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Por que precisamos conectar os dados publicados na Web?

Elza Maria Albuquerque - November 10, 2017 in Dados Abertos, dados abertos governamentais, dados governamentais, Destaque, Economia digital, governo

Por Thiago Ávila* No primeiro artigo desta série, abordamos a problemática da oferta de dados que vem crescendo exponencialmente no âmbito da economia digital, mas com qualidade e poder de reutilização muito baixo. Conforme já explorado, estes dados estão, predominantemente, em formato não estruturado – o que limita sua descrição e reutilização por outras aplicações e pessoas. Além disso, devido à baixa qualidade dos dados disponibilizados, o processo de reutilização tem sido caro [1]. Nesta direção, novas abordagens em torno dos dados foram sendo desenvolvidas ao longo dos anos e atualmente, busca-se o estabelecimento de um conceito de dado que possa ser amplamente utilizado sem restrições de uso e aplicações, de tal maneira que o ciclo de produção de conhecimento possa ser mais rico e aprimorado [2]. O conceito de dados abertos foi estabelecido neste horizonte e consistem de Dados que podem ser utilizados livremente, reutilizados e redistribuído por qualquer pessoa – sujeito apenas, no máximo, com a exigência de atribuir o compartilhamento pela mesma licença [3]. Os dados abertos permitem que pessoas e organizações utilizem informações públicas livremente para gerar aplicativos, fazer análises ou mesmo produtos comercializáveis. Para que um conjunto de dados seja considerado aberto, ele precisa permitir que o cidadão acesse com facilidade e o utilize ou redistribua sem restrições. Ademais, os dados precisam ser facilmente encontrados em um lugar indexado, sem impedimento de leitura por máquinas ou restrições legais [4]. No âmbito governamental, para conceituar o como devem ser os dados abertos governamentais foram estabelecidas três leis, ou seja, as condições para que um determinado dado governamental seja considerado como aberto [5]: – Se o dado não pode ser encontrado e indexado na Web, ele não existe; – Se não estiver aberto e disponível em formato compreensível por máquina, ele não pode ser reaproveitado; e – Se algum dispositivo legal não permitir sua replicação, ele não é útil. Complementarmente, a The Association of Computing Machinery’s publicou uma recomendação para dados governamentais, onde estabeleceu que: “Os dados publicados pelo governo deve ser em formatos e abordagens que promovam a análise e reutilização desses dados.” [6]. Desta forma, o conceito de dados abertos governamentais emergiu como uma forte referência à publicação de dados na web, criando novos canais de comunicação entre governos e seus cidadãos, onde inúmeros portais e catálogos de dados web foram desenvolvidos, em nível continental, como o da União Europeia (reunindo catálogos de 29 países), em nível nacional como o dos E.U.A., do Reino Unido e do Brasil, e ainda em nível local, como o do Estado de Alagoas, ofertando milhares de conjuntos de dados online. Tais iniciativas têm sido bastante impulsionadas em nível global, como o estabelecimento da Parceria para o Governo Aberto (Open Government Partnership) [7] que reúne cerca de 65 países (incluindo o Brasil) em torno do estabelecimento de Governos mais transparentes, participativos e que engajem a sociedade na co-criação e colaboração em torno de soluções de interesse público. Assim, o volume de dados e informações produzido, bem como a atual descentralização destas estruturas de produção impõem desafios cada vez maiores, pois a tomada de decisão precisa ser subsidiada por informações integradas, comumente decorrente do cruzamento de várias bases de dados. Neste contexto, os consumidores de dados visualizam que a oferta de dados atual vastamente espalhada pela web representa um grande inconveniente, pois existe a necessidade de primeiro obter e armazenar estes dados localmente, antes que possam ser utilizados para a produção de informações relevantes [8]. Cumpre ressaltar ainda que, mesmo que a informação do setor público esteja disponível em formato aberto, pode estar publicada de forma caótica. Ademais, a mesma informação pode ser encontrada em diferentes locais da web e ainda, sem haver nenhuma conexão entre tais fontes de informações, apresentando, por exemplo, qual é a informação mais atualizada. Diante desta situação, para que os usuários tenham confiança nos dados disponibilizados eles buscam analisar a sua procedência, dando preferência àqueles que são originários de fontes confiáveis. Por outro lado, estes dados confiáveis são naturalmente disponibilizados por fontes distribuídas, não sendo incomum a ausência de hiperlinks para informações relacionadas, ora armazenadas no mesmo repositório de dados ou não [9]. O desafio presente consiste no fornecimento de meios eficazes para acessar dados das fontes distribuídas, e ainda, estipular mecanismos por meio dos quais eles podem ser conectados e integrados [8]. Outro desafio reside na limitação dos seres humanos em processar e conectar a atual oferta de dados e informações disponíveis, considerando que a internet faz com que a riqueza do conhecimento humano esteja disponível para qualquer pessoa, em qualquer lugar. Mais um desafio reside em como classificar e efetivamente utilizar o crescente volume de informação disponível para a obtenção das respostas necessárias. Uma iniciativa interessante na direção desse desafio foi à proposição, por Tim Berners-Lee de uma escala de maturidade dos dados, conhecida como Esquema das 5 Estrelas dos Dados Abertos[10]. Esta escala foi estabelecida quando da definição do conceito de Dados Conectados, conforme abaixo [2]: 1-Estrela: O dado está disponível na web, em qualquer formato (pdf, png, jpeg); 2-Estrelas: O dado está disponível como sendo legível por máquina e estruturado (uma planilha do Excel); 3-Estrelas: O dado está disponível num formato não-proprietário (uma planilha CSV). 4-Estrelas: O dado é publicado usando os padrões de dados abertos do World Wide Web Consortium, como o (RDF e SPARQL) e possui identificadores universais (URIS); 5-Estrelas: Todos os itens acima se aplicam, além de links para dados de fontes diferentes e utilização de semântica, ou seja, o dado é enriquecido e conectado com outros dados.

Figura 01 – Esquema de maturidade 5 Estrelas dos Dados Abertos [11]

Além dos novos conceitos estabelecidos, desta importante escala de maturidade, do conjunto de esforços que vem sendo desenvolvidos pelo W3C, há uma grande intenção em aprimorar a oferta de dados gerados pela economia digital, afinal, os dados estão bem espalhados em sistemas e catálogos de dados mundo afora e, relembrando o primeiro artigo desta série, 67% da oferta de dados em 2020 poderão ser inúteis para reuso e apoio a construção do conhecimento e subsidiar a tomada de decisão e esta oferta de dados estará cada vez mais distribuída ao redor do globo. Precisamos ou não pensar em como melhorar esta oferta de dados e conectando-a e enriquecendo-a efetivamente? No próximo artigo desta série, apresentaremos uma das perspectivas em desenvolvimento para a melhoria de dados na Web, que são os “Dados Conectados” apresentaremos este conceito e ao longo dos próximos posts, seu potencial, casos e uso, vantagens e limitações. Até a próxima!!!
  • Thiago Ávila é conselheiro consultivo da Open Knowledge Brasil.
  • Estes artigos são oriundos de pesquisas científicas desenvolvidas no Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES), do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e contam com a contribuição direta dos pesquisadores Dr. Ig Ibert Bittencourt (UFAL), Dr. Seiji Isotani (USP), e Armando Barbosa, Danila Oliveira, Judson Bandeira, Thiago Ávila e Williams Alcântara (UFAL).
[1] Alcantara, Williams; Bandeira, Judson; Barbosa, Armando; Lima, André; Ávila, Thiago; Bittencourt, Ig & Isotani, Seiji. (2015). Desafios no uso de Dados Abertos Conectados na Educação Brasileira. Anais do DesafiE – 4º Workshop de Desafios da Computação Aplicada à Educação. CSBC 2015. Recife: Sociedade Brasileira de Computação. [2] Bandeira, Judson; Alcantara; Williams;  Barbosa, Armando; Ávila, Thiago; Oliveira, Danila; Bittencourt, I. & Isotani, S. (2014). Dados Abertos Conectados. Jornada de Atualização em Tecnologia da Informação. Anais do III Simpósio Brasileiro de Tecnologia da Informação – SBTI 2014. [3] OKFN. Open Data HandBook. Why Open Data ?. Open Knowledge Foundation. Disponível em: http://opendatahandbook.org/guide/en/why-open-data/. Acesso em: jul. 2015 [4] Neves. Otávio Moreira de Castro. Evolução Das Políticas De Governo Aberto No Brasil. Anais do VI Congresso Brasileiro de Gestão Pública – CONSAD. Brasília, Brasil. 2013. Acesso em out. 2014. Disponível em: http://consadnacional.org.br/wp-content/uploads/2013/05/092-EVOLU%C3%87%C3%83O-DAS-POL%C3%8DTICAS-DE-GOVERNO-ABERTO-NO-BRASIL.pdf [5] Eaves, David. (2009). The Three Laws of Open Government Data.  Disponível em Eaves.ca: http://eaves.ca/2009/09/30/three-law-of-open-government-data. Acesso em: jul. 2015 [6] ACM. Association of Computing Machinery. ACM Recommendation On Open Government. 2009. Disponível em: http://www.acm.org/public-policy/open-government [7] OGP. Open Government Partnership. Participating Countries. 2014. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.opengovpartnership.org/countries [8] Heath, T. (2011). Linked Data — Welcome to the Data Network. IEEE Internet Computing archive. Volume 15 Issue 6. Pages 70-73 [9] Galiotou, Eleni and Fragkou, Pavlina (2013). Applying Linked Data Technologies to Greek Open Government Data: A Case Study. Journal of Social and Behavioral Sciences, p 479-486, vol. 73; doi: 10.1016/j.sbspro.2013.02.080. [10]Berners-Lee, Tim (2006). Linked Data. W3C. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.w3.org/DesignIssues/LinkedData.html [11] 5 STARS OPEN DATA… “5 Stars Open Data”. 2012. Acessado em set. 2014. Disponível em: http://5stardata.info/ Texto publicado no site Thiago Ávila. Ele faz parte da série de artigos Dados abertos conectados.
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Por que precisamos conectar os dados publicados na Web?

Elza Maria Albuquerque - November 10, 2017 in Dados Abertos, dados abertos governamentais, dados governamentais, Destaque, Economia digital, governo

Por Thiago Ávila* No primeiro artigo desta série, abordamos a problemática da oferta de dados que vem crescendo exponencialmente no âmbito da economia digital, mas com qualidade e poder de reutilização muito baixo. Conforme já explorado, estes dados estão, predominantemente, em formato não estruturado – o que limita sua descrição e reutilização por outras aplicações e pessoas. Além disso, devido à baixa qualidade dos dados disponibilizados, o processo de reutilização tem sido caro [1]. Nesta direção, novas abordagens em torno dos dados foram sendo desenvolvidas ao longo dos anos e atualmente, busca-se o estabelecimento de um conceito de dado que possa ser amplamente utilizado sem restrições de uso e aplicações, de tal maneira que o ciclo de produção de conhecimento possa ser mais rico e aprimorado [2]. O conceito de dados abertos foi estabelecido neste horizonte e consistem de Dados que podem ser utilizados livremente, reutilizados e redistribuído por qualquer pessoa – sujeito apenas, no máximo, com a exigência de atribuir o compartilhamento pela mesma licença [3]. Os dados abertos permitem que pessoas e organizações utilizem informações públicas livremente para gerar aplicativos, fazer análises ou mesmo produtos comercializáveis. Para que um conjunto de dados seja considerado aberto, ele precisa permitir que o cidadão acesse com facilidade e o utilize ou redistribua sem restrições. Ademais, os dados precisam ser facilmente encontrados em um lugar indexado, sem impedimento de leitura por máquinas ou restrições legais [4]. No âmbito governamental, para conceituar o como devem ser os dados abertos governamentais foram estabelecidas três leis, ou seja, as condições para que um determinado dado governamental seja considerado como aberto [5]: – Se o dado não pode ser encontrado e indexado na Web, ele não existe; – Se não estiver aberto e disponível em formato compreensível por máquina, ele não pode ser reaproveitado; e – Se algum dispositivo legal não permitir sua replicação, ele não é útil. Complementarmente, a The Association of Computing Machinery’s publicou uma recomendação para dados governamentais, onde estabeleceu que: “Os dados publicados pelo governo deve ser em formatos e abordagens que promovam a análise e reutilização desses dados.” [6]. Desta forma, o conceito de dados abertos governamentais emergiu como uma forte referência à publicação de dados na web, criando novos canais de comunicação entre governos e seus cidadãos, onde inúmeros portais e catálogos de dados web foram desenvolvidos, em nível continental, como o da União Europeia (reunindo catálogos de 29 países), em nível nacional como o dos E.U.A., do Reino Unido e do Brasil, e ainda em nível local, como o do Estado de Alagoas, ofertando milhares de conjuntos de dados online. Tais iniciativas têm sido bastante impulsionadas em nível global, como o estabelecimento da Parceria para o Governo Aberto (Open Government Partnership) [7] que reúne cerca de 65 países (incluindo o Brasil) em torno do estabelecimento de Governos mais transparentes, participativos e que engajem a sociedade na co-criação e colaboração em torno de soluções de interesse público. Assim, o volume de dados e informações produzido, bem como a atual descentralização destas estruturas de produção impõem desafios cada vez maiores, pois a tomada de decisão precisa ser subsidiada por informações integradas, comumente decorrente do cruzamento de várias bases de dados. Neste contexto, os consumidores de dados visualizam que a oferta de dados atual vastamente espalhada pela web representa um grande inconveniente, pois existe a necessidade de primeiro obter e armazenar estes dados localmente, antes que possam ser utilizados para a produção de informações relevantes [8]. Cumpre ressaltar ainda que, mesmo que a informação do setor público esteja disponível em formato aberto, pode estar publicada de forma caótica. Ademais, a mesma informação pode ser encontrada em diferentes locais da web e ainda, sem haver nenhuma conexão entre tais fontes de informações, apresentando, por exemplo, qual é a informação mais atualizada. Diante desta situação, para que os usuários tenham confiança nos dados disponibilizados eles buscam analisar a sua procedência, dando preferência àqueles que são originários de fontes confiáveis. Por outro lado, estes dados confiáveis são naturalmente disponibilizados por fontes distribuídas, não sendo incomum a ausência de hiperlinks para informações relacionadas, ora armazenadas no mesmo repositório de dados ou não [9]. O desafio presente consiste no fornecimento de meios eficazes para acessar dados das fontes distribuídas, e ainda, estipular mecanismos por meio dos quais eles podem ser conectados e integrados [8]. Outro desafio reside na limitação dos seres humanos em processar e conectar a atual oferta de dados e informações disponíveis, considerando que a internet faz com que a riqueza do conhecimento humano esteja disponível para qualquer pessoa, em qualquer lugar. Mais um desafio reside em como classificar e efetivamente utilizar o crescente volume de informação disponível para a obtenção das respostas necessárias. Uma iniciativa interessante na direção desse desafio foi à proposição, por Tim Berners-Lee de uma escala de maturidade dos dados, conhecida como Esquema das 5 Estrelas dos Dados Abertos[10]. Esta escala foi estabelecida quando da definição do conceito de Dados Conectados, conforme abaixo [2]: 1-Estrela: O dado está disponível na web, em qualquer formato (pdf, png, jpeg); 2-Estrelas: O dado está disponível como sendo legível por máquina e estruturado (uma planilha do Excel); 3-Estrelas: O dado está disponível num formato não-proprietário (uma planilha CSV). 4-Estrelas: O dado é publicado usando os padrões de dados abertos do World Wide Web Consortium, como o (RDF e SPARQL) e possui identificadores universais (URIS); 5-Estrelas: Todos os itens acima se aplicam, além de links para dados de fontes diferentes e utilização de semântica, ou seja, o dado é enriquecido e conectado com outros dados.

Figura 01 – Esquema de maturidade 5 Estrelas dos Dados Abertos [11]

Além dos novos conceitos estabelecidos, desta importante escala de maturidade, do conjunto de esforços que vem sendo desenvolvidos pelo W3C, há uma grande intenção em aprimorar a oferta de dados gerados pela economia digital, afinal, os dados estão bem espalhados em sistemas e catálogos de dados mundo afora e, relembrando o primeiro artigo desta série, 67% da oferta de dados em 2020 poderão ser inúteis para reuso e apoio a construção do conhecimento e subsidiar a tomada de decisão e esta oferta de dados estará cada vez mais distribuída ao redor do globo. Precisamos ou não pensar em como melhorar esta oferta de dados e conectando-a e enriquecendo-a efetivamente? No próximo artigo desta série, apresentaremos uma das perspectivas em desenvolvimento para a melhoria de dados na Web, que são os “Dados Conectados” apresentaremos este conceito e ao longo dos próximos posts, seu potencial, casos e uso, vantagens e limitações. Até a próxima!!!
  • Thiago Ávila é conselheiro consultivo da Open Knowledge Brasil.
  • Estes artigos são oriundos de pesquisas científicas desenvolvidas no Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES), do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e contam com a contribuição direta dos pesquisadores Dr. Ig Ibert Bittencourt (UFAL), Dr. Seiji Isotani (USP), e Armando Barbosa, Danila Oliveira, Judson Bandeira, Thiago Ávila e Williams Alcântara (UFAL).
[1] Alcantara, Williams; Bandeira, Judson; Barbosa, Armando; Lima, André; Ávila, Thiago; Bittencourt, Ig & Isotani, Seiji. (2015). Desafios no uso de Dados Abertos Conectados na Educação Brasileira. Anais do DesafiE – 4º Workshop de Desafios da Computação Aplicada à Educação. CSBC 2015. Recife: Sociedade Brasileira de Computação. [2] Bandeira, Judson; Alcantara; Williams;  Barbosa, Armando; Ávila, Thiago; Oliveira, Danila; Bittencourt, I. & Isotani, S. (2014). Dados Abertos Conectados. Jornada de Atualização em Tecnologia da Informação. Anais do III Simpósio Brasileiro de Tecnologia da Informação – SBTI 2014. [3] OKFN. Open Data HandBook. Why Open Data ?. Open Knowledge Foundation. Disponível em: http://opendatahandbook.org/guide/en/why-open-data/. Acesso em: jul. 2015 [4] Neves. Otávio Moreira de Castro. Evolução Das Políticas De Governo Aberto No Brasil. Anais do VI Congresso Brasileiro de Gestão Pública – CONSAD. Brasília, Brasil. 2013. Acesso em out. 2014. Disponível em: http://consadnacional.org.br/wp-content/uploads/2013/05/092-EVOLU%C3%87%C3%83O-DAS-POL%C3%8DTICAS-DE-GOVERNO-ABERTO-NO-BRASIL.pdf [5] Eaves, David. (2009). The Three Laws of Open Government Data.  Disponível em Eaves.ca: http://eaves.ca/2009/09/30/three-law-of-open-government-data. Acesso em: jul. 2015 [6] ACM. Association of Computing Machinery. ACM Recommendation On Open Government. 2009. Disponível em: http://www.acm.org/public-policy/open-government [7] OGP. Open Government Partnership. Participating Countries. 2014. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.opengovpartnership.org/countries [8] Heath, T. (2011). Linked Data — Welcome to the Data Network. IEEE Internet Computing archive. Volume 15 Issue 6. Pages 70-73 [9] Galiotou, Eleni and Fragkou, Pavlina (2013). Applying Linked Data Technologies to Greek Open Government Data: A Case Study. Journal of Social and Behavioral Sciences, p 479-486, vol. 73; doi: 10.1016/j.sbspro.2013.02.080. [10]Berners-Lee, Tim (2006). Linked Data. W3C. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.w3.org/DesignIssues/LinkedData.html [11] 5 STARS OPEN DATA… “5 Stars Open Data”. 2012. Acessado em set. 2014. Disponível em: http://5stardata.info/ Texto publicado no site Thiago Ávila. Ele faz parte da série de artigos Dados abertos conectados.
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Brasileiros querem saber como os parlamentares votam, segundo pesquisa

Elza Maria Albuquerque - September 17, 2017 in Consulta Cidadã, Destaque, governo, transparência

Em julho, a Rede Latino-americana pela Transparência Legislativa (RLTL) lançou a Consulta Cidadã 2017 no Brasil. O objetivo foi dar oportunidade às pessoas de diferentes países latino-americanos de expressarem como percebem o trabalho realizado pelos Congressos em grande parte da região. Os resultados preliminares da consulta, conduzida entre julho e agosto de 2017, já saíram e contam com destaques representativos para a sociedade. Mais de 450 brasileiros participaram da pesquisa. Os resultados da consulta, conduzida entre julho e agosto, vão ser fundamentais na identificação de soluções conjuntas e abrangentes para reforçar a atuação da sociedade civil por um legislativo mais transparente, responsivo e eficiente. Um dos destaques foi sobre os três pontos considerados como os mais importantes para que os parlamentares façam um bom trabalho. São eles: 80% querem maior transparência em sua gestão; 70% querem que eles levem mais em conta a opinião cidadã e 70% querem que eles prestem contas aos seus eleitores. A Consulta Cidadã 2017 deu a oportunidade para pessoas de 16 países latino-americanos expressarem como percebem o trabalho realizado pelos Congressos em grande parte da região. A consulta é a primeira etapa de um processo de diagnóstico para investigar a lacuna que hoje afasta os congressos dos cidadãos e cidadãs na América Latina e que resultará na proposição de soluções conjuntas e abrangentes. Além da Open Knowledge Brasil, a consulta contou com o apoio das seguintes organizações: Fundação Cidadania Inteligente, Agenda Pública, LabHacker, Cidade Democrática, Operação Serenata de Amor, ITS, INESC, Update Politics, Vote LGBT e #Me Representa.

Contexto

Em 2015, o Latinobarómetro indicou que 70% dos habitantes não se sentem representados pelos Congressos de seus países. Com base nesse contexto de grave crise de legitimidade do legislativo, a Rede lança a Consulta Cidadã sobre a Confiança no Legislativo por meio das plataformas de organizações em 14 países para compreender a lacuna que hoje afasta os congressos dos cidadãos e cidadãs na América Latina. A Rede Latino-americana pela Transparência Legislativa é a primeira aliança de organizações da sociedade civil da América Latina e Caribe para a promoção políticas de transparência, participação cidadã e prestação de contas em matérias legislativas. Alguns resultados preliminares: Os três principais aspectos sobre os quais os cidadãos gostariam de estar mais informados são: – 68% Como votaram os parlamentares – 61% Como se gastam as verbas para o trabalho legislativo – 56% Financiamento de campanha dos parlamentares
  • As pessoas mostraram alto interesse nas atividades do congresso: 4.47 numa escala de 1 a 5
  • As pessoas mostraram baixo sentimento e representatividade: 1.28 em uma escala de 1 a 5
  • Os três pontos considerados como os mais importantes para que os parlamentares façam um bom trabalho são: – 80% maior transparência em sua gestão – 70% levar mais em conta a opinião cidadã – 70% prestar contas aos seus eleitores
  • 96% dos consultados não acham que o congresso representa adequadamente a diversidade (gênero, raça, sexualidade, etc) da população brasileira.
Mais resultados da consulta cidadã podem ser acessados em: bit.ly/resultadosconsulta2017
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#EuVoto chega a quatro cidades brasileiras

ariel-kogan - September 8, 2016 in #EuVoto, Destaque, governo, governo aberto

euvoto Com o objetivo de permitir que os cidadãos registrem suas opiniões sobre os projetos de lei que tramitam na Câmara Municipal das suas cidades, a plataforma #EuVoto, aos poucos, tem sido adotada por coletivos em outras cidades, além de São Paulo (lançada em março de 2015). Atualmente, ela está presente em Belo Horizonte (MG), Piracicaba (SP) e, em breve, será lançada em Ilhéus (BA). Cada iniciativa é autônoma e independente. O software é livre e qualquer um que quiser pode subir uma instância e começar a operar a plataforma. Na visão geral da expansão da plataforma, Ariel Kogan, coordenador da #EuVoto, conta alguns destaques. “O software livre já foi replicado em três cidades no Brasil, e, logo, será lançado em uma quarta; assinamos um termo de cooperação para que o código seja utilizado pela Câmara Municipal de São Paulo. Esse termo ainda não foi cumprido. Subimos diversos projetos de lei para serem discutidos publicamente na plataforma”, detalha. Abaixo, fique por dentro das novidades de cada cidade que está trabalhando a plataforma: #EuVotoSãoPaulo  Em São Paulo, segundo o acordo assinado com a Câmara Municipal, a plataforma deve ser colocada no próprio site da casa nas próximas semanas. Segundo Ariel Kogan, um dos coordenadores locais de São Paulo, o engajamento das pessoas tem sido baixo. “Os picos de engajamento acontecem quando subimos projetos de lei que estão relacionados com temas que estão na pauta da opinião pública e as pessoas já estão discutindo fora da plataforma. Nessa situação, a plataforma serve como um espaço de opinião e debate mais organizado. O cumprimento do acordo por parte da presidência da Câmara Municipal de São Paulo é um passo fundamental para potencializar o engajamento e o impacto que a plataforma pode gerar no processo de participação da sociedade na casa legislativa.” #EuVotoPiracicaba  Em Piracicaba, com o apoio da Open Knowledge Brasil, a plataforma foi lançada em novembro de 2015, por meio de uma parceria entre o Observatório Cidadão de Piracicaba e a Rede Engajados. “Estamos monitorando os projetos de lei em tramitação na Câmara de Vereadores e inserimos aqueles com maior potencial de impacto na cidade e na vida da população. Cada projeto fica disponível para votação por tempo determinado, que especificado no site. O resultado é enviado a todos(as) os(as) vereadores(as), com o objetivo de contribuir com os debates e as decisões da Câmara”, disse Renato Morgado, coordenador do #EuVotoPiracicaba. A equipe é formada por cinco pessoas que, de forma voluntária, acompanham a tramitação dos projetos na Câmara de Vereadores de Piracicaba, divulgam a votação dos projetos que estão na plataforma, divulgam o resultado das votações para os vereadores e para a população em geral e realizam a manutenção do site. “Existe um forte interesse de parte da população em participar dos debates e das decisões públicas e o #EuVoto é um ótimo canal para isso. Atualmente temos mais de 300 pessoas que utilizam a plataforma. É uma quantidade boa, dado que lançamos há pouco tempo, mas queremos ampliar muito mais. Algumas pessoas e grupo solicitam a inclusão de projetos de lei, o que é um ótimo indicador de apropriação da iniciativa pela população”, conta Renato. Renato conta que, em novembro do ano passado, houve a aprovação do Projeto de Lei número 318/2015, que criou o Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRAM). “O projeto estava em tramitação na Câmara de Vereadores, quando o grupo Promotoras Legais Populares solicitou a inclusão dele no #EuVotoPiracicaba. O próprio grupo se empenhou bastante na divulgação da votação na plataforma. O resultado final, fortemente favorável à aprovação, foi divulgado nos jornais locais e para os Vereadores, que aprovaram o projeto alguns dias depois. Avaliamos que a mobilização do grupo e a votação do projeto por meio da plataforma foram essenciais para a aprovação do mesmo”, detalha. #EuVotoBH Lançada em maio de 2016, o #EuVotoBH tem sido atualizado com novos projetos, mas a equipe busca reformá-lo para atender melhor as necessidades. É o que afirma Guilherme Tampieri, um dos integrantes do Movimento Nossa BH – que coordena a plataforma. Cerca de sete pessoas colaboraram para o site entrar no ar. Quando o assunto é trabalhar a articulação local, Guilherme acredita que o projeto vai ganhar muito após o período eleitoral, inclusive uma possível parceria com a Câmara Municipal. Adriana Torres, também coordenadora da plataforma, tem trabalhado a divulgação das plataforma na mídia. “Recentemente, apresentei o #EuVotoBH no boletim que temos na rádio CBN e também fui convidada para falar na rádio Inconfidência. Tivemos uma aceitação muito grande, com acesso imediato à página do Nossa BH no Facebook e também ao site. Conseguimos agora um voluntário para nos apoiar nas melhorias que a plataforma precisa e nossa intenção é dar maior gás após as eleições, até para evitar qualquer tipo de insinuação que estamos apoiando ou não algum candidato.” Ela ainda afirma, que “se conseguirem fazer uma boa divulgação da plataforma, ela será de grande auxilio tanto para conscientizar melhor a sociedade em relação ao que acontece na Câmara Municipal quanto para conseguir mais apoio em relação aos projetos importantes que estão tramitando por lá (tanto como apoio para pressionar a aprovação dos bons projetos quanto para barrar os ruins).” #EuVotoIlhéus O #EuVotoIlhéus tem previsão de ser lançado até a primeira quinzena de setembro deste ano. De acordo com Maria do Socorro Mendonça, diretora-presidente do Instituto Nossa Ilhéus e coordenadora da plataforma, eles encontraram dificuldades em encontrar bons projetos de lei, dignos de serem colocados na plataforma para a população emitir seu parecer e contribuir. “Agora, com alguns projetos e já na plataforma, sabendo da existência de outros, enfrentamos a dificuldade de encontrar os Vereadores para que aconteça o lançamento já que estamos em período pré-eleitoral”, conta. A equipe conta com quatro pessoas. “Não temos pessoas específicas para esse trabalho. Nossa equipe é formada por quatro pessoas que fazem tudo: uma na área administrativa, outra na área de comunicação, eu na gestão do Instituto fazendo um pouco de tudo e articulações institucionais e um consultor na área de captação de recursos e apoiador de tudo também”, diz Socorro. Sobre a importância da plataforma para a cidade, Socorro afirma que é uma excelente oportunidade para os legisladores entenderem a importância de abrirem seus gabinetes de forma mais efetiva e não assistencialista. “Fazendo o que deve ser feito e é o seu papel quando legislando. É a grande oportunidade de encurtar a distância entre este poder e o verdadeiro poder. É um grande presente da sociedade civil para o poder legislativo. A partir do seu uso, a população se aproxima e fortalece o poder público constituído – é uma ponte para ligar esses dois mundos (Poder Legislativo e Sociedade Civil)”, afirma. Sobre o #EuVoto O #EuVoto é uma ferramenta que permite aos cidadãos opinarem sobre projetos de lei em tramitação na Câmara Municipal. O software utilizado pela plataforma é o DemocraciaOS, um programa livre criado na Argentina, e já presente em cidades da Argentina, do México, da Ucrânia, da Finlândia, da Espanha e dos Estados Unidos. Mais informações no Github. Flattr this!

Escola do Parlamento promove debate “Abrindo a Câmara”

Isis Reis - April 19, 2016 in #EuVoto, CMSP, colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, escola de parlamento, Gastos Abertos, governo, governo aberto, São Paulo, sociedade civil, transparência

  • com informações da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo
Captura de Tela 2016-04-19 às 15.01.00 A Escola do Parlamento promove o debate “Abrindo a Câmara” como parte de seu ciclo de debates gratuito. O encontro será no dia 28 de abril, das 19 às 22h, na Sala Sérgio Vieira de Mello, 1º subsolo, no Viaduto Jacareí, 100, em Bela Vista. O ciclo de debates pretende explicar o funcionamento da Câmara Municipal, apontar as experiências já vividas e apresentar possibilidades de práticas inovadoras. Este primeiro encontro apresentará o processo legislativo da Câmara, as instâncias de decisão, os agrupamentos e suas atribuições. Para debater, estarão presentes o vereador Paulo Fiorilo, Karen Lima Vieira da CMSP, Pedro Markun da Transparência Hacker, Rafael Carvalho da iniciativa Adote um Vereador e Thiago Barbosa da CBN. O evento é gratuito, mas possui vagas limitadas, e conta com a organização e realização da Escola do Parlamento, a CMSP, o projeto EuVoto e Update. Para se inscrever, clique aqui.   Flattr this!

Escola do Parlamento promove debate “Abrindo a Câmara”

Isis Reis - April 19, 2016 in #EuVoto, CMSP, colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, escola de parlamento, Gastos Abertos, governo, governo aberto, São Paulo, sociedade civil, transparência

  • com informações da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo
Captura de Tela 2016-04-19 às 15.01.00 A Escola do Parlamento promove o debate “Abrindo a Câmara” como parte de seu ciclo de debates gratuito, que faz parte da parceria firmada em dezembro entre a Câmara e o projeto EuVoto. O encontro será no dia 28 de abril, das 19 às 22h, na Sala Sérgio Vieira de Mello, 1º subsolo, no Viaduto Jacareí, 100, em Bela Vista. O ciclo de debates pretende explicar o funcionamento da Câmara Municipal, apontar as experiências já vividas e apresentar possibilidades de práticas inovadoras. Este primeiro encontro apresentará o processo legislativo da Câmara, as instâncias de decisão, os agrupamentos e suas atribuições. Para debater, estarão presentes o vereador Paulo Fiorilo, Karen Lima Vieira da CMSP, Pedro Markun da Transparência Hacker, Rafael Carvalho da iniciativa Adote um Vereador e Thiago Barbosa da CBN. O evento é gratuito, mas possui vagas limitadas, e conta com a organização e realização da Escola do Parlamento, a CMSP, o projeto EuVoto e Update. Para se inscrever, clique aqui.   Flattr this!

Open Knowledge Brasil participa de 3ª etapa do Plano de Ação da Parceria para Governo Aberto

Isis Reis - April 15, 2016 in colaboração, Dados Abertos, governo, Internet, OGP, Open Knowledge Brasil, participação, planejamento, projetos, sociedade civil, transparência

No último dia 7, a Open Knowledge Brasil esteve representada por Alexandre Gomes na 3ª etapa do Plano de Ação da Parceria para Governo Aberto (Open Government Partnership, OGP). A reunião aconteceu na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), em Brasília (DF) e envolveu diversos membros do governo e da sociedade civil organizada a fim de discutir a priorização dos desafios da Parceria. Foram quatro painéis diferentes, entre eles Análise de Cenário, Construção do Cenário Desejado, Identificação de Bloqueios/Dificuldades e Identificação dos Desafios. Os pontos de discussão e tópicos de cada painel podem ser encontrados no site sobre Governo Aberto da Controladoria Geral da União do Governo Federal. Flattr this!

Open Knowledge Brasil participa de 3ª etapa do Plano de Ação da Parceria para Governo Aberto

Isis Reis - April 15, 2016 in colaboração, Dados Abertos, governo, Internet, OGP, Open Knowledge Brasil, participação, planejamento, projetos, sociedade civil, transparência

No último dia 7, a Open Knowledge Brasil esteve representada por Alexandre Gomes na 3ª etapa do Plano de Ação da Parceria para Governo Aberto (Open Government Partnership, OGP). A reunião aconteceu na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), em Brasília (DF) e envolveu diversos membros do governo e da sociedade civil organizada a fim de discutir a priorização dos desafios da Parceria. Foram quatro painéis diferentes, entre eles Análise de Cenário, Construção do Cenário Desejado, Identificação de Bloqueios/Dificuldades e Identificação dos Desafios. Os pontos de discussão e tópicos de cada painel podem ser encontrados no site sobre Governo Aberto da Controladoria Geral da União do Governo Federal. Flattr this!

Uma revolução de dados para quem?

Isis Reis - April 13, 2016 in acesso à informação, colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, governo, Internet, okbr, OKF, Open Knowledge Brasil, participação, planejamento, projetos, sociedade civil, transparência

Tradução do texto de Jonathan Gray* publicado originalmente no Open Democracy A crescente disponibilidade de dados digitais e de tecnologias de dados levou muitos grupos da sociedade civil, governos e organizações internacionais a falar de uma “revolução de dados”. Mas que tipos de projetos políticos, modelos de cidadania e formas de ação irá a tal revolução de dados permitir? E a quem irá, em última análise, servir?
Crédito: Jisc

Crédito: Jisc

Na sequência de debates sobre governo aberto entre os atores políticos, da Casa Branca ao Wikileaks, você poderia ser perdoado por pensar que a questão política crítica em torno dos dados digitais gerados pelos estados é qual informação é divulgada para quem. Pessoas que vazam informações, hackers e whistleblowers transgridem regras de divulgação para trazer caches de dados para as massas, argumentando que a luz solar de escrutínio público deve ser autorizada a brilhar em documentos que antes eram escuros. Em paralelo, o conceito de “dados abertos” ganhou força significativa entre os ativistas de transparência e entre os políticos em algumas das nações mais poderosas do mundo. Os defensores de dados abertos muitas vezes focam em como a informação é liberada, argumentando por modos legais e técnicos de divulgação que permitem tudo, desde novos tipos de análise computacional para reluzentes ecossistemas de serviços web e aplicações. Mas a política de informação pública predominantemente focada na transparência, divulgação e “abertura” de informações oficiais arrisca negligenciar várias partes críticas do quadro mais amplo – incluindo que informação é gerada, quem a utiliza e para que fim, e como ela organiza a vida coletiva. Ignoramos, por nossa conta e risco, a questão de se as informações rotineiramente gerada por organismos públicos para os seus objetivos múltiplos (tais como avaliação de políticas ou de prestação de serviços) está em sintonia com as necessidades, interesses e questões de grupos da sociedade civil, jornalistas e outras pessoas fora do setor público. Quais são os riscos destes sistemas para quem? Podemos presumir que os organismos públicos já estão medindo o que a sociedade coletivamente considera importante? Com certeza seria uma milagrosa (para não mencionar suspeita) coincidência se os sistemas de dados do setor público já estiverem otimizados para abordar a constelação vasta e crescente das preocupações em políticas democráticas. Em seu estudo magistral The Politics of Large Numbers (A Política dos Grandes Números, em tradução livre), o falecido historiador e sociólogo da ciência Alain Desrosières examinou a evolução das práticas estatísticas modernas em conjunto com diferentes concepções da política e da arte de governar. Sua obra destaca as preocupações diferentes contingentes que são incorporadas em diferentes métodos quantitativos e abordagens para dar sentido ao mundo que nos rodeia. Ao longo do tempo estas “formas de conhecimento” diferentes – seja em relação às populações ou instituições públicas, mercados e às condições meteorológicas – podem tornar-se tão profundamente enraizadas, tão dadas como certas, que começam a parecer naturais para nós e pode ser mais difícil imaginar outras maneiras de medir as coisas. Uma política de informação pública que se preze certamente precisa ir além de um foco sobre os dados que vêem a luz do dia, para o desenvolvimento de formas de examinar, desafiar, re-imaginar e re-calibrar as prioridades, os raciocínios e métodos de infraestruturas de informação pública, holisticamente concebidas. Imagine que os sistemas de informação pública são como uma espécie de câmera elaborada – com vários processos institucionais em vez de chapas fotográficas expondo uma impressão gradual de algum aspecto do mundo. Em vez de a questão política central ser quem tem acesso às imagens, certamente também é fundamental perguntar sobre o que a câmera está capturando, como ela está configurada para tirar fotos, o que essas fotos podem nos dizer sobre o que consideramos importante e como elas podem ser colocadas para trabalhar na sociedade para informar e moldar diferentes formas de comportamento coletivo. O que isso pode parecer na prática? Vários pesquisadores franceses propuseram a combinação de termos “statactivism” (“estativismo”, em tradução livre) como uma maneira de caracterizar formas de ativismo que mobilizam estatísticas para garantir o progresso em uma infinidade de questões sociais e políticas. Em vez da manta de  desconfiança e da retirada de quantificação e mensuração dos fenômenos sociais per se, estes “estativistas” concentram-se na crítica de formas específicas de medição oficial, e propõem indicadores alternativos destinados a promover a justiça social sobre uma série de questões diferentes – de condições de trabalho para a igualdade de gênero à mudança climática. Fazer campanha em torno da informação sobre posse de empresas é um exemplo recente de onde ativistas tiveram de olhar para além da questão da divulgação e em direção às novas formas de remodelar as infraestruturas de dados. Informações essenciais para reprimir a evasão fiscal, a sonegação fiscal e os fluxos financeiros ilícitos simplesmente não foram recolhidas por organismos públicos. Em resposta, um amplo grupo de ONGs e ativistas realizaram uma extensa campanha para reformular a infraestrutura de dados do Reino Unido para propriedade de empresas. Isto incluiu argumentar a fim de mudar as regras legais, os procedimentos administrativos e os sistemas de software, bem como experimentações com novos desenhos para mostrar como um novo registro deveria se parecer tanto para as empresas como para os usuários de dados. Vários projetos jornalísticos recentes focam no que não é contado oficialmente, o que pode ser visto como uma outra forma de intervenção crítica em infraestruturas de informação pública. Os Migrant Files (registros de migrantes) foram criados em resposta à falta de estatísticas oficiais sobre mortes de migrantes que atravessam o Mediterrâneo em direção à Europa. Eles documentam mais de 20.000 mortes, com base em evidências de artigos da mídia e de outras fontes disponíveis publicamente. Na mesma linha, o projeto The Counted do The Guardian dá testemunho a milhares de mortes sob custódia policial em os EUA, a fim de chamar a atenção para a dimensão de um problema que permanece em situação irregular nas estatísticas oficiais. Ambos os projetos, em última análise, visam a instaurar essas formas propostas de mensuração no setor público. Bem como olhar para além de que informações são divulgadas para o que está sendo medido em primeiro lugar, e como isso está sendo medido, é imperativo para uma política de informação pública relevante em nosso momento atual desenvolver uma concepção mais clara de quem utiliza os dados, e como as infraestruturas de dados operam no mundo. Neste sentido, podemos considerar moderar algumas dos mitologias que moldam nosso pensamento sobre tudo, desde democracias aos mercados, inovação à revolução – mitologias de atores espontaneamente auto-organizados que irão otimizar a sociedade, se apenas criássemos as condições adequadas para que eles floresçam. Quem, especificamente, esperamos que irá usar informações públicas? E como, especificamente, nós esperamos que eles possam usar essas informações para acarretar os tipos de objetivos sociais e políticos que desejamos? Se não analisarmos estas questões corremos o risco de ficarmos com, por exemplo, dados sem usuários ou análise sem ação. Informações sobre a evasão fiscal são desdentadas sem ter instituições que disponham de recursos suficientes para enfrentá-la. Se os grupos da sociedade civil devem ter uma chance de efetivamente contra-equilibrar a influência corporativa na tomada de decisão política, eles precisam estar equipados com as capacidades e os mecanismos legais – não apenas a informação – que lhes permitam fazê-lo. Gostemos ou não, sistemas de informação digital estão reconfigurando muitas áreas da vida. Mas, exatamente como eles vão fazer isso ainda está em disputa. Resta ver se a revolução de dados se tornará um instrumento para acelerar a mercantilização, o gerencialismo, a austeridade e a reconfiguração “neoliberal” do setor público, ou se poderia oferecer oportunidades para intervenções progressivas para civilizar e recompor sistemas que estão atualmente causando estragos do planeta e da vida humana. De qualquer maneira, a revolução de dados é algo que não podemos dar ao luxo de ignorar. A Open Knowledge lançou um documento de debate chamado “Democratising the Data Revolution” (“Democratizando a revolução de dados”). Se quiser de participar do debate, você pode usar a hashtag #ourdatarev no Twitter, contribuir para as discussões no fórum ou enviar uma resposta direta. * Jonathan Gray é pesquisador da Universidade de Amsterdã e Diretor de Política e Pesquisa da Open Knowledge. Mais sobre sua obra pode ser encontrada aqui. Ele está no Twitter em @jwyg. Flattr this!

Uma revolução de dados para quem?

Isis Reis - April 13, 2016 in acesso à informação, colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, governo, Internet, okbr, OKF, Open Knowledge Brasil, participação, planejamento, projetos, sociedade civil, transparência

Tradução do texto de Jonathan Gray* publicado originalmente no Open Democracy A crescente disponibilidade de dados digitais e de tecnologias de dados levou muitos grupos da sociedade civil, governos e organizações internacionais a falar de uma “revolução de dados”. Mas que tipos de projetos políticos, modelos de cidadania e formas de ação irão a tal revolução de dados permitir? E a quem irá, em última análise, servir?
Crédito: Jisc

Crédito: Jisc

Na sequência de debates sobre governo aberto entre os atores políticos, da Casa Branca ao Wikileaks, você poderia ser perdoado por pensar que a questão política crítica em torno dos dados digitais gerados pelos estados é qual informação é divulgada para quem. Pessoas que vazam informações, hackers e whistleblowers transgridem regras de divulgação para trazer caches de dados para as massas, argumentando que a luz solar de escrutínio público deve ser autorizada a brilhar em documentos que antes eram escuros. Em paralelo, o conceito de “dados abertos” ganhou força significativa entre os ativistas de transparência e entre os políticos em algumas das nações mais poderosas do mundo. Os defensores de dados abertos muitas vezes focam em como a informação é liberada, argumentando por modos legais e técnicos de divulgação que permitem tudo, desde novos tipos de análise computacional para reluzentes ecossistemas de serviços web e aplicações. Mas a política de informação pública predominantemente focada na transparência, divulgação e “abertura” de informações oficiais arrisca negligenciar várias partes críticas do quadro mais amplo – incluindo que informação é gerada, quem a utiliza e para que fim, e como ela organiza a vida coletiva. Ignoramos, por nossa conta e risco, a questão de se as informações rotineiramente gerada por organismos públicos para os seus objetivos múltiplos (tais como avaliação de políticas ou de prestação de serviços) está em sintonia com as necessidades, interesses e questões de grupos da sociedade civil, jornalistas e outras pessoas fora do setor público. Quais são os riscos destes sistemas para quem? Podemos presumir que os organismos públicos já estão medindo o que a sociedade coletivamente considera importante? Com certeza seria uma milagrosa (para não mencionar suspeita) coincidência se os sistemas de dados do setor público já estiverem otimizados para abordar a constelação vasta e crescente das preocupações em políticas democráticas. Em seu estudo magistral The Politics of Large Numbers (A Política dos Grandes Números, em tradução livre), o falecido historiador e sociólogo da ciência Alain Desrosières examinou a evolução das práticas estatísticas modernas em conjunto com diferentes concepções da política e da arte de governar. Sua obra destaca as preocupações diferentes contingentes que são incorporadas em diferentes métodos quantitativos e abordagens para dar sentido ao mundo que nos rodeia. Ao longo do tempo estas “formas de conhecimento” diferentes – seja em relação às populações ou instituições públicas, mercados e às condições meteorológicas – podem tornar-se tão profundamente enraizadas, tão dadas como certas, que começam a parecer naturais para nós e pode ser mais difícil imaginar outras maneiras de medir as coisas. Uma política de informação pública que se preze certamente precisa ir além de um foco sobre os dados que vêem a luz do dia, para o desenvolvimento de formas de examinar, desafiar, re-imaginar e re-calibrar as prioridades, os raciocínios e métodos de infraestruturas de informação pública, holisticamente concebidas. Imagine que os sistemas de informação pública são como uma espécie de câmara elaborada – com vários processos institucionais em vez de chapas fotográficas expondo uma impressão gradual de algum aspecto do mundo. Em vez de a questão política central ser quem tem acesso às imagens, certamente também é fundamental perguntar sobre o que a câmera está capturando, como ela está configurada para tirar fotos, o que essas fotos podem nos dizer sobre o que consideramos importante e como elas podem ser colocadas para trabalhar na sociedade para informar e moldar diferentes formas de comportamento coletivo. O que isso pode parecer na prática? Vários pesquisadores franceses propuseram a combinação de termos “statactivism” (“estativismo”, em tradução livre) como uma maneira de caracterizar formas de ativismo que mobilizam estatísticas para garantir o progresso em uma infinidade de questões sociais e políticas. Em vez da manta de  desconfiança e da retirada de quantificação e mensuração dos fenômenos sociais per se, estes “estativistas” concentram-se na crítica de formas específicas de medição oficial, e propõem indicadores alternativos destinados a promover a justiça social sobre uma série de questões diferentes – de condições de trabalho para a igualdade de gênero à mudança climática. Fazer campanha em torno da informação sobre posse de empresas é um exemplo recente de onde ativistas tiveram de olhar para além da questão da divulgação e em direção às  novas formas de remodelar as infraestruturas de dados. Informações essenciais para reprimir a evasão fiscal, a sonegação fiscal e os fluxos financeiros ilícitos simplesmente não foram recolhidas por organismos públicos. Em resposta, um amplo grupo de ONGs e ativistas realizaram uma extensa campanha para reformular a infraestrutura de dados do Reino Unido para propriedade de empresas. Isto incluiu argumentar a fim de mudar as regras legais, os procedimentos administrativos e os sistemas de software, bem como experimentações com novos desenhos para mostrar como um novo registro deveria se parecer tanto para as empresas como para os usuários de dados. Vários projetos jornalísticos recentes focam no que não é contado oficialmente, o que pode ser visto como uma outra forma de intervenção crítica em infraestruturas de informação pública. Os Migrant Files (registros de migrantes) foram criados em resposta à falta de estatísticas oficiais sobre mortes de migrantes que atravessam o Mediterrâneo em direção à Europa. Eles documentam mais de 20.000 mortes, com base em evidências de artigos da mídia e de outras fontes disponíveis publicamente. Na mesma linha, o projeto The Counted do The Guardian dá testemunho a milhares de mortes sob custódia policial em os EUA, a fim de chamar a atenção para a dimensão de um problema que permanece em situação irregular nas estatísticas oficiais. Ambos os projetos, em última análise, visam a instaurar essas formas propostas de mensuração no setor público. Bem como olhar para além de que informações são divulgadas para o que está sendo medido em primeiro lugar, e como isso está sendo medido, é imperativo para uma política de informação pública relevante em nosso momento atual desenvolver uma concepção mais clara de quem utiliza os dados, e como as infraestruturas de dados operam no mundo. Neste sentido, podemos considerar moderar algumas dos mitologias que moldam nosso pensamento sobre tudo, desde democracias aos mercados, inovação à revolução – mitologias de atores espontaneamente auto-organizados que irão otimizar a sociedade, se apenas criássemos as condições adequadas para que eles floresçam. Quem, especificamente, esperamos que irá usar informações públicas? E como, especificamente, nós esperamos que eles possam usar essas informações para acarretar os tipos de objetivos sociais e políticos que desejamos? Se não analisarmos estas questões corremos o risco de ficarmos com, por exemplo, dados sem usuários ou análise sem ação. Informações sobre a evasão fiscal são desdentadas sem ter instituições que disponham de recursos suficientes para enfrentá-la. Se os grupos da sociedade civil devem ter uma chance de efetivamente contra-equilibrar a influência corporativa na tomada de decisão política, eles precisam estar equipados com as capacidades e os mecanismos legais – não apenas a informação – que lhes permitam fazê-lo. Gostemos ou não, sistemas de informação digital estão reconfigurando muitas áreas da vida. Mas, exatamente como eles vão fazer isso ainda está em disputa. Resta ver se a revolução de dados se tornará um instrumento para acelerar a mercantilização, o gerencialismo, a austeridade e a reconfiguração “neoliberal” do setor público, ou se poderia oferecer oportunidades para intervenções progressivas para civilizar e recompor sistemas que estão atualmente causando estragos do planeta e da vida humana. De qualquer maneira, a revolução de dados é algo que não podemos dar ao luxo de ignorar. A Open Knowledge lançou um documento de debate sobre “Democratising the Data Revolution” (“Democratizando a revolução de dados”). Se você gostaria de participar do debate, você pode usar a hashtag #ourdatarev no Twitter, contribuir para as discussões no fórum ou enviar uma resposta direta. * Jonathan Gray é pesquisador da Universidade de Amsterdã e Diretor de Política e Pesquisa da Open Knowledge. Mais sobre sua obra pode ser encontrada aqui. Ele está no Twitter em @jwyg. Flattr this!