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Como podemos usar a tecnologia para diminuir o assedio sexual e violência contra as mulheres?

- October 25, 2015 in abismo de gênero, aborto, aplicativo cívico, assedio, Chega de Fiu Fiu, congresso nacional, Daniela Silva, desafio, Destaque, Disque 100, estultice, estupro, Eventos, financiamento, Garoa, governo, Hackatona, Hackday, Juliana de Faria, leis, mulheres, PL 5069/2013, Sociedade, sustentabilidade, tecnologia, Thik Olga, Toró de ideias, Transparência Hacker, violência sexual, WIkipedia

Estupro no Brasil

Fonte: página Quebrando o Tabu.

Diante do cenário gritante de uma sociedade machista, esse artigo é uma chamada para ação. Os números divulgados pelo IPEA em relatório de 2014 são assustadores: 527 mil pessoas são estupradas por ano no Brasil, o que dá aproximadamente uma pessoa por minuto, sendo 89% mulheres e 70% crianças. Temos também relatos chocantes de casos de primeiro assedio relatos nas redes sociais por mulheres de todo Brasil (veja no Twitter a hashtag #primeiroassedio). Mesmo diante desse quadro, ainda temos que ver projetos de lei em nosso congresso como o PL 5069/2013, do deputado Eduardo Cunha, aprovado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) esses dias, que criminaliza o uso de substâncias abortivas e obrigas mulheres que sofreram estupro e exige que, para um aborto ser realizado, a vítima é obrigada a fazer exame de corpo de delito e comunicar à autoridade policial. Já temos exemplos onde mulheres estão sendo processadas após denunciarem abuso sexual. “Nos países ibero-americanos, é disseminada a ideia de que mulher mente e recorre à lei para prejudicar o companheiro”, diz Wânia Pasinato, coordenadora de acesso à Justiça da ONU Mulheres. Indepentemente das estultices de alguns erepresentantes do Congresso Nacional, precisamos agir. Recentemente conheci o projeto Chega de Fiu Fiu (chegadefiufiu.com.br), da Think Olga, um Think Tank com o objetivo de aumentar o poder das mulheres por meio do acesso à informação. Recentemente, no Ibirapuera, em  mais uma excelente iniciativa da Olga, assistir o ótimo filme Filha da Índia (India’s Daughter), da diretora Leslee Udwin, onde mostra um caso emblemática da reação da sociedade indiana por causa de um triste caso de estupro e ainda números gritantes sobre a violência contra mulheres ao redor do mundo, até mesmo nos países do norte global, também conhecidos como “desenvolvidos”. Na página do filme há mais informações sobre esses dados e ações, como uma campanha contra violência doméstica para mudar esse quadro.
Lei sobre o aborto por país

Legislação sobre o aborto por país
Azul: Legal. Verde: Ilegal, exceto em caso de estupro/violação, risco à vida da mãe, problemas de saúde física ou mental, fatores socioeconômicos e/ou defeitos no feto. Amarelo: Ilegal, exceto em casos de estupro/violação, risco à vida da mãe, problemas de saúde física ou mental e/ou defeitos no feto. Marrom: Ilegal, exceto em casos de estupro/violação, risco à vida da mãe e/ou problemas de saúde física ou mental. Laranja: Ilegal, exceto em casos de risco à vida da mãe e/ou problemas de saúde física ou mental. Vermelho: Ilegal e sem exceções. Preto: Varia por região. Cinza: Não há informações. Fonte: Wikimedia Commons

 

Ações

Eu gostaria de convidar todos os que se sensibilizarem com esse problema a pensarmos o que podemos fazer com o uso da tecnologia para diminuir o assedio sexual e violência contra as mulheres. Algumas ideias simples abaixo, mas se você tiver outras, envie seu comentário!

A) Aplicativo para celular que alimente o Chega de Fiu Fiu

Gostaria de convidar todos meus colegas de comunidades hackativistas (Transparência Hackers, Garoa Hacker, Open Knowledge Brasil, desenvolvedores independentes e outros) a desenvolvermos um apicativo para celular que alimente o site Chega de Fiu Fiu. Atualmente, para uma mulher ou menina relatar um caso de assedio, é necessário preencher uma planilha dentro do próprio site. Já existe o aplicativo Projeta Brasil, desenvolvido pela Ilhasoft de Alagoas, que mapeia diversas instituições para denúncias de casos que violem direitos humanos (violência sexual, trabalho infantil, violência sexual, violência física etc.), facilitando a pessoa achar o endereço e telefone da instituição mais próxima para relatar alguma violação ou ligar diretamente para o Disque 100, Ouvidoria Nacional responsável por receber, examinar e encaminhar as denúncias de violações de direitos humanos. (Temos que entrar em contato com a empresa para pedir a base de dados essas instituições) Recentemente submetemos uma proposta de projeto  para o edital de governo aberto da cidade de São Paulo, análogo ao que proposmo aqui, mas não fomos contemplados. A proposta foi elaborada em parceria entre a Open Knowledge Brasil e a Think Olga (obrigado, Juliana de Faria, Luíse Bello e Isabela Meleiro). Mesmo assim, acredito que podemos juntar esforços e realizar um hackday ou hackatona onde devenvolveremos esse aplicativo cuja necessidade me parece ululante. Hackaday: minha sugestão é aproveitarmos a vinda da Daniela Silva (Open Society Foundations) ao Brasil, no dia 20 de novembro, já que ela está organizando um hackday junto a comunidade Transparência Hackers. Daniela é uma das fundadoras da comunidade Transparência Hackers junto ao Pedro Markun e da RodAda Hacker, que dá oficinas de programação para mulheres, tão excluídas dos meios tecnológicos. Sustentabilidade e financiamento: se devenvolver um aplicativo bacana, precisaremos que este seja sustentável e possamos mantê-lo. Não preciso nem mencionar que esse aplicativo cívico deve ter seu código aberto. Eu acredito que podemos fazer um financiamento coletivo via alguma plataforma voltada para isso (e. g., a Juntos com Você, site de financiamento coletivo para projetos sociais). Mas precisamos antes qual tecnologia vamos usar para o aplicativo e estimarmos os custos para mantê-lo e eventuais customizações. Podemos usar a infraestrutura da Open Knowledge Brasil para manter o projeto. Além do financiamento coletivo, sugestões de potenciais organizações financiadores para esse projeto são bem-vindas! Inspirações: Uma amiga sueca me recomendou dois projetos que usam o SMS para enviar informações geolocalizadas. O SMS-LIfeSavers, projeto que ela coordena e que envia SMS para civis treinados para fazer massagem cardio vascular. E o PulsePoint, que faz algo análogo. Na Argetina também criaram um projeto semelhante ao Chega de Fiu Fiu, o Habla me Bien, mas aparentemente está fora do ar.

B) Melhorarmos páginas na Wikipédia sobre o tema

É sabido que a Wikipedia é uma das maiores fontes de informações do mundo e seu caráter educacional usado por milhões de pessaos no mundo todo, em centenas de línguas. Dia 31 de outubro já está sendo organizada a  terceira editatona (inscrições aqui) da Wikipédia em São Paulo, também organizada pela Olga, onde voluntários se reunirão para capacitar mais mulheres a editar a enciclopédia livre, ainda mais com um abismo de gênero entre os editores da Wikipédia (veja mais sobre isso em Gender gap task force, um projeto da comunidade anglófona da Wikipedia). A iniciativa é ótima e sugiro melhorarmos os seguintes verbetes, alguns ainda inexistentes em português:

C) Parceria com autoridades responsáveis pela segurança pública e das mulheres

Por fim, precisamos após esse mapa de ações das autoridades competentes pelos casos de violações de direitos humanos e segurança dos brasileiros. Esse aplicativo da primeira proposta vai produzir dados sobre a violência e assédio contra as mulheres. Precisamos ver quais são os órgãos governamentais responsáveis por lidar com essas denúncias para facilitar a ação das autoridades competentes. Se alguém tiver sugestões qual seria a melhor forma de iniciarmos esse diálogo, com quem podemos começar o diálogo ou possuem algum contato, deixe nos comentários desse post. Esperamos que esse post seja apenas um ponta pé incial para oragnizarmos iniciativas e ações para diminuir esse grave mal que é o assedio e violência contra mulheres! Se souber de mais algum iniciativa no Brasil e pelo mundo, deixe um comentário!

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