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Como foi o #OpenDataDay2018 em Maceió e em Porto Alegre

Elza Maria Albuquerque - March 8, 2018 in colaboração, Conhecimento Livre, Dados Abertos, Eventos, governo, Internet, Jornalismo de dados, Lei de acesso à informação, Open Data Day, Open Knowledge Brasil, sociedade civil, transparência

Neste ano, o Open Data Day (Dia de Dados Abertos), celebrado no dia 3 de março, contou com 406 eventos registrados (segundo o mapa oficial do ODD). Para nós, da OKBR, essa iniciativa representa muito: é uma oportunidade verdadeira e prática para que pessoas do mundo inteiro possam ensinar e aprender sobre dados abertos. Significa fazer com que elas se empoderem e saibam mais que é possível tornar a sociedade mais transparente. Isso impulsiona a gente, o nosso trabalho. No Brasil, o dia contou com eventos em 9 cidades. Pra você ter o gostinho de como foi, Thiago Ávila, especialista em Transparência e Governo Aberto e orientador da equipe organizadora, conta um pouco sobre o ODD em Maceió (AL); e Marlise Brenol, professora da UFRGS e uma das organizadoras do evento, e Irio Musskopf, da equipe do Programa Ciência de Dados para Inovação Cívica da OKBR e fundador da Operação Serenata de Amor, dividem relatos sobre a edição em Porto Alegre (RS) do evento.   EM MACEIÓ (AL) O Open Data Day Maceió, ao contrário dos demais eventos, começou no dia 2 de março, seguindo até o dia 3. Representantes da academia, governo e setor privado interagiram em discussões sobre o uso de dados abertos para negócios e melhoria do cotidiano das pessoas. Thiago Ávila, especialista em Transparência e Governo Aberto, abriu o evento explicando o que são os dados abertos. Na palestra, ele apresentou conceitos e diversas bases de dados abertas disponíveis no Brasil e no mundo. Na sequência, as Secretarias de Planejamento e de Fazenda de Alagoas apresentaram suas bases de dados abertas. A SEFAZ disponibiliza APIs sobre os preços dos produtos comercializados nos estabelecimentos comerciais de Alagoas, dados sobre situação do contribuinte, dentre outros dados disponíveis no site (sefazal.github.io). Já a SEPLAG, além de coordenar o Portal Estadual de Dados Abertos em Alagoas (www.dados.al.gov.br), abriu os dados do Guia de Serviços do Governo de Alagoas  (www.servicos.al.gov.br), plataforma que cataloga os serviços governamentais. O encontro contou com palestras que preparam os participantes para um Hackathon – maratona de desenvolvimento de soluções baseados em dados abertos. Teve palestra sobre ferramentas de consumo de dados abertos, como as Qlikview, Qliksense e Pentaho. E a oficina de Modelo de Negócio com Canvas e de Raspagem de Dados, com a ferramenta Webscrapy. A equipe TurAdvise, formada por professores e alunos do Instituto Federal de Alagoas, venceu o hackathon. A aplicação tem como objetivo, a partir da base de dados abertos de atrativos turísticos de Alagoas, associar aos estabelecimentos que ofertam produtos e serviços nestes equipamentos, proporcionando um conhecimento especializado da oferta turística em Alagoas bem como incentivando os comerciantes a melhorarem os dados que informam a Secretaria da Fazenda – tais dados serão usados para melhorar a sua visibilidade no aplicativo.   EM PORTO ALEGRE (RS) Em Porto Alegre, o ODD contou com troca de conhecimentos sobre transparência pública como ferramenta para a democracia. O encontro aconteceu na sede da Unisinos e teve a participação de 65 pessoas interessadas na publicidade dos dados governamentais em ano eleitoral. Têmis Limberger, professora da Unisinos e procuradora do Ministério Público Estadual, foi a primeira a se apresentar. Ela deu uma aula sobre a Lei de Acesso à Informação e avaliação de transparência governamental:  “O que é a Lei de Acesso à Informação (LAI) e como ela se compara com o resto do mundo? Criação de rankings globais de transparência. Por que normalmente vemos países nórdicos no topo de qualquer ranking? Suécia, por exemplo, teve a sua própria LAI criada em 1266. Não é à toa que a Operação Serenata de Amor foi nomeada a partir de um caso de corrupção sueco.” “A compreensão da lei ajuda a cobrar e fiscalizar a adaptação dos órgãos públicos aos preceitos exigidos pela norma como publicação de um site interativo, disponibilidade de serviço de atendimento ao cidadão e fornecimento dos dados em formatos legíveis por máquinas”, diz Marlise Brenol, professora da UFRGS e uma das organizadoras do evento. Para falar sobre esse tema, o evento contou com a participação da Liliana Barcellos, subchefe de Ética da Casa Civil, e  Francine Ledur, auditora pública externa do TCE-RS. O governo do Rio Grande do Sul lançou recentemente o seu próprio site de dados abertos e reuniu coleções de dados de pesquisas realizadas pela Fundação de Economia e Estatística e outras do portal de transparência do Estado. Francine mostrou o estudo do TCE-RS que avalia a adaptação dos 497 municípios gaúchos à lei e o papel educador e orientador que  o tribunal de contas desempenha para garantir a inclusão dos dados por prefeituras. Em 2012, metade das Câmaras municipais não tinha site. Com uma metodologia que classifica cada Câmara em 80 critérios, a força-tarefa para avaliar os municípios vem alcançando melhorias a cada ano. Um auditor avalia o mesmo critério em todos os municípios para garantir que saberá como comparar entre um e outro. Francine fez dois pedidos à comunidade: – Fazer um fork do Plone para prefeituras, isto é, clonar a ferramenta para que cada uma delas possa utilizá-la de seu modo. O TCE-RS pode ajudar definindo o que é necessário em cada site; – Automatizar avaliação. Da mesma forma que temos sites para avaliar em diversos critérios a acessibilidade de um site e mostrar como as deficiências podem ser corrigidas, a ideia é criar isso para sites de Câmaras municipais. O uso de dados abertos no jornalismo também foi discutido. Em mesa mediada por Luciana Mielniczuk*, professora de jornalismo da UFRGS, os jornalistas Juliana Bublitz, do jornal Zero Hora, Livia Araújo, do Jornal do Comércio, e Francisco Amorin, da UFRGS e UniRitter, relataram suas experiências com o uso de dados abertos e portais de transparência na elaboração de notícias. Para acompanhar mais anotações do evento em Porto Alegre, confira o texto do Irio Musskopf.   E QUE VENHA ODD 2019 A Open Knowledge Brasil espera que no próximo ano, cada vez mais pessoas possam participar do Open Data Day, tornando a discussão sobre dados abertos ainda mais eficiente no país! *Luciana Mielniczuk faleceu no início desta semana. Nossos sentimentos a seus familiares, amigos e alunos. Flattr this!

1º Diálogos Gênero e Número acontece no Rio de Janeiro

Elza Maria Albuquerque - December 1, 2017 in Jornalismo Brasileiro, Jornalismo de dados, mulheres

Um dia inteiro dedicado a dados e fatos. No dia 5/12, das 10h às 17h, vai acontecer o 1º Diálogos Gênero e Número – Dados, Jornalismo e Arte para falar sobre Direitos”, no Parque das Ruínas, Rio de Janeiro (RJ). Natália Mazotte, cofundadora da Gênero e Número e codiretora da Open Knowledge Brasil, vai estar no evento para falar sobre o Lançamento da pesquisa Inédita: “Mulheres no Jornalismo Brasileiro”. O encontro, gratuito, vai ter espaço para aprender mais com reflexões e encontros sobre dados e fatos. O evento é uma realização da Gênero e Número, com apoio da Fundação Ford, Artigo 19, e parceria do Fundo Elas, da Agência Patrícia Galvão, Lamo (Laboratório de Modelos e Fabricação Digital)/UFRJ e ONU Mulheres.

Confira a programação

Programação terça, dia 5/12: 10h – 11h Diálogo 1: Olhando para os dados de ontem e hoje: desafios para um cenário de equidade de gênero Convidados/as Ana Paula Pellegrino (Instituto Igarapé) Flávia Oliveira (GloboNews, Estudio i e Radio CBN) Fábio Malini (Labic Ufes) mediação: Giulliana Bianconi (Gênero e Número); 11h05 – 12h05 Diálogo 2: Acesso à Informação e Direitos da mulher Convidadas Andrea Dip (Agência Pública), Lucia Xavier (Criola), KK Verdade (ELAS Fundo de Investimento Social) mediação: Paula Martins (ARTIGO 19); 12h10 – 13h10 Diálogo 3: Gênero, dados e direito à cidade Convidados/as Cecília Oliveira (Fogo Cruzado App e The Intercept Brasil), Amara Moira (Unicamp) José Eustáquio (ENCE = Escola Nacional de Ciências Estatísticas (IBGE) mediação: Gil Vieira (DataLabe) 13h15 – 14h15 Lançamento de pesquisa Inédita: Mulheres no Jornalismo Brasileiro (Gênero e Número e Abraji apresentam. Com participação da Artigo 19 e mediação da Fenaj). Alana Rizzo (Abraji) Maiá Menezes (O Globo) Natália Mazotte (Open Knowledge Brasil /cofundadora Gênero e Número) Thiago Herdy (Abraji) Paula Martins (Artigo 19) mediação: Fenaj. 14h15 – 14h45 Intervalo 14h45 – 15h45 Diálogo 4: Dados e identidade de gênero Convidados/as Jaqueline de Jesus (pesquisadora) Jacira Melo (Agência Patrícia Galvão) Fernanda Alves (cientista de dados no cLab/FLAG) mediação: Carolina de Assis. (Gênero e Número) 15h50 – 16h50 Diálogo 5: Indígenas e quilombolas: estatísticas de uma sobrevivência ameaçada Convidadas: Isabel Clavelin (ONU Mulheres Brasil) Selma Dealdina (Conaq Quilombos Do Brasil II) Simone Eloy (Conselho do Povo Terena) mediação: Natália Néris (InternetLab) 16h55 – 17h55 Diálogo 6: Como a arte pode ampliar debates e visibilizar dados Convidadas: Panmela Castro (artista/grafiteira) Bruna Linzmeyer (atriz) Cristina Algarra (Data Art/ El Faro) mediação: Maria Lutterbach (Gênero e Número) 18h – Hora do encerramento, com show aberto de Laura Lavieri.
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Último dia do Coda.Br faz reflexão sobre futuro do jornalismo de dados

Elza Maria Albuquerque - November 28, 2017 in bootcamp, Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais, Destaque, Escola de Dados, Inovação, Jornalismo de dados, Métodos Digitais, pesquisa, tecnologia

  O segundo dia do Coda.Br deste ano (26/11) foi aberto com uma discussão urgente e necessária: a transparência e a mediação dos algoritmos. A professora Fernanda Bruno, do MediaLab da UFRJ, ressaltou que os algoritmos são moderadores da nossa experiência. Ela pontuou, porém, que, em uma ‘rede sociotécnica’, ninguém age sozinho. “Os algoritmos, por serem opacos, são pouco permeáveis quando produzem um efeito enviesado”, disse. “A pergunta que a gente lança é: como permear os algoritmos que estão mediando nossa paisagem? Como que eu posso negociar com a nossa mediação? Não basta abrir a caixa preta e ver o código.” Jennifer Stark, cofundadora da Foxling, compartilhou uma análise de dados do tempo de espera do Uber em Washington, nos EUA. O que ela descobriu foi que conseguir um carro em áreas com predominância da população afro-americana demora muito mais do que no Centro ou em regiões com mais moradores brancos. Stark discutiu, a partir disso, como os algoritmos podem causar resultados enviesados. “Não precisamos seguir cegamente as recomendações dos algoritmos da Netflix, por exemplo”, lembrou.

Colaboração cidadã

Um dos destaques da conferência, Florência Coelho, editora do La Nación Data, apresentou as experiências colaborativas que o jornal argentino lançou para análise de grande quantidade de dados. Por meio da plataforma VozData, os jornalistas conseguiram verificar as gravações do ex-procurador federal assassinado Alberto Nisman, nas quais ele acusa a ex-presidente Cristina Kirchner de acobertar o envolvimento de terroristas iranianos em um atentado. Foram 40 mil áudios analisados, organizados posteriormente em playlists no site do jornal. Essa análise foi realizada por um time de voluntários. “Os voluntários eram alunos de Jornalismo, de Direito e de Ciências Políticas. Também tinha minha mãe e minha filha. Recrutei outros voluntários pelo meu Facebook e pelo Instagram”, relembrou. “Valeu muito a pena escutar todos esses 40 mil áudios”. A plataforma também permitiu que a equipe de dados analisasse em diferentes anos os gastos do senado argentino. Para estimular a participação dos cidadãos, o La Nación Data fez rankings dos ‘times’ que mais computavam dados de gastos dos parlamentares.

Presente e futuro do jornalismo de dados

O jornalista computacional da Universidade de Columbia Jonathan Stray deu aos participantes do Coda.Br um gostinho da ferramenta Workbench, ainda em fase beta. O ambiente online combina raspagem, análise e visualização de dados. Não é preciso ter experiência em programação para montar fluxos de trabalho com atualização automática, que podem produzir gráficos publicáveis ou uma live API. Durante a oficina “Workbench: a ferramenta do jornalista computacional”, Stray usou como exemplo os dados dos tweets do presidente americano, Donald Trump, fazendo instantaneamente um gráfico da frequência das publicações do republicano. Cada módulo é construído em Python, o que quer dizer que podem ser infinitamente extensíveis. Outros objetivos da ferramenta são aumentar a transparência e facilitar o trabalho dos jornalistas, segundo Stray. “Estamos tentando trazer toda a funcionalidade do Jupyter Notebook, mas com a facilidade de uso de uma planilha de Excel”, disse. “Um dos problemas para o jornalismo de dados é que existem muitas ferramentas, mas elas não se conectam. Então, muitas ferramentas ‘morrem’.” Os próximos passos para o time que desenvolve o Workbench junto com Stray são consertar os bugs e tornar a ferramenta ainda mais fácil de usar. “Um dos nossos objetivos é tornar a programação mais fácil para jornalistas que não sabem programar muito bem.” O jornalista americano também participou da mesa de encerramento do Coda.Br, “Qual evolução? Promessas quebradas e cumpridas pelo jornalismo de dados”. Ao lado da espanhola Mar Cabra, Stray listou os desafios que a prática enfrenta atualmente. Entre eles, está a contextualização correta dos dados. Nesse sentido, ele é crítico ao Wikileaks, que não fez uma boa mediação do conteúdo oferecido.“O Wikileaks é o ex-namorado da internet”, brincou Stray. Ele pontuou ainda que, apesar de vários problemas, o Wikileaks merece crédito por ter sido pioneiro em vazamentos. Cabra, que liderou a equipe de investigação do Panama Papers, acredita que os documentos obtidos pelo International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) perderão, em breve, o posto de maior vazamento de dados da história do jornalismo. Para ela, a quantidade de informações vazadas será cada vez maior. No entanto, ela ressaltou que é preciso ter uma perspectiva maior sobre vazamentos, de modo que as reportagens publicadas em diferentes ocasiões possam ser conectadas. “Estamos jogando bingo no jornalismo de dados”, disse, reforçando a necessidade de pensar além.

Cuidado com pesquisas eleitorais

O jornalismo usa com frequência as pesquisas eleitorais. Para esmiuçá-las, a CEO do Ibope, Márcia Cavallari, explicou alguns pontos importantes da produção delas. Márcia alertou, por exemplo, para o perigo de se olhar uma pesquisa específica sem compará-la com outras que saíram. Uma pesquisa sozinha não diz nada, segundo a CEO. Ela também se debruçou sobre o problema de credibilidade que os institutos têm enfrentado em todo o mundo. Não são poucos os candidatos que, a exemplo de Donald Trump nos Estados Unidos, surpreenderam as previsões. “As pessoas estão decidindo cada vez mais tarde”, apontou.

Apresentando bem os dados

O editor de infografia da Gazeta do Povo, Guilherme Storck, ensinou algumas formas práticas de elaborar infográficos e mapas. Por meio da ferramenta gratuita Tableau, Storck elaborou formatos diferentes e interessantes de visualização de dados – mostrando como cada um funciona de acordo com a informação que se quer passar. No workshop “#sexysemservulgar: Como tornar sua história de dados atraente”, a repórter da BBC Brasil Amanda Rossi compartilhou vários exemplos de matérias que conseguem aliar dados com boas histórias. “Hoje em dia nós competimos pela atenção das pessoas. E quando conseguimos que a pessoa clique no conteúdo, precisamos que elas leiam e entendam”, indicou. “Temos que ter essa constante busca para que a informação que vamos apresentar seja interessante, relevante o suficiente para contarmos as informações humanas que os dados destacam.”

Outros momentos

O Coda.Br também teve as jam sessions, idealizadas para dar espaço aos participantes para discutirem temas que envolvem o jornalismo de dados. Os temas foram:
  • Modelos de negócio com dados em pesquisa e jornalismo
  • Dados para análises de políticas públicas
  • Alfabetização em dados
  • Dados e fact-checking
  • Dados e vieses
  • Precisa saber programar?
Além disso, o evento contou com as seguintes palestras e workshops:
  • Algoritmos e robôs: aplicações e limites para o jornalismo ( com Jennifer Stark, Fernanda Bruno e Daniela Silva – moderadora)
  • Datastudio: seu ateliê virtual para visualizações interativas e colaborativas (com Marco Túlio Pires)
  • #sexysemservulgar: Como tornar sua história de dados atraente (com Amanda Rossi)
  • Visualizações interativas com D3 (com Thomaz Rezende)
  • Destrinchando as pesquisas eleitorais para analisar seus resultados sem errar (com Márcia Cavallari)
  • Desvendando fake news com o Lemonade (com Wagner Meira)
  • Desvendando os dados do IBGE (com Paulo Jannuzzi)
  • ctrl+c/ctrl+v nunca mais: raspando dados com Google Sheets e outras ferramentas (com Marco Túlio Pires)
  • Explorando dados de mobilidade urbana em R (com Haydee Svab)
  • Workbench: a ferramenta do jornalista computacional (com Jonathan Stray)
  • 60 ferramentas para trabalhar com dados em 90 minutos (com Natália Mazotte)
  • Dados inconsistentes? Expressão regular neles! (com Álvaro Justen)
  • Visualizando relações e comunidades com Gephi (com Fabio Malini)
  • Geojornalismo no hardnews: como virar visualização em mapas rapidamente usando o My Maps (com Marco Túlio Pires)
  • Visualização de dados: o básico, o rápido e o prático (com Guilherme Storck)
  • Como estruturar bases de dados de forma colaborativa (com Florência Coelho)
  • Introdução à linha de comando (com Álvaro Justen)
  • Monitoramento (Social Listening) para Jornalismo e Ciências Sociais (com Débora Zanini)
  • Lidando com dados públicos em Python (com Fernando Masaroni)
  • Data Wrangling em R (com Guilherme Jardim)
  • Qual revolução? Promessas quebradas e cumpridas pelo jornalismo de dados (com Jonathan Stray,  Mar Cabra e Rosental Calmon Alves (moderador).
Sobre o Coda.Br O Coda.Br — realizado pela Escola de Dados, em parceria com o Google News Lab — é o primeiro evento do Brasil focado em jornalismo de dados e reúne os melhores profissionais do mercado para trocar ensinamentos e experiências sobre a área. A conferência conta com a parceria da FAAP e apoio da Abraji, La Nación Data, Knight Center for Journalism in the Americas e Python Software Foundation.
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Primeiro dia do Coda.Br começa com discussão sobre eleições de 2018

Elza Maria Albuquerque - November 26, 2017 in Comunicação, Destaque, Escola de Dados, jornalismo, Jornalismo de dados

Com o auditório lotado, o Coda.Br começou na manhã deste sábado (25/11) na FAAP, em São Paulo (SP), com a mesa “Jornalismo de dados a serviço do combate à desinformação nas próximas eleições”. O debate teve a participação de Florencia Coelho (La Nación Data), Fábio Malini (UFES) e José Roberto Toledo (Estadão), com moderação de Daniel Bramatti (Estadão Dados). O Coda.Br – realizado pela Escola de Dados, em parceria com o Google News Lab – é o primeiro evento do Brasil focado em jornalismo de dados e reúne os melhores profissionais do mercado para trocar ensinamentos e experiências sobre a área. A conferência conta com a parceria da FAAP e apoio da Abraji, La Nación Data, Knight Center for Journalism in the Americas e Python Software Foundation. Na parte da manhã, os participantes tiveram a oportunidade de aprender mais sobre raspagem de dados, bibliotecas python, tratamento de dados, criptografia e análise de redes. Fernando Masanori, professor da FATEC de São José dos Campos, apresentou uma ferramenta que pode ser uma mão na roda para os jornalistas que ficam soterrados sob grandes bases de dados. É o Pandas, biblioteca de estruturação e análise de dados em Python. “É tão útil para ler microdados que parece bruxaria”, brincou o professor. “O Pandas permite ter uma visão geral que você não conseguiria vendo um pedacinho do dado. Com ele, consigo chegar a conclusões que não chegaria antes.” Masaroni garantiu que aprendeu Pandas em 10 minutos – e compartilhou um tutorial no GitHub para quem também quer usar a biblioteca. “Não precisa deixar de comer nem de dormir para aprender Pandas. É só deixar de tomar um café”, brincou. O coordenador do Google News Lab, Marco Túlio Pires, compartilhou dicas simples e complexas de pesquisa durante o workshop “Masterizando a pesquisa avançada do Google”. Entre elas, comandos específicos para facilitar a investigação de arquivos e a busca de documentos em diversos formatos. Para Luana Copini, assistente de comunicação da Rede Nossa São Paulo, o encontro foi produtivo por elucidar mecanismos de busca de diferentes níveis. “São ótimas ferramentas para o nosso dia a dia, inclusive para monitorar fake news, informações históricas.” No workshop “Com que dado eu vou?”, Tiago Mali (Abraji) apresentou aos alunos uma série de sites de transparência para investigar os dados públicos. Seja na área de saúde, com o Datasus, ou na de política, com os portais de transparência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Uma seção desses portais que costuma render boas pautas, segundo Mali, é a que expõe os gastos com cota parlamentar. “O Eduardo Cunha, por exemplo, usava dinheiro público para abastecer os carros privados dele”, citou. Além dessas atividades, aconteceram 16 workshops: < ul>
  • Faxina Jedi: como usar o Google Cloud Dataprep para limpar bases de dados (Marco Túlio Pires)
  • Criptografe! Ferramentas de segurança da informação para jornalistas (Joana Varon e Amarela)
  • Toolkit essencial do lobo solitário (Juan Torres)
  • Introdução à lógica de programação (Érika Campos)
  • Análise de Redes em Mídias Sociais: começando sem erros (Tarcízio Silva)
  • Eu robô’ no “Google Sheets: transforme seu processador de planilhas num repositório e raspador de dados sem gastar um tostão (Marco Túlio Pires)
  • Mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas (Daniel Mariani)
  • Entrevistando bases de dados para responder questões de gênero (Natália Mazzote)
  • Explorando dados de financiamento de campanha com SQL (Adriano Belisário)
  • Processamento de Linguagem Natural: aplicações em jornalismo e pesquisa (Ana Schwendler)
  • Masterizando a pesquisa avançada do Google (Marco Túlio Pires)
  • Histórias que sacamos de mapas (Daniel Bramatti)
  • Como construir transparência editorial em equipes de jornalismo de dados (Jennifer Stark)
  • Lava Data: ‘Lidando com dados sujos e mal estruturados com Open Refine (Natália Mazotte)
  • Github para jornalistas – repositório de dados e publicação de projetos (Sérgio Spagnuolo)
  • Graph Databases: Discutindo o Relacionamento dos seus Dados com Python (Nicolle Cysneiros)
    O primeiro dia da conferência acabou com as Lightning Talks, em que cada palestrante teve sete minutos para contar histórias de iniciativas inovadoras que aplicaram e ganharam destaque. A cofundadora do Nexo Jornal Renata Rizzi, por exemplo, explicou o processo de produção de alguns gráficos do site, que tem ocupado espaço importante no cenário de jornalismo de dados no país. “É preciso narrar bem o que está acontecendo, não só colocar uma observação com asterisco”, apontou.
    O Coda.Br continua no domingo (26/11). O dia começa com um tema bem específico – algoritmos e robôs – e termina propondo uma reflexão mais ampla sobre o futuro do jornalismo de dados. Acompanhe a cobertura pelo Twitter @escoladedados ou pelas hashtags #codabr e #aprendinocoda.
    Texto por: Equipe Coda.Br
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    Últimas vagas para a Conferência de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais

    Elza Maria Albuquerque - November 10, 2017 in Coda.Br, Destaque, Jornalismo de dados

      A hora é agora para quem quiser participar da segunda edição da Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais (Coda.Br). Ainda há vagas para o evento que vai acontecer nos dias 25 e 26 de novembro, no campus da FAAP, em São Paulo (SP). O encontro é o primeiro do Brasil com foco em jornalismo de dados. O objetivo é reunir os melhores profissionais do mercado para trocar ensinamentos e experiências sobre a área. A conferência conta com o apoio da Abraji, do La Nación Data, do Knight Center for Journalism in the Americas e da Python Software Foundation. A ideia é que os participantes – iniciantes ou avançados em jornalismo de dados – possam colocar a mão na massa, compartilhar conhecimento, aprender, expandir o networking, refletir e sair do evento prontos para melhorar ou tirar do papel seus projetos guiados por dados. Referências internacionais em jornalismo de dados vão participar do Coda.Br – como Mar Cabra, que liderou a equipe responsável pelos Panama Papers no ICIJ, Jonathan Stray, jornalista computacional da Universidade de Columbia com passagens pelas equipes de dados do New York Times e da ProPublica, Momi Peralta, líder do La Nación Data da Argentina, a mais premiada equipe de jornalismo de dados da América Latina, e Jennifer Stark, jornalista computacional da Universidade de Maryland, com publicações em veículos como Washington Post e Vice.

    Dinâmica do evento

    Ao todo, serão mais de 30 workshops em oito salas paralelas com treinadores especializados em habilidades e ferramentas de pesquisa e jornalismo guiado por dados. Rodas de debate com jornalistas e pesquisadores nacionais e internacionais sobre responsabilidade algorítmica, machine learning, privacidade, o futuro do jornalismo de dados, entre outros temas. O valor das inscrições é de R$ 325 para profissionais e R$ 220 para estudantes. As inscrições podem ser realizadas no site do evento.
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    Últimas vagas para a Conferência de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais

    Elza Maria Albuquerque - November 10, 2017 in Coda.Br, Destaque, Jornalismo de dados

      A hora é agora para quem quiser participar da segunda edição da Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais (Coda.Br). Ainda há vagas para o evento que vai acontecer nos dias 25 e 26 de novembro, no campus da FAAP, em São Paulo (SP). O encontro é o primeiro do Brasil com foco em jornalismo de dados. O objetivo é reunir os melhores profissionais do mercado para trocar ensinamentos e experiências sobre a área. A conferência conta com o apoio da Abraji, do La Nación Data, do Knight Center for Journalism in the Americas e da Python Software Foundation. A ideia é que os participantes – iniciantes ou avançados em jornalismo de dados – possam colocar a mão na massa, compartilhar conhecimento, aprender, expandir o networking, refletir e sair do evento prontos para melhorar ou tirar do papel seus projetos guiados por dados. Referências internacionais em jornalismo de dados vão participar do Coda.Br – como Mar Cabra, que liderou a equipe responsável pelos Panama Papers no ICIJ, Jonathan Stray, jornalista computacional da Universidade de Columbia com passagens pelas equipes de dados do New York Times e da ProPublica, Momi Peralta, líder do La Nación Data da Argentina, a mais premiada equipe de jornalismo de dados da América Latina, e Jennifer Stark, jornalista computacional da Universidade de Maryland, com publicações em veículos como Washington Post e Vice.

    Dinâmica do evento

    Ao todo, serão mais de 30 workshops em oito salas paralelas com treinadores especializados em habilidades e ferramentas de pesquisa e jornalismo guiado por dados. Rodas de debate com jornalistas e pesquisadores nacionais e internacionais sobre responsabilidade algorítmica, machine learning, privacidade, o futuro do jornalismo de dados, entre outros temas. O valor das inscrições é de R$ 325 para profissionais e R$ 220 para estudantes. As inscrições podem ser realizadas no site do evento.
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    Brasil ganha festival de jornalismo inovador

    Elza Maria Albuquerque - October 28, 2017 in Jornalismo de dados

    De olho no futuro da informação, as plataformas Agência Lupa, Agência Pública, BRIO, JOTA, Nexo, Nova Escola, Ponte Jornalismo e Repórter Brasil se uniram ao Google News Lab para realizar o Festival 3i – Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente. O evento, que acontece nos dias 11 e 12 de novembro no Rio de Janeiro (RJ), é voltado para jornalistas, empreendedores em geral, donos de startups, comunicadores e estudantes. A programação será aberta e os ingressos serão vendidos por meio da página do Sympla. Entre vários temas, o Festival abre espaço para que os participantes saibam mais sobre financiamento independente e sustentabilidade, modelos de negócio, tecnologia aplicada ao jornalismo, polarização nas redes sociais e fact-checking. Entre os convidados internacionais, estão o norte-americano Glenn Greenwald, fundador de The Intercept Brasil, a inglesa Claire Wardle, do Cross Check, projeto que reuniu organizações para checar os presidenciáveis na França, a norte-americana vencedora do prêmio Pulitzer Angie Holan, do Politifact, maior site de checagem do mundo, José Luis Pardo, do projeto En Malos Pasos, que cobre violência em sete países no continente, Martin Pellecer, diretor do site guatemalteco Nómada, e a portuguesa Mariana Santos, diretora da rede Chicas Poderosas. Além deles, também vão participar do Festival: o ator Gregório Duvivier, que apresenta o “Greg News” no canal HBO, primeiro jornal satírico da TV brasileira, Ana Estela de Sousa Pinto, repórter especial da Folha de São Paulo, Pablo Ortellado, pesquisador da USP, Marco Túlio Pires, coordenador do Google News Lab no Brasil, Luis Alt, do Design Thinking Brasil e Pedro Dória, fundador da newsletter Meio.

    Um festival urgente e necessário

    Ao longo dos últimos três anos, o cenário de mídia tem vivenciado um crescimento na quantidade de sites, assim como na sua influência, o que permite falar de uma nova geração de jornalistas empreendedores, com cultura e necessidades próprias. Um levantamento feito pela organização norte-americana Sembramedia conseguiu mapear com detalhe 100 meios na América Latina. A pesquisa constatou que 62 destes meios foram fundados por pelo menos uma mulher, um padrão diferente da imprensa tradicional. O estudo avalia que essas organizações têm aumentado em quantidade, qualidade e impacto nos últimos anos, vencendo prêmios significativos como o Pulitzer, o Gabriel García Marquez e o prêmio de excelência da Online News Association. Além de cobrir temas como narcotráfico, política e corrupção, esses sites também dedicam especial atenção a temas pouco cobertos pela mídia tradicional, como minorias e direitos humanos. Ao lidar com essas questões, os novos veículos passam a questionar os tradicionais limites entre ativismo e jornalismo, tema do debate levantado pela Ponte. “Queremos discutir se ainda cabe ao jornalista buscar a verdade ou só lhe resta ser parte da guerra de narrativas”, afirma Fausto Salvadori, da Ponte. Apesar disso, o maior desafio é a sustentabilidade financeira, aponta o estudo. “Ter um profissional preparado para administrar o negócio pode fazer a diferença entre conseguir avançar ou não conseguir tirar os planos do papel”, completa Felipe Seligman, fundador do site Jota. Outro problema relatado pelos entrevistados da pesquisa da Sembramedia são as pressões de anunciantes governamentais, auditorias ou processos judiciais que são usados como forma de intimidação. 46% dos sites analisados sofreram ameaças ou violência por conta do seu trabalho, e 50% relataram terem sofrido ciberataques. “Ao que tudo indica, 2018 será marcado pela intensa polarização eleitoral. No Festival 3i, juntamos jornalistas que convivem com essa realidade todos os dias, há meses, e que podem nos dar dicas objetivas e valiosas sobre como fazer um bom jornalismo nesse cenário. Algo imperdível”, destaca Cristina Tardáguila, fundadora e diretora da Agência Lupa. O Festival 3i pretende ser um espaço de encontro e reflexão para este grupo, fortalecendo sua atuação, ampliando a rede de apoio e troca de conteúdo e experiência – e portanto, ajudando a fortalecer o jornalismo no continente e torná-lo mais diverso e representativo. “Discutiremos não apenas o interesse público como objetivo final, mas como educar redações, sociedade e mantenedores para zelar pela independência editorial”, diz Wellington Soares, editor da Nova Escola. “O que fica claro é que o ecossistema do jornalismo está cada vez mais diverso, com múltiplos atores, e que essa vai ser uma característica do futuro da indústria”, diz Paula Miraglia, diretora geral do Nexo. Parte dessa inovação ocorre também na relação com a audiência. Um dos diferenciais das novas iniciativas é uma relação mais aberta com o público, com olhar mais atento para métricas mais qualitativas. “Em resumo, falaremos sobre quais os desafios e as estratégias mais inovadoras para garantir engajamento do público com o conteúdo gerado pelos novos veículos”, diz Breno Costa, do BRIO.

    Um Festival latino-americano e participativo

    Um dos pontos altos do Festival será a sessão de “Lightning Talks”, palestras inspiradoras sobre projetos que estão revolucionando o jornalismo no continente. Sites como El Faro, de El Salvador, o site digital mais antigo e um dos mais premiados do continente, o inovador site peruano Ojo Público, e o pioneiro em fact-checking Chequeado, da Argentina, vão compartilhar suas histórias no sábado, dia 11/11. Além disso, no domingo, o Festival se encerra com um “Lightning Talk” de 10 projetos brasileiros que estão inovando na forma, conteúdo e distribuição. Esses projetos serão eleitos pelo público do Festival, garantindo a participação de todos.

    Informações gerais

    Festival 3i – Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente Data: 11 e 12 de Novembro, das 10h às 20h30 Local: IAB – Beco do Pinheiro, 10 – Flamengo, Rio de Janeiro – RJ Valores Inteira Ingresso para 2 dias = R$ 240,00 Estudantes Ingresso para 2 dias = R$ 120,00 Ingressos disponíveis na plataforma Sympla.
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    Escola de Dados abre inscrições para Conferência de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais

    Elza Maria Albuquerque - October 24, 2017 in CODA, Coda.Br, Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais, Dados Abertos, Destaque, Escola de Dados, Jornalismo de dados, networking

    A Escola de Dados abriu as inscrições para a segunda edição da Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais (Coda.Br). O evento, realizado em parceria com o Google News Lab, vai acontecer nos dias 25 e 26 de novembro, no campus da FAAP, em São Paulo (SP). O encontro é o primeiro do Brasil com foco em jornalismo de dados. O objetivo é reunir os melhores profissionais do mercado para trocar ensinamentos e experiências sobre a área. A programação traz mais de 30 workshops em oito salas paralelas com treinadores especializados em habilidades e ferramentas de pesquisa e jornalismo guiado por dados. Além disso, terá rodas de debate com jornalistas e pesquisadores nacionais e internacionais sobre responsabilidade algorítmica, machine learning, privacidade, o futuro do jornalismo de dados, entre outros temas. A proposta é que os participantes – iniciantes ou avançados em jornalismo de dados – possam colocar a mão na massa, compartilhar conhecimento, aprender, expandir o networking, refletir e sair do evento prontos para melhorar ou tirar do papel seus projetos guiados por dados. O evento vai trazer referências internacionais em jornalismo de dados – como Mar Cabra, Jonathan Stray, jornalista computacional da Universidade de Columbia com passagens pelas equipes de dados do New York Times e da ProPublica, Momi Peralta, líder do La Nación Data da Argentina, a mais premiada equipe de jornalismo de dados da América Latina, e Jennifer Stark, jornalista computacional da Universidade de Maryland, com publicações em veículos como Washington Post e Vice. Também estarão presentes brasileiros à frente de grandes trabalhos em redações, programadores, pesquisadores e empreendedores da área. O número de vagas é limitado a 250 pessoas. O valor das inscrições é de R$ 250 para profissionais e R$ 180 para estudantes, até 5 de novembro. A partir dessa data, se ainda houver vagas, o valor passa para R$ 325 para profissionais e R$ 220 para estudantes. As inscrições podem ser realizadas no site do evento: coda.escoladedados.org A conferência conta com o apoio da Abraji, do La Nación Data, do Knight Center for Journalism in the Americas e da Python Software Foundation.

    A Escola de Dados

    A Escola de Dados é uma rede global, presente em mais de 20 países, com a missão de capacitar cidadãos no mundo dos dados, de modo a contribuir com o fortalecimento das democracias. Atua há quatro anos no Brasil com foco na formação de ONGs e jornalistas, ensinando-os a usar dados abertos para estimular o debate bem informado, promover transparência e criar narrativas eficazes para suas agendas. Responsável por dezenas de tutoriais e formações presenciais e online: milhares de pessoas em todo o mundo já aprenderam com a rede a trabalhar com dados abertos.

    SERVIÇO

    2ª Coda.Br
    Data: 25 e 26 de novembro
    Valor: R$ 180 (estudante) e R$ 250 (profissional)
    Inscrições e mais informações: coda.escoladedados.org
    Local: FAAP/São Paulo (Rua Alagoas, 903 – Higienópolis)
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    Algoritmos ou inteligência artificial podem impactar nossas crenças nas eleições?

    ariel-kogan - November 22, 2016 in Destaque, Jornalismo de dados

    board-1364655_1280 Por Thiago Rondon* É inegável que o nosso modelo atual de economia e organização social apresenta dificuldades efetivas de participação por falta de ferramentas ou mecanismos para lidar com grande número de pessoas em rede, o que provavelmente nos torna uma sociedade egocêntrica e não orientada em buscar soluções para o ecossistema. De maneira geral, ainda delegamos decisões sobre o ecossistema também para indivíduos. Sistemas de inteligência artificial estão prevendo, de maneira assertiva, diversas questões, com olhar no ecossistema de informação sem distinção. Um exemplo disso: é um sistema que previu corretamente as últimas quatro eleições americanas, incluindo a do Trump. Esta solução é a MogIA, que utilizou cerca de 20 milhões de pontos de dados em plataformas online como Google, YouTube e Twitter. “Embora a maioria dos algoritmos sofra vieses do desenvolvedor, MogIA visa aprender a partir de seu ambiente, desenvolvendo suas próprias regras na camada de política e, assim, desenvolver sistemas de especialistas sem descartar quaisquer dados”, diz Sanjiv Rai, fundador da Índia Genic.ai startup que desenvolveu MogIA. O Facebook foi criado como modelo de negócios para que artigos e conteúdos relevantes por meio  de engajamento e afinidades dos usuários tenham prioridade com relação à verdade, transformando o editorial de notícias no que cada usuário quer ler para passar a maior parte do tempo na plataforma. Desse modo, as chances de vender anúncios aumentam. Para demonstrar como a realidade pode diferir entre usuários do Facebook, o The Wall Street Journal criou duas visualizações por meio  de dois perfis, um “azul” e outro “vermelho”. A partir disso, comprovou que as notícias que aparecem na linha do tempo de cada um dos usuários tiveram base no fato  de serem conservadores ou liberais, criando duas hiper bolhas políticas. Estas hiper bolhas estão nos tornando cegos para a pluralidade, como podemos comprovar em momentos como as eleições que acreditamos que todos votam como nós, por estarmos olhando apenas para uma parte do mundo que é o que nos identificamos melhor via crenças pessoais e emoções, estimulando nossos egos nas redes sociais. Claire Wardle, diretora de pesquisa do “Tow Center for Digital Journalism”, disse: “O Facebook tropeçou no negócio de notícias sem sistemas, estruturas editoriais e diretrizes editoriais, e agora está tentando corrigir o curso.” Mídias sociais são plataformas projetadas para possibilitar a interação social a partir do conhecimento e da criação colaborativa de informações. Trata-se da produção de conteúdos de forma descentralizada e sem o controle editorial de grandes grupos. E quando essas informações criadas sem controle podem se tornar prejudiciais ao ecossistema? Nas eleições americanas, o Facebook está sendo cobrado por se abdicar da sua responsabilidade de validar as fontes das notícias que circulam na rede – tendo, desse modo, beneficiado o candidato Trump na eleição por diversos outros motivos externos, que geralmente são de ações que não são de responsabilidade ou criação da empresa. É plausível que táticas ou algoritmos possam beneficiar propositalmente ou não alguns candidatos nas eleições. Há pesquisas relatadas na Globsec 2016 que comprovam que notícias de conspiração são compartilhadas três vezes mais do que notícias reais, assim como estudos do impacto de veracidade de informações baseado em fact-checking sugerem que negar informações não impacta opinião das pessoas, mas sim afirmar de que o contrário é verdade, como o Nyhan e Reifler. Muitos podem alegar que nós estamos sendo manipulados ou influenciados, mas quando não fomos? No Brasil, o uso de tecnologia foi a discussão de militantes e políticos pelo uso orquestrado de aplicativos de comunicação, como o WhatsApp, sendo utilizado por igrejas, partidos políticos e movimentos sociais para demandar ações. A tecnologia já está claramente impactando a política, como foi o caso da eleição do Obama com o uso do crowdfunding. As redes de humanos funcionam e ganharam escala com a tecnologia. Mas será que está impactando a democracia e o nosso ecossistema? Há diversos atores buscando uma resposta para o resultado das eleições americanas, e uma discussão interminável sobre como o Trump se beneficiou das mídias sociais, precisamente da rede de Zuckerberg. Um dos motivos que estão apontando a responsabilidade para o Facebook nas eleições dos Estados Unidos, é que comprovadamente grupos se organizaram para espalhar notícias falsas a favor do Trump, como o caso dos 140 sites sobre política americana que veiculavam conteúdo pró-Trump na Macedônia e tinham como objetivo viralizar no Facebook. Não há, no entanto, evidências de que o Facebook diretamente beneficiou o Trump. Por outro lado,nesta mesma eleição, a tecnologia e as redes nos proporcionaram a possibilidade de que jornalistas pudessem realizar fact-checking, que é o processo de realizar e mostrar uma validação de argumentos ou discurso em  tempo real em debates e pronunciamentos públicos, e que provavelmente será muito utilizado nas próximas eleições no Brasil por um grupo de eleitores para definir seus votos e, por outros, para afirmar na sua bolha e para seu ego de que o outro candidato é um mentiroso. Esse é o serviço cívico vital nas eleições, pois o que poderia ser mais importante do que responsabilizar os políticos por suas reivindicações durante o processo eleitoral? O Google está investindo para que organizações jornalísticas de confiança do público possam afirmar que uma determinada notícia é verdadeira, terceirizando, desta maneira, a responsabilidade para grupos especializados desta rede, e provavelmente uma solução que possa escalar pela promoção e reconhecimento do fact-checking. O estudo de Nyhan e Reifler revela como leitores foram impactados com o fact-checking por meio de pesquisas pós-exposição à verdades. A taxa de respostas corretas aumentou de 12% para 19% entre as pessoas com baixo conhecimento político e foi ainda mais eficaz entre as pessoas com “alto conhecimento político “, que foi de 22% para 32%. Ao mesmo tempo, muitos experimentos em psicologia e ciências políticas dizem que nova informação factual não muda, necessariamente, crenças errôneas, pré-existentes. O fact-checking pode ser a ferramenta para controlar as mentiras na rede, mas será que vamos conseguir impactar as emoções e as crenças errôneas? Estudos recentes nos dizem que estamos avançando, mas aparentemente o impacto é maior para fortalecer nossas crenças pré-existentes, e provavelmente o grande desafio para os próximos anos será que as mentiras nos farão repensarmos no que devemos se apoiar. É inegável que nunca tivemos tanto acesso à informação e facilidade para se comunicar. Porém, ainda utilizamos esses mecanismos para o nosso ego, o que evidencia o atual algoritmo do Facebook em priorizar a opinião do indivíduo para mostrar o que acontece com sua rede de interesse e contatos, atuando como um gatekeeper influenciável pelo próprio leitor, apesar de não ser clara suas regras para essa construção. Este é um momento em que quase metade dos americanos que poderiam participar do processo eleitoral, não votaram. No Brasil, há taxas altas de votos em branco, nulo ou abstenção em todo o país. Qual é o fator de decisão do processo eleitoral? Partindo do pressuposto que atualmente não vivemos em um mundo virtual ou na Matrix, sem evidências de que nenhuma droga foi aplicada nos humanos para influenciar seus votos, ou mesmo nenhum vírus impactou os sistemas de votações, isto nos faz pensar: os humanos ainda estão no controle. A tecnologia está amplificando nossas vozes que são nossos interesses por meio de canais que valorizam nossos atuais posicionamentos, evidenciando a polarização, assim como nossas afinidades baseadas em emoções e crenças pessoais evidenciam nossas bolhas. Nossa democracia atual é analógica. Ela permite uma participação mínima que se mostra para a maioria da população apenas no processo eleitoral e que promove sistemas baseados em ego e não em ecossistema. A tecnologia já está inovando e transformando a forma de fazer política, mas ainda não está transformando o sistema democracia. Ainda é necessário promover uma cultura de ecossistema em rede, e o único meio para isso é construir novas tecnologias sociais. Precisamos de uma mídia social que possa transformar polarização em consenso e bolhas em pluralidade. Para que isso possa acontecer,  precisamos promover dispositivos de confiabilidade, como o fact-checking, para impactar positivamente o ecossistema e as nossas crenças.  Caso contrário, iremos apenas isolar as bolhas sem o poder de construir ecossistemas e o controle social. * Thiago Rondon é diretor da startup studio EOKOE, fundador do AppCívico que atua com tecnologias para causas sociais e é conselheiro da Open Knowledge Brasil. Flattr this!

    Panama Papers ajudam a reiterar necessidade de mais transparência e dados abertos sobre tributação e propriedade de empresas

    Isis Reis - April 7, 2016 in colaboração, Dados Abertos, dados fiscais, Destaque, governo, Internet, Jornalismo de dados, justiça fiscal, Lei de acesso à informação, OD4TJ, OKF, open data for tax justice, participação, projetos, sociedade civil, transparência

    Todo ano países perdem bilhões de dólares em elisão fiscal, evasão fiscal e, mais geralmente, para fluxos financeiros ilícitos. De acordo com uma recente estimativa do FMI, cerca de 700 bilhões de dólares em receitas fiscais são perdidos a cada ano devido ao deslocamento de lucros. Nos países em desenvolvimento, a perda é estimada em cerca de 200 bilhões de dólares, o que, em percentagem do PIB, representa quase três vezes o prejuízo sofrido pelos países da OCDE. O economista Gabriel Zucman estima que certos componentes de fortunas offshore (em paraísos fiscais) não declarados totalizam acima de 7 trilhões de dólares, o que implica em prejuízos fiscais de 200 bilhões de dólares por ano; o trabalho de Jim Henry para TJN (Tax Justice Network – Rede de Justiça Fiscal) sugere que o total completo de ativos offshore pode variar entre 21 e 32 trilhões de dólares. O lançamento dos Panama Papers (documentos do Panamá) no último domingo (03/04) talvez ajude a corroborar essa estimativa. Segundo matéria do Portal Terra, os 11,5 milhões de documentos (2,6 terabytes de dados) vazados da consultoria Mossack Fonseca, quarta maior empresa de advocacia offshore do mundo, podem revelar detalhes de centenas de milhares de clientes que utilizam paraísos fiscais no exterior supostamente para evasão fiscal, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e armas. De acordo com uma reportagem feita por Fernando Rodrigues, um dos jornalistas participantes do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla original, consórcio com o qual o jornal alemão Süddeutsche Zeitung dividiu os vazamentos do Mossack Fonseca), 107 novas offshores ligadas a citados na Lava Jato surgiram nos Panama Papers. Até agora, afirma Rodrigues, estas firmas não foram mencionadas pelos investigadores brasileiros que cuidam da operação. Como aponta o jornalista em sua reportagem, “ter uma empresa offshore não é ilegal, desde que a empresa seja devidamente declarada no Imposto de Renda”. O cruzamento desses dados com dados da Receita Federal poderão permitir descobrir quem driblou a lei. Entendendo a importância desse assunto e, antes mesmo do surgimento dos Panama Papers, a Open Knowledge e a Tax Justice Network anunciaram, no início de março, o lançamento de uma nova iniciativa a fim de jogar luz na área de dados fiscais: Open Data for Tax Justice (Dados Abertos para a Justiça Fiscal). As instituições manifestaram o desejo de iniciar uma rede global de pessoas e organizações que trabalham para criar, usar e compartilhar dados para melhorar a militância e jornalismo em torno de justiça fiscal. O site é: http://datafortaxjustice.net/ e a hashtag #od4tj está ativa no Twitter.
    Crédito: Open Data for Tax Justice

    Crédito: Open Data for Tax Justice

    A rede pretende reunir ativistas, grupos da sociedade civil, jornalistas investigativos, jornalistas de dados, hackers cívicos, pesquisadores, funcionários públicos e outros, e tem como objetivo catalisar colaborações e alianças duradouras entre o movimento de justiça fiscal e do movimento de dados abertos. A iniciativa tem recebido um grande nível de apoio e incentivo por meio de discussões preliminares com seus membros iniciais, buscando expandir tanto sua rede como suas atividades nos próximos meses. O que o futuro reserva? Atualmente, a Open Knowledge e a Tax Justice Network estão trabalhando em um rascunho sobre como uma infraestrutura global de dados para a justiça fiscal deveria se parecer. Gerar materiais de orientação mais prática para projetos de dados – bem como ganhar impulso com eventos online e offline também está nos planos. Algumas atividades preliminares a nível global no Open Data Day (Dia dos Dados Abertos) deste ano, em 05 de março, foram realizadas. A justiça fiscal foi um dos temas principais do Open Data Day em Londres e você já pode conferir algumas das discussões que antecederam o evento e participar do fórum sobre o tema aqui [apenas em inglês]. Flattr this!