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Quem trabalha com dados abertos no Brasil?

- March 13, 2019 in Dados Abertos, design, Destaque, direito, hackathons, Jornalismo de dados, Lei de acesso à informação, ouvidorias, pesquisa, Python, R, transparência

  • Texto por Pedro Vilanova
Em março acontece o Open Data Day, movimento mundial de promoção ao uso de dados abertos. São vários eventos ao redor do mundo com essa temática. Uma boa oportunidade para conhecer novas pessoas, ampliar horizontes técnicos e debater um tema super em voga. Este é o meu 4º ano de open data. Foi tempo suficiente para conhecer bastante gente diferente. Nos preparativos para mais um Open Data Day, resolvi investigar um pouco quem são as pessoas que trabalham com dados abertos em terras brasileiras. Eu sou formado em comunicação, mas desde 2016 eu trabalho analisando dados para escrever. Em 2017, aprendi a programar e um novo mundo se abriu. Apesar de hoje ter dezenas de colegas jornalistas de dados, percebo que o tema open data, ou simplesmente dados abertos, ainda está muito distante da maioria das pessoas. Resolvi bater um papo com alguns amigos da área, com formações bem diferentes, para tentar facilitar para quem sempre quis participar e nunca conseguiu  – e para quem não faz nem ideia do que sejam dados abertos. Afinal, quem é que trabalha com dados abertos? Otávio Carneiro, o arquiteto e agitador da comunidade. O primeiro papo que tive foi com o Otávio Carneiro. Ele é arquiteto, com mestrado em gestão do conhecimento e tecnologia da informação. E talvez você já tenha visto ele em algum evento por aí. O Otávio faz parte do Calango Hacker Club desde 2013 e, de acordo com ele, começou a se inteirar sobre dados abertos com o pessoal por lá. Um ano depois, já estava participando de eventos com a Câmara dos Deputados e mais um aninho na frente organizou o Open Data Day em Brasília  – e por 3 anos: 2015, 2017 e 2018 (com uma pausa em 2016 por causa do mestrado). Para mim, ele é uma das pessoas mais engajadas na comunidade. Não me lembro de ter ido a um evento sequer sem tê-lo encontrado. Mesmo assim, ele nunca ganhou dinheiro com open data. E também nunca precisou lidar com a área diretamente no trabalho  – o que, confesso me deixou até um pouco chocado. O Otávio não sabe, mas foi ele que me convidou para a minha primeira palestra sobre open data, justamente com o pessoal do calango. Para mim, é curioso o fato de ele não trabalhar diretamente com isso. Na conversa, o Otávio disse que muitos dos desafios são técnicos: qualidade e formato dos dados, dificuldade de encontrar os dados e o despreparo dos órgãos do governo com a LAI são os principais. Para ele, mais pessoas deveriam ter a habilidade de lidar com dados abertos. Concordo, Otávio. E é por isso que estamos aqui. A segunda pessoa com quem bati um papo foi a Judite Cypreste, com uma pegada bem menos hacker club e bem mais jornalística, ela mantém uma característica comum com o Otávio: não é formada em computação, mas em Letras, com pós em Jornalismo Cultural. Judite Cypreste, redação, zumbis e um bot que cobra dados. A Judite Cypreste começou a trabalhar com open data em um treinamento na Folha de S.Paulo sobre Jornalismo de Dados, ano passado. Antes disso, só estudava sobre o tema como pesquisadora na UERJ. Ela aprendeu a programar com o Fernando Masanori. Aliás, pausa aqui. Eu também aprendi a programar em Python com o Masanori, no Python para Zumbis, curso totalmente gratuito, com todas as aulas disponíveis no YouTube. Fim da pausa. A partir da programação, a Judite fez algumas reportagens bem legais, com um impacto considerável, passeou em algumas redações e esse ano lançou o Colaboradados, um projeto que se propõe a auxiliar as pessoas a acharem bases de dados confiáveis e gratuitas (siga o bot, o @colaboradados, que cobra resposta dos órgãos sempre que portais da transparência apresentam problemas de acesso). Para ela, a importância do open data é central não só no seu trabalho, mas na sociedade. Os dados abertos podem auxiliar no combate à falta de informação. Quem não conhece, não monitora e não cobra. E para melhorar isso, ela tem tentado contar boas histórias, de impacto, e mexer com dados. Perfis como o da Judite são o que mais encontrei desde que comecei a trabalhar com open data: pessoas que escrevem e usam dados para isso, mesmo que de forma voluntária. Às vezes programam, às vezes não. Às vezes são jornalistas, às vezes não. O grande segredo está na busca por dar sentido aos dados. E isso pode ser feito com Python, R ou até mesmo em uma tabela no Excel. Por isso é tão importante que a gente cobre dos órgãos competentes que disponibilizem esses dados em bons formatos, de maneira acessível. E é daí que surge o gancho com a terceira pessoa com quem bati um papo: Fabrício Rocha, uma das pessoas por trás da API de dados abertos da Câmara dos Deputados. Fabrício Rocha, o repórter que não afrouxa. Talvez você conheça o Fabrício Rocha da televisão. Ele apresenta o programa Participação Popular, na TV Câmara. É jornalista de formação, com pós em TV Digital Interativa. É, é muita televisão nessa carreira. E o que dados abertos tem a ver com isso? O Fabrício é servidor público. E foi destinado ao então Centro de Informática da Câmara em janeiro de 2016, lotado na coordenação que atende a área de Comunicação da casa. Lá atrás, há três anos, ele foi colocado em uma seção recém-criada que tinha chamado para si a responsabilidade pelo serviço de Dados Abertos da Câmara e sua já necessária atualização. Dois meses depois ele começou a elaborar a nova versão do serviço. E é desde então que nosso apresentador trabalha com dados abertos. O exemplo do Fabrício é interessante. Quando perguntei para ele qual era a importância dos dados abertos na sua realidade, ele me respondeu que é a razão do trabalho dele, porém que, às vezes, a própria instituição na qual ele trabalha parece se importar menos com o tema do que servidores como ele. Pausa. Em 2016, quando comecei a trabalhar com dados abertos, o meu pensamento acompanhava o senso comum de que os órgãos públicos faziam de tudo para dificultar a vida de jornalistas e ativistas de monitoramento social. Até que conheci pessoas como o Fabrício, que faz parte de um grupo razoavelmente grande de servidores que lutam diariamente para melhorar o acesso à informação por parte da sociedade. Se não conseguem, muitas vezes, isso se dá pelas burocracias e falta de organização do próprio órgão. Fim da pausa. Isso está traduzido, por exemplo, no que o Fabrício considera o desafio de trabalhar com dados abertos. É difícil fornecer dados a partir de bases criadas por sistemas sem um propósito de publicação das informações em forma de dados abertos. Em outras palavras, é organizar dados que foram armazenados de forma incompleta, divergente ou muito mal estruturados. Olha só que coincidência Esse é o lado dos dados abertos de quem trabalha na base da cadeia. Na matéria prima. Fazendo cumprir-se a Lei de Acesso à Informação (LAI), que rege os dados públicos governamentais no Brasil, que, por algumas vezes é tratada com descaso por autoridades. Mas a LAI, como o próprio nome diz, é uma lei. Bruno Morassutti, dados, direito e alguns e-mails a ouvidorias. Bruno Morassutti é advogado, especialista em processo civil e direito público, mestrando da área de direito e tecnologia. Ele narra o começo da sua trajetória nessa área dos dados ainda na faculdade, mas em transparência, não necessariamente em dados abertos. Bruno tem por hábito questionar ouvidorias para entender melhor o funcionamento das coisas e assim fazer propostas de melhoria mais bem informadas e assertivas. Da transparência para os dados abertos o salto foi natural. Os dados abertos potencializam muito a transparência e, consequentemente, o seu trabalho. Ele é um advogado “orientado a dados” desde 2012. Eu gosto muito desse perfil. Primeiro porque o Bruno é super entusiasmado. A ponto de dizer que em um mundo ideal trabalharia só com o universo de direito e dados abertos, o que não é possível ainda pela falta de projetos remunerados na área. Depois porque sua expertise é extremamente necessária para os dados abertos. É um conhecimento técnico aplicado aos dados. E vice-versa. Na primeira vez que fui a um Open Data Day, em 2016, eu me lembro de olhar para a plateia e pensar que era o único representante da ala não técnica. Esse engano se manteve até o ano seguinte, quando me envolvi mais com a comunidade e percebi que estava ao lado de jornalistas, arquitetos, auditores públicos e advogados. O Bruno é um desses exemplos. Foi então que eu percebi os dados abertos como um meio para facilitar quase todo o tipo de função. E daí meu questionamento mudou. Ok, eu não era o único não técnico ali. Mas o que será que faltava para que todo mundo usufruisse dos benefícios do open data? A Tatiana, por exemplo, nosso próximo perfil, também tem uma formação tradicionalmente afastada dos dados abertos. Tradicionalmente porque acredito que essas barreiras vão fazer cada vez menos sentido. Eu espero. Tatiana Balachova, a russa que faz design com dados. Tatiana Balachova é publicitária, designer autodidata e nunca codou na vida. Mesmo assim, é uma das pessoas mais engajadas dentro do universo de dados abertos que eu já conheci. A Tati é uma das mentes que ajudou a popularizar a Rosie, robô que a Operação Serenata de Amor criou em 2016. Os dados, abertos ou não, só tem valor de fato quando transformados em informação, e consequentemente, em ação. O perfil dela é essencial para fechar esse ciclo e levar conhecimento para o público. Para ela, o maior desafio é aproximar o cidadão que não está familiarizado com o universo de open data, para que ele também participe da conversa sobre transparência e controle das contas públicas. E se por um lado, há pessoas como a Tati, que entraram no mundo dos dados abertos por conta de um projeto, com uma carreira recente na área, há quem trabalhe com isso há quase uma década. É o caso da Fernanda Campagnucci, a próxima pessoa com quem bati um papo sobre dados abertos. Fernanda Campagnucci, uma década de dados abertos. A Fernanda Campagnucci também é jornalista (vá contando, só nesse artigo já são 4 comunicadores, sem contar comigo), porém, no seu currículo, que inclui mestrado, doutorado e uma pós em transparência, o trabalho com dados abertos começou em 2006. Ou seja, há muito mais tempo do que a maioria das pessoas na área. Na época, ainda na RAC, Reportagem com Auxílio de Computador, na graduação na USP. O caminho dela é bem interessante. Do uso de dados, à cobrança por mais transparência e melhores dados, à participação em hackatons e redes como a Transparência Hacker até ser convidada para integrar a Controladoria Geral do Município de São Paulo, que é a área encarregada de implementar a LAI e as políticas de dados abertos na cidade. Hoje, já concursada, ela trabalha em outro órgão, a Secretaria Municipal de Educação, onde implementa um programa de governo aberto. A Fernanda, assim como o Fabrício, é uma das pessoas que passou de consumidor e provedor ou mantenedor de boas práticas de dados abertos – inclusive ganhando a vida com isso. E esse é um ponto que ajuda a responder a pergunta que as pessoas de fora da área mais fazem para mim: em que os profissionais podem ajudar em dados abertos? A resposta é: consumindo, transformando dados em informação, deixando tudo isso mais legal e palatável para a população e até analisando a lógica das políticas de dados abertos. Você não necessariamente precisa ser jornalista de dados ou trabalhar em uma redação para isso. E, enfim, chegamos à Jessica Temporal. Nós nos conhecemos graças à Operação Serenata de Amor desde então ela se tornou minha solucionadora titular de problemas e picuinhas técnicas. Alguém que sabe mais que eu e tem paciência para me mostrar o caminho e ensinar. Apesar de unidos no mesmo projeto e pelos mesmos ideias, nossas formações são bem diferentes. Jessica Temporal, dados biomédicos, dados públicos e data ajuda. A Jessica Temporal tem uma formação técnica. É graduada em Informática Biomédica e na faculdade já usava dados abertos para análises biológicas. E desde os tempos de Serenata tem um contato maior com esse universo. Eu perdi as contas de quantas vezes vi a Jessica lutar por dados mais organizados, estruturados e às vezes até mesmo pela existência deles. Nós trabalhamos juntos por um ano com open data  – os dois remunerados. O ponto chave é que ela nem trabalha mais na área  – ainda trabalha com dados, mas não exclusivamente abertos  – porém continua colaborando muito de forma voluntária na comunidade (e nas minhas dúvidas). A Jessica, assim como outros amigos, entraram para o open data para nunca mais sair. O universo de dados abertos nunca vem sozinho. Ele sempre traz um monte de projetos legais, práticas open source e uma ou alguma coisa relacionada, minha sugestão é: tenha calma e procure gente que trabalha na área. Eu conversei com sete pessoas. Poderiam ter sido mais. Eu poderia estar até agora escrevendo esse texto. A comunidade de dados abertos no Brasil só cresce. A cada ano o Open Data Day é maior, com mais eventos regionais e mais projetos sendo apresentados. Faça como o Otávio, a Judite, o Fabrício, o Bruno, a Tati, a Fernanda e a Temporal: coloque os dados abertos na sua vida. É um caminho sem volta. Flattr this!

Pesquisa afirma que abertura de dados sobre meio ambiente são insuficientes nos órgãos federais

- December 3, 2017 in Dados Abertos, Destaque, Imaflora, Meio ambiente, pesquisa

No dia 28/11, a pesquisa “Dados abertos em clima, floresta e agricultura”, conduzida pelo Imaflora, foi divulgada no II Encontro Brasileiro de Governo Aberto. Segundo a publicação, os órgãos públicos federais ainda não respondem adequadamente ao cidadão, como previsto na Lei de Acesso à Informação e no Decreto Federal sobre o tema. A pesquisa contou com os apoios da Climate and Land Use Alliance – CLUA, da Open Knowledge Brasil e do Ceweb.Br/NIC.br. O grau de abertura de 15 bases de dados federais, a partir de 10 critérios, relacionados aos temas acima, são considerados fundamentais para compreender a dinâmica do uso do solo, do desmatamento, de emissões de gases de efeito estufa na atmosfera e, por meio das informações extraídas construir melhores políticas públicas e privadas para essas áreas. Entre os temas analisados estão: desmatamento, áreas protegidas, florestas públicas, agropecuária, transporte de madeira e trabalho análogo ao escravo. E entre os critérios de avaliação estão: a disponibilidade online, gratuita , detalhada e atualizada da informação, em diversos formatos, para permitir que os dados divulgados possam ser utilizados para a produção de novos conhecimentos a partir deles, como pesquisas, por exemplo. O problema mais recorrente foi a ausência de licenças que permitam o uso dos dados, encontrado em 71% das bases analisadas, seguido de informações incompletas (64%) e impossibilidade do usuário baixar toda a informação de uma única vez (57%). “A falta de dados disponíveis em sua totalidade foi o principal problema constatado, já que não permite um olhar para o conjunto de informações e seu uso detalhado pela sociedade. Por exemplo, nos casos do Documento de Origem Florestal, Cadastro Ambiental Rural e do Crédito Rural, a abertura completa desses dados ajudaria a saber se os produtos consumidos vieram de áreas de desmatamento e se os recursos públicos foram empregados em atividades que respeitaram os recursos naturais”, diz Renato Morgado, coordenador de políticas públicas do Imaflora e que liderou esse trabalho. Para Morgado, há avanços na transparência dos dados, no Brasil, mas também há muitas falhas a serem corrigidas e aprimoradas. Por isso, conclui a pesquisa com recomendações que possam resultar em uma melhor gestão ambiental para o país e políticas mais eficientes na área. Para conferir a pesquisa, leia o material “Dados abertos em clima, floresta e agricultura” na íntegra. Com informações da IMAFLORA.
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Último dia do Coda.Br faz reflexão sobre futuro do jornalismo de dados

- November 28, 2017 in bootcamp, Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais, Destaque, Escola de Dados, Inovação, Jornalismo de dados, Métodos Digitais, pesquisa, tecnologia

  O segundo dia do Coda.Br deste ano (26/11) foi aberto com uma discussão urgente e necessária: a transparência e a mediação dos algoritmos. A professora Fernanda Bruno, do MediaLab da UFRJ, ressaltou que os algoritmos são moderadores da nossa experiência. Ela pontuou, porém, que, em uma ‘rede sociotécnica’, ninguém age sozinho. “Os algoritmos, por serem opacos, são pouco permeáveis quando produzem um efeito enviesado”, disse. “A pergunta que a gente lança é: como permear os algoritmos que estão mediando nossa paisagem? Como que eu posso negociar com a nossa mediação? Não basta abrir a caixa preta e ver o código.” Jennifer Stark, cofundadora da Foxling, compartilhou uma análise de dados do tempo de espera do Uber em Washington, nos EUA. O que ela descobriu foi que conseguir um carro em áreas com predominância da população afro-americana demora muito mais do que no Centro ou em regiões com mais moradores brancos. Stark discutiu, a partir disso, como os algoritmos podem causar resultados enviesados. “Não precisamos seguir cegamente as recomendações dos algoritmos da Netflix, por exemplo”, lembrou.

Colaboração cidadã

Um dos destaques da conferência, Florência Coelho, editora do La Nación Data, apresentou as experiências colaborativas que o jornal argentino lançou para análise de grande quantidade de dados. Por meio da plataforma VozData, os jornalistas conseguiram verificar as gravações do ex-procurador federal assassinado Alberto Nisman, nas quais ele acusa a ex-presidente Cristina Kirchner de acobertar o envolvimento de terroristas iranianos em um atentado. Foram 40 mil áudios analisados, organizados posteriormente em playlists no site do jornal. Essa análise foi realizada por um time de voluntários. “Os voluntários eram alunos de Jornalismo, de Direito e de Ciências Políticas. Também tinha minha mãe e minha filha. Recrutei outros voluntários pelo meu Facebook e pelo Instagram”, relembrou. “Valeu muito a pena escutar todos esses 40 mil áudios”. A plataforma também permitiu que a equipe de dados analisasse em diferentes anos os gastos do senado argentino. Para estimular a participação dos cidadãos, o La Nación Data fez rankings dos ‘times’ que mais computavam dados de gastos dos parlamentares.

Presente e futuro do jornalismo de dados

O jornalista computacional da Universidade de Columbia Jonathan Stray deu aos participantes do Coda.Br um gostinho da ferramenta Workbench, ainda em fase beta. O ambiente online combina raspagem, análise e visualização de dados. Não é preciso ter experiência em programação para montar fluxos de trabalho com atualização automática, que podem produzir gráficos publicáveis ou uma live API. Durante a oficina “Workbench: a ferramenta do jornalista computacional”, Stray usou como exemplo os dados dos tweets do presidente americano, Donald Trump, fazendo instantaneamente um gráfico da frequência das publicações do republicano. Cada módulo é construído em Python, o que quer dizer que podem ser infinitamente extensíveis. Outros objetivos da ferramenta são aumentar a transparência e facilitar o trabalho dos jornalistas, segundo Stray. “Estamos tentando trazer toda a funcionalidade do Jupyter Notebook, mas com a facilidade de uso de uma planilha de Excel”, disse. “Um dos problemas para o jornalismo de dados é que existem muitas ferramentas, mas elas não se conectam. Então, muitas ferramentas ‘morrem’.” Os próximos passos para o time que desenvolve o Workbench junto com Stray são consertar os bugs e tornar a ferramenta ainda mais fácil de usar. “Um dos nossos objetivos é tornar a programação mais fácil para jornalistas que não sabem programar muito bem.” O jornalista americano também participou da mesa de encerramento do Coda.Br, “Qual evolução? Promessas quebradas e cumpridas pelo jornalismo de dados”. Ao lado da espanhola Mar Cabra, Stray listou os desafios que a prática enfrenta atualmente. Entre eles, está a contextualização correta dos dados. Nesse sentido, ele é crítico ao Wikileaks, que não fez uma boa mediação do conteúdo oferecido.“O Wikileaks é o ex-namorado da internet”, brincou Stray. Ele pontuou ainda que, apesar de vários problemas, o Wikileaks merece crédito por ter sido pioneiro em vazamentos. Cabra, que liderou a equipe de investigação do Panama Papers, acredita que os documentos obtidos pelo International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) perderão, em breve, o posto de maior vazamento de dados da história do jornalismo. Para ela, a quantidade de informações vazadas será cada vez maior. No entanto, ela ressaltou que é preciso ter uma perspectiva maior sobre vazamentos, de modo que as reportagens publicadas em diferentes ocasiões possam ser conectadas. “Estamos jogando bingo no jornalismo de dados”, disse, reforçando a necessidade de pensar além.

Cuidado com pesquisas eleitorais

O jornalismo usa com frequência as pesquisas eleitorais. Para esmiuçá-las, a CEO do Ibope, Márcia Cavallari, explicou alguns pontos importantes da produção delas. Márcia alertou, por exemplo, para o perigo de se olhar uma pesquisa específica sem compará-la com outras que saíram. Uma pesquisa sozinha não diz nada, segundo a CEO. Ela também se debruçou sobre o problema de credibilidade que os institutos têm enfrentado em todo o mundo. Não são poucos os candidatos que, a exemplo de Donald Trump nos Estados Unidos, surpreenderam as previsões. “As pessoas estão decidindo cada vez mais tarde”, apontou.

Apresentando bem os dados

O editor de infografia da Gazeta do Povo, Guilherme Storck, ensinou algumas formas práticas de elaborar infográficos e mapas. Por meio da ferramenta gratuita Tableau, Storck elaborou formatos diferentes e interessantes de visualização de dados – mostrando como cada um funciona de acordo com a informação que se quer passar. No workshop “#sexysemservulgar: Como tornar sua história de dados atraente”, a repórter da BBC Brasil Amanda Rossi compartilhou vários exemplos de matérias que conseguem aliar dados com boas histórias. “Hoje em dia nós competimos pela atenção das pessoas. E quando conseguimos que a pessoa clique no conteúdo, precisamos que elas leiam e entendam”, indicou. “Temos que ter essa constante busca para que a informação que vamos apresentar seja interessante, relevante o suficiente para contarmos as informações humanas que os dados destacam.”

Outros momentos

O Coda.Br também teve as jam sessions, idealizadas para dar espaço aos participantes para discutirem temas que envolvem o jornalismo de dados. Os temas foram:
  • Modelos de negócio com dados em pesquisa e jornalismo
  • Dados para análises de políticas públicas
  • Alfabetização em dados
  • Dados e fact-checking
  • Dados e vieses
  • Precisa saber programar?
Além disso, o evento contou com as seguintes palestras e workshops:
  • Algoritmos e robôs: aplicações e limites para o jornalismo ( com Jennifer Stark, Fernanda Bruno e Daniela Silva – moderadora)
  • Datastudio: seu ateliê virtual para visualizações interativas e colaborativas (com Marco Túlio Pires)
  • #sexysemservulgar: Como tornar sua história de dados atraente (com Amanda Rossi)
  • Visualizações interativas com D3 (com Thomaz Rezende)
  • Destrinchando as pesquisas eleitorais para analisar seus resultados sem errar (com Márcia Cavallari)
  • Desvendando fake news com o Lemonade (com Wagner Meira)
  • Desvendando os dados do IBGE (com Paulo Jannuzzi)
  • ctrl+c/ctrl+v nunca mais: raspando dados com Google Sheets e outras ferramentas (com Marco Túlio Pires)
  • Explorando dados de mobilidade urbana em R (com Haydee Svab)
  • Workbench: a ferramenta do jornalista computacional (com Jonathan Stray)
  • 60 ferramentas para trabalhar com dados em 90 minutos (com Natália Mazotte)
  • Dados inconsistentes? Expressão regular neles! (com Álvaro Justen)
  • Visualizando relações e comunidades com Gephi (com Fabio Malini)
  • Geojornalismo no hardnews: como virar visualização em mapas rapidamente usando o My Maps (com Marco Túlio Pires)
  • Visualização de dados: o básico, o rápido e o prático (com Guilherme Storck)
  • Como estruturar bases de dados de forma colaborativa (com Florência Coelho)
  • Introdução à linha de comando (com Álvaro Justen)
  • Monitoramento (Social Listening) para Jornalismo e Ciências Sociais (com Débora Zanini)
  • Lidando com dados públicos em Python (com Fernando Masaroni)
  • Data Wrangling em R (com Guilherme Jardim)
  • Qual revolução? Promessas quebradas e cumpridas pelo jornalismo de dados (com Jonathan Stray,  Mar Cabra e Rosental Calmon Alves (moderador).
Sobre o Coda.Br O Coda.Br — realizado pela Escola de Dados, em parceria com o Google News Lab — é o primeiro evento do Brasil focado em jornalismo de dados e reúne os melhores profissionais do mercado para trocar ensinamentos e experiências sobre a área. A conferência conta com a parceria da FAAP e apoio da Abraji, La Nación Data, Knight Center for Journalism in the Americas e Python Software Foundation.
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