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23/03: segunda rodada de eventos do Open Data Day

- March 18, 2019 in colaboração, Dados Abertos, Gastos Abertos, governo aberto, Jornalismo de dados, Open Data Day, sociedade civil, transparência

Como já mencionamos antes, o Open Data Day é um momento anual onde todo o mundo debate e promove, por um dia, o uso de dados abertos. Em geral, acontecem eventos, workshops, fóruns online, hackatons e todo o tipo de atividade usando informação livre. O intuito da data é incentivar governos, empresas e a sociedade civil a usarem dados abertos em suas iniciativas. A gente explicou um pouco melhor o que é o dia neste texto aqui. Neste ano, o evento acontece pela nona vez e conta com uma peculiaridade. A data escolhida pela nossa rede internacional foi o dia 2 de março, sábado de carnaval. Sendo assim, os eventos comemorativos do Open Data Day foram agendados para o dia 9 e 23 de março. Já contamos um pouco do que aconteceu nas edições de Curitiba, Recife e Porto Alegre em um texto do nosso blog. Agora, Fortaleza e Natal se preparam para receber suas respectivas edições no dia 23/03. A edição de Natal conta com 7 palestras sobre dados abertos no contexto da saúde, gastos públicos, direito e governo aberto, além de um minicurso sobre Python para Open Data. Já a edição de Fortaleza conta com 4 debates, 4 oficinas sobre R e dados abertos e uma edição temática do Cerveja com Dados para encerrar o dia com chave de ouro. Fortaleza
Dia: 23/03
Hora: 09:00
Local: Casa da Cultura Digital (Rua dos Pacajus, 33 – Praia de Iracema).
Confira a programação completa na página de Facebook do evento ou no Instagram.
Natal
Dia: 23/03
Hora: 08:30
Local: IFRN Central (Avenida Senador Salgado Filho, 1559, Tirol).
Confira a programação completa e inscreva-se.
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Quem trabalha com dados abertos no Brasil?

- March 13, 2019 in Dados Abertos, design, Destaque, direito, hackathons, Jornalismo de dados, Lei de acesso à informação, ouvidorias, pesquisa, Python, R, transparência

  • Texto por Pedro Vilanova
Em março acontece o Open Data Day, movimento mundial de promoção ao uso de dados abertos. São vários eventos ao redor do mundo com essa temática. Uma boa oportunidade para conhecer novas pessoas, ampliar horizontes técnicos e debater um tema super em voga. Este é o meu 4º ano de open data. Foi tempo suficiente para conhecer bastante gente diferente. Nos preparativos para mais um Open Data Day, resolvi investigar um pouco quem são as pessoas que trabalham com dados abertos em terras brasileiras. Eu sou formado em comunicação, mas desde 2016 eu trabalho analisando dados para escrever. Em 2017, aprendi a programar e um novo mundo se abriu. Apesar de hoje ter dezenas de colegas jornalistas de dados, percebo que o tema open data, ou simplesmente dados abertos, ainda está muito distante da maioria das pessoas. Resolvi bater um papo com alguns amigos da área, com formações bem diferentes, para tentar facilitar para quem sempre quis participar e nunca conseguiu  – e para quem não faz nem ideia do que sejam dados abertos. Afinal, quem é que trabalha com dados abertos? Otávio Carneiro, o arquiteto e agitador da comunidade. O primeiro papo que tive foi com o Otávio Carneiro. Ele é arquiteto, com mestrado em gestão do conhecimento e tecnologia da informação. E talvez você já tenha visto ele em algum evento por aí. O Otávio faz parte do Calango Hacker Club desde 2013 e, de acordo com ele, começou a se inteirar sobre dados abertos com o pessoal por lá. Um ano depois, já estava participando de eventos com a Câmara dos Deputados e mais um aninho na frente organizou o Open Data Day em Brasília  – e por 3 anos: 2015, 2017 e 2018 (com uma pausa em 2016 por causa do mestrado). Para mim, ele é uma das pessoas mais engajadas na comunidade. Não me lembro de ter ido a um evento sequer sem tê-lo encontrado. Mesmo assim, ele nunca ganhou dinheiro com open data. E também nunca precisou lidar com a área diretamente no trabalho  – o que, confesso me deixou até um pouco chocado. O Otávio não sabe, mas foi ele que me convidou para a minha primeira palestra sobre open data, justamente com o pessoal do calango. Para mim, é curioso o fato de ele não trabalhar diretamente com isso. Na conversa, o Otávio disse que muitos dos desafios são técnicos: qualidade e formato dos dados, dificuldade de encontrar os dados e o despreparo dos órgãos do governo com a LAI são os principais. Para ele, mais pessoas deveriam ter a habilidade de lidar com dados abertos. Concordo, Otávio. E é por isso que estamos aqui. A segunda pessoa com quem bati um papo foi a Judite Cypreste, com uma pegada bem menos hacker club e bem mais jornalística, ela mantém uma característica comum com o Otávio: não é formada em computação, mas em Letras, com pós em Jornalismo Cultural. Judite Cypreste, redação, zumbis e um bot que cobra dados. A Judite Cypreste começou a trabalhar com open data em um treinamento na Folha de S.Paulo sobre Jornalismo de Dados, ano passado. Antes disso, só estudava sobre o tema como pesquisadora na UERJ. Ela aprendeu a programar com o Fernando Masanori. Aliás, pausa aqui. Eu também aprendi a programar em Python com o Masanori, no Python para Zumbis, curso totalmente gratuito, com todas as aulas disponíveis no YouTube. Fim da pausa. A partir da programação, a Judite fez algumas reportagens bem legais, com um impacto considerável, passeou em algumas redações e esse ano lançou o Colaboradados, um projeto que se propõe a auxiliar as pessoas a acharem bases de dados confiáveis e gratuitas (siga o bot, o @colaboradados, que cobra resposta dos órgãos sempre que portais da transparência apresentam problemas de acesso). Para ela, a importância do open data é central não só no seu trabalho, mas na sociedade. Os dados abertos podem auxiliar no combate à falta de informação. Quem não conhece, não monitora e não cobra. E para melhorar isso, ela tem tentado contar boas histórias, de impacto, e mexer com dados. Perfis como o da Judite são o que mais encontrei desde que comecei a trabalhar com open data: pessoas que escrevem e usam dados para isso, mesmo que de forma voluntária. Às vezes programam, às vezes não. Às vezes são jornalistas, às vezes não. O grande segredo está na busca por dar sentido aos dados. E isso pode ser feito com Python, R ou até mesmo em uma tabela no Excel. Por isso é tão importante que a gente cobre dos órgãos competentes que disponibilizem esses dados em bons formatos, de maneira acessível. E é daí que surge o gancho com a terceira pessoa com quem bati um papo: Fabrício Rocha, uma das pessoas por trás da API de dados abertos da Câmara dos Deputados. Fabrício Rocha, o repórter que não afrouxa. Talvez você conheça o Fabrício Rocha da televisão. Ele apresenta o programa Participação Popular, na TV Câmara. É jornalista de formação, com pós em TV Digital Interativa. É, é muita televisão nessa carreira. E o que dados abertos tem a ver com isso? O Fabrício é servidor público. E foi destinado ao então Centro de Informática da Câmara em janeiro de 2016, lotado na coordenação que atende a área de Comunicação da casa. Lá atrás, há três anos, ele foi colocado em uma seção recém-criada que tinha chamado para si a responsabilidade pelo serviço de Dados Abertos da Câmara e sua já necessária atualização. Dois meses depois ele começou a elaborar a nova versão do serviço. E é desde então que nosso apresentador trabalha com dados abertos. O exemplo do Fabrício é interessante. Quando perguntei para ele qual era a importância dos dados abertos na sua realidade, ele me respondeu que é a razão do trabalho dele, porém que, às vezes, a própria instituição na qual ele trabalha parece se importar menos com o tema do que servidores como ele. Pausa. Em 2016, quando comecei a trabalhar com dados abertos, o meu pensamento acompanhava o senso comum de que os órgãos públicos faziam de tudo para dificultar a vida de jornalistas e ativistas de monitoramento social. Até que conheci pessoas como o Fabrício, que faz parte de um grupo razoavelmente grande de servidores que lutam diariamente para melhorar o acesso à informação por parte da sociedade. Se não conseguem, muitas vezes, isso se dá pelas burocracias e falta de organização do próprio órgão. Fim da pausa. Isso está traduzido, por exemplo, no que o Fabrício considera o desafio de trabalhar com dados abertos. É difícil fornecer dados a partir de bases criadas por sistemas sem um propósito de publicação das informações em forma de dados abertos. Em outras palavras, é organizar dados que foram armazenados de forma incompleta, divergente ou muito mal estruturados. Olha só que coincidência Esse é o lado dos dados abertos de quem trabalha na base da cadeia. Na matéria prima. Fazendo cumprir-se a Lei de Acesso à Informação (LAI), que rege os dados públicos governamentais no Brasil, que, por algumas vezes é tratada com descaso por autoridades. Mas a LAI, como o próprio nome diz, é uma lei. Bruno Morassutti, dados, direito e alguns e-mails a ouvidorias. Bruno Morassutti é advogado, especialista em processo civil e direito público, mestrando da área de direito e tecnologia. Ele narra o começo da sua trajetória nessa área dos dados ainda na faculdade, mas em transparência, não necessariamente em dados abertos. Bruno tem por hábito questionar ouvidorias para entender melhor o funcionamento das coisas e assim fazer propostas de melhoria mais bem informadas e assertivas. Da transparência para os dados abertos o salto foi natural. Os dados abertos potencializam muito a transparência e, consequentemente, o seu trabalho. Ele é um advogado “orientado a dados” desde 2012. Eu gosto muito desse perfil. Primeiro porque o Bruno é super entusiasmado. A ponto de dizer que em um mundo ideal trabalharia só com o universo de direito e dados abertos, o que não é possível ainda pela falta de projetos remunerados na área. Depois porque sua expertise é extremamente necessária para os dados abertos. É um conhecimento técnico aplicado aos dados. E vice-versa. Na primeira vez que fui a um Open Data Day, em 2016, eu me lembro de olhar para a plateia e pensar que era o único representante da ala não técnica. Esse engano se manteve até o ano seguinte, quando me envolvi mais com a comunidade e percebi que estava ao lado de jornalistas, arquitetos, auditores públicos e advogados. O Bruno é um desses exemplos. Foi então que eu percebi os dados abertos como um meio para facilitar quase todo o tipo de função. E daí meu questionamento mudou. Ok, eu não era o único não técnico ali. Mas o que será que faltava para que todo mundo usufruisse dos benefícios do open data? A Tatiana, por exemplo, nosso próximo perfil, também tem uma formação tradicionalmente afastada dos dados abertos. Tradicionalmente porque acredito que essas barreiras vão fazer cada vez menos sentido. Eu espero. Tatiana Balachova, a russa que faz design com dados. Tatiana Balachova é publicitária, designer autodidata e nunca codou na vida. Mesmo assim, é uma das pessoas mais engajadas dentro do universo de dados abertos que eu já conheci. A Tati é uma das mentes que ajudou a popularizar a Rosie, robô que a Operação Serenata de Amor criou em 2016. Os dados, abertos ou não, só tem valor de fato quando transformados em informação, e consequentemente, em ação. O perfil dela é essencial para fechar esse ciclo e levar conhecimento para o público. Para ela, o maior desafio é aproximar o cidadão que não está familiarizado com o universo de open data, para que ele também participe da conversa sobre transparência e controle das contas públicas. E se por um lado, há pessoas como a Tati, que entraram no mundo dos dados abertos por conta de um projeto, com uma carreira recente na área, há quem trabalhe com isso há quase uma década. É o caso da Fernanda Campagnucci, a próxima pessoa com quem bati um papo sobre dados abertos. Fernanda Campagnucci, uma década de dados abertos. A Fernanda Campagnucci também é jornalista (vá contando, só nesse artigo já são 4 comunicadores, sem contar comigo), porém, no seu currículo, que inclui mestrado, doutorado e uma pós em transparência, o trabalho com dados abertos começou em 2006. Ou seja, há muito mais tempo do que a maioria das pessoas na área. Na época, ainda na RAC, Reportagem com Auxílio de Computador, na graduação na USP. O caminho dela é bem interessante. Do uso de dados, à cobrança por mais transparência e melhores dados, à participação em hackatons e redes como a Transparência Hacker até ser convidada para integrar a Controladoria Geral do Município de São Paulo, que é a área encarregada de implementar a LAI e as políticas de dados abertos na cidade. Hoje, já concursada, ela trabalha em outro órgão, a Secretaria Municipal de Educação, onde implementa um programa de governo aberto. A Fernanda, assim como o Fabrício, é uma das pessoas que passou de consumidor e provedor ou mantenedor de boas práticas de dados abertos – inclusive ganhando a vida com isso. E esse é um ponto que ajuda a responder a pergunta que as pessoas de fora da área mais fazem para mim: em que os profissionais podem ajudar em dados abertos? A resposta é: consumindo, transformando dados em informação, deixando tudo isso mais legal e palatável para a população e até analisando a lógica das políticas de dados abertos. Você não necessariamente precisa ser jornalista de dados ou trabalhar em uma redação para isso. E, enfim, chegamos à Jessica Temporal. Nós nos conhecemos graças à Operação Serenata de Amor desde então ela se tornou minha solucionadora titular de problemas e picuinhas técnicas. Alguém que sabe mais que eu e tem paciência para me mostrar o caminho e ensinar. Apesar de unidos no mesmo projeto e pelos mesmos ideias, nossas formações são bem diferentes. Jessica Temporal, dados biomédicos, dados públicos e data ajuda. A Jessica Temporal tem uma formação técnica. É graduada em Informática Biomédica e na faculdade já usava dados abertos para análises biológicas. E desde os tempos de Serenata tem um contato maior com esse universo. Eu perdi as contas de quantas vezes vi a Jessica lutar por dados mais organizados, estruturados e às vezes até mesmo pela existência deles. Nós trabalhamos juntos por um ano com open data  – os dois remunerados. O ponto chave é que ela nem trabalha mais na área  – ainda trabalha com dados, mas não exclusivamente abertos  – porém continua colaborando muito de forma voluntária na comunidade (e nas minhas dúvidas). A Jessica, assim como outros amigos, entraram para o open data para nunca mais sair. O universo de dados abertos nunca vem sozinho. Ele sempre traz um monte de projetos legais, práticas open source e uma ou alguma coisa relacionada, minha sugestão é: tenha calma e procure gente que trabalha na área. Eu conversei com sete pessoas. Poderiam ter sido mais. Eu poderia estar até agora escrevendo esse texto. A comunidade de dados abertos no Brasil só cresce. A cada ano o Open Data Day é maior, com mais eventos regionais e mais projetos sendo apresentados. Faça como o Otávio, a Judite, o Fabrício, o Bruno, a Tati, a Fernanda e a Temporal: coloque os dados abertos na sua vida. É um caminho sem volta. Flattr this!

OKBR marca presença no III Encontro Brasileiro de Governo Aberto

- December 11, 2018 in acesso à informação, ciência aberta, colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, governo aberto, Internet, Jornalismo de dados, Lei de acesso à informação, Open Knowledge Brasil, sociedade civil, transparência

Nos dias 3 e 4 de dezembro foi realizada a terceira edição do Encontro Brasileiro de Governo Aberto, que tem por objetivo debater e trocar experiências sobre os desafios para a promoção de transparência, participação, prestação de contas e novas tecnologias no Brasil. Além da Open Knowledge Brasil, as organizações Agenda Pública, Artigo 19, Ceweb.br/NIC.br, Fast Food da Política, Fórum de Gestão Compartilhada, Imaflora, Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União, Controladoria Geral do Município de de São Paulo e São Paulo Aberta também ficaram responsáveis pela realização do evento. Durante o evento, membros da Open Knowledge estiveram presentes em debates sobre a Lei de Acesso à Informação, jornalismo de dados e ciência aberta.

Privacidade e acesso à informação são debatidos em mesa do III Encontro Brasileiro de Governo Aberto

Na conversa sobre as fronteiras entre acesso à informação e privacidade, os debatedores apresentaram casos concretos que exemplificam a importância de trazer esses dois tópicos para o mesmo debate. Renato Morgado, gerente de políticas públicas do Imaflora, falou da necessidade de abrir o CPF no Cadastro Ambiental Rural para o cruzamento dessa base de dados. Discutiu-se a questão dos limites dos sigilos comercial e fiscal frente ao interesse público de algumas informações. Camille Moura, pesquisadora da Open Knowledge, falou do Queremos Saber, plataforma lançada no último mês com o apoio da organização, que assegura a privacidade de quem utiliza a LAI. Além deles, participaram da mesa Eduardo Nogueira, auditor do TCU, e Kátia Brasil, diretora da agência de jornalismo Amazônia Real.

Natália Mazotte, Luiz Fernando Toledo e Bruna Santos discutem jornalismo de dados em mesa do III Encontro Brasileiro de Governo Aberto

Já Natália Mazotte, diretora da OKBR, debateu alfabetização em dados com Bruna Santos, diretora de conhecimento e inovação da Comunitas, e Luiz Toledo, repórter do Estadão Dados. Os participantes abordaram os principais desafios e as estratégias utilizadas para levar letramento em dados a públicos não técnicos, como jornalistas e membros de organizações sociais. “As estratégias de abertura de dados e mobilização em prol de mais transparência pública precisam passar por pensar os usuários dos dados. Diminuir a brecha de letramento de dados entre atores da sociedade civil e nos próprios órgãos governamentais é essencial para que as políticas de governo aberto sejam realmente efetivas”, afirmou Natália. Ainda tivemos a participação de Neide de Sordi, conselheira da organização, na mesa sobre ciência aberta e livre acesso às publicações e aos dados de pesquisas. Segundo ela, é possível aproveitar a expansão do acesso à Internet para também expandir o acesso online e sem limitações às publicações de pesquisa e seus dados brutos, estimulando o uso de formatos e licenças abertas. Você pode ver a íntegra de todas as transmissões que foram feitas durante o encontro na página São Paulo Aberta. Flattr this!

3º Encontro Brasileiro de Governo Aberto acontece em São Paulo, na próxima semana

- November 30, 2018 in acesso à informação, colaboração, Destaque, Gastos Abertos, governo, governo aberto, Jornalismo de dados, LAI, Lei de acesso à informação, orçamento público, participação, sociedade civil, transparência

Dias 04 e 05 de dezembro marcam a realização do 3º Encontro Brasileiro de Governo Aberto. O evento será no Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112), em São Paulo, e busca fortalecer as relações entre as entidades em busca de um impulso democrático na governança das políticas públicas. Esta edição do encontro pretende reunir membros de organizações da sociedade civil, órgãos públicos, iniciativa privada, movimentos sociais, universidades e cidadãos em geral para debater e trocar experiências sobre os desafios para a promoção da transparência, da participação, da prestação de contas e das novas tecnologias no Brasil. Outro objetivo é aproximar Estado e sociedade civil em iniciativas e trabalhos futuros, assim como na manutenção e melhoria de práticas já existentes. Na programação do evento, que conta com atrações internacionais, os participantes encontram debates e atividades sobre dados abertos, gestão, privacidade, inteligência artificial, participação social, transparência ambiental, entre outros temas. A transparência também figura como um dos temas-chave da reunião, e em mesa com participação de Camille Moura, da Open Knowledge Brasil, serão debatidos os limites entre privacidade e publicidade de órgãos públicos, os novos desafios em torno do assunto e o que pode ser feito para fomentar ainda mais a prestação de contas e o uso da tecnologia e da participação popular. Confira a agenda completa do evento e faça sua inscrição para participar.

Sobre o Encontro Brasileiro de Governo Aberto

Os dois primeiros encontros, realizados em 2016 e 2017, em São Paulo, contaram com ampla participação e promoveram uma intensa troca de experiências sobre o tema. O sucesso das duas edições anteriores motivou a realização deste terceiro encontro, bem como a proposta de aprofundar as discussões temáticas e a ampliação dos parceiros envolvidos em sua realização. Neste ano, a fim de aumentar o alcance dos debates e contribuir mais ainda para o desenvolvimento da pauta de governo aberto no Brasil, as atividades do evento serão registradas e disponibilizadas em vídeo. O 3º Encontro Brasileiro de Governo Aberto é uma organização da Agenda Pública, Artigo 19, Ceweb.br/NIC.br, Fast Food da Política, Fórum de Gestão Compartilhada, Imaflora, Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União, Open Knowledge Brasil, e Prefeitura do Município de São Paulo – Controladoria Geral do Município e São Paulo Aberta. Flattr this!

Escola de Dados realiza Coda.Br nos dias 10 e 11 de novembro

- November 7, 2018 in academia, Coda.Br, conferência, dados, Destaque, Escola de Dados, Evento, Jornalismo de dados, Métodos Digitais, métricas, monitoramento

Mais de 40 palestrantes nacionais e internacionais estão confirmados para a terceira edição da Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais, Coda.Br, organizada pela Escola de Dados. O evento ocorre em São Paulo nos dias 10 e 11 de novembro, na ESPM. Confira a programação completa e inscreva-se no site: coda.escoladedados.org. O Coda.Br recebe Jeremy Merril da ProPublica, premiadíssimo veículo norte-americano de jornalismo investigativo; Alberto Cairo, referência internacional quando o assunto é visualização de informações; Fernanda Viegas, pesquisadora sênior do Google; Neale El-Dash, cientista político fundador do Polling Data; entre outras dezenas de especialistas já confirmados.   Como conseguir evidências ou boas histórias utilizando bases de dados públicas? Que tal criar mapas para visualizar sua informação espacialmente? Ou usar a linguagem R para analisar políticas governamentais? São mais de 60 horas de workshops, apresentações e oficinas práticas com convidados nacionais e internacionais. Não sabe por onde começar? O Coda.Br vai ter momentos de debates abertos e atividades introdutórias para ensinar a lidar com bases de dados massivas, usando Python ou SQL, por exemplo. Mas se você quer aprofundar, vale conferir as atividades sobre Machine Learning ou quem sabe se aventurar nos workshops de Estatística Avançada ou Processamento de Linguagem Natural aplicados ao jornalismo. Além das mesas e dos workshops práticos, o evento vai ter espaços de networking sobre dados abertos, bootcamps de 6h para quem deseja aprender a programar em Python ou R e sessões de mentoria no estilo “Traga seu problema”, onde os participantes vão poder tirar dúvidas de projetos em andamento ou já realizados. Ainda há ingressos disponíveis. Garanta já o seu aqui. (Dica: junte um grupo de quatro ou mais amigos, colegas de trabalho ou da faculdade, para conseguir descontos. Basta entrar em contato no e-mail de contato da Escola de Dados) Se você já está mais certo que as planilhas, confirme também no evento no Facebook e convide amigos por lá. Ajude a notícia a chegar em possíveis interessados e ampliar a comunidade de jornalistas e cientistas de dados no Brasil. Esperamos você lá! Flattr this!

Que tal comparar candidatos das eleições com o Perfil Político?

- September 26, 2018 in acesso à informação, brasil, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Destaque, eleições, governo, Jornalismo de dados, Open Knowledge Brasil, sociedade civil, transparência

Nesta semana, a Open Knowledge Brasil lança sua mais nova plataforma de inovação cívica: o Perfil Político. A ferramenta promete ajudar na checagem de informações na reta final da corrida eleitoral e é voltada para jornalistas e formadores de opiniões construírem pautas a partir da comparação dos históricos dos políticos. Pelo Perfil Político, é possível filtrar os políticos que já estão há mais tempo na vida pública e os que estão concorrendo pela primeira vez. Também é possível chegar a grupos sub-representados na maioria dos cargos, tanto para o legislativo quanto para o executivo, como mulheres, negros e indígenas. A partir dos filtros, o usuário consegue informações sobre as alianças políticas, evolução do patrimônio dos que já ocuparam cargos eletivos, troca-troca partidário, entre outras informações valiosas para quem precisa escolher entre milhares de candidatos e diferentes vieses ideológicos, já que o Brasil conta com 35 siglas partidárias. “Se queremos mais renovação, diversidade e ética na política, precisamos conhecer quem está na disputa. Primeiro, olhando o histórico do candidato. Depois, olhando o quanto seu perfil se diferencia daqueles que já ocupam o cargo em disputa”, afirma Natália Mazotte, diretora executiva da Open Knowledge Brasil e uma das idealizadoras do Perfil Político. O projeto usa ciência de dados para auxiliar eleitores na tomada de decisão. “Criamos um dos bancos de dados mais completos sobre os candidatos para entregar essas respostas, usando ciência de dados para melhor informar o eleitor”, comenta. Jornalistas e formadores de opinião, segundo Natália, podem potencializar o efeito do trabalho e alcançar ainda mais pessoas. Para construir a ferramenta, foram meses de trabalho de raspagem e tratamento de dados. O Perfil Político se abastece de fontes como o TSE e os portais da Câmara e do Senado. O projeto, porém, tem como objetivo se expandir, com mais dados, se tornando uma ferramenta de comparação mesmo após as eleições. “Hoje o que temos no Brasil é um cenário de muitos dados e informação, porém poucas delas sendo usadas pela sociedade civil. Nossa plataforma começa a cruzar essas informações para contar histórias mais interessantes e complexas”, afirma Eduardo Cuducos, líder técnico do projeto. O Perfil Político faz parte do Programa de Ciência de Dados para Inovação Cívica da Open Knowledge Brasil e conta com parte da equipe que lançou a Operação Serenata de Amor, projeto que há dois anos desenvolveu uma inteligência artificial capaz de auditar contas públicas e ajudar no controle social. Para experimentar a ferramentas, acesse: http://perfilpolitico.serenata.ai/. Flattr this!

Como foi o #OpenDataDay2018 em Maceió e em Porto Alegre

- March 8, 2018 in colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Eventos, governo, Internet, Jornalismo de dados, Lei de acesso à informação, Open Data Day, Open Knowledge Brasil, sociedade civil, transparência

Neste ano, o Open Data Day (Dia de Dados Abertos), celebrado no dia 3 de março, contou com 406 eventos registrados (segundo o mapa oficial do ODD). Para nós, da OKBR, essa iniciativa representa muito: é uma oportunidade verdadeira e prática para que pessoas do mundo inteiro possam ensinar e aprender sobre dados abertos. Significa fazer com que elas se empoderem e saibam mais que é possível tornar a sociedade mais transparente. Isso impulsiona a gente, o nosso trabalho. No Brasil, o dia contou com eventos em 9 cidades. Pra você ter o gostinho de como foi, Thiago Ávila, especialista em Transparência e Governo Aberto e orientador da equipe organizadora, conta um pouco sobre o ODD em Maceió (AL); e Marlise Brenol, professora da UFRGS e uma das organizadoras do evento, e Irio Musskopf, da equipe do Programa Ciência de Dados para Inovação Cívica da OKBR e fundador da Operação Serenata de Amor, dividem relatos sobre a edição em Porto Alegre (RS) do evento.   EM MACEIÓ (AL) O Open Data Day Maceió, ao contrário dos demais eventos, começou no dia 2 de março, seguindo até o dia 3. Representantes da academia, governo e setor privado interagiram em discussões sobre o uso de dados abertos para negócios e melhoria do cotidiano das pessoas. Thiago Ávila, especialista em Transparência e Governo Aberto, abriu o evento explicando o que são os dados abertos. Na palestra, ele apresentou conceitos e diversas bases de dados abertas disponíveis no Brasil e no mundo. Na sequência, as Secretarias de Planejamento e de Fazenda de Alagoas apresentaram suas bases de dados abertas. A SEFAZ disponibiliza APIs sobre os preços dos produtos comercializados nos estabelecimentos comerciais de Alagoas, dados sobre situação do contribuinte, dentre outros dados disponíveis no site (sefazal.github.io). Já a SEPLAG, além de coordenar o Portal Estadual de Dados Abertos em Alagoas (www.dados.al.gov.br), abriu os dados do Guia de Serviços do Governo de Alagoas  (www.servicos.al.gov.br), plataforma que cataloga os serviços governamentais. O encontro contou com palestras que preparam os participantes para um Hackathon – maratona de desenvolvimento de soluções baseados em dados abertos. Teve palestra sobre ferramentas de consumo de dados abertos, como as Qlikview, Qliksense e Pentaho. E a oficina de Modelo de Negócio com Canvas e de Raspagem de Dados, com a ferramenta Webscrapy. A equipe TurAdvise, formada por professores e alunos do Instituto Federal de Alagoas, venceu o hackathon. A aplicação tem como objetivo, a partir da base de dados abertos de atrativos turísticos de Alagoas, associar aos estabelecimentos que ofertam produtos e serviços nestes equipamentos, proporcionando um conhecimento especializado da oferta turística em Alagoas bem como incentivando os comerciantes a melhorarem os dados que informam a Secretaria da Fazenda – tais dados serão usados para melhorar a sua visibilidade no aplicativo.   EM PORTO ALEGRE (RS) Em Porto Alegre, o ODD contou com troca de conhecimentos sobre transparência pública como ferramenta para a democracia. O encontro aconteceu na sede da Unisinos e teve a participação de 65 pessoas interessadas na publicidade dos dados governamentais em ano eleitoral. Têmis Limberger, professora da Unisinos e procuradora do Ministério Público Estadual, foi a primeira a se apresentar. Ela deu uma aula sobre a Lei de Acesso à Informação e avaliação de transparência governamental:  “O que é a Lei de Acesso à Informação (LAI) e como ela se compara com o resto do mundo? Criação de rankings globais de transparência. Por que normalmente vemos países nórdicos no topo de qualquer ranking? Suécia, por exemplo, teve a sua própria LAI criada em 1266. Não é à toa que a Operação Serenata de Amor foi nomeada a partir de um caso de corrupção sueco.” “A compreensão da lei ajuda a cobrar e fiscalizar a adaptação dos órgãos públicos aos preceitos exigidos pela norma como publicação de um site interativo, disponibilidade de serviço de atendimento ao cidadão e fornecimento dos dados em formatos legíveis por máquinas”, diz Marlise Brenol, professora da UFRGS e uma das organizadoras do evento. Para falar sobre esse tema, o evento contou com a participação da Liliana Barcellos, subchefe de Ética da Casa Civil, e  Francine Ledur, auditora pública externa do TCE-RS. O governo do Rio Grande do Sul lançou recentemente o seu próprio site de dados abertos e reuniu coleções de dados de pesquisas realizadas pela Fundação de Economia e Estatística e outras do portal de transparência do Estado. Francine mostrou o estudo do TCE-RS que avalia a adaptação dos 497 municípios gaúchos à lei e o papel educador e orientador que  o tribunal de contas desempenha para garantir a inclusão dos dados por prefeituras. Em 2012, metade das Câmaras municipais não tinha site. Com uma metodologia que classifica cada Câmara em 80 critérios, a força-tarefa para avaliar os municípios vem alcançando melhorias a cada ano. Um auditor avalia o mesmo critério em todos os municípios para garantir que saberá como comparar entre um e outro. Francine fez dois pedidos à comunidade: – Fazer um fork do Plone para prefeituras, isto é, clonar a ferramenta para que cada uma delas possa utilizá-la de seu modo. O TCE-RS pode ajudar definindo o que é necessário em cada site; – Automatizar avaliação. Da mesma forma que temos sites para avaliar em diversos critérios a acessibilidade de um site e mostrar como as deficiências podem ser corrigidas, a ideia é criar isso para sites de Câmaras municipais. O uso de dados abertos no jornalismo também foi discutido. Em mesa mediada por Luciana Mielniczuk*, professora de jornalismo da UFRGS, os jornalistas Juliana Bublitz, do jornal Zero Hora, Livia Araújo, do Jornal do Comércio, e Francisco Amorin, da UFRGS e UniRitter, relataram suas experiências com o uso de dados abertos e portais de transparência na elaboração de notícias. Para acompanhar mais anotações do evento em Porto Alegre, confira o texto do Irio Musskopf.   E QUE VENHA ODD 2019 A Open Knowledge Brasil espera que no próximo ano, cada vez mais pessoas possam participar do Open Data Day, tornando a discussão sobre dados abertos ainda mais eficiente no país! *Luciana Mielniczuk faleceu no início desta semana. Nossos sentimentos a seus familiares, amigos e alunos. Flattr this!

1º Diálogos Gênero e Número acontece no Rio de Janeiro

- December 1, 2017 in Jornalismo Brasileiro, Jornalismo de dados, mulheres

Um dia inteiro dedicado a dados e fatos. No dia 5/12, das 10h às 17h, vai acontecer o 1º Diálogos Gênero e Número – Dados, Jornalismo e Arte para falar sobre Direitos”, no Parque das Ruínas, Rio de Janeiro (RJ). Natália Mazotte, cofundadora da Gênero e Número e codiretora da Open Knowledge Brasil, vai estar no evento para falar sobre o Lançamento da pesquisa Inédita: “Mulheres no Jornalismo Brasileiro”. O encontro, gratuito, vai ter espaço para aprender mais com reflexões e encontros sobre dados e fatos. O evento é uma realização da Gênero e Número, com apoio da Fundação Ford, Artigo 19, e parceria do Fundo Elas, da Agência Patrícia Galvão, Lamo (Laboratório de Modelos e Fabricação Digital)/UFRJ e ONU Mulheres.

Confira a programação

Programação terça, dia 5/12: 10h – 11h Diálogo 1: Olhando para os dados de ontem e hoje: desafios para um cenário de equidade de gênero Convidados/as Ana Paula Pellegrino (Instituto Igarapé) Flávia Oliveira (GloboNews, Estudio i e Radio CBN) Fábio Malini (Labic Ufes) mediação: Giulliana Bianconi (Gênero e Número); 11h05 – 12h05 Diálogo 2: Acesso à Informação e Direitos da mulher Convidadas Andrea Dip (Agência Pública), Lucia Xavier (Criola), KK Verdade (ELAS Fundo de Investimento Social) mediação: Paula Martins (ARTIGO 19); 12h10 – 13h10 Diálogo 3: Gênero, dados e direito à cidade Convidados/as Cecília Oliveira (Fogo Cruzado App e The Intercept Brasil), Amara Moira (Unicamp) José Eustáquio (ENCE = Escola Nacional de Ciências Estatísticas (IBGE) mediação: Gil Vieira (DataLabe) 13h15 – 14h15 Lançamento de pesquisa Inédita: Mulheres no Jornalismo Brasileiro (Gênero e Número e Abraji apresentam. Com participação da Artigo 19 e mediação da Fenaj). Alana Rizzo (Abraji) Maiá Menezes (O Globo) Natália Mazotte (Open Knowledge Brasil /cofundadora Gênero e Número) Thiago Herdy (Abraji) Paula Martins (Artigo 19) mediação: Fenaj. 14h15 – 14h45 Intervalo 14h45 – 15h45 Diálogo 4: Dados e identidade de gênero Convidados/as Jaqueline de Jesus (pesquisadora) Jacira Melo (Agência Patrícia Galvão) Fernanda Alves (cientista de dados no cLab/FLAG) mediação: Carolina de Assis. (Gênero e Número) 15h50 – 16h50 Diálogo 5: Indígenas e quilombolas: estatísticas de uma sobrevivência ameaçada Convidadas: Isabel Clavelin (ONU Mulheres Brasil) Selma Dealdina (Conaq Quilombos Do Brasil II) Simone Eloy (Conselho do Povo Terena) mediação: Natália Néris (InternetLab) 16h55 – 17h55 Diálogo 6: Como a arte pode ampliar debates e visibilizar dados Convidadas: Panmela Castro (artista/grafiteira) Bruna Linzmeyer (atriz) Cristina Algarra (Data Art/ El Faro) mediação: Maria Lutterbach (Gênero e Número) 18h – Hora do encerramento, com show aberto de Laura Lavieri.
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Último dia do Coda.Br faz reflexão sobre futuro do jornalismo de dados

- November 28, 2017 in bootcamp, Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais, Destaque, Escola de Dados, Inovação, Jornalismo de dados, Métodos Digitais, pesquisa, tecnologia

  O segundo dia do Coda.Br deste ano (26/11) foi aberto com uma discussão urgente e necessária: a transparência e a mediação dos algoritmos. A professora Fernanda Bruno, do MediaLab da UFRJ, ressaltou que os algoritmos são moderadores da nossa experiência. Ela pontuou, porém, que, em uma ‘rede sociotécnica’, ninguém age sozinho. “Os algoritmos, por serem opacos, são pouco permeáveis quando produzem um efeito enviesado”, disse. “A pergunta que a gente lança é: como permear os algoritmos que estão mediando nossa paisagem? Como que eu posso negociar com a nossa mediação? Não basta abrir a caixa preta e ver o código.” Jennifer Stark, cofundadora da Foxling, compartilhou uma análise de dados do tempo de espera do Uber em Washington, nos EUA. O que ela descobriu foi que conseguir um carro em áreas com predominância da população afro-americana demora muito mais do que no Centro ou em regiões com mais moradores brancos. Stark discutiu, a partir disso, como os algoritmos podem causar resultados enviesados. “Não precisamos seguir cegamente as recomendações dos algoritmos da Netflix, por exemplo”, lembrou.

Colaboração cidadã

Um dos destaques da conferência, Florência Coelho, editora do La Nación Data, apresentou as experiências colaborativas que o jornal argentino lançou para análise de grande quantidade de dados. Por meio da plataforma VozData, os jornalistas conseguiram verificar as gravações do ex-procurador federal assassinado Alberto Nisman, nas quais ele acusa a ex-presidente Cristina Kirchner de acobertar o envolvimento de terroristas iranianos em um atentado. Foram 40 mil áudios analisados, organizados posteriormente em playlists no site do jornal. Essa análise foi realizada por um time de voluntários. “Os voluntários eram alunos de Jornalismo, de Direito e de Ciências Políticas. Também tinha minha mãe e minha filha. Recrutei outros voluntários pelo meu Facebook e pelo Instagram”, relembrou. “Valeu muito a pena escutar todos esses 40 mil áudios”. A plataforma também permitiu que a equipe de dados analisasse em diferentes anos os gastos do senado argentino. Para estimular a participação dos cidadãos, o La Nación Data fez rankings dos ‘times’ que mais computavam dados de gastos dos parlamentares.

Presente e futuro do jornalismo de dados

O jornalista computacional da Universidade de Columbia Jonathan Stray deu aos participantes do Coda.Br um gostinho da ferramenta Workbench, ainda em fase beta. O ambiente online combina raspagem, análise e visualização de dados. Não é preciso ter experiência em programação para montar fluxos de trabalho com atualização automática, que podem produzir gráficos publicáveis ou uma live API. Durante a oficina “Workbench: a ferramenta do jornalista computacional”, Stray usou como exemplo os dados dos tweets do presidente americano, Donald Trump, fazendo instantaneamente um gráfico da frequência das publicações do republicano. Cada módulo é construído em Python, o que quer dizer que podem ser infinitamente extensíveis. Outros objetivos da ferramenta são aumentar a transparência e facilitar o trabalho dos jornalistas, segundo Stray. “Estamos tentando trazer toda a funcionalidade do Jupyter Notebook, mas com a facilidade de uso de uma planilha de Excel”, disse. “Um dos problemas para o jornalismo de dados é que existem muitas ferramentas, mas elas não se conectam. Então, muitas ferramentas ‘morrem’.” Os próximos passos para o time que desenvolve o Workbench junto com Stray são consertar os bugs e tornar a ferramenta ainda mais fácil de usar. “Um dos nossos objetivos é tornar a programação mais fácil para jornalistas que não sabem programar muito bem.” O jornalista americano também participou da mesa de encerramento do Coda.Br, “Qual evolução? Promessas quebradas e cumpridas pelo jornalismo de dados”. Ao lado da espanhola Mar Cabra, Stray listou os desafios que a prática enfrenta atualmente. Entre eles, está a contextualização correta dos dados. Nesse sentido, ele é crítico ao Wikileaks, que não fez uma boa mediação do conteúdo oferecido.“O Wikileaks é o ex-namorado da internet”, brincou Stray. Ele pontuou ainda que, apesar de vários problemas, o Wikileaks merece crédito por ter sido pioneiro em vazamentos. Cabra, que liderou a equipe de investigação do Panama Papers, acredita que os documentos obtidos pelo International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) perderão, em breve, o posto de maior vazamento de dados da história do jornalismo. Para ela, a quantidade de informações vazadas será cada vez maior. No entanto, ela ressaltou que é preciso ter uma perspectiva maior sobre vazamentos, de modo que as reportagens publicadas em diferentes ocasiões possam ser conectadas. “Estamos jogando bingo no jornalismo de dados”, disse, reforçando a necessidade de pensar além.

Cuidado com pesquisas eleitorais

O jornalismo usa com frequência as pesquisas eleitorais. Para esmiuçá-las, a CEO do Ibope, Márcia Cavallari, explicou alguns pontos importantes da produção delas. Márcia alertou, por exemplo, para o perigo de se olhar uma pesquisa específica sem compará-la com outras que saíram. Uma pesquisa sozinha não diz nada, segundo a CEO. Ela também se debruçou sobre o problema de credibilidade que os institutos têm enfrentado em todo o mundo. Não são poucos os candidatos que, a exemplo de Donald Trump nos Estados Unidos, surpreenderam as previsões. “As pessoas estão decidindo cada vez mais tarde”, apontou.

Apresentando bem os dados

O editor de infografia da Gazeta do Povo, Guilherme Storck, ensinou algumas formas práticas de elaborar infográficos e mapas. Por meio da ferramenta gratuita Tableau, Storck elaborou formatos diferentes e interessantes de visualização de dados – mostrando como cada um funciona de acordo com a informação que se quer passar. No workshop “#sexysemservulgar: Como tornar sua história de dados atraente”, a repórter da BBC Brasil Amanda Rossi compartilhou vários exemplos de matérias que conseguem aliar dados com boas histórias. “Hoje em dia nós competimos pela atenção das pessoas. E quando conseguimos que a pessoa clique no conteúdo, precisamos que elas leiam e entendam”, indicou. “Temos que ter essa constante busca para que a informação que vamos apresentar seja interessante, relevante o suficiente para contarmos as informações humanas que os dados destacam.”

Outros momentos

O Coda.Br também teve as jam sessions, idealizadas para dar espaço aos participantes para discutirem temas que envolvem o jornalismo de dados. Os temas foram:
  • Modelos de negócio com dados em pesquisa e jornalismo
  • Dados para análises de políticas públicas
  • Alfabetização em dados
  • Dados e fact-checking
  • Dados e vieses
  • Precisa saber programar?
Além disso, o evento contou com as seguintes palestras e workshops:
  • Algoritmos e robôs: aplicações e limites para o jornalismo ( com Jennifer Stark, Fernanda Bruno e Daniela Silva – moderadora)
  • Datastudio: seu ateliê virtual para visualizações interativas e colaborativas (com Marco Túlio Pires)
  • #sexysemservulgar: Como tornar sua história de dados atraente (com Amanda Rossi)
  • Visualizações interativas com D3 (com Thomaz Rezende)
  • Destrinchando as pesquisas eleitorais para analisar seus resultados sem errar (com Márcia Cavallari)
  • Desvendando fake news com o Lemonade (com Wagner Meira)
  • Desvendando os dados do IBGE (com Paulo Jannuzzi)
  • ctrl+c/ctrl+v nunca mais: raspando dados com Google Sheets e outras ferramentas (com Marco Túlio Pires)
  • Explorando dados de mobilidade urbana em R (com Haydee Svab)
  • Workbench: a ferramenta do jornalista computacional (com Jonathan Stray)
  • 60 ferramentas para trabalhar com dados em 90 minutos (com Natália Mazotte)
  • Dados inconsistentes? Expressão regular neles! (com Álvaro Justen)
  • Visualizando relações e comunidades com Gephi (com Fabio Malini)
  • Geojornalismo no hardnews: como virar visualização em mapas rapidamente usando o My Maps (com Marco Túlio Pires)
  • Visualização de dados: o básico, o rápido e o prático (com Guilherme Storck)
  • Como estruturar bases de dados de forma colaborativa (com Florência Coelho)
  • Introdução à linha de comando (com Álvaro Justen)
  • Monitoramento (Social Listening) para Jornalismo e Ciências Sociais (com Débora Zanini)
  • Lidando com dados públicos em Python (com Fernando Masaroni)
  • Data Wrangling em R (com Guilherme Jardim)
  • Qual revolução? Promessas quebradas e cumpridas pelo jornalismo de dados (com Jonathan Stray,  Mar Cabra e Rosental Calmon Alves (moderador).
Sobre o Coda.Br O Coda.Br — realizado pela Escola de Dados, em parceria com o Google News Lab — é o primeiro evento do Brasil focado em jornalismo de dados e reúne os melhores profissionais do mercado para trocar ensinamentos e experiências sobre a área. A conferência conta com a parceria da FAAP e apoio da Abraji, La Nación Data, Knight Center for Journalism in the Americas e Python Software Foundation.
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Primeiro dia do Coda.Br começa com discussão sobre eleições de 2018

- November 26, 2017 in Comunicação, Destaque, Escola de Dados, jornalismo, Jornalismo de dados

Com o auditório lotado, o Coda.Br começou na manhã deste sábado (25/11) na FAAP, em São Paulo (SP), com a mesa “Jornalismo de dados a serviço do combate à desinformação nas próximas eleições”. O debate teve a participação de Florencia Coelho (La Nación Data), Fábio Malini (UFES) e José Roberto Toledo (Estadão), com moderação de Daniel Bramatti (Estadão Dados). O Coda.Br – realizado pela Escola de Dados, em parceria com o Google News Lab – é o primeiro evento do Brasil focado em jornalismo de dados e reúne os melhores profissionais do mercado para trocar ensinamentos e experiências sobre a área. A conferência conta com a parceria da FAAP e apoio da Abraji, La Nación Data, Knight Center for Journalism in the Americas e Python Software Foundation. Na parte da manhã, os participantes tiveram a oportunidade de aprender mais sobre raspagem de dados, bibliotecas python, tratamento de dados, criptografia e análise de redes. Fernando Masanori, professor da FATEC de São José dos Campos, apresentou uma ferramenta que pode ser uma mão na roda para os jornalistas que ficam soterrados sob grandes bases de dados. É o Pandas, biblioteca de estruturação e análise de dados em Python. “É tão útil para ler microdados que parece bruxaria”, brincou o professor. “O Pandas permite ter uma visão geral que você não conseguiria vendo um pedacinho do dado. Com ele, consigo chegar a conclusões que não chegaria antes.” Masaroni garantiu que aprendeu Pandas em 10 minutos – e compartilhou um tutorial no GitHub para quem também quer usar a biblioteca. “Não precisa deixar de comer nem de dormir para aprender Pandas. É só deixar de tomar um café”, brincou. O coordenador do Google News Lab, Marco Túlio Pires, compartilhou dicas simples e complexas de pesquisa durante o workshop “Masterizando a pesquisa avançada do Google”. Entre elas, comandos específicos para facilitar a investigação de arquivos e a busca de documentos em diversos formatos. Para Luana Copini, assistente de comunicação da Rede Nossa São Paulo, o encontro foi produtivo por elucidar mecanismos de busca de diferentes níveis. “São ótimas ferramentas para o nosso dia a dia, inclusive para monitorar fake news, informações históricas.” No workshop “Com que dado eu vou?”, Tiago Mali (Abraji) apresentou aos alunos uma série de sites de transparência para investigar os dados públicos. Seja na área de saúde, com o Datasus, ou na de política, com os portais de transparência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Uma seção desses portais que costuma render boas pautas, segundo Mali, é a que expõe os gastos com cota parlamentar. “O Eduardo Cunha, por exemplo, usava dinheiro público para abastecer os carros privados dele”, citou. Além dessas atividades, aconteceram 16 workshops: < ul>
  • Faxina Jedi: como usar o Google Cloud Dataprep para limpar bases de dados (Marco Túlio Pires)
  • Criptografe! Ferramentas de segurança da informação para jornalistas (Joana Varon e Amarela)
  • Toolkit essencial do lobo solitário (Juan Torres)
  • Introdução à lógica de programação (Érika Campos)
  • Análise de Redes em Mídias Sociais: começando sem erros (Tarcízio Silva)
  • Eu robô’ no “Google Sheets: transforme seu processador de planilhas num repositório e raspador de dados sem gastar um tostão (Marco Túlio Pires)
  • Mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas (Daniel Mariani)
  • Entrevistando bases de dados para responder questões de gênero (Natália Mazzote)
  • Explorando dados de financiamento de campanha com SQL (Adriano Belisário)
  • Processamento de Linguagem Natural: aplicações em jornalismo e pesquisa (Ana Schwendler)
  • Masterizando a pesquisa avançada do Google (Marco Túlio Pires)
  • Histórias que sacamos de mapas (Daniel Bramatti)
  • Como construir transparência editorial em equipes de jornalismo de dados (Jennifer Stark)
  • Lava Data: ‘Lidando com dados sujos e mal estruturados com Open Refine (Natália Mazotte)
  • Github para jornalistas – repositório de dados e publicação de projetos (Sérgio Spagnuolo)
  • Graph Databases: Discutindo o Relacionamento dos seus Dados com Python (Nicolle Cysneiros)
    O primeiro dia da conferência acabou com as Lightning Talks, em que cada palestrante teve sete minutos para contar histórias de iniciativas inovadoras que aplicaram e ganharam destaque. A cofundadora do Nexo Jornal Renata Rizzi, por exemplo, explicou o processo de produção de alguns gráficos do site, que tem ocupado espaço importante no cenário de jornalismo de dados no país. “É preciso narrar bem o que está acontecendo, não só colocar uma observação com asterisco”, apontou.
    O Coda.Br continua no domingo (26/11). O dia começa com um tema bem específico – algoritmos e robôs – e termina propondo uma reflexão mais ampla sobre o futuro do jornalismo de dados. Acompanhe a cobertura pelo Twitter @escoladedados ou pelas hashtags #codabr e #aprendinocoda.
    Texto por: Equipe Coda.Br
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