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Catherine Stihler é a nova diretora executiva da Open Knowledge Internacional

- December 5, 2018 in colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Internet, OKF, Open Knowledge Internacional

Catherine Stihler foi nomeada como a nova CEO da Open Knowledge Internacional. Stihler tem anos de experiência na criação e compartilhamento de conhecimento no cenário global. Ela se juntará à equipe da OKI em fevereiro e deixará o parlamento europeu no final de janeiro, após uma extraordinária carreira de quase 20 anos na elaboração de políticas da União Europeia. Catherine foi deputada da Escócia desde 1999, onde vive com o marido e os filhos pequenos. Nesta função, foi vice-presidente da Comissão do Mercado Interno e da Proteção dos Consumidores do Parlamento Europeu e foi a autora de relatórios e opiniões influentes que moldaram a política da UE. Ela também é ex-reitora da Universidade de St. Andrews – onde recebeu um doutorado honorário no início deste ano. Ela trabalhou em política digital, priorizando o mercado único digital, habilidades digitais, proteção de dados on-line para cidadãos, reforma dos direitos autorais para apoiar as liberdades da Internet e o papel da Inteligência Artificial e da automação.

Catherine Stihler | Crédito: European Parliament audiovisual

“Estou adorando novos desafios e oportunidades com a Open Knowledge International. Habilidades digitais e uso de dados sempre foram uma paixão pessoal, e estou ansiosa para ajudar grupos em todo o mundo a criar e compartilhar conhecimento aberto, e encorajar a próxima geração a entender que informação é poder que pode ser usada para lidar com a pobreza e outras desafios sociais ”, disse Catherine. Já Tim Hubbard, presidente da diretoria da Open Knowledge International, afirmou: “Estamos muito felizes em dar as boas vindas à Catherine ao nosso time. Ela tem anos de experiência na formulação de políticas e no uso de evidências e abertura para ajudar a enfrentar desafios globais, como mudanças climáticas, liberdades na internet e saúde pública. Catherine demonstrou capacidade de reunir pessoas, construir coalizões e confiar em um mundo que realmente precisa disso. Ela traduziu conhecimentos complicados e técnicos sobre habilidades digitais, direitos autorais e inteligência artificial para ajudar a moldar a política europeia, fazendo uma diferença real e duradoura para centenas de milhões de pessoas. Seu dinamismo, energia e comprometimento serão inestimáveis para o movimento aberto quando enfrentarmos os novos desafios do século 21”. Flattr this!

Como foi o #OpenDataDay2018 em Maceió e em Porto Alegre

- March 8, 2018 in colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Eventos, governo, Internet, Jornalismo de dados, Lei de acesso à informação, Open Data Day, Open Knowledge Brasil, sociedade civil, transparência

Neste ano, o Open Data Day (Dia de Dados Abertos), celebrado no dia 3 de março, contou com 406 eventos registrados (segundo o mapa oficial do ODD). Para nós, da OKBR, essa iniciativa representa muito: é uma oportunidade verdadeira e prática para que pessoas do mundo inteiro possam ensinar e aprender sobre dados abertos. Significa fazer com que elas se empoderem e saibam mais que é possível tornar a sociedade mais transparente. Isso impulsiona a gente, o nosso trabalho. No Brasil, o dia contou com eventos em 9 cidades. Pra você ter o gostinho de como foi, Thiago Ávila, especialista em Transparência e Governo Aberto e orientador da equipe organizadora, conta um pouco sobre o ODD em Maceió (AL); e Marlise Brenol, professora da UFRGS e uma das organizadoras do evento, e Irio Musskopf, da equipe do Programa Ciência de Dados para Inovação Cívica da OKBR e fundador da Operação Serenata de Amor, dividem relatos sobre a edição em Porto Alegre (RS) do evento.   EM MACEIÓ (AL) O Open Data Day Maceió, ao contrário dos demais eventos, começou no dia 2 de março, seguindo até o dia 3. Representantes da academia, governo e setor privado interagiram em discussões sobre o uso de dados abertos para negócios e melhoria do cotidiano das pessoas. Thiago Ávila, especialista em Transparência e Governo Aberto, abriu o evento explicando o que são os dados abertos. Na palestra, ele apresentou conceitos e diversas bases de dados abertas disponíveis no Brasil e no mundo. Na sequência, as Secretarias de Planejamento e de Fazenda de Alagoas apresentaram suas bases de dados abertas. A SEFAZ disponibiliza APIs sobre os preços dos produtos comercializados nos estabelecimentos comerciais de Alagoas, dados sobre situação do contribuinte, dentre outros dados disponíveis no site (sefazal.github.io). Já a SEPLAG, além de coordenar o Portal Estadual de Dados Abertos em Alagoas (www.dados.al.gov.br), abriu os dados do Guia de Serviços do Governo de Alagoas  (www.servicos.al.gov.br), plataforma que cataloga os serviços governamentais. O encontro contou com palestras que preparam os participantes para um Hackathon – maratona de desenvolvimento de soluções baseados em dados abertos. Teve palestra sobre ferramentas de consumo de dados abertos, como as Qlikview, Qliksense e Pentaho. E a oficina de Modelo de Negócio com Canvas e de Raspagem de Dados, com a ferramenta Webscrapy. A equipe TurAdvise, formada por professores e alunos do Instituto Federal de Alagoas, venceu o hackathon. A aplicação tem como objetivo, a partir da base de dados abertos de atrativos turísticos de Alagoas, associar aos estabelecimentos que ofertam produtos e serviços nestes equipamentos, proporcionando um conhecimento especializado da oferta turística em Alagoas bem como incentivando os comerciantes a melhorarem os dados que informam a Secretaria da Fazenda – tais dados serão usados para melhorar a sua visibilidade no aplicativo.   EM PORTO ALEGRE (RS) Em Porto Alegre, o ODD contou com troca de conhecimentos sobre transparência pública como ferramenta para a democracia. O encontro aconteceu na sede da Unisinos e teve a participação de 65 pessoas interessadas na publicidade dos dados governamentais em ano eleitoral. Têmis Limberger, professora da Unisinos e procuradora do Ministério Público Estadual, foi a primeira a se apresentar. Ela deu uma aula sobre a Lei de Acesso à Informação e avaliação de transparência governamental:  “O que é a Lei de Acesso à Informação (LAI) e como ela se compara com o resto do mundo? Criação de rankings globais de transparência. Por que normalmente vemos países nórdicos no topo de qualquer ranking? Suécia, por exemplo, teve a sua própria LAI criada em 1266. Não é à toa que a Operação Serenata de Amor foi nomeada a partir de um caso de corrupção sueco.” “A compreensão da lei ajuda a cobrar e fiscalizar a adaptação dos órgãos públicos aos preceitos exigidos pela norma como publicação de um site interativo, disponibilidade de serviço de atendimento ao cidadão e fornecimento dos dados em formatos legíveis por máquinas”, diz Marlise Brenol, professora da UFRGS e uma das organizadoras do evento. Para falar sobre esse tema, o evento contou com a participação da Liliana Barcellos, subchefe de Ética da Casa Civil, e  Francine Ledur, auditora pública externa do TCE-RS. O governo do Rio Grande do Sul lançou recentemente o seu próprio site de dados abertos e reuniu coleções de dados de pesquisas realizadas pela Fundação de Economia e Estatística e outras do portal de transparência do Estado. Francine mostrou o estudo do TCE-RS que avalia a adaptação dos 497 municípios gaúchos à lei e o papel educador e orientador que  o tribunal de contas desempenha para garantir a inclusão dos dados por prefeituras. Em 2012, metade das Câmaras municipais não tinha site. Com uma metodologia que classifica cada Câmara em 80 critérios, a força-tarefa para avaliar os municípios vem alcançando melhorias a cada ano. Um auditor avalia o mesmo critério em todos os municípios para garantir que saberá como comparar entre um e outro. Francine fez dois pedidos à comunidade: – Fazer um fork do Plone para prefeituras, isto é, clonar a ferramenta para que cada uma delas possa utilizá-la de seu modo. O TCE-RS pode ajudar definindo o que é necessário em cada site; – Automatizar avaliação. Da mesma forma que temos sites para avaliar em diversos critérios a acessibilidade de um site e mostrar como as deficiências podem ser corrigidas, a ideia é criar isso para sites de Câmaras municipais. O uso de dados abertos no jornalismo também foi discutido. Em mesa mediada por Luciana Mielniczuk*, professora de jornalismo da UFRGS, os jornalistas Juliana Bublitz, do jornal Zero Hora, Livia Araújo, do Jornal do Comércio, e Francisco Amorin, da UFRGS e UniRitter, relataram suas experiências com o uso de dados abertos e portais de transparência na elaboração de notícias. Para acompanhar mais anotações do evento em Porto Alegre, confira o texto do Irio Musskopf.   E QUE VENHA ODD 2019 A Open Knowledge Brasil espera que no próximo ano, cada vez mais pessoas possam participar do Open Data Day, tornando a discussão sobre dados abertos ainda mais eficiente no país! *Luciana Mielniczuk faleceu no início desta semana. Nossos sentimentos a seus familiares, amigos e alunos. Flattr this!

Requiem for an Internet Dream

- December 12, 2017 in Internet, open, Open/Closed

The dream of the Internet is dying. Killed by its children. We have barely noticed its demise and done even less to save it. It was a dream of openness, of unprecedented technological and social freedom to connect and innovate. Whilst expressed in technology, it was a dream that was, in essence, political and social. A dream of equality of opportunity, of equality of standing, and of liberty. A world where anyone could connect and almost everyone did. No-one controlled or owned the Internet; no one person or group decided who got on it or who didn’t. It was open to all. But that dream is dying. Whilst the Internet will continue in its literal, physical sense, its spirit is disappearing. In its place, we are getting a technological infrastructure dominated by a handful of platforms which are proprietary, centralized and monopolized. Slowly, subtly, we no longer directly access the Net. Instead, we live within the cocoons created by the Internet’s biggest children. No longer do you go online: you go on Facebook or you Google something. In those cocoons we seem happy, endlessly-scrolling through our carefully curated feeds, barely, if ever, needing to venture beyond those safe blue walls to the Net beyond. And if not on Facebook, we’ll be on Google, our friendly guide to the overwhelming, unruly hinterlands of the untamed Net. Like Facebook, Google is helpfully ensuring that we need never leave, that everything is right there on its pages. They are hoovering up more and more websites into the vastness that is the Googleplex. Chopping them up and giving them back to us in the bite-sized morsels we need. Soon we will never need to go elsewhere, not even to Wikipedia, because Google will have helpfully integrated whatever it was we needed; the only things left will be the advertisers who have something to sell (and who Google need to pay them). As the famous Microsoft mantra went: embrace, extend, extinguish. Facebook, Google, Apple and the like have done this beautifully, aided by our transition back from the browser to the walled garden of mobile. And this achievement is all the more ironic for its unintended nature; if questioned, Facebook and Google would honestly protest their innocence. Let me be clear, this is not a requiem for some half-warm libertarianism. The Internet is not a new domain, and it must play by laws and jurisdictions of the states in which it lives. I am no subscriber to independence declarations or visions of brave new worlds. What I mourn is something both smaller and bigger. The disappearance of something rare and special: proof that digital was different, that platforms at a planetary scale could be open, and that from that magical combination of tech and openness something special flowed. Not only speech and freedom of speech, but also innovation and creativity in all its wondrous fecundity and generous, organized chaos on a scale previously unimagined. And we must understand that the death of this dream was not inevitable. It is why I hesitate to use the word dream. Dreams always fade in the morning; we always wake up. This was not so much a dream as possibility. A delicate one, and a rare one. After all, the history of technology and innovation is full of proprietary platforms and exclusive control — of domination by the one or the few. The Internet was different. It was like language: available to all, almost as a birthright. And in the intoxicating rush of discovery we neglected to realise how rare it was. What a strange and wonderful set of circumstances had caused its birth: massive, far-sighted government investment at DARPA, an incubation in an open-oriented academia, maturity before anyone realised its commercial importance, and its lucky escape in the 1990s from control by the likes of AOL or MSN. And then, as the web took off, it was free, so clearly, unarguably, and powerfully valuable for its openness that none could directly touch it. The Internet’s power was not a result of technology but of a social and political choice. The choice of openness. The fact that every single major specification of how the Internet worked was open and free for anyone to use. That production grade implementations of those specifications were available as open software — thanks to government support. That a rich Internet culture grew that acknowledged and valued that openness, along with the bottom-up, informal innovation that went with it. We must see this, because even if it is too late to save the Internet dream, we can use our grief to inspire a renewed commitment to the openness that was its essence, to open information and open platforms. And so, even as we take off our hats to watch the Internet pass in all its funereal splendour, in our hearts we can have hope that its dream will live again.

Dados Conectados

- November 20, 2017 in dados, Dados Abertos, Destaque, Internet, linked data, W3C

Por Thiago Ávila* Vamos começar este artigo analisando a figura 01, extraída do site DataPortals.org [1], que mostra a ocorrência de catálogos de dados abertos no mundo:

Figura 01 – Distribuição dos catálogos de dados abertos governamentais no mundo [1]

Hummm … 200 catálogos na Europa, 140 na América do Norte, 22 na América do Sul, 23 na África, 21 na Ásia e 15 na Oceania. Tudo bem. E como fazer para responder algumas questões relevantes como:
  • Quais os dados disponíveis sobre ocorrência de doenças no hemisfério sul ?
  • Ou ainda, quais as ocorrências de determinado tipo de crime nestes países ?
  • Quantas escolas foram abertas desde 2008 em cada país que possua um catálogo de dados ?
Como se tratam de catálogos de dados abertos, provavelmente, para tentar responder a pelo menos uma dessas perguntas será preciso acessar os 424 catálogos, buscar em cada um deles o dado desejado, fazer o download de cada conjunto de dado, padronizar o formato de dados, metadados, levar para uma ferramenta de extração, tratamento de carga de dados (ETL), construir uma consulta para depois ter um resultado. Muito esforço, não? E deixando a coisa um pouco mais complexa, se a licença de uso de um conjunto de dados impedir que esse dado seja cruzado com outro dado, ou ainda, se o formato disponibilizado seja proprietário ou um formato de baixa qualidade, como o PDF? Provavelmente você ficará sem responder as suas perguntas. A web que conhecemos atualmente é a web dos documentos onde são priorizados e disponibilizados páginas HTML, arquivos de diversos formatos, como planilhas, documentos de texto, mapas, coordenadas geográficas, animações, conteúdo multimídia, etc. Acontece que os dados, mesmo que estejam disponíveis em formatos abertos, para serem acessíveis primeiro é preciso encontrar o arquivo que armazena os dados, para aí sim, acessar cada dado, pois, em sua maioria são formatos não estruturados e são adequados para facilitar o acesso e leitura para humanos e não são compreensíveis por máquina [2]. Considerando situações corriqueiras como essa, o World Wide Web Consortium – W3C tem desenvolvido muitos esforços para não apenas estabelecer os padrões da internet global, mas para a oferta de dados na Web, como já apresentamos no post anterior. E como seria se pudéssemos acessar diretamente os dados disponíveis na web, mediante consultas a servidores de dados? Consultas que acessem dados de diversas origens, espalhados ao longo do mundo e ainda, obtendo não apenas os dados, mas a semântica relacionada a eles?  Buscando construir esta web dos dados que, dentre outras muitas coisas, resolvem aos problemas corriqueiros do início do artigo que ao longo destes esforços e pesquisas desenvolvidas pelo W3C, Tim Berners-Lee (ele mesmo, o mesmo cara que inventou a Web) propôs um conceito muito promissor que são os Dados Conectados, do termo em inglês, Linked Data [3]. Em definição, Linked Data se resume ao conjunto de boas práticas para a publicação de dados na web. Linked Data define princípios para a publicação e consumo dos dados e os classificam de acordo com sua disponibilidade, acesso, estruturação e conexão [2]. Assim como a web do hipertexto, a web dos dados é construída a partir de documentos na web, porém, diferentemente da web do hipertexto, onde os links são âncoras que relacionam uma página web a outra (ou a um arquivo), na web dos dados, os links são apontados para os dados que são descritos por um framework de recursos, conhecido como RDF (Resource Description Framework). Além disso, cada dado é identificado por um identificador universal – URI (Universal Resource Identifier) e ainda, podem ser acessados mediante uma linguagem de consulta que é o SPARQL (SPARQL Protocol and RDF Query Language). Para um dado ser conectado, ele precisa obedecer aos quatro princípios para publicação [4]:
  1. Use URIs para definir coisas;
  2. Use HTTP URIs para que os dados possam ser encontrados por humanos e agentes na web;
  3. Quando um dado for solicitado através de HTTP URIs, fornecer todas as informações sobre o mesmo, em um formato de dados estruturados utilizando padrões como RDF e SPARQL;
  4. Incluir links para outras fontes de dados relacionados (usando URIs) para que seja possível obter mais informações.
A partir do conceito de Dados Conectados, algumas nações globais já estão considerando este novo paradigma e incentivando a sua produção e oferta. Países como o Reino Unido e os Estados Unidos da América já possuem uma boa oferta de dados em formato RDF nos seus catálogos de dados governamentais. Além disso, grandes projetos em escala global tem crescido a cada ano, como a DBPedia[5], que é a base de dados conectada a partir da Wikipedia ou a LODSpringer[6], que visa ofertar dados conectados sobre artigos, periódicos e conferências científicas editorados pela Springer. Enfim, sobre o Reino Unido já é possível responder a terceira pergunta do início deste artigo “Quantas escolas foram abertas desde 2008 em cada país que possua um catálogo de dados ?”. Basta executar a seguinte consulta SPARQL abaixo: PREFIX sch-ont: <http://education.data.gov.uk/ontology/school#> PREFIX xsd: <http://www.w3.org/2001/XMLSchema#> SELECT ?school ?name ?date ?easting ?northing WHERE { ?school a sch-ont:School; sch-ont:establishmentName ?name; sch-ont:openDate ?date ; sch-ont:easting ?easting ; sch-ont:northing ?northing . FILTER (?date > “2008-01-01″^^xsd:date && ?date < “2009-01-01″^^xsd:date) } Nos próximos artigos, continuaremos apresentando o potencial, casos de uso, vantagens, limitações e muito mais sobre o universo dos Dados Conectados. Até a próxima!!!
  • Thiago Ávila é conselheiro consultivo da Open Knowledge Brasil.
  •  Estes artigos são oriundos de pesquisas científicas desenvolvidas no Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES), do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e contam com a contribuição direta dos pesquisadores Dr. Ig Ibert Bittencourt (UFAL), Dr. Seiji Isotani (USP), e Armando Barbosa, Danila Oliveira, Judson Bandeira, Thiago Ávila e Williams Alcântara (UFAL).
[1] DataPortals. (2015). A Comprehensive List of Open Data Portals from Around the World. Open Knowledge Foundation. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.dataportals.org [2] Bandeira, Judson; Alcantara; Williams;  Barbosa, Armando; Ávila, Thiago; Oliveira, Danila; Bittencourt, I. & Isotani, S. (2014). Dados Abertos Conectados. Jornada de Atualização em Tecnologia da Informação. Anais do III Simpósio Brasileiro de Tecnologia da Informação – SBTI 2014. [3]Berners-Lee, Tim (2006). Linked Data. W3C. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.w3.org/DesignIssues/LinkedData.html [4] Bizer, Christian; Hheath, Tom; Berners-Lee, Tim (2009). Linked data – the story so far. International Journal On Semantic Web And Information Systems, v. 5, n. 3, p. 1-22. [5] DBPedia – http://www.dbpedia.org [6] Springer Linked Open Data – http://lod.springer.com Texto publicado no site Thiago Ávila. Ele faz parte da série de artigos Dados abertos conectados. Flattr this!

OKBR participa da 7ª edição do Fórum da Internet no Brasil

- October 29, 2017 in acesso à informação, Dados Abertos, Destaque, Internet

Entre os dias 14 e 17 de novembro, a cidade do Rio de Janeiro vai receber a 7ª edição do Fórum da Internet no Brasil. Neste ano, o tema é “Moldando o seu futuro digital”. A programação do evento conta com workshops sobre inclusão digital, criptografia, privacidade e proteção de dados pessoais, direito ao esquecimento, blockchain, entre outros tópicos. É a primeira vez que o Fórum da Internet constrói sua programação de workshops de maneira colaborativa. Todos eles são compostos por, no mínimo, um representante dos quatro setores envolvidos na governança da Internet (governamental, empresarial, terceiro setor e comunidade científica e tecnológica). No dia 16/11, às 14h, a Open Knowledge Brasil vai participar do workshop “Padrões abertos e acesso à informação: perspectivas e desafios dos dados abertos governamentais”. Os participantes são: Thiago José Tavares Ávila, conselheiro da OKBR e representante da Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (SEPLAG/AL); Luiz Henrique Leite Portella, do iMaps Intelligence; Ariel Kogan, codiretor da Open Knowledge Brasil, e Christiana Soares de Freitas, Professora do Departamento de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de Brasília (UnB). Como moderadora: Ana Julia Possamai, Analista Pesquisadora da Fundação de Economia e Estatística (FEE-RS). O workshop tem o objetivo de discutir os desafios para a publicação, a promoção, o acesso e a reutilização de dados governamentais em formato aberto, como um dos aspectos fundamentais a compor o direito à informação e a sustentar a participação, a colaboração e a inovação governo-sociedade na Era Digital. Desde 2011, o Fórum da Internet no Brasil é promovido anualmente pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Ele consiste em atividade preparatória para o Fórum de Governança da Internet (IGF). Por meio dele, o CGI.br busca incentivar representantes dos setores que o compõem a acompanharem e opinarem sobre as questões mais relevantes para a consolidação e expansão de uma Internet cada vez mais diversa, universal e inovadora no Brasil e que expresse os princípios da liberdade, dos direitos humanos, da privacidade, tal como apresentados no decálogo de Princípios para a Governança e Uso da Internet.
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Opinion piece – Why Open Knowledge International should join ICANN

- August 19, 2016 in Community Stories, human rights, Internet, opinions

This is an opinion piece by an Open Knowledge network member. You can also publish your opinion on the blog by sending us an email to blog@okfn.org First, let me quickly tell you what kind of an organisation is ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), for I feel that albeit its burgeoning global importance, most people are still not at all familiar with it. In a nutshell, ICANN governs the domain names and addresses of the internet. Today, it does so with a multi-stakeholder model, that involves all the interested parties in deciding over the rules and protocols that are needed to keep the internet free and safe for its users. Such interest groups include the technical community, registries and registrars of internet domains, the civil society, commerce and the governments. If you want to know more about the fascinating history of ICANN, you’re in luck, for just a few days ago, the Washington Post had an excellent glance at the history, in an informative and entertaining form. So, why do I want the Open Knowledge International to join ICANN? I find these reasons to be sufficient:
  1. First and foremost, the timing couldn’t be better. ICANN is right now in the progress of updating and reviewing its internal bylaws, and this process is called Workstream 2, or WS2. The bylaws are used to control the decision-making process within the quasi-private oversight group, that is ICANN. I probably don’t need to elaborate on the speed of massively growing Internet to this audience, but I’ll do it anyway; Apparently, we created more data in 2013-2014, than all the previous years put together, and it seems we’re still very much in the accelerating growth phase of the Internet.
  2. As it is, the access to the data that the governance of the Internet creates is almost non-existent. I think there could be a treasure trove of information to be used for the improvement of the global Internet community, as well for scientific research. ICANN holds the keys to a central point of communications like no other entity in the world. Likewise, the culture of transparency could be massively improved, and that is the name of an actual subgroup within the WS2-process, that was kicked off in the ICANN56 in Helsinki this June. My suggestion is for the OKI to join ICANN’s Non-Commercial Stakeholder Group and contribute in formulating the transparency bylaws with other members of the NCSG.
  3. The size and breadth of OKI make us a valuable member to ICANN. Their triannual conferences take place all over the world, rotating in turns to different continents. This would give a global organisation like ours, the chance to participate live almost every time with minimum expenses. The conferences themselves are free with food and drinks.
  4. The networking possibilities are simply too impressive to ignore. If we can contribute in the work of ICANN, I am sure we can grow our network of member countries and individual participants as well.
  5. As a large organisation (over 500 members) we would get two organisational votes instead of one.
WS 2 Sub-Issues on transparency, which is the area I feel we should focus on:
  1. Increased Transparency at ICANN
  2. Reform of Document Information Disclosure Policy (DIDP)
  3. Board deliberations
  4. Culture of Transparency at ICANN
  5. Discussions with governments and lobbying
  6. Improvements to ICANN’s “whistle-blower” policy
These are the other headings discussed in the WS2, some of them less intuitive than others, but I won’t go into more detail on them now:
  1.   Create a Framework of Interpretation for ICANN’s New Commitment to Respect Human Rights
  2.  Influence of ICANN’s jurisdiction on operational policies and accountability mechanisms
  3.  Staff Accountability
  4.  SO / AC Accountability
  5.  Reform of Ombudsman’s Office
  6.  “Diversity” at ICANN
  7.  Reviewing the Cooperative Engagement Process (CEP), 1st step to filing an Independent Review
    – Panel matter
  8.  Guidelines for ICANN Board “standard of conduct.”
    – RE: removal of board members
I am convinced of our mutual benefits with being a contributing member in ICANN and I hope I’ve managed to pass my enthusiasm on to you. Please do not hesitate to ask for elaborations on specifics, and I will promise to, at the very least, look for the answer or point you in the right direction, best to my ability.

Open Knowledge Brasil participa de 3ª etapa do Plano de Ação da Parceria para Governo Aberto

- April 15, 2016 in colaboração, Dados Abertos, governo, Internet, OGP, Open Knowledge Brasil, participação, planejamento, projetos, sociedade civil, transparência

No último dia 7, a Open Knowledge Brasil esteve representada por Alexandre Gomes na 3ª etapa do Plano de Ação da Parceria para Governo Aberto (Open Government Partnership, OGP). A reunião aconteceu na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), em Brasília (DF) e envolveu diversos membros do governo e da sociedade civil organizada a fim de discutir a priorização dos desafios da Parceria. Foram quatro painéis diferentes, entre eles Análise de Cenário, Construção do Cenário Desejado, Identificação de Bloqueios/Dificuldades e Identificação dos Desafios. Os pontos de discussão e tópicos de cada painel podem ser encontrados no site sobre Governo Aberto da Controladoria Geral da União do Governo Federal. Flattr this!

Open Knowledge Brasil participa de 3ª etapa do Plano de Ação da Parceria para Governo Aberto

- April 15, 2016 in colaboração, Dados Abertos, governo, Internet, OGP, Open Knowledge Brasil, participação, planejamento, projetos, sociedade civil, transparência

No último dia 7, a Open Knowledge Brasil esteve representada por Alexandre Gomes na 3ª etapa do Plano de Ação da Parceria para Governo Aberto (Open Government Partnership, OGP). A reunião aconteceu na Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), em Brasília (DF) e envolveu diversos membros do governo e da sociedade civil organizada a fim de discutir a priorização dos desafios da Parceria. Foram quatro painéis diferentes, entre eles Análise de Cenário, Construção do Cenário Desejado, Identificação de Bloqueios/Dificuldades e Identificação dos Desafios. Os pontos de discussão e tópicos de cada painel podem ser encontrados no site sobre Governo Aberto da Controladoria Geral da União do Governo Federal. Flattr this!

Uma revolução de dados para quem?

- April 13, 2016 in acesso à informação, colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, governo, Internet, okbr, OKF, Open Knowledge Brasil, participação, planejamento, projetos, sociedade civil, transparência

Tradução do texto de Jonathan Gray* publicado originalmente no Open Democracy A crescente disponibilidade de dados digitais e de tecnologias de dados levou muitos grupos da sociedade civil, governos e organizações internacionais a falar de uma “revolução de dados”. Mas que tipos de projetos políticos, modelos de cidadania e formas de ação irá a tal revolução de dados permitir? E a quem irá, em última análise, servir?
Crédito: Jisc

Crédito: Jisc

Na sequência de debates sobre governo aberto entre os atores políticos, da Casa Branca ao Wikileaks, você poderia ser perdoado por pensar que a questão política crítica em torno dos dados digitais gerados pelos estados é qual informação é divulgada para quem. Pessoas que vazam informações, hackers e whistleblowers transgridem regras de divulgação para trazer caches de dados para as massas, argumentando que a luz solar de escrutínio público deve ser autorizada a brilhar em documentos que antes eram escuros. Em paralelo, o conceito de “dados abertos” ganhou força significativa entre os ativistas de transparência e entre os políticos em algumas das nações mais poderosas do mundo. Os defensores de dados abertos muitas vezes focam em como a informação é liberada, argumentando por modos legais e técnicos de divulgação que permitem tudo, desde novos tipos de análise computacional para reluzentes ecossistemas de serviços web e aplicações. Mas a política de informação pública predominantemente focada na transparência, divulgação e “abertura” de informações oficiais arrisca negligenciar várias partes críticas do quadro mais amplo – incluindo que informação é gerada, quem a utiliza e para que fim, e como ela organiza a vida coletiva. Ignoramos, por nossa conta e risco, a questão de se as informações rotineiramente gerada por organismos públicos para os seus objetivos múltiplos (tais como avaliação de políticas ou de prestação de serviços) está em sintonia com as necessidades, interesses e questões de grupos da sociedade civil, jornalistas e outras pessoas fora do setor público. Quais são os riscos destes sistemas para quem? Podemos presumir que os organismos públicos já estão medindo o que a sociedade coletivamente considera importante? Com certeza seria uma milagrosa (para não mencionar suspeita) coincidência se os sistemas de dados do setor público já estiverem otimizados para abordar a constelação vasta e crescente das preocupações em políticas democráticas. Em seu estudo magistral The Politics of Large Numbers (A Política dos Grandes Números, em tradução livre), o falecido historiador e sociólogo da ciência Alain Desrosières examinou a evolução das práticas estatísticas modernas em conjunto com diferentes concepções da política e da arte de governar. Sua obra destaca as preocupações diferentes contingentes que são incorporadas em diferentes métodos quantitativos e abordagens para dar sentido ao mundo que nos rodeia. Ao longo do tempo estas “formas de conhecimento” diferentes – seja em relação às populações ou instituições públicas, mercados e às condições meteorológicas – podem tornar-se tão profundamente enraizadas, tão dadas como certas, que começam a parecer naturais para nós e pode ser mais difícil imaginar outras maneiras de medir as coisas. Uma política de informação pública que se preze certamente precisa ir além de um foco sobre os dados que vêem a luz do dia, para o desenvolvimento de formas de examinar, desafiar, re-imaginar e re-calibrar as prioridades, os raciocínios e métodos de infraestruturas de informação pública, holisticamente concebidas. Imagine que os sistemas de informação pública são como uma espécie de câmera elaborada – com vários processos institucionais em vez de chapas fotográficas expondo uma impressão gradual de algum aspecto do mundo. Em vez de a questão política central ser quem tem acesso às imagens, certamente também é fundamental perguntar sobre o que a câmera está capturando, como ela está configurada para tirar fotos, o que essas fotos podem nos dizer sobre o que consideramos importante e como elas podem ser colocadas para trabalhar na sociedade para informar e moldar diferentes formas de comportamento coletivo. O que isso pode parecer na prática? Vários pesquisadores franceses propuseram a combinação de termos “statactivism” (“estativismo”, em tradução livre) como uma maneira de caracterizar formas de ativismo que mobilizam estatísticas para garantir o progresso em uma infinidade de questões sociais e políticas. Em vez da manta de  desconfiança e da retirada de quantificação e mensuração dos fenômenos sociais per se, estes “estativistas” concentram-se na crítica de formas específicas de medição oficial, e propõem indicadores alternativos destinados a promover a justiça social sobre uma série de questões diferentes – de condições de trabalho para a igualdade de gênero à mudança climática. Fazer campanha em torno da informação sobre posse de empresas é um exemplo recente de onde ativistas tiveram de olhar para além da questão da divulgação e em direção às novas formas de remodelar as infraestruturas de dados. Informações essenciais para reprimir a evasão fiscal, a sonegação fiscal e os fluxos financeiros ilícitos simplesmente não foram recolhidas por organismos públicos. Em resposta, um amplo grupo de ONGs e ativistas realizaram uma extensa campanha para reformular a infraestrutura de dados do Reino Unido para propriedade de empresas. Isto incluiu argumentar a fim de mudar as regras legais, os procedimentos administrativos e os sistemas de software, bem como experimentações com novos desenhos para mostrar como um novo registro deveria se parecer tanto para as empresas como para os usuários de dados. Vários projetos jornalísticos recentes focam no que não é contado oficialmente, o que pode ser visto como uma outra forma de intervenção crítica em infraestruturas de informação pública. Os Migrant Files (registros de migrantes) foram criados em resposta à falta de estatísticas oficiais sobre mortes de migrantes que atravessam o Mediterrâneo em direção à Europa. Eles documentam mais de 20.000 mortes, com base em evidências de artigos da mídia e de outras fontes disponíveis publicamente. Na mesma linha, o projeto The Counted do The Guardian dá testemunho a milhares de mortes sob custódia policial em os EUA, a fim de chamar a atenção para a dimensão de um problema que permanece em situação irregular nas estatísticas oficiais. Ambos os projetos, em última análise, visam a instaurar essas formas propostas de mensuração no setor público. Bem como olhar para além de que informações são divulgadas para o que está sendo medido em primeiro lugar, e como isso está sendo medido, é imperativo para uma política de informação pública relevante em nosso momento atual desenvolver uma concepção mais clara de quem utiliza os dados, e como as infraestruturas de dados operam no mundo. Neste sentido, podemos considerar moderar algumas dos mitologias que moldam nosso pensamento sobre tudo, desde democracias aos mercados, inovação à revolução – mitologias de atores espontaneamente auto-organizados que irão otimizar a sociedade, se apenas criássemos as condições adequadas para que eles floresçam. Quem, especificamente, esperamos que irá usar informações públicas? E como, especificamente, nós esperamos que eles possam usar essas informações para acarretar os tipos de objetivos sociais e políticos que desejamos? Se não analisarmos estas questões corremos o risco de ficarmos com, por exemplo, dados sem usuários ou análise sem ação. Informações sobre a evasão fiscal são desdentadas sem ter instituições que disponham de recursos suficientes para enfrentá-la. Se os grupos da sociedade civil devem ter uma chance de efetivamente contra-equilibrar a influência corporativa na tomada de decisão política, eles precisam estar equipados com as capacidades e os mecanismos legais – não apenas a informação – que lhes permitam fazê-lo. Gostemos ou não, sistemas de informação digital estão reconfigurando muitas áreas da vida. Mas, exatamente como eles vão fazer isso ainda está em disputa. Resta ver se a revolução de dados se tornará um instrumento para acelerar a mercantilização, o gerencialismo, a austeridade e a reconfiguração “neoliberal” do setor público, ou se poderia oferecer oportunidades para intervenções progressivas para civilizar e recompor sistemas que estão atualmente causando estragos do planeta e da vida humana. De qualquer maneira, a revolução de dados é algo que não podemos dar ao luxo de ignorar. A Open Knowledge lançou um documento de debate chamado “Democratising the Data Revolution” (“Democratizando a revolução de dados”). Se quiser de participar do debate, você pode usar a hashtag #ourdatarev no Twitter, contribuir para as discussões no fórum ou enviar uma resposta direta. * Jonathan Gray é pesquisador da Universidade de Amsterdã e Diretor de Política e Pesquisa da Open Knowledge. Mais sobre sua obra pode ser encontrada aqui. Ele está no Twitter em @jwyg. Flattr this!

Uma revolução de dados para quem?

- April 13, 2016 in acesso à informação, colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, governo, Internet, okbr, OKF, Open Knowledge Brasil, participação, planejamento, projetos, sociedade civil, transparência

Tradução do texto de Jonathan Gray* publicado originalmente no Open Democracy A crescente disponibilidade de dados digitais e de tecnologias de dados levou muitos grupos da sociedade civil, governos e organizações internacionais a falar de uma “revolução de dados”. Mas que tipos de projetos políticos, modelos de cidadania e formas de ação irão a tal revolução de dados permitir? E a quem irá, em última análise, servir?
Crédito: Jisc

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Na sequência de debates sobre governo aberto entre os atores políticos, da Casa Branca ao Wikileaks, você poderia ser perdoado por pensar que a questão política crítica em torno dos dados digitais gerados pelos estados é qual informação é divulgada para quem. Pessoas que vazam informações, hackers e whistleblowers transgridem regras de divulgação para trazer caches de dados para as massas, argumentando que a luz solar de escrutínio público deve ser autorizada a brilhar em documentos que antes eram escuros. Em paralelo, o conceito de “dados abertos” ganhou força significativa entre os ativistas de transparência e entre os políticos em algumas das nações mais poderosas do mundo. Os defensores de dados abertos muitas vezes focam em como a informação é liberada, argumentando por modos legais e técnicos de divulgação que permitem tudo, desde novos tipos de análise computacional para reluzentes ecossistemas de serviços web e aplicações. Mas a política de informação pública predominantemente focada na transparência, divulgação e “abertura” de informações oficiais arrisca negligenciar várias partes críticas do quadro mais amplo – incluindo que informação é gerada, quem a utiliza e para que fim, e como ela organiza a vida coletiva. Ignoramos, por nossa conta e risco, a questão de se as informações rotineiramente gerada por organismos públicos para os seus objetivos múltiplos (tais como avaliação de políticas ou de prestação de serviços) está em sintonia com as necessidades, interesses e questões de grupos da sociedade civil, jornalistas e outras pessoas fora do setor público. Quais são os riscos destes sistemas para quem? Podemos presumir que os organismos públicos já estão medindo o que a sociedade coletivamente considera importante? Com certeza seria uma milagrosa (para não mencionar suspeita) coincidência se os sistemas de dados do setor público já estiverem otimizados para abordar a constelação vasta e crescente das preocupações em políticas democráticas. Em seu estudo magistral The Politics of Large Numbers (A Política dos Grandes Números, em tradução livre), o falecido historiador e sociólogo da ciência Alain Desrosières examinou a evolução das práticas estatísticas modernas em conjunto com diferentes concepções da política e da arte de governar. Sua obra destaca as preocupações diferentes contingentes que são incorporadas em diferentes métodos quantitativos e abordagens para dar sentido ao mundo que nos rodeia. Ao longo do tempo estas “formas de conhecimento” diferentes – seja em relação às populações ou instituições públicas, mercados e às condições meteorológicas – podem tornar-se tão profundamente enraizadas, tão dadas como certas, que começam a parecer naturais para nós e pode ser mais difícil imaginar outras maneiras de medir as coisas. Uma política de informação pública que se preze certamente precisa ir além de um foco sobre os dados que vêem a luz do dia, para o desenvolvimento de formas de examinar, desafiar, re-imaginar e re-calibrar as prioridades, os raciocínios e métodos de infraestruturas de informação pública, holisticamente concebidas. Imagine que os sistemas de informação pública são como uma espécie de câmara elaborada – com vários processos institucionais em vez de chapas fotográficas expondo uma impressão gradual de algum aspecto do mundo. Em vez de a questão política central ser quem tem acesso às imagens, certamente também é fundamental perguntar sobre o que a câmera está capturando, como ela está configurada para tirar fotos, o que essas fotos podem nos dizer sobre o que consideramos importante e como elas podem ser colocadas para trabalhar na sociedade para informar e moldar diferentes formas de comportamento coletivo. O que isso pode parecer na prática? Vários pesquisadores franceses propuseram a combinação de termos “statactivism” (“estativismo”, em tradução livre) como uma maneira de caracterizar formas de ativismo que mobilizam estatísticas para garantir o progresso em uma infinidade de questões sociais e políticas. Em vez da manta de  desconfiança e da retirada de quantificação e mensuração dos fenômenos sociais per se, estes “estativistas” concentram-se na crítica de formas específicas de medição oficial, e propõem indicadores alternativos destinados a promover a justiça social sobre uma série de questões diferentes – de condições de trabalho para a igualdade de gênero à mudança climática. Fazer campanha em torno da informação sobre posse de empresas é um exemplo recente de onde ativistas tiveram de olhar para além da questão da divulgação e em direção às  novas formas de remodelar as infraestruturas de dados. Informações essenciais para reprimir a evasão fiscal, a sonegação fiscal e os fluxos financeiros ilícitos simplesmente não foram recolhidas por organismos públicos. Em resposta, um amplo grupo de ONGs e ativistas realizaram uma extensa campanha para reformular a infraestrutura de dados do Reino Unido para propriedade de empresas. Isto incluiu argumentar a fim de mudar as regras legais, os procedimentos administrativos e os sistemas de software, bem como experimentações com novos desenhos para mostrar como um novo registro deveria se parecer tanto para as empresas como para os usuários de dados. Vários projetos jornalísticos recentes focam no que não é contado oficialmente, o que pode ser visto como uma outra forma de intervenção crítica em infraestruturas de informação pública. Os Migrant Files (registros de migrantes) foram criados em resposta à falta de estatísticas oficiais sobre mortes de migrantes que atravessam o Mediterrâneo em direção à Europa. Eles documentam mais de 20.000 mortes, com base em evidências de artigos da mídia e de outras fontes disponíveis publicamente. Na mesma linha, o projeto The Counted do The Guardian dá testemunho a milhares de mortes sob custódia policial em os EUA, a fim de chamar a atenção para a dimensão de um problema que permanece em situação irregular nas estatísticas oficiais. Ambos os projetos, em última análise, visam a instaurar essas formas propostas de mensuração no setor público. Bem como olhar para além de que informações são divulgadas para o que está sendo medido em primeiro lugar, e como isso está sendo medido, é imperativo para uma política de informação pública relevante em nosso momento atual desenvolver uma concepção mais clara de quem utiliza os dados, e como as infraestruturas de dados operam no mundo. Neste sentido, podemos considerar moderar algumas dos mitologias que moldam nosso pensamento sobre tudo, desde democracias aos mercados, inovação à revolução – mitologias de atores espontaneamente auto-organizados que irão otimizar a sociedade, se apenas criássemos as condições adequadas para que eles floresçam. Quem, especificamente, esperamos que irá usar informações públicas? E como, especificamente, nós esperamos que eles possam usar essas informações para acarretar os tipos de objetivos sociais e políticos que desejamos? Se não analisarmos estas questões corremos o risco de ficarmos com, por exemplo, dados sem usuários ou análise sem ação. Informações sobre a evasão fiscal são desdentadas sem ter instituições que disponham de recursos suficientes para enfrentá-la. Se os grupos da sociedade civil devem ter uma chance de efetivamente contra-equilibrar a influência corporativa na tomada de decisão política, eles precisam estar equipados com as capacidades e os mecanismos legais – não apenas a informação – que lhes permitam fazê-lo. Gostemos ou não, sistemas de informação digital estão reconfigurando muitas áreas da vida. Mas, exatamente como eles vão fazer isso ainda está em disputa. Resta ver se a revolução de dados se tornará um instrumento para acelerar a mercantilização, o gerencialismo, a austeridade e a reconfiguração “neoliberal” do setor público, ou se poderia oferecer oportunidades para intervenções progressivas para civilizar e recompor sistemas que estão atualmente causando estragos do planeta e da vida humana. De qualquer maneira, a revolução de dados é algo que não podemos dar ao luxo de ignorar. A Open Knowledge lançou um documento de debate sobre “Democratising the Data Revolution” (“Democratizando a revolução de dados”). Se você gostaria de participar do debate, você pode usar a hashtag #ourdatarev no Twitter, contribuir para as discussões no fórum ou enviar uma resposta direta. * Jonathan Gray é pesquisador da Universidade de Amsterdã e Diretor de Política e Pesquisa da Open Knowledge. Mais sobre sua obra pode ser encontrada aqui. Ele está no Twitter em @jwyg. Flattr this!