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Algumas impressões sobre o Abrelatam/Condatos, realizada em Santiago no mês de setembro

- November 3, 2015 in abrelatam, colaboração, condatos, Dados Abertos, Destaque, Escola de Dados, Gastos Abertos, governo, Internet, LAI, okbr, sociedade civil, sofware livre, transparência

O Abrelatam/Condatos 2015 foi realizado entre os dias 7 e 10 de setembro, em Santiago, no Chile. No evento, houve o lançamento da Carta Internacional para los Datos Abiertos, disponível em inglês, espanhol e francês e esperamos que em breve em português (a Open Knowledge Brasil está articulando a tradução da carta junto ao Tribunal de Contas da União). O diretor executivo da OKBr, Everton Zanella Alvarenga, teve a oportunidade de acompanhar alguns painéis e compartilhou suas percepções sobre a conferência. Inicialmente, Everton notou que a comunidade hispanoparlante é mais integrada que o Brasil. Além disso, sentiu falta de representantes do governo brasileiro no evento. “Será que não está na hora de o Brasil mostrar o que está fazendo no campo da transparência na América Latina e organizar o próximo Abrelatam/Condatos?”, questiona. No painel “Modelos de negócios e dados abertos”, muitos afirmaram que quando se fala em dados, em alguns países, como nos EUA, empresas utilizam-se da lei análoga à Lei de Acesso a Informação (LAI), a FOIA (Freedom of Information Act) para ter acesso a dados públicos e criar suas estratégias de negócios. Questionou-se, portanto, a ausência de grandes empresas nas últimas Abrelatam/Condatos para apoiar as iniciativas das sociedade civil organizada e pequeno empreendimentos (e. g., startups). Como proposta, Everton sugere que na próxima Abrelatam/Condatos se faça um esforço para atrair grandes empresas que financiem boas iniciativas envolvendo dados, que farão pitches sobre seus projetos buscando capital de risco, como ocorre em diversos outros eventos focados em startups. Quando o tema Empreendimentos Sociais e Dados Abertos foi abordado, a questão da importância da participação na resolução dos problemas sociais mapeados pelos dados foi levantada. Como analisar os benefícios sociais e impactos nos diversos problemas sociais dos projetos com dados abertos? Everton aponta a necessidade de se investigar como os dados balizam a atuação da sociedade civil e a elaboração de políticas públicas, de maneira a resolver ou ao menos atenuar os problemas detectados. Já o workshop de Contratos Abertos, que tinha como objetivo ajudar os participantes a identificar e avaliar os dados existentes sob o padrão estipulado pelo Open Contracting Data Standard e identificar opções de implementação e exibição dos padrões, apresentou conteúdos que puderam beneficiar iniciativas como o projeto Gastos Abertos, da OKBr, que trabalha com os contratos da cidade de São Paulo. Além de ver os painéis e participar dos workshops mencionados, Everton Zanella contribuiu com sua apresentação sobre Comunidades Dateras, apresentando hackatonas e hackdays feitos pelo Brasil, comunidades brasileiras que trabalham com dados abertos, manuais e guias disponíveis para trabalhar com esses dados e diversos projetos empreendidos pela Open Knowledge e pela Open Knowledge Brasil ou que contam com a parceria desta última. Como destaque sobre as reflexões produzidas após o evento, Everton cita o post “Essa ressaca de dados abertos”, de Yasodara Cordova, da W3C Brasil. O artigo, de acordo com a própria autora, é uma reflexão sobre cidades inteligentes, seu fluxo prometido de dados e o sistema no qual estamos incluídos. “As perguntas das conferências de open data, smart cities, bigdata e seus derivados quase sempre giram em torno de como esse fluxo de dados vai gerar mudanças, ou sobre como estes dados podem ser gatilho para um gerenciamento decente de nossos recursos, trazendo a transparência e o tal ‘governo aberto’ como consequência”, ressalta Yasodara. Flattr this!