You are browsing the archive for Destaque.

Esvaziar a participação é enfraquecer a democracia

- April 17, 2019 in Destaque, Open Knowledge Brasil

Um Estado aberto à participação social ampla e plural constitui-se como base fundante dos avanços democráticos observados desde a Constituição de 1988. A construção da democracia brasileira vem caminhando nesta direção nas últimas décadas e progrediu de forma consistente, desenvolvendo e institucionalizando ferramentas de participação social que permitem a diferentes atores formular, supervisionar e avaliar políticas públicas em âmbitos federal, estadual e municipal. Essa experiência acumulada legitimou o país a integrar o grupo de nações fundadoras da Parceria de Governo Aberto (OGP) – uma iniciativa multilateral das Nações Unidas para a promoção global de governos mais transparentes, participativos e democráticos e tornou o Brasil uma referência internacional no tema. Iniciativas governamentais que visem reduzir e enfraquecer os órgãos de colegiado como conselhos, comitês, comissões etc. vão na contramão do desenvolvimento democrático. A crítica construtiva ao funcionamento de um ou mais órgãos é bem-vinda ao processo de aperfeiçoamento dos modos de participação. No entanto, extingui-los de modo unilateral representa enorme retrocesso. Em vez disso, é preciso trabalhar para aperfeiçoá-los, encontrar novas metodologias e desenvolver processos que possam torná-los ainda mais inclusivos, plurais e efetivos. Revigorar tais espaços é uma missão e um desejo de todos e todas nós, de maneira que as propostas de ajuste dos mecanismos de participação devam ser amplamente discutidas com a sociedade e nunca impostas de forma vertical. O Decreto nº 9.759/2019, publicado pela Presidência da República no dia 11 de abril de 2019, prevê a extinção de diversos colegiados da administração pública federal, sem qualquer espécie de consulta ou debate público.Essa extinção generalizada reduz ainda mais os espaços de diálogo entre sociedade civil e governo, restringe a escuta ativa de demandas por políticas públicas e cerceia a pluralidade de ideias e visões tão necessárias à democracia. Esse é um retrocesso que não contribui com o enfrentamento dos desafios colocados para o nosso país. As organizações abaixo-assinadas lamentam e repudiam tal medida e seguirão coordenando esforços para garantir a continuidade de mecanismos de participação social que são, como dito acima, uma conquista constitucional de toda a sociedade brasileira. SUBSCREVEM ESTA NOTA PÚBLICA:
Ação Educativa
ACT Promoção da Saúde
Atados – Juntando Gente Boa
Atletas pelo Brasil
Brasil 2030
CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária
Centro de Promoção da Saúde – CEDAPS
CIVI-CO
Conectas Direitos Humanos
Delibera Brasil
Engajamundo
Frente Favela Brasil
Fundação Avina
Fundação Tide Setúbal
Geledés Instituto da Mulher Negra
Instituto Alana
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec
Instituto Construção
Instituto de Defesa do Direito de Defesa – IDDD
Instituto de Desenvolvimento Sustentável Baiano – IDSB
Instituto de Governo Aberto – IGA
Instituto Ethos
Instituto Não Aceito Corrupção
Instituto Update
Movimento Raiz Cidadanista
Nossas
Open Knowledge Brasil
Oxfam Brasil
Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político
ponteAponte
Programa Cidades Sustentáveis
Rede Conhecimento Social
Rede Justiça Criminal
Rede Nossa São Paulo
Szazi, Bechara, Storto, Rosa e Figueirêdo Lopes Advogados
Vote Nelas
Flattr this!

Por que a Operação Serenata de Amor não consegue atuar nas contas do Senado?

- April 2, 2019 in Dados Abertos, Destaque

  • Texto por Pedro Vilanova
Desde que a Operação Serenata de Amor nasceu, em setembro de 2016, a nossa equipe escuta o mesmo questionamento: “Por que vocês não mapeam também o Senado?” Bom, antes de mais nada, a Serenata nasceu como um projeto para auxiliar na auditoria das contas públicas utilizando inteligência artificial. Nós começamos pela Câmara dos Deputados pela possibilidade técnica que os dados da casa forneceram. Desde que começamos, sempre foi possível ter acesso integral aos dados da Cota Parlamentar para deputados, inclusive com as imagens de grande parte dos documentos, desde 2011. (Guarde essa informação dos documentos. Nós já retornaremos a ela.) O resto da história da Serenata, a maioria das pessoas já conhece: o grupo uniu forças com a Open Knowledge e, pelo Programa de Inovação Cívica, lançou novos projetos, como o Perfil Político, o Queremos Saber e o Vítimas da Intolerância. Sempre voltados a qualificar a informação disponível e engajar a cidadania, mesmo que com dados de origens diferentes. O nosso dia-a-dia inclui trocas de mensagens com os órgãos públicos do nosso país. Seja por pedidos de informação, seja por questionamentos diretos, estamos sempre em contato para esclarecer melhor alguns pontos em nome do conhecimento livre. Um dos pontos que mais ajudaram no crescimento e na popularização da Operação Serenata de Amor foi a possibilidade de levar o cidadão até documentos públicos de uma forma muito rápida. Como a Câmara disponibiliza com detalhes as despesas, qualquer pessoa conseguia, ao acessar o Twitter da Rosie, checar diretamente na fonte as notas fiscais apresentadas pelos seus deputados. É a mão dupla da transparência funcionando. A abertura de dados leva ao engajamento, que leva a um controle maior por parte da população. A Operação se popularizou e já teve seus resultados comprovados em outros textos. O problema, porém, é que esses resultados ainda estão restritos à Câmara dos Deputados. E o Senado? A abertura de dados referentes à Cota Parlamentar no Senado sempre foi mais conturbada. A imagem dos documentos, um dos pilares do controle como fazemos, não é disponibilizada pela Casa, mesmo que esse seja o tema de constantes pedidos nossos desde 2016. Esse ano, ao questionarmos novamente os motivos que levam o Senado a não disponibilizar as imagens dos comprovantes fiscais, recebemos a resposta oficial de que a abertura de dados é uma decisão que cabe ao próprio parlamentar. Isto é, quem decide se o documento que detalha como o dinheiro público foi empregado será ou não disponibilizado é o senador responsável pela despesa.

De acordo com a Advocacia do Senado Federal, o senador pode escolher não disponibilizar parte ou toda nota fiscal de forma arbitrária. A exceção é caso exista alguma investigação em curso. Ou seja, a transparência e o engajamento da população dependem, acima de tudo, da boa vontade do próprio parlamentar em mantê-los. Isso é particularmente estranho, tendo em vista que o art. 7º, III da LAI assegura o direito de acesso a qualquer informação custodiada por pessoa física (não precisaria ser um parlamentar) decorrente de qualquer vínculo com a administração pública. Isso se torna ainda mais preocupante em razão de se tratar de informações sobre despesas públicas, algo tão discutido atualmente. Além disso, a falta desses documentos dificulta a própria análise e comunicação feita pela equipe. As normas da Cota Parlamentar são diferentes para deputados e senadores, os segundos, ao contrário dos primeiros, por exemplo, podem custear alimentação de terceiros com o dinheiro público. A análise das imagens das notas seria mais um elemento para identificar exageros e mau uso da verba pública, quando houvesse, e comunicar da maneira simples que popularizou a Serenata no trabalho junto à Câmara.

O próprio Senado já detectou problemas em sua gestão de informação, como vemos acima. Em relatório de 2014, fica clara a carência em setores de gestão do sistema e do registro das empresas dos parlamentares. Em resposta a um requerimento feito no ano passado, a Casa ainda afirmou não controlar se as despesas são feitas em empresas ativas ou cujos sócios sejam parentes dos senadores.

Bom, agora vocês já sabem. Apesar dos nossos esforços, não conseguimos atuar tornando mais transparente o uso da cota parlamentar no Senado porque não temos acesso aos documentos que detalham como os gastos foram feitos. Isso fica a critério dos senadores, e o controle das milhares de notas das suas despesas, a cargo de alguns poucos servidores da Casa. A gente continua querendo aplicar tecnologia para ajudar a democratizar esse controle. Flattr this!

Dezenas de organizações da sociedade civil respondem de forma conjunta a declaração do governo para celebrar o golpe civil militar

- March 29, 2019 in Destaque, Open Knowledge Brasil

No próximo dia 31 de março completam-se 55 anos do golpe civil militar no Brasil. Momento este que interrompeu, de forma grave, longa e dolorosa, o processo de construção democrática no país. As duas décadas de regime autoritário nos legaram a destituição ilegal de um presidente democraticamente eleito, o assassinato por razões políticas de 434 pessoas, a tortura de 20 mil cidadãos, a perseguição e destituição de 4.841 representantes políticos eleitos em todo o país, a censura de estudantes, jornalistas, artistas e pensadores entre tantos outros crimes, praticados pelo estado ou com a conivência deste, deixando cicatrizes institucionais cujas consequências são perceptíveis até os dias de hoje. Isto sem mencionar as profundas sequelas que estas incontáveis violações a direitos humanos fundamentais deixaram nas vítimas diretas e indiretas em matéria de integridade física, mental e emocional. A abertura democrática que sucedeu este período sombrio de nossa história, com todos os seus percalços e desafios, nos legou avanços inegáveis em todas as áreas. Nestas três décadas de construção democrática, alcançamos uma maior estabilidade econômica, avançamos na garantia de direitos e em conquistas sociais e criamos instituições que têm se mostrado fortes e resilientes mesmo frente às crises que assolam o nosso país nos últimos anos, com tensionamentos entre os poderes, descrédito da representação política e uma aguda polarização social. Sabemos que estes avanços ainda são insuficientes para um país tão grande e desigual como o nosso, mas a solução será sempre através da construção conjunta e dialogada, marcas de sociedades democráticas. É preciso avançar nesta construção, com novas ideias e práticas que deem sustentação para um novo ciclo virtuoso da democracia brasileira. É por esse motivo que o grupo de organizações da sociedade civil abaixo subscritas, dedicadas à defesa e aprimoramento da democracia brasileira, rechaçam a ordem presidencial de celebração do golpe civil militar, bem como a tentativa de relativização e revisão histórica proposta. Que o dia 31 sirva para nos lembrar daquilo que não queremos repetir e para que possamos olhar para frente, imaginar e construir uma democracia que seja promotora de liberdades, mais plural e menos desigual. SUBSCREVEM ESTA NOTA PÚBLICA: Ação Educativa ACT Promoção da Saúde Agenda Pública Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular Associação Tapera Taperá Atados – Juntando Gente Boa Atletas pelo Brasil Bússola Eleitoral Casa Fluminense Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária – CENPEC CHAMA agência-rede CLP – Liderança Pública Conectas Direitos Humanos Delibera Brasil Departamento Jurídico XI de Agosto Educafro Brasil Engajamundo Fórum do Amanhã Fundação Tide Setubal Frente Favela Brasil Geledés Instituto da Mulher Negra Imargem Instituto Alana Instituto Atuação Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec Instituto Cidade Democrática Instituto Clima e Sociedade – iCS Instituto Construção Instituto de Defesa do Direito de Defesa – IDDD Instituto de Desenvolvimento Sustentável Baiano – IDSB Instituto de Estudos da Religião – ISER Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC Instituto de Governo Aberto – IGA Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social Instituto Não Aceito Corrupção Instituto Socioambiental – ISA Instituto Sou da Paz Instituto Update Move Social Movimento Acredito Movimento Bancada da Educação Movimento @Brasil21 Movimento Livres Muitas Ocupa Política Open Knowledge Brasil Oxfam Brasil ponteAponte Programa Cidades Sustentáveis Projeto Brasil 2030: da colaboração para o desenvolvimento Rede Conhecimento Social Rede Justiça Criminal Rede Nossa São Paulo Rubens Naves Santos Jr. Advogados Students For Liberty – Brasil TETO Brasil Transparência Brasil Uneafro Brasil Virada Política Vote Nelas Flattr this!

ODI: mais dados abertos com mais qualidade.

- March 28, 2019 in Dados Abertos, Destaque

* texto de Pedro Vilanova para a iniciativa 101 dias de inovação no setor público, do WeGov Dados abertos são essenciais para a transparência e o engajamento da população. Porém, temos que concordar: dados abertos sem qualidade geralmente são tão úteis quanto a inexistência deles. Por isso a importância de se haver indicadores que auxiliem na mensuração da qualidade desses dados. O Índice de Dados Abertos (Open Data Index, em inglês) foi desenvolvido com esse propósito. A iniciativa começou de forma global com a Open Knowledge e foi trazida para o Brasil em uma parceria entre a Open Knowledge Brasil e a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV-DAPP). O Índice agora avalia não apenas o governo federal, mas também os municipais, atuando junto a líderes locais, selecionados em chamada pública, para garantir a escalabilidade necessária em um país do tamanho do Brasil. Trata-se de uma iniciativa pioneira na promoção da transparência nos municípios brasileiros, uma vez que o índice pode ser utilizado como ferramenta de avaliação e identificação de gargalos, de forma a orientar os municípios em relação ao aprimoramento de suas políticas de dados abertos. Em 2018, o Índice avaliou 136 bases de dados, distribuídas em 17 dimensões, referentes a oito cidades (Belo Horizonte-MG, Brasília-DF, Natal-RN, Porto Alegre-RS, Rio de Janeiro-RJ, Salvador-BA, São Paulo-SP e Uberlândia-MG). As dimensões abarcam conjuntos de dados sobre: Resultados Eleitorais, Escolas Públicas, Estatísticas Socioeconômicas, Estatísticas criminais, Gastos Públicos, Orçamento Público, Limites Administrativos, Leis em Vigor. Atividade Legislativa, Mapas da Cidade, Compras Públicas, Transporte Público, Localizações, Qualidade da água, Qualidade do Ar, Registro de Empresas e Propriedade da Terra. Para cada uma dessas dimensões, a análise contabiliza os gargalos identificados, que são classificados como problemas de usabilidade (dataset incompleto, indisponibilidade de formato aberto, desatualização e dificuldade para se trabalhar os dados) ou de processo (acesso restrito, dificuldade para localizar os dados, download indisponível e licença não explícita). O relatório de 2018 revelou que o Brasil possui uma boa qualidade de dados porém com deficiências visíveis. Das 17 dimensões analisadas, apenas três tiveram nota máxima. Curiosamente, a mesma quantidade de dimensões que não puderem sequer ser avaliadas, por sua inexistência técnica. Entre os problemas mais comuns estão metadados insuficientes, indisponibilidade de download da base de dados completa, dataset incompleto e ausência da informação em formato aberto. O ODI é uma forma prática de auxiliar servidores, gestores de informação e profissionais de ouvidoria a aumentarem a qualidade da abertura de dados de forma eficiente, seguindo um índice comparativo totalmente gratuito. Confira o relatório. * Pedro Vilanova é jornalista e colaborador da Open Knowledge Brasil. É um dos membros da Operação Serenata de Amor e ativista da informação livre e dos dados abertos no Brasil. Flattr this!

Quem trabalha com dados abertos no Brasil?

- March 13, 2019 in Dados Abertos, design, Destaque, direito, hackathons, Jornalismo de dados, Lei de acesso à informação, ouvidorias, pesquisa, Python, R, transparência

  • Texto por Pedro Vilanova
Em março acontece o Open Data Day, movimento mundial de promoção ao uso de dados abertos. São vários eventos ao redor do mundo com essa temática. Uma boa oportunidade para conhecer novas pessoas, ampliar horizontes técnicos e debater um tema super em voga. Este é o meu 4º ano de open data. Foi tempo suficiente para conhecer bastante gente diferente. Nos preparativos para mais um Open Data Day, resolvi investigar um pouco quem são as pessoas que trabalham com dados abertos em terras brasileiras. Eu sou formado em comunicação, mas desde 2016 eu trabalho analisando dados para escrever. Em 2017, aprendi a programar e um novo mundo se abriu. Apesar de hoje ter dezenas de colegas jornalistas de dados, percebo que o tema open data, ou simplesmente dados abertos, ainda está muito distante da maioria das pessoas. Resolvi bater um papo com alguns amigos da área, com formações bem diferentes, para tentar facilitar para quem sempre quis participar e nunca conseguiu  – e para quem não faz nem ideia do que sejam dados abertos. Afinal, quem é que trabalha com dados abertos? Otávio Carneiro, o arquiteto e agitador da comunidade. O primeiro papo que tive foi com o Otávio Carneiro. Ele é arquiteto, com mestrado em gestão do conhecimento e tecnologia da informação. E talvez você já tenha visto ele em algum evento por aí. O Otávio faz parte do Calango Hacker Club desde 2013 e, de acordo com ele, começou a se inteirar sobre dados abertos com o pessoal por lá. Um ano depois, já estava participando de eventos com a Câmara dos Deputados e mais um aninho na frente organizou o Open Data Day em Brasília  – e por 3 anos: 2015, 2017 e 2018 (com uma pausa em 2016 por causa do mestrado). Para mim, ele é uma das pessoas mais engajadas na comunidade. Não me lembro de ter ido a um evento sequer sem tê-lo encontrado. Mesmo assim, ele nunca ganhou dinheiro com open data. E também nunca precisou lidar com a área diretamente no trabalho  – o que, confesso me deixou até um pouco chocado. O Otávio não sabe, mas foi ele que me convidou para a minha primeira palestra sobre open data, justamente com o pessoal do calango. Para mim, é curioso o fato de ele não trabalhar diretamente com isso. Na conversa, o Otávio disse que muitos dos desafios são técnicos: qualidade e formato dos dados, dificuldade de encontrar os dados e o despreparo dos órgãos do governo com a LAI são os principais. Para ele, mais pessoas deveriam ter a habilidade de lidar com dados abertos. Concordo, Otávio. E é por isso que estamos aqui. A segunda pessoa com quem bati um papo foi a Judite Cypreste, com uma pegada bem menos hacker club e bem mais jornalística, ela mantém uma característica comum com o Otávio: não é formada em computação, mas em Letras, com pós em Jornalismo Cultural. Judite Cypreste, redação, zumbis e um bot que cobra dados. A Judite Cypreste começou a trabalhar com open data em um treinamento na Folha de S.Paulo sobre Jornalismo de Dados, ano passado. Antes disso, só estudava sobre o tema como pesquisadora na UERJ. Ela aprendeu a programar com o Fernando Masanori. Aliás, pausa aqui. Eu também aprendi a programar em Python com o Masanori, no Python para Zumbis, curso totalmente gratuito, com todas as aulas disponíveis no YouTube. Fim da pausa. A partir da programação, a Judite fez algumas reportagens bem legais, com um impacto considerável, passeou em algumas redações e esse ano lançou o Colaboradados, um projeto que se propõe a auxiliar as pessoas a acharem bases de dados confiáveis e gratuitas (siga o bot, o @colaboradados, que cobra resposta dos órgãos sempre que portais da transparência apresentam problemas de acesso). Para ela, a importância do open data é central não só no seu trabalho, mas na sociedade. Os dados abertos podem auxiliar no combate à falta de informação. Quem não conhece, não monitora e não cobra. E para melhorar isso, ela tem tentado contar boas histórias, de impacto, e mexer com dados. Perfis como o da Judite são o que mais encontrei desde que comecei a trabalhar com open data: pessoas que escrevem e usam dados para isso, mesmo que de forma voluntária. Às vezes programam, às vezes não. Às vezes são jornalistas, às vezes não. O grande segredo está na busca por dar sentido aos dados. E isso pode ser feito com Python, R ou até mesmo em uma tabela no Excel. Por isso é tão importante que a gente cobre dos órgãos competentes que disponibilizem esses dados em bons formatos, de maneira acessível. E é daí que surge o gancho com a terceira pessoa com quem bati um papo: Fabrício Rocha, uma das pessoas por trás da API de dados abertos da Câmara dos Deputados. Fabrício Rocha, o repórter que não afrouxa. Talvez você conheça o Fabrício Rocha da televisão. Ele apresenta o programa Participação Popular, na TV Câmara. É jornalista de formação, com pós em TV Digital Interativa. É, é muita televisão nessa carreira. E o que dados abertos tem a ver com isso? O Fabrício é servidor público. E foi destinado ao então Centro de Informática da Câmara em janeiro de 2016, lotado na coordenação que atende a área de Comunicação da casa. Lá atrás, há três anos, ele foi colocado em uma seção recém-criada que tinha chamado para si a responsabilidade pelo serviço de Dados Abertos da Câmara e sua já necessária atualização. Dois meses depois ele começou a elaborar a nova versão do serviço. E é desde então que nosso apresentador trabalha com dados abertos. O exemplo do Fabrício é interessante. Quando perguntei para ele qual era a importância dos dados abertos na sua realidade, ele me respondeu que é a razão do trabalho dele, porém que, às vezes, a própria instituição na qual ele trabalha parece se importar menos com o tema do que servidores como ele. Pausa. Em 2016, quando comecei a trabalhar com dados abertos, o meu pensamento acompanhava o senso comum de que os órgãos públicos faziam de tudo para dificultar a vida de jornalistas e ativistas de monitoramento social. Até que conheci pessoas como o Fabrício, que faz parte de um grupo razoavelmente grande de servidores que lutam diariamente para melhorar o acesso à informação por parte da sociedade. Se não conseguem, muitas vezes, isso se dá pelas burocracias e falta de organização do próprio órgão. Fim da pausa. Isso está traduzido, por exemplo, no que o Fabrício considera o desafio de trabalhar com dados abertos. É difícil fornecer dados a partir de bases criadas por sistemas sem um propósito de publicação das informações em forma de dados abertos. Em outras palavras, é organizar dados que foram armazenados de forma incompleta, divergente ou muito mal estruturados. Olha só que coincidência Esse é o lado dos dados abertos de quem trabalha na base da cadeia. Na matéria prima. Fazendo cumprir-se a Lei de Acesso à Informação (LAI), que rege os dados públicos governamentais no Brasil, que, por algumas vezes é tratada com descaso por autoridades. Mas a LAI, como o próprio nome diz, é uma lei. Bruno Morassutti, dados, direito e alguns e-mails a ouvidorias. Bruno Morassutti é advogado, especialista em processo civil e direito público, mestrando da área de direito e tecnologia. Ele narra o começo da sua trajetória nessa área dos dados ainda na faculdade, mas em transparência, não necessariamente em dados abertos. Bruno tem por hábito questionar ouvidorias para entender melhor o funcionamento das coisas e assim fazer propostas de melhoria mais bem informadas e assertivas. Da transparência para os dados abertos o salto foi natural. Os dados abertos potencializam muito a transparência e, consequentemente, o seu trabalho. Ele é um advogado “orientado a dados” desde 2012. Eu gosto muito desse perfil. Primeiro porque o Bruno é super entusiasmado. A ponto de dizer que em um mundo ideal trabalharia só com o universo de direito e dados abertos, o que não é possível ainda pela falta de projetos remunerados na área. Depois porque sua expertise é extremamente necessária para os dados abertos. É um conhecimento técnico aplicado aos dados. E vice-versa. Na primeira vez que fui a um Open Data Day, em 2016, eu me lembro de olhar para a plateia e pensar que era o único representante da ala não técnica. Esse engano se manteve até o ano seguinte, quando me envolvi mais com a comunidade e percebi que estava ao lado de jornalistas, arquitetos, auditores públicos e advogados. O Bruno é um desses exemplos. Foi então que eu percebi os dados abertos como um meio para facilitar quase todo o tipo de função. E daí meu questionamento mudou. Ok, eu não era o único não técnico ali. Mas o que será que faltava para que todo mundo usufruisse dos benefícios do open data? A Tatiana, por exemplo, nosso próximo perfil, também tem uma formação tradicionalmente afastada dos dados abertos. Tradicionalmente porque acredito que essas barreiras vão fazer cada vez menos sentido. Eu espero. Tatiana Balachova, a russa que faz design com dados. Tatiana Balachova é publicitária, designer autodidata e nunca codou na vida. Mesmo assim, é uma das pessoas mais engajadas dentro do universo de dados abertos que eu já conheci. A Tati é uma das mentes que ajudou a popularizar a Rosie, robô que a Operação Serenata de Amor criou em 2016. Os dados, abertos ou não, só tem valor de fato quando transformados em informação, e consequentemente, em ação. O perfil dela é essencial para fechar esse ciclo e levar conhecimento para o público. Para ela, o maior desafio é aproximar o cidadão que não está familiarizado com o universo de open data, para que ele também participe da conversa sobre transparência e controle das contas públicas. E se por um lado, há pessoas como a Tati, que entraram no mundo dos dados abertos por conta de um projeto, com uma carreira recente na área, há quem trabalhe com isso há quase uma década. É o caso da Fernanda Campagnucci, a próxima pessoa com quem bati um papo sobre dados abertos. Fernanda Campagnucci, uma década de dados abertos. A Fernanda Campagnucci também é jornalista (vá contando, só nesse artigo já são 4 comunicadores, sem contar comigo), porém, no seu currículo, que inclui mestrado, doutorado e uma pós em transparência, o trabalho com dados abertos começou em 2006. Ou seja, há muito mais tempo do que a maioria das pessoas na área. Na época, ainda na RAC, Reportagem com Auxílio de Computador, na graduação na USP. O caminho dela é bem interessante. Do uso de dados, à cobrança por mais transparência e melhores dados, à participação em hackatons e redes como a Transparência Hacker até ser convidada para integrar a Controladoria Geral do Município de São Paulo, que é a área encarregada de implementar a LAI e as políticas de dados abertos na cidade. Hoje, já concursada, ela trabalha em outro órgão, a Secretaria Municipal de Educação, onde implementa um programa de governo aberto. A Fernanda, assim como o Fabrício, é uma das pessoas que passou de consumidor e provedor ou mantenedor de boas práticas de dados abertos – inclusive ganhando a vida com isso. E esse é um ponto que ajuda a responder a pergunta que as pessoas de fora da área mais fazem para mim: em que os profissionais podem ajudar em dados abertos? A resposta é: consumindo, transformando dados em informação, deixando tudo isso mais legal e palatável para a população e até analisando a lógica das políticas de dados abertos. Você não necessariamente precisa ser jornalista de dados ou trabalhar em uma redação para isso. E, enfim, chegamos à Jessica Temporal. Nós nos conhecemos graças à Operação Serenata de Amor desde então ela se tornou minha solucionadora titular de problemas e picuinhas técnicas. Alguém que sabe mais que eu e tem paciência para me mostrar o caminho e ensinar. Apesar de unidos no mesmo projeto e pelos mesmos ideias, nossas formações são bem diferentes. Jessica Temporal, dados biomédicos, dados públicos e data ajuda. A Jessica Temporal tem uma formação técnica. É graduada em Informática Biomédica e na faculdade já usava dados abertos para análises biológicas. E desde os tempos de Serenata tem um contato maior com esse universo. Eu perdi as contas de quantas vezes vi a Jessica lutar por dados mais organizados, estruturados e às vezes até mesmo pela existência deles. Nós trabalhamos juntos por um ano com open data  – os dois remunerados. O ponto chave é que ela nem trabalha mais na área  – ainda trabalha com dados, mas não exclusivamente abertos  – porém continua colaborando muito de forma voluntária na comunidade (e nas minhas dúvidas). A Jessica, assim como outros amigos, entraram para o open data para nunca mais sair. O universo de dados abertos nunca vem sozinho. Ele sempre traz um monte de projetos legais, práticas open source e uma ou alguma coisa relacionada, minha sugestão é: tenha calma e procure gente que trabalha na área. Eu conversei com sete pessoas. Poderiam ter sido mais. Eu poderia estar até agora escrevendo esse texto. A comunidade de dados abertos no Brasil só cresce. A cada ano o Open Data Day é maior, com mais eventos regionais e mais projetos sendo apresentados. Faça como o Otávio, a Judite, o Fabrício, o Bruno, a Tati, a Fernanda e a Temporal: coloque os dados abertos na sua vida. É um caminho sem volta. Flattr this!

Saiba o que aconteceu na primeira rodada do Open Data Day 2019

- March 12, 2019 in Dados Abertos, Destaque

  • texto por Pedro Vilanova
No último sábado, 09 de março, aconteceram os primeiros eventos no Brasil para celebrar o Open Data Day, data criada para promover o uso de dados abertos. A iniciativa se espalha pelo mundo todo, de forma independente, com workshops, palestras, rodas de discussão e hackatons. Esse ano, as 3 áreas chave de discussão foram: rastrear fluxo de dinheiro público, mapeamento aberto e desenvolvimento igualitário. O público do Open Data Day é bastante diverso: servidores públicos, desenvolvedores, designers, advogados, estatísticos e demais cidadãos interessados. No Brasil, a iniciativa se espalhou por diversas cidades, com atividades diversas, desde pequenos eventos até produções maiores, com ingresso antecipado e programação para todo o dia – a maioria deles gratuitos. Em Recife, por exemplo, os participantes se reuniram por todo o dia e assistiram palestras sobre transparência e dados do governo, além de verem de perto o funcionamento de uma iniciativa de fiscalização de dinheiro público. Em Porto Alegre o evento também durou o dia todo. A ideia da organização foi focar em dois dos pilares trabalhados globalmente: rastreamento de dinheiro público e desenvolvimento igualitário. O evento trouxe palestras de profissionais de diferentes áreas, como auditores, advogados e jornalistas. Nesse texto você pode acompanhar com mais profundidade as atividades realizadas na cidade.

Open Data Day reúne participantes em Porto Alegre – RS.

Seguindo o mesmo ritmo, em Curitiba o evento durou o dia todo com demonstração de cases de uso de dados abertos, com experiência práticas para os participantes. Em uma delas, os presentes fizeram um mapeamento das condições das calçadas curitibanas, resultando num trabalho de código aberto sobre mobilidade urbana e acessibilidade. Se você perdeu a data e não participou de nada, fique de olho porque em algumas cidades o Open Data Day vai acontecer no dia 23 de março. É o caso do evento em Natal, que você pode conferir nesse link aqui e também em Fortaleza, que reunirá pessoas na Universidade Federal do Ceará. Faça parte desse movimento. Acompanhe as conversas sobre open data no Semanário da Open Knowledge. A newsletter é totalmente gratuita e para participar basta se inscrever aqui. Flattr this!

Construindo um mundo mais aberto

- February 27, 2019 in Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, Open Knowledge Internacional

* Texto da CEO da Open Knowledge Internacional, Catherine Stihler. Esta é minha primeira semana no meu novo papel como Diretora-Executiva da Open Knowledge Internacional. Habilidades digitais e uso de dados sempre foram uma paixão pessoal, e eu não posso esperar para trabalhar com e conhecer tantas pessoas talentosas lutando por um mundo mais aberto. É um privilégio fazer parte de uma organização que estabeleceu o padrão global de compartilhamento genuinamente livre e aberto de informações, com base na visão de seu fundador, Dr. Rufus Pollock, que deseja criar uma era da informação aberta. Houve muitos ganhos nos últimos anos que tornaram nossa sociedade mais aberta, com especialistas – sejam cientistas, empresários ou ativistas – usando dados para o bem comum. Mas eu me junto à OKI no momento em que a abertura está em risco. A aceitação de fatos básicos está sob ameaça, com muitas opiniões de especialistas descartadas e uma cultura de “anti-intelectualismo” daqueles que estão nos extremos da política. Os fatos são simplesmente chamados de “notícias falsas”. A ascensão da extrema direita e da extrema esquerda traz uma abordagem autoritária que pode nos levar de volta a uma sociedade fechada. O caminho a seguir é ressuscitar os três fundamentos de tolerância, fatos e ideias, para evitar a deriva para os extremos. Quero ajudar a aproveitar o poder dos dados abertos e liberar seu potencial para o bem público. No último século, o filósofo Karl Popper argumentou que a abertura à análise e ao questionamento promoveria o progresso social e político. Sua visão pode hoje ser vista da maneira como dados abertos podem melhorar nossa vida no século XXI. Há cidades na Europa que usam dados de sensores em tempo real para informar aos motoristas a disponibilidade precisa de vagas de estacionamento nas ruas e a localização dos ônibus em tempo real. Os dados abertos podem ajudar o meio ambiente, analisando as tendências de uso na forma como tratamos o lixo doméstico, podem melhorar a saúde de uma nação prevendo surtos de doenças e podem permitir que as autoridades respondam a eventos climáticos extremos como tempestades de neve e inundações de forma coordenada. E isso pode beneficiar os consumidores também. Na semana passada, em uma conferência de tecnologia em Edimburgo, encontrei uma empresa escocesa chamada Get Market Fit, que criou uma ferramenta on-line gratuita chamada Think Check. Ela permite que os compradores verifiquem se um produto ou vendedor é o que parece e avisam se você está exposto a falsificações ou fraudes. Quando os dados abertos se tornam úteis, utilizáveis ​​e usados ​​- quando são acessíveis e significativos e podem ajudar alguém a resolver um problema – é quando se torna conhecimento aberto. E não se trata apenas de tornar nossas vidas mais fáceis. O conhecimento aberto pode tornar as instituições poderosas mais responsáveis, e informações vitais de pesquisa podem nos ajudar a enfrentar desafios como pobreza, doenças e mudanças climáticas. Se sabemos como os governos gastam nosso dinheiro – tanto em seus planos quanto na realidade – eles são mais responsáveis ​​perante os cidadãos. O poeta Robert Frost, que falou na posse do presidente John F. Kennedy, escreveu sobre um homem que disse que “boas cercas fazem bons vizinhos”. Mas a verdade é que bons vizinhos não colocam cercas – eles compartilham conhecimento através de um espaço aberto. Compete a todos nós nos tornarmos bons vizinhos para que possamos construir um mundo mais aberto. Flattr this!

Open Knowledge Internacional anuncia fundo para ferramenta de Frictionless Data

- February 21, 2019 in Dados Abertos, dados sem atrito, Data Package, Destaque, Frictionless Data, mini-grant, Open Knowledge Internacional

A Open Knowledge Internacional está lançando o Frictionless Data Tool Fund, um esquema de mini-bolsas que oferece US$5.000 para apoiar indivíduos ou organizações no desenvolvimento de uma ferramenta open source para pesquisa ou ciência reprodutível a partir das especificações e software do projeto Frictionless Data. A organização recebe inscrições até o dia 30 de abril de 2019. O Fundo de Ferramentas faz parte do projeto Frictionless Data for Reproducible Research da Open Knowledge Internacional. Este projeto, financiado pela Fundação Sloan, aplica o trabalho em dados sem atrito a disciplinas de pesquisa orientadas por dados, a fim de facilitar fluxos de trabalho de dados reprodutíveis em contextos de pesquisa. Em sua essência, o Frictionless Data é um conjunto de especificações para interoperabilidade de dados e metadados, acompanhado por uma coleção de bibliotecas de software que implementam essas especificações e uma série de práticas recomendadas para o gerenciamento de dados. A especificação principal, o Data Package, é um “contêiner” simples e prático para dados e metadados. Com esse anúncio, estamos procurando indivíduos ou organizações de cientistas, pesquisadores, desenvolvedores ou organizadores de dados para aproveitar nossas ferramentas e código-fonte existentes de software livre para criar novas ferramentas para pesquisa reprodutível. O fundo estará aceitando submissões até o final de abril de 2019 para trabalhos que serão concluídos até o final do ano. Isso se baseia no sucesso do primeiro fundo de ferramentas em 2017, que financiou a criação de bibliotecas para especificações Frictionless Data em diversas linguagens de programação adicionais. Para o Fundo de Ferramentas deste ano, gostaríamos que a comunidade trabalhasse em projetos que possam fazer diferença para pesquisadores e cientistas. As candidaturas podem ser submetidas preenchendo este formulário até 30 de abril de 2019. A equipe da Frictionless Data notificará todos os candidatos se eles obtiveram sucesso ou não até o final de maio. Os candidatos aprovados serão então convidados para entrevistas antes da decisão final ser dada. A escolha será baseada em evidências de capacidades técnicas e também serão favorecidos os candidatos que demonstrarem interesse no uso prático das especificações de Frictionless Data. Também será dada preferência a candidatos que demonstrem interesse em trabalhar e manter essas ferramentas daqui para frente. Para mais perguntas sobre o fundo, fale diretamente com a Open Knowledge Internacional no fórum, no Gitter chat ou envie um email para frictionlessdata@okfn.org. Flattr this!

A Open Knowledge Brasil busca novo gerente para o Programa de Tecnologia Cívica

- February 14, 2019 in Destaque, Open Knowledge Brasil

Já pensou em aplicar seus conhecimentos técnicos em projetos de empoderamento cívico como Serenata de Amor, Querido Diário e Gastos Abertos? Se curte a ideia, venha trabalhar com a gente. Estamos com uma vaga aberta em nosso programa de inovação cívica. Confira a seguir o job description:

Descrição da vaga

Como Gerente do Programa de Inovação Cívica, o(a) profissional vai liderar projetos de tecnologia cívica na Open Knowledge Brasil, sendo o(a) principal responsável por desenvolvimento de produtos e gerenciamento de equipes de tecnologia. Principais atividades/responsabilidades
  • Propor e coordenar projetos de tecnologia, com foco em ampliar transparência, participação social e empoderamento cívico
  • Gerenciar os projetos aprovados, garantindo o cumprimento dos entregáveis acordados em cada um deles dentro do prazo estabelecido
  • Executar e colocar em produção alguns desses projetos, liderando times de desenvolvimento
  • Elaborar e implementar métricas de monitoramento e impacto para o programa
  • Representar a Open Knowledge publicamente e cultivar relações com organizações parceiras e colaboradores

Especificações do profissional

Estamos procurando um profissional automotivado, organizado e com excelentes habilidades técnicas. A pessoa deve se sentir confortável trabalhando com diversos projetos ao mesmo tempo, ter iniciativa e saber se comunicar com o público geral. Familiaridade com métodos ágeis é um requisito. Os projetos mais recentes da Open Knowledge usam Python como linguagem para o backend, coleta, tratamento e análise de dados, bem como para automações. Usamos muito Docker também, principalmente na infra-estrutura da DigitalOcean. O conhecimento dessas tecnologias e plataformas é essencial. Experiência de participação em comunidades open source e administração de projetos em organizações não governamentais será considerada um diferencial. É necessário saber se comunicar bem em inglês e/ou espanhol. Dedicação: 35h/semana Local: Preferencialmente São Paulo (há possibilidade de trabalho remoto) Salário: A combinar, proporcional à experiência para o cargo

Instruções para Candidatura

Envie e-mail  até o dia 28 de fevereiro para contato@ok.org.br, com o assunto “Vaga Programa Tecnologia Cívica”, contendo as seguintes informações:
  • currículo
  • link no github para projetos realizados
  • pretensão salarial
  • carta de apresentação (tamanho máximo: 2000 caracteres) indicando sua motivação para trabalhar na Open Knowledge e, se houver, seu envolvimento com comunidades de código aberto.

Sobre a Open Knowledge Brasil

A Open Knowledge Brasil (OKBR) é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) sem fins lucrativos e apartidária, fundada em 2013, que representa oficialmente a Open Knowledge Internacional no país. A Open Knowledge Brasil utiliza e desenvolve ferramentas cívicas, faz análises de políticas públicas, oferece treinamento em produção e uso de dados abertos e promove o conhecimento livre para tornar a relação entre governo e sociedade mais transparente e para promover uma participação política mais efetiva e aberta. Durante a última década, a Open Knowledge tem desempenhado um papel-chave no fortalecimento do ecossistema global de dados abertos e transparência governamental. Seu portfólio inclui: CKAN, o software livre para catálogo de dados abertos mais bem sucedido mundialmente; Escola de Dados, uma rede global comprometida com o avanço do uso de dados para resolver problemas reais em prol de sociedades mais conscientes, sustentáveis e justas; Índice Global de Dados Abertos, metodologia de avaliação que fornece uma visão abrangente do estado da publicação de dados governamentais abertos no mundo; Serenata de Amor, um dos mais populares projetos brasileiros de uso de dados governamentais para controle social dos gastos públicos.  

Política de igualdade e diversidade

A Open Knowledge está comprometida com a promoção da igualdade e da diversidade, valores centrais para a organização. Valorizamos o trabalho de funcionários e colaboradores e construímos um ambiente de trabalho respeitoso e construtivo para todos independente de deficiência, nacionalidade, gênero, identidade de gênero, orientação sexual, raça, idade, religião/crença ou quaisquer outras características pessoais. Flattr this!

Assine o Semanário OKBR, nossa curadoria semanal sobre os temas da instituição

- February 5, 2019 in Destaque, Open Knowledge Brasil

  • Texto por Pedro Vilanova
A Open Knowledge Brasil lançou uma novidade: o Semanário OKBR. Diferente das outras newsletters que já produzimos até hoje, o Semanário traz uma curadoria semanal sobre diversos temas afins da instituição e dos seus seguidores. A ideia é informar e enriquecer os debates. Os temas englobam governo aberto, educação e ciências abertas, tecnologias cívicas e inovação política. Tudo em uma coletânea de matérias, links, textos autorais e outras formas de conteúdo produtivas para manter os seguidores em dia com as novidades da semana. O Semanário é uma produção de quem faz inovação cívica e voltado para quem faz, tem interesse ou trabalha com isso. Com essa curadoria, acreditamos que podemos aproximar as pessoas e levar conteúdo de qualidade para nos inspirarmos, discutirmos e criarmos soluções novas nas nossas áreas de interesse. A newsletter é totalmente gratuita e para participar basta se inscrever aqui. Flattr this!