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Como foi o ano de 2017 para a OKBR?

- December 29, 2017 in 2017, Dados Abertos, Destaque, Gastos Abertos, Inovação, Open Knowledge Brasil, tecnologia, transparência

Para nós, da Open Knowledge Brasil (OKBR), o ano de 2017 contou com diversas parcerias, apoios e participações em eventos, realização de projetos e campanhas de mobilização. Separamos algumas dessas ações para você conhecer. Além disso, uma boa novidade para a equipe: a jornalista Natália Mazotte, que já liderava o programa da Escola de Dados no Brasil, virou codiretora da OKBR com Ariel Kogan, nomeado em julho de 2016 como diretor-executivo da organização.

Mobilização

No início do ano, nós, da OKBR, e diversas organizações lançamos o Manifesto para Identificação Digital no Brasil. O objetivo do Manifesto é ser uma ferramenta para a sociedade se posicionar em relação à privacidade e à segurança de dados pessoais dos cidadãos; e tornar a identificação digital uma ação segura, justa e transparente. Acompanhamos um dos principais desafios na cidade de São Paulo e contribuímos na mobilização para isso. Nós e outras organizações da sociedade cobramos a transparência da Prefeitura de São Paulo em relação à área de mobilidade. O motivo: na quarta-feira, 25/01, primeiro dia do retorno aos limites maiores de velocidade nas Marginais Pinheiros e Tietê, identificamos que várias notícias sobre a queda nos acidentes de trânsito vinculados à política de redução da velocidade nas vias da cidade saíram do ar no site da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Durante alguns meses, realizamos uma série de webinários chamada OKBR Webinar Series sobre conhecimento aberto pelo mundo. Contamos com a participação dos seguintes especialistas: Bart Van Leeuwen, empreendedor; Paola Villarreal, Fellow do Berkman Klein Center, programadora/data scientist; Fernanda Campagnucci, jornalista e analista de políticas públicas e Rufus Pollock, fundador da Open Knowledge International. Participamos de uma importante vitória da sociedade! Com o Movimento pela Transparência Partidária, realizamos uma mobilização contra a proposta do relator da reforma política, deputado Vicente Cândido (PT-SP), sobre doações ocultas de campanha e o resultado foi muito positivo. Envolvidos nessa causa, nós, da Open Knowledge Brasil (OKBR), e diversas organizações e movimentos participamos da iniciativa contra as doações ocultas, divulgamos e distribuímos uma nota pública. A repercussão foi grande e, como consequência, o relator anunciou a retirada das doações secretas. Participamos também, em parceria com o AppCívico, o Instituto Update, o Instituto Tecnologia e Equidade e outras organizações da sociedade civil do lançamento da carta #NãoValeTudo. A iniciativa é um esforço coletivo para discutir o que vale e o que não vale no uso da tecnologia para fins eleitorais.

Projetos

Realizamos dois ciclos do Gastos Abertos. O primeiro começou em janeiro e participaram 150 municípios. Em julho, publicamos o relatório do ciclo 1. Em agosto, iniciamos as inscrições para o segundo ciclo do jogo com uma novidade: o Guaxi, um robô que foi o assistente digital dos participantes. Ele é um esperto guaxinim desenvolvido com inovadora tecnologia chatbot – que simula uma interação humana com os usuários. Ele facilitou a jornada pela página do Gastos Abertos no Facebook. Confira o relatório parcial do ciclo 2. Nós e a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV/DAPP lançamos as edições brasileiras do Open Data Index (ODI). Ao todo, foram construídos três levantamentos para o país: Open Data Index (ODI) Brasil, no nível nacional, e ODI São Paulo e ODI Rio de Janeiro, no nível municipal. Meses depois, finalizamos a enquete “Você quer construir o Índice de Dados Abertos da sua cidade?” e o resultado foi bastante positivo: 216 pessoas mostraram interesse em fazer o levantamento de forma voluntária em seus municípios! Neste primeiro ciclo de descentralização e ampliação do ODI nos municípios brasileiros, realizamos uma experiência com um primeiro grupo: Arapiraca/AL, Belo Horizonte/MG, Bonfim/RR, Brasília/DF, Natal/RN, Porto Alegre/RS, Salvador/BA, Teresina/PI, Uberlândia/MG, Vitória/ES. Oferecemos capacitação para os líderes locais, ministrada pela equipe do Open Data Index (FGV/DAPP – OKBR), para que possam realizar o levantamento necessário para a construção do Índice. Em 2018, vamos lançar os resultados e, apresentar os relatórios com oportunidades concretas para os municípios avançarem na pauta da transparência e dos dados abertos. Lançamos o LIBRE – projeto de microfinanciamento para jornalismo – uma parceria da Open Knowledge Brasil e do Estúdio Fluxo, que contou com desenvolvimento do AppCivico. Trata-se de uma ferramenta de microfinanciamento de conteúdos que pretende aproximar veículos digitais e o público interessado em valorizar e sustentar o jornalismo e conteúdos de qualidade. Atualmente, os portais Gastrolândia, Aos Fatos, o Gênero e Número e o Vá de Bike são alguns dos veículos que estão testando a plataforma nessa fase piloto.

Eventos

Apoiamos eventos do Open Data Day em várias cidades brasileiras; o Hackathon da Saúde, iniciativa da Prefeitura de São Paulo em parceria com SENAI e AppCívico, também teve o nosso apoio; e participamos do Hack In Sampa na Câmara Municipal de São Paulo. Natália Mazotte, codiretora da OKBR, participou do AbreLatam e da ConDatos, eventos anuais que se tornaram o principal ponto de encontro sobre dados abertos na América Latina e no Caribe. É um momento de diálogo sobre o status e o impacto do tema em toda a região. Participamos também da 7ª edição do Fórum da Internet no Brasil com o workshop “Padrões abertos e acesso à informação: perspectivas e desafios dos dados abertos governamentais”. E com outras organizações, realizamos II Encontro Brasileiro de Governo Aberto. A Escola de Dados, em parceria com o Google News Lab, organizou a segunda edição da Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais (Coda.Br). Confira o que aconteceu no primeiro dia e no segundo dia de evento. Fomos uma das organizações parceiras do primeiro Curso de Governo Aberto para lideranças em Clima, Floresta e Agricultura. A iniciativa foi do Imaflora e apoio da Climate and Land Use Alliance (CLUA). Fomos foco na pesquisa “Fundações de código aberto como inovadoras sociais em economias emergentes: o estudo de caso no Brasil”, do Clément Bert-Erboul, especialista em sociologia econômica, e do professor Nicholas Vonortas.

E vem muito mais em 2018

Queremos te agradecer por acompanhar e participar da OKBR em 2017. Contamos com você em 2018. Além do nosso planejamento para o ano que vem, temos o desafio e a responsabilidade de contribuir, no período eleitoral, para que o Brasil avance nas agendas de transparência, abertura de dados públicos, participação democrática, integridade e luta contra a corrupção. Para que você possa acompanhar as novidades e o andamento dos nossos projetos, acesse as nossas redes: Blog, Twitter e Facebook. Um 2018 maravilhoso para todos nós! Time e Conselheiros da Open Knowledge Brasil
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Último dia do Coda.Br faz reflexão sobre futuro do jornalismo de dados

- November 28, 2017 in bootcamp, Conferência Brasileira de Jornalismo de Dados e Métodos Digitais, Destaque, Escola de Dados, Inovação, Jornalismo de dados, Métodos Digitais, pesquisa, tecnologia

  O segundo dia do Coda.Br deste ano (26/11) foi aberto com uma discussão urgente e necessária: a transparência e a mediação dos algoritmos. A professora Fernanda Bruno, do MediaLab da UFRJ, ressaltou que os algoritmos são moderadores da nossa experiência. Ela pontuou, porém, que, em uma ‘rede sociotécnica’, ninguém age sozinho. “Os algoritmos, por serem opacos, são pouco permeáveis quando produzem um efeito enviesado”, disse. “A pergunta que a gente lança é: como permear os algoritmos que estão mediando nossa paisagem? Como que eu posso negociar com a nossa mediação? Não basta abrir a caixa preta e ver o código.” Jennifer Stark, cofundadora da Foxling, compartilhou uma análise de dados do tempo de espera do Uber em Washington, nos EUA. O que ela descobriu foi que conseguir um carro em áreas com predominância da população afro-americana demora muito mais do que no Centro ou em regiões com mais moradores brancos. Stark discutiu, a partir disso, como os algoritmos podem causar resultados enviesados. “Não precisamos seguir cegamente as recomendações dos algoritmos da Netflix, por exemplo”, lembrou.

Colaboração cidadã

Um dos destaques da conferência, Florência Coelho, editora do La Nación Data, apresentou as experiências colaborativas que o jornal argentino lançou para análise de grande quantidade de dados. Por meio da plataforma VozData, os jornalistas conseguiram verificar as gravações do ex-procurador federal assassinado Alberto Nisman, nas quais ele acusa a ex-presidente Cristina Kirchner de acobertar o envolvimento de terroristas iranianos em um atentado. Foram 40 mil áudios analisados, organizados posteriormente em playlists no site do jornal. Essa análise foi realizada por um time de voluntários. “Os voluntários eram alunos de Jornalismo, de Direito e de Ciências Políticas. Também tinha minha mãe e minha filha. Recrutei outros voluntários pelo meu Facebook e pelo Instagram”, relembrou. “Valeu muito a pena escutar todos esses 40 mil áudios”. A plataforma também permitiu que a equipe de dados analisasse em diferentes anos os gastos do senado argentino. Para estimular a participação dos cidadãos, o La Nación Data fez rankings dos ‘times’ que mais computavam dados de gastos dos parlamentares.

Presente e futuro do jornalismo de dados

O jornalista computacional da Universidade de Columbia Jonathan Stray deu aos participantes do Coda.Br um gostinho da ferramenta Workbench, ainda em fase beta. O ambiente online combina raspagem, análise e visualização de dados. Não é preciso ter experiência em programação para montar fluxos de trabalho com atualização automática, que podem produzir gráficos publicáveis ou uma live API. Durante a oficina “Workbench: a ferramenta do jornalista computacional”, Stray usou como exemplo os dados dos tweets do presidente americano, Donald Trump, fazendo instantaneamente um gráfico da frequência das publicações do republicano. Cada módulo é construído em Python, o que quer dizer que podem ser infinitamente extensíveis. Outros objetivos da ferramenta são aumentar a transparência e facilitar o trabalho dos jornalistas, segundo Stray. “Estamos tentando trazer toda a funcionalidade do Jupyter Notebook, mas com a facilidade de uso de uma planilha de Excel”, disse. “Um dos problemas para o jornalismo de dados é que existem muitas ferramentas, mas elas não se conectam. Então, muitas ferramentas ‘morrem’.” Os próximos passos para o time que desenvolve o Workbench junto com Stray são consertar os bugs e tornar a ferramenta ainda mais fácil de usar. “Um dos nossos objetivos é tornar a programação mais fácil para jornalistas que não sabem programar muito bem.” O jornalista americano também participou da mesa de encerramento do Coda.Br, “Qual evolução? Promessas quebradas e cumpridas pelo jornalismo de dados”. Ao lado da espanhola Mar Cabra, Stray listou os desafios que a prática enfrenta atualmente. Entre eles, está a contextualização correta dos dados. Nesse sentido, ele é crítico ao Wikileaks, que não fez uma boa mediação do conteúdo oferecido.“O Wikileaks é o ex-namorado da internet”, brincou Stray. Ele pontuou ainda que, apesar de vários problemas, o Wikileaks merece crédito por ter sido pioneiro em vazamentos. Cabra, que liderou a equipe de investigação do Panama Papers, acredita que os documentos obtidos pelo International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) perderão, em breve, o posto de maior vazamento de dados da história do jornalismo. Para ela, a quantidade de informações vazadas será cada vez maior. No entanto, ela ressaltou que é preciso ter uma perspectiva maior sobre vazamentos, de modo que as reportagens publicadas em diferentes ocasiões possam ser conectadas. “Estamos jogando bingo no jornalismo de dados”, disse, reforçando a necessidade de pensar além.

Cuidado com pesquisas eleitorais

O jornalismo usa com frequência as pesquisas eleitorais. Para esmiuçá-las, a CEO do Ibope, Márcia Cavallari, explicou alguns pontos importantes da produção delas. Márcia alertou, por exemplo, para o perigo de se olhar uma pesquisa específica sem compará-la com outras que saíram. Uma pesquisa sozinha não diz nada, segundo a CEO. Ela também se debruçou sobre o problema de credibilidade que os institutos têm enfrentado em todo o mundo. Não são poucos os candidatos que, a exemplo de Donald Trump nos Estados Unidos, surpreenderam as previsões. “As pessoas estão decidindo cada vez mais tarde”, apontou.

Apresentando bem os dados

O editor de infografia da Gazeta do Povo, Guilherme Storck, ensinou algumas formas práticas de elaborar infográficos e mapas. Por meio da ferramenta gratuita Tableau, Storck elaborou formatos diferentes e interessantes de visualização de dados – mostrando como cada um funciona de acordo com a informação que se quer passar. No workshop “#sexysemservulgar: Como tornar sua história de dados atraente”, a repórter da BBC Brasil Amanda Rossi compartilhou vários exemplos de matérias que conseguem aliar dados com boas histórias. “Hoje em dia nós competimos pela atenção das pessoas. E quando conseguimos que a pessoa clique no conteúdo, precisamos que elas leiam e entendam”, indicou. “Temos que ter essa constante busca para que a informação que vamos apresentar seja interessante, relevante o suficiente para contarmos as informações humanas que os dados destacam.”

Outros momentos

O Coda.Br também teve as jam sessions, idealizadas para dar espaço aos participantes para discutirem temas que envolvem o jornalismo de dados. Os temas foram:
  • Modelos de negócio com dados em pesquisa e jornalismo
  • Dados para análises de políticas públicas
  • Alfabetização em dados
  • Dados e fact-checking
  • Dados e vieses
  • Precisa saber programar?
Além disso, o evento contou com as seguintes palestras e workshops:
  • Algoritmos e robôs: aplicações e limites para o jornalismo ( com Jennifer Stark, Fernanda Bruno e Daniela Silva – moderadora)
  • Datastudio: seu ateliê virtual para visualizações interativas e colaborativas (com Marco Túlio Pires)
  • #sexysemservulgar: Como tornar sua história de dados atraente (com Amanda Rossi)
  • Visualizações interativas com D3 (com Thomaz Rezende)
  • Destrinchando as pesquisas eleitorais para analisar seus resultados sem errar (com Márcia Cavallari)
  • Desvendando fake news com o Lemonade (com Wagner Meira)
  • Desvendando os dados do IBGE (com Paulo Jannuzzi)
  • ctrl+c/ctrl+v nunca mais: raspando dados com Google Sheets e outras ferramentas (com Marco Túlio Pires)
  • Explorando dados de mobilidade urbana em R (com Haydee Svab)
  • Workbench: a ferramenta do jornalista computacional (com Jonathan Stray)
  • 60 ferramentas para trabalhar com dados em 90 minutos (com Natália Mazotte)
  • Dados inconsistentes? Expressão regular neles! (com Álvaro Justen)
  • Visualizando relações e comunidades com Gephi (com Fabio Malini)
  • Geojornalismo no hardnews: como virar visualização em mapas rapidamente usando o My Maps (com Marco Túlio Pires)
  • Visualização de dados: o básico, o rápido e o prático (com Guilherme Storck)
  • Como estruturar bases de dados de forma colaborativa (com Florência Coelho)
  • Introdução à linha de comando (com Álvaro Justen)
  • Monitoramento (Social Listening) para Jornalismo e Ciências Sociais (com Débora Zanini)
  • Lidando com dados públicos em Python (com Fernando Masaroni)
  • Data Wrangling em R (com Guilherme Jardim)
  • Qual revolução? Promessas quebradas e cumpridas pelo jornalismo de dados (com Jonathan Stray,  Mar Cabra e Rosental Calmon Alves (moderador).
Sobre o Coda.Br O Coda.Br — realizado pela Escola de Dados, em parceria com o Google News Lab — é o primeiro evento do Brasil focado em jornalismo de dados e reúne os melhores profissionais do mercado para trocar ensinamentos e experiências sobre a área. A conferência conta com a parceria da FAAP e apoio da Abraji, La Nación Data, Knight Center for Journalism in the Americas e Python Software Foundation.
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Innovators Under 35 Paraguay & Bolivia

- May 15, 2016 in bolivia, competencia, innovación, Paraguay, Periodismo de dato, tecnologia

*Nominations are open until June 28t

Innovators Under 35 is the global community of innovators, pioneers and promotors of social change curated by MIT Technology Review that wants to change the world with innovative ideas.

For the first time, MIT Technology Review is looking for the brightest minds in Paraguay & Bolivia that are changing the world thanks to their innovations.

In 2016, this first edition aims to discover the new generation of Paraguayan and Bolivian innovators, researchers and entrepreneurs with great talent in all areas this areas related to science & technology: Biotechnology and MedicineElectronic HardwareSoftwareInternetTelecommunicationsTransportationNanotechnologyMaterials and Energy.

INSTITUTIONAL REGIONAL PARTNER

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Como podemos usar a tecnologia para diminuir o assedio sexual e violência contra as mulheres?

- October 25, 2015 in abismo de gênero, aborto, aplicativo cívico, assedio, Chega de Fiu Fiu, congresso nacional, Daniela Silva, desafio, Destaque, Disque 100, estultice, estupro, Eventos, financiamento, Garoa, governo, Hackatona, Hackday, Juliana de Faria, leis, mulheres, PL 5069/2013, Sociedade, sustentabilidade, tecnologia, Thik Olga, Toró de ideias, Transparência Hacker, violência sexual, WIkipedia

Estupro no Brasil

Fonte: página Quebrando o Tabu.

Diante do cenário gritante de uma sociedade machista, esse artigo é uma chamada para ação. Os números divulgados pelo IPEA em relatório de 2014 são assustadores: 527 mil pessoas são estupradas por ano no Brasil, o que dá aproximadamente uma pessoa por minuto, sendo 89% mulheres e 70% crianças. Temos também relatos chocantes de casos de primeiro assedio relatos nas redes sociais por mulheres de todo Brasil (veja no Twitter a hashtag #primeiroassedio). Mesmo diante desse quadro, ainda temos que ver projetos de lei em nosso congresso como o PL 5069/2013, do deputado Eduardo Cunha, aprovado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) esses dias, que criminaliza o uso de substâncias abortivas e obrigas mulheres que sofreram estupro e exige que, para um aborto ser realizado, a vítima é obrigada a fazer exame de corpo de delito e comunicar à autoridade policial. Já temos exemplos onde mulheres estão sendo processadas após denunciarem abuso sexual. “Nos países ibero-americanos, é disseminada a ideia de que mulher mente e recorre à lei para prejudicar o companheiro”, diz Wânia Pasinato, coordenadora de acesso à Justiça da ONU Mulheres. Indepentemente das estultices de alguns erepresentantes do Congresso Nacional, precisamos agir. Recentemente conheci o projeto Chega de Fiu Fiu (chegadefiufiu.com.br), da Think Olga, um Think Tank com o objetivo de aumentar o poder das mulheres por meio do acesso à informação. Recentemente, no Ibirapuera, em  mais uma excelente iniciativa da Olga, assistir o ótimo filme Filha da Índia (India’s Daughter), da diretora Leslee Udwin, onde mostra um caso emblemática da reação da sociedade indiana por causa de um triste caso de estupro e ainda números gritantes sobre a violência contra mulheres ao redor do mundo, até mesmo nos países do norte global, também conhecidos como “desenvolvidos”. Na página do filme há mais informações sobre esses dados e ações, como uma campanha contra violência doméstica para mudar esse quadro.
Lei sobre o aborto por país

Legislação sobre o aborto por país
Azul: Legal. Verde: Ilegal, exceto em caso de estupro/violação, risco à vida da mãe, problemas de saúde física ou mental, fatores socioeconômicos e/ou defeitos no feto. Amarelo: Ilegal, exceto em casos de estupro/violação, risco à vida da mãe, problemas de saúde física ou mental e/ou defeitos no feto. Marrom: Ilegal, exceto em casos de estupro/violação, risco à vida da mãe e/ou problemas de saúde física ou mental. Laranja: Ilegal, exceto em casos de risco à vida da mãe e/ou problemas de saúde física ou mental. Vermelho: Ilegal e sem exceções. Preto: Varia por região. Cinza: Não há informações. Fonte: Wikimedia Commons

 

Ações

Eu gostaria de convidar todos os que se sensibilizarem com esse problema a pensarmos o que podemos fazer com o uso da tecnologia para diminuir o assedio sexual e violência contra as mulheres. Algumas ideias simples abaixo, mas se você tiver outras, envie seu comentário!

A) Aplicativo para celular que alimente o Chega de Fiu Fiu

Gostaria de convidar todos meus colegas de comunidades hackativistas (Transparência Hackers, Garoa Hacker, Open Knowledge Brasil, desenvolvedores independentes e outros) a desenvolvermos um apicativo para celular que alimente o site Chega de Fiu Fiu. Atualmente, para uma mulher ou menina relatar um caso de assedio, é necessário preencher uma planilha dentro do próprio site. Já existe o aplicativo Projeta Brasil, desenvolvido pela Ilhasoft de Alagoas, que mapeia diversas instituições para denúncias de casos que violem direitos humanos (violência sexual, trabalho infantil, violência sexual, violência física etc.), facilitando a pessoa achar o endereço e telefone da instituição mais próxima para relatar alguma violação ou ligar diretamente para o Disque 100, Ouvidoria Nacional responsável por receber, examinar e encaminhar as denúncias de violações de direitos humanos. (Temos que entrar em contato com a empresa para pedir a base de dados essas instituições) Recentemente submetemos uma proposta de projeto  para o edital de governo aberto da cidade de São Paulo, análogo ao que proposmo aqui, mas não fomos contemplados. A proposta foi elaborada em parceria entre a Open Knowledge Brasil e a Think Olga (obrigado, Juliana de Faria, Luíse Bello e Isabela Meleiro). Mesmo assim, acredito que podemos juntar esforços e realizar um hackday ou hackatona onde devenvolveremos esse aplicativo cuja necessidade me parece ululante. Hackaday: minha sugestão é aproveitarmos a vinda da Daniela Silva (Open Society Foundations) ao Brasil, no dia 20 de novembro, já que ela está organizando um hackday junto a comunidade Transparência Hackers. Daniela é uma das fundadoras da comunidade Transparência Hackers junto ao Pedro Markun e da RodAda Hacker, que dá oficinas de programação para mulheres, tão excluídas dos meios tecnológicos. Sustentabilidade e financiamento: se devenvolver um aplicativo bacana, precisaremos que este seja sustentável e possamos mantê-lo. Não preciso nem mencionar que esse aplicativo cívico deve ter seu código aberto. Eu acredito que podemos fazer um financiamento coletivo via alguma plataforma voltada para isso (e. g., a Juntos com Você, site de financiamento coletivo para projetos sociais). Mas precisamos antes qual tecnologia vamos usar para o aplicativo e estimarmos os custos para mantê-lo e eventuais customizações. Podemos usar a infraestrutura da Open Knowledge Brasil para manter o projeto. Além do financiamento coletivo, sugestões de potenciais organizações financiadores para esse projeto são bem-vindas! Inspirações: Uma amiga sueca me recomendou dois projetos que usam o SMS para enviar informações geolocalizadas. O SMS-LIfeSavers, projeto que ela coordena e que envia SMS para civis treinados para fazer massagem cardio vascular. E o PulsePoint, que faz algo análogo. Na Argetina também criaram um projeto semelhante ao Chega de Fiu Fiu, o Habla me Bien, mas aparentemente está fora do ar.

B) Melhorarmos páginas na Wikipédia sobre o tema

É sabido que a Wikipedia é uma das maiores fontes de informações do mundo e seu caráter educacional usado por milhões de pessaos no mundo todo, em centenas de línguas. Dia 31 de outubro já está sendo organizada a  terceira editatona (inscrições aqui) da Wikipédia em São Paulo, também organizada pela Olga, onde voluntários se reunirão para capacitar mais mulheres a editar a enciclopédia livre, ainda mais com um abismo de gênero entre os editores da Wikipédia (veja mais sobre isso em Gender gap task force, um projeto da comunidade anglófona da Wikipedia). A iniciativa é ótima e sugiro melhorarmos os seguintes verbetes, alguns ainda inexistentes em português:

C) Parceria com autoridades responsáveis pela segurança pública e das mulheres

Por fim, precisamos após esse mapa de ações das autoridades competentes pelos casos de violações de direitos humanos e segurança dos brasileiros. Esse aplicativo da primeira proposta vai produzir dados sobre a violência e assédio contra as mulheres. Precisamos ver quais são os órgãos governamentais responsáveis por lidar com essas denúncias para facilitar a ação das autoridades competentes. Se alguém tiver sugestões qual seria a melhor forma de iniciarmos esse diálogo, com quem podemos começar o diálogo ou possuem algum contato, deixe nos comentários desse post. Esperamos que esse post seja apenas um ponta pé incial para oragnizarmos iniciativas e ações para diminuir esse grave mal que é o assedio e violência contra mulheres! Se souber de mais algum iniciativa no Brasil e pelo mundo, deixe um comentário!

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