Participação Popular, na TV Câmara. É jornalista de formação, com pós em TV Digital Interativa. É, é muita televisão nessa carreira. E o que dados abertos tem a ver com isso? O Fabrício é servidor público. E foi destinado ao então Centro de Informática da Câmara em janeiro de 2016, lotado na coordenação que atende a área de Comunicação da casa. Lá atrás, há três anos, ele foi colocado em uma seção recém-criada que tinha chamado para si a responsabilidade pelo serviço de Dados Abertos da Câmara e sua já necessária atualização. Dois meses depois ele começou a elaborar a nova versão do serviço. E é desde então que nosso apresentador trabalha com dados abertos. O exemplo do Fabrício é interessante. Quando perguntei para ele qual era a importância dos dados abertos na sua realidade, ele me respondeu que é a razão do trabalho dele, porém que, às vezes, a própria instituição na qual ele trabalha parece se importar menos com o tema do que servidores como ele. Pausa. Em 2016, quando comecei a trabalhar com dados abertos, o meu pensamento acompanhava o senso comum de que os órgãos públicos faziam de tudo para dificultar a vida de jornalistas e ativistas de monitoramento social. Até que conheci pessoas como o Fabrício, que faz parte de um grupo razoavelmente grande de servidores que lutam diariamente para melhorar o acesso à informação por parte da sociedade. Se não conseguem, muitas vezes, isso se dá pelas burocracias e falta de organização do próprio órgão. Fim da pausa. Isso está traduzido, por exemplo, no que o Fabrício considera o desafio de trabalhar com dados abertos. É difícil fornecer dados a partir de bases criadas por sistemas sem um propósito de publicação das informações em forma de dados abertos. Em outras palavras, é organizar dados que foram armazenados de forma incompleta, divergente ou muito mal estruturados. Olha só que coincidência Esse é o lado dos dados abertos de quem trabalha na base da cadeia. Na matéria prima. Fazendo cumprir-se a Lei de Acesso à Informação (LAI), que rege os dados públicos governamentais no Brasil, que, por algumas vezes é tratada com descaso por autoridades. Mas a LAI, como o próprio nome diz, é uma lei. Bruno Morassutti, dados, direito e alguns e-mails a ouvidorias. Bruno Morassutti é advogado, especialista em processo civil e direito público, mestrando da área de direito e tecnologia. Ele narra o começo da sua trajetória nessa área dos dados ainda na faculdade, mas em transparência, não necessariamente em dados abertos. Bruno tem por hábito questionar ouvidorias para entender melhor o funcionamento das coisas e assim fazer propostas de melhoria mais bem informadas e assertivas. Da transparência para os dados abertos o salto foi natural. Os dados abertos potencializam muito a transparência e, consequentemente, o seu trabalho. Ele é um advogado “orientado a dados” desde 2012. Eu gosto muito desse perfil. Primeiro porque o Bruno é super entusiasmado. A ponto de dizer que em um mundo ideal trabalharia só com o universo de direito e dados abertos, o que não é possível ainda pela falta de projetos remunerados na área. Depois porque sua expertise é extremamente necessária para os dados abertos. É um conhecimento técnico aplicado aos dados. E vice-versa. Na primeira vez que fui a um Open Data Day, em 2016, eu me lembro de olhar para a plateia e pensar que era o único representante da ala não técnica. Esse engano se manteve até o ano seguinte, quando me envolvi mais com a comunidade e percebi que estava ao lado de jornalistas, arquitetos, auditores públicos e advogados. O Bruno é um desses exemplos. Foi então que eu percebi os dados abertos como um meio para facilitar quase todo o tipo de função. E daí meu questionamento mudou. Ok, eu não era o único não técnico ali. Mas o que será que faltava para que todo mundo usufruisse dos benefícios do open data? A Tatiana, por exemplo, nosso próximo perfil, também tem uma formação tradicionalmente afastada dos dados abertos. Tradicionalmente porque acredito que essas barreiras vão fazer cada vez menos sentido. Eu espero. Tatiana Balachova, a russa que faz design com dados. Tatiana Balachova é publicitária, designer autodidata e nunca codou na vida. Mesmo assim, é uma das pessoas mais engajadas dentro do universo de dados abertos que eu já conheci. A Tati é uma das mentes que ajudou a popularizar a Rosie, robô que a Operação Serenata de Amor criou em 2016. Os dados, abertos ou não, só tem valor de fato quando transformados em informação, e consequentemente, em ação. O perfil dela é essencial para fechar esse ciclo e levar conhecimento para o público. Para ela, o maior desafio é aproximar o cidadão que não está familiarizado com o universo de open data, para que ele também participe da conversa sobre transparência e controle das contas públicas. E se por um lado, há pessoas como a Tati, que entraram no mundo dos dados abertos por conta de um projeto, com uma carreira recente na área, há quem trabalhe com isso há quase uma década. É o caso da Fernanda Campagnucci, a próxima pessoa com quem bati um papo sobre dados abertos. Fernanda Campagnucci, uma década de dados abertos. A Fernanda Campagnucci também é jornalista (vá contando, só nesse artigo já são 4 comunicadores, sem contar comigo), porém, no seu currículo, que inclui mestrado, doutorado e uma pós em transparência, o trabalho com dados abertos começou em 2006. Ou seja, há muito mais tempo do que a maioria das pessoas na área. Na época, ainda na RAC, Reportagem com Auxílio de Computador, na graduação na USP. O caminho dela é bem interessante. Do uso de dados, à cobrança por mais transparência e melhores dados, à participação em hackatons e redes como a Transparência Hacker até ser convidada para integrar a Controladoria Geral do Município de São Paulo, que é a área encarregada de implementar a LAI e as políticas de dados abertos na cidade. Hoje, já concursada, ela trabalha em outro órgão, a Secretaria Municipal de Educação, onde implementa um programa de governo aberto. A Fernanda, assim como o Fabrício, é uma das pessoas que passou de consumidor e provedor ou mantenedor de boas práticas de dados abertos – inclusive ganhando a vida com isso. E esse é um ponto que ajuda a responder a pergunta que as pessoas de fora da área mais fazem para mim: em que os profissionais podem ajudar em dados abertos? A resposta é: consumindo, transformando dados em informação, deixando tudo isso mais legal e palatável para a população e até analisando a lógica das políticas de dados abertos. Você não necessariamente precisa ser jornalista de dados ou trabalhar em uma redação para isso. E, enfim, chegamos à Jessica Temporal. Nós nos conhecemos graças à Operação Serenata de Amor desde então ela se tornou minha solucionadora titular de problemas e picuinhas técnicas. Alguém que sabe mais que eu e tem paciência para me mostrar o caminho e ensinar. Apesar de unidos no mesmo projeto e pelos mesmos ideias, nossas formações são bem diferentes. Jessica Temporal, dados biomédicos, dados públicos e data ajuda. A Jessica Temporal tem uma formação técnica. É graduada em Informática Biomédica e na faculdade já usava dados abertos para análises biológicas. E desde os tempos de Serenata tem um contato maior com esse universo. Eu perdi as contas de quantas vezes vi a Jessica lutar por dados mais organizados, estruturados e às vezes até mesmo pela existência deles. Nós trabalhamos juntos por um ano com open data  – os dois remunerados. O ponto chave é que ela nem trabalha mais na área  – ainda trabalha com dados, mas não exclusivamente abertos  – porém continua colaborando muito de forma voluntária na comunidade (e nas minhas dúvidas). A Jessica, assim como outros amigos, entraram para o open data para nunca mais sair. O universo de dados abertos nunca vem sozinho. Ele sempre traz um monte de projetos legais, práticas open source e uma ou alguma coisa relacionada, minha sugestão é: tenha calma e procure gente que trabalha na área. Eu conversei com sete pessoas. Poderiam ter sido mais. Eu poderia estar até agora escrevendo esse texto. A comunidade de dados abertos no Brasil só cresce. A cada ano o Open Data Day é maior, com mais eventos regionais e mais projetos sendo apresentados. Faça como o Otávio, a Judite, o Fabrício, o Bruno, a Tati, a Fernanda e a Temporal: coloque os dados abertos na sua vida. É um caminho sem volta. Flattr this!

Saiba o que aconteceu na primeira rodada do Open Data Day 2019

- March 12, 2019 in Dados Abertos, Destaque

  • texto por Pedro Vilanova
No último sábado, 09 de março, aconteceram os primeiros eventos no Brasil para celebrar o Open Data Day, data criada para promover o uso de dados abertos. A iniciativa se espalha pelo mundo todo, de forma independente, com workshops, palestras, rodas de discussão e hackatons. Esse ano, as 3 áreas chave de discussão foram: rastrear fluxo de dinheiro público, mapeamento aberto e desenvolvimento igualitário. O público do Open Data Day é bastante diverso: servidores públicos, desenvolvedores, designers, advogados, estatísticos e demais cidadãos interessados. No Brasil, a iniciativa se espalhou por diversas cidades, com atividades diversas, desde pequenos eventos até produções maiores, com ingresso antecipado e programação para todo o dia – a maioria deles gratuitos. Em Recife, por exemplo, os participantes se reuniram por todo o dia e assistiram palestras sobre transparência e dados do governo, além de verem de perto o funcionamento de uma iniciativa de fiscalização de dinheiro público. Em Porto Alegre o evento também durou o dia todo. A ideia da organização foi focar em dois dos pilares trabalhados globalmente: rastreamento de dinheiro público e desenvolvimento igualitário. O evento trouxe palestras de profissionais de diferentes áreas, como auditores, advogados e jornalistas. Nesse texto você pode acompanhar com mais profundidade as atividades realizadas na cidade.

Open Data Day reúne participantes em Porto Alegre – RS.

Seguindo o mesmo ritmo, em Curitiba o evento durou o dia todo com demonstração de cases de uso de dados abertos, com experiência práticas para os participantes. Em uma delas, os presentes fizeram um mapeamento das condições das calçadas curitibanas, resultando num trabalho de código aberto sobre mobilidade urbana e acessibilidade. Se você perdeu a data e não participou de nada, fique de olho porque em algumas cidades o Open Data Day vai acontecer no dia 23 de março. É o caso do evento em Natal, que você pode conferir nesse link aqui e também em Fortaleza, que reunirá pessoas na Universidade Federal do Ceará. Faça parte desse movimento. Acompanhe as conversas sobre open data no Semanário da Open Knowledge. A newsletter é totalmente gratuita e para participar basta se inscrever aqui. Flattr this!

ODD 2019: eventos no Brasil

- February 28, 2019 in accountability, Dados Abertos, debates, hackathon, LAI, Lei de acesso à informação, Open Data Day, transparência

Open Data Day é um momento anual onde todo o mundo debate e promove, por um dia, o uso de dados abertos. Em geral, acontecem eventos, workshops, fóruns online, hackatons e todo o tipo de atividade usando informação livre. O intuito da data é incentivar governos, empresas e a sociedade civil a usarem dados abertos em suas iniciativas. A gente explicou um pouco melhor o que é o dia neste texto aqui. Em 2019, o evento acontece pela nona vez. Este ano, a data escolhida pela nossa rede internacional foi o dia 2 de março, sábado. No entanto, como no Brasil a data será carnaval, estamos aconselhando que os eventos locais sejam marcados para o dia 9 de março ou datas posteriores. Já temos eventos marcados em Fortaleza, Porto Alegre e Natal. Confira os detalhes abaixo. Fortaleza Dia: 23/03 Hora: 09:00 Local: Casa da Cultura Digital (Rua dos Pacajus, 33 – Praia de Iracema) Mais informações em breve. Natal Dia: 23/03 Hora: 08:30 Local: IFRN Central (Avenida Senador Salgado Filho, 1559, Tirol). Submeta sua palestra no SpeakerFight do evento. Mais informações em breve. Porto Alegre Dia: 09/03 Hora: 09:30 Local: Unisinos Programação e inscrição disponíveis aqui. Pretende realizar um Open Data Day na sua cidade? Envie um e-mail para comunicacao@ok.org.br para que a gente possa listar sua atividade aqui! Flattr this!

Open Knowledge Brasil participa da Trilha para Governo Aberto do Imaflora

- February 28, 2019 in accountability, agricultura, clima, controle social, Dados Abertos, florestas, Imaflora, Meio ambiente, Open Knowledge Brasil, Parceria para Governo Aberto, transparência

* Com informações do site da Parceria para Governo Aberto O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) lança a Trilha para Governo Aberto, site que reúne os principais conceitos sobre transparência e acesso à informação, dados abertos, participação social e accountability aplicados às políticas de clima, floresta e agricultura.   Na plataforma, que adota recursos de animação, de literatura de cordel e do percurso de uma trilha, especialistas explicam diversos conteúdos que compõem o conceito de Governo Aberto ao longo de 20 vídeos. Natália Mazotte, diretora-executiva da Open Knowledge Brasil, participou do módulo de dados abertos, mostrando o potencial de geração de conhecimento e de controle social destes dados e indicando que eles podem trazer algumas soluções para diversos desafios que enfrentamos na sociedade, com foco especial no potencial de uso de dados na área de clima, floresta e agricultura. Conheça a iniciativa: https://trilha.imaflora.org   Flattr this!

Construindo um mundo mais aberto

- February 27, 2019 in Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, Open Knowledge Internacional

* Texto da CEO da Open Knowledge Internacional, Catherine Stihler. Esta é minha primeira semana no meu novo papel como Diretora-Executiva da Open Knowledge Internacional. Habilidades digitais e uso de dados sempre foram uma paixão pessoal, e eu não posso esperar para trabalhar com e conhecer tantas pessoas talentosas lutando por um mundo mais aberto. É um privilégio fazer parte de uma organização que estabeleceu o padrão global de compartilhamento genuinamente livre e aberto de informações, com base na visão de seu fundador, Dr. Rufus Pollock, que deseja criar uma era da informação aberta. Houve muitos ganhos nos últimos anos que tornaram nossa sociedade mais aberta, com especialistas – sejam cientistas, empresários ou ativistas – usando dados para o bem comum. Mas eu me junto à OKI no momento em que a abertura está em risco. A aceitação de fatos básicos está sob ameaça, com muitas opiniões de especialistas descartadas e uma cultura de “anti-intelectualismo” daqueles que estão nos extremos da política. Os fatos são simplesmente chamados de “notícias falsas”. A ascensão da extrema direita e da extrema esquerda traz uma abordagem autoritária que pode nos levar de volta a uma sociedade fechada. O caminho a seguir é ressuscitar os três fundamentos de tolerância, fatos e ideias, para evitar a deriva para os extremos. Quero ajudar a aproveitar o poder dos dados abertos e liberar seu potencial para o bem público. No último século, o filósofo Karl Popper argumentou que a abertura à análise e ao questionamento promoveria o progresso social e político. Sua visão pode hoje ser vista da maneira como dados abertos podem melhorar nossa vida no século XXI. Há cidades na Europa que usam dados de sensores em tempo real para informar aos motoristas a disponibilidade precisa de vagas de estacionamento nas ruas e a localização dos ônibus em tempo real. Os dados abertos podem ajudar o meio ambiente, analisando as tendências de uso na forma como tratamos o lixo doméstico, podem melhorar a saúde de uma nação prevendo surtos de doenças e podem permitir que as autoridades respondam a eventos climáticos extremos como tempestades de neve e inundações de forma coordenada. E isso pode beneficiar os consumidores também. Na semana passada, em uma conferência de tecnologia em Edimburgo, encontrei uma empresa escocesa chamada Get Market Fit, que criou uma ferramenta on-line gratuita chamada Think Check. Ela permite que os compradores verifiquem se um produto ou vendedor é o que parece e avisam se você está exposto a falsificações ou fraudes. Quando os dados abertos se tornam úteis, utilizáveis ​​e usados ​​- quando são acessíveis e significativos e podem ajudar alguém a resolver um problema – é quando se torna conhecimento aberto. E não se trata apenas de tornar nossas vidas mais fáceis. O conhecimento aberto pode tornar as instituições poderosas mais responsáveis, e informações vitais de pesquisa podem nos ajudar a enfrentar desafios como pobreza, doenças e mudanças climáticas. Se sabemos como os governos gastam nosso dinheiro – tanto em seus planos quanto na realidade – eles são mais responsáveis ​​perante os cidadãos. O poeta Robert Frost, que falou na posse do presidente John F. Kennedy, escreveu sobre um homem que disse que “boas cercas fazem bons vizinhos”. Mas a verdade é que bons vizinhos não colocam cercas – eles compartilham conhecimento através de um espaço aberto. Compete a todos nós nos tornarmos bons vizinhos para que possamos construir um mundo mais aberto. Flattr this!