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Preparação de partes interessadas para a publicação de Dados Abertos (Conectados)

Elza Maria Albuquerque - January 5, 2018 in Dados Abertos, Melhores práticas, Série Dados Abertos Conectados, W3C

Por Thiago Ávila* Dando continuidade à nossa série de artigos sobre Dados Abertos (conectados), vamos aprofundar a partir deste artigo, as 10 melhores práticas para a publicação de Dados Abertos Conectados já apresentados aqui no blog, aplicando-os no contexto Governamental. No âmbito da dissertação de mestrado, “Uma Proposta de Modelo de Processo para Publicação de Dados Abertos Conectados Governamentais”[1], desenvolvi uma revisão de literatura que identificou 70 recomendações para a publicação de Dados Abertos Conectados Governamentais, distribuído entre as 10 melhores práticas, que serão explorados em continuidade a esta série de artigos aqui no blog. Para o desenvolvimento da revisão de literatura desta pesquisa, foram estabelecidas as seguintes atividades:
  • Identificação e estabelecimento de um trabalho relacionado principalmente as atividades de publicação de dados conectados – Melhores Práticas para Publicação de Dados Conectados” do W3C [6];
  • Identificação de processos de publicação de dados governamentais oficiais das nações da América do Sul e artigos científicos e documentos relacionados disponíveis na literatura;
  • Detecção e extração de recomendações que guiem as instituições governamentais a produzirem dados abertos e dados abertos conectados;
  • Associação das recomendações às Melhores Práticas estabelecidas pelo trabalho relacionado principal (vide item 1);
A principal contribuição desta revisão de literatura foi a extração de um conjunto de recomendações que poderão ser adotadas na publicação de dados abertos e dados abertos conectados no setor público. Tais recomendações foram incorporadas a proposta de modelo de processo desta pesquisa. Para identificar recomendações voltadas a implementar a primeira melhor prática, “Preparação de Partes Interessadas”, foi estabelecida a seguinte questão de pesquisa: “O que os processos de publicação de dados abertos (conectados) recomendam a ser feito para contemplar a melhor prática de Preparar Partes Interessadas?” 1. Preparação de Partes Interessadas De acordo com o W3C[8] a preparação é crucial para o sucesso de um projeto de gestão da informação. Ao compartilhar com as partes interessadas (stakeholders) os benefícios esperados pelo projeto, as expectativas são niveladas entre as partes bem como pode ser realizado o alinhamento com a missão da instituição que está realizando o projeto. Além disso, os conceitos sobre produção e gestão de dados e informações passam a ser conhecidos para os técnicos e gestores envolvidos. Por outro lado, a não realização desta etapa pode inviabilizar um projeto, pois os gestores competentes as realizações do projeto podem não apoiar nem disponibilizar os recursos necessários ao mesmo e consequentemente, os profissionais necessários ao sucesso do mesmo não estarão devidamente engajados. Cumpre destacar que esta prática foi identificada com maior frequência nos planos e processos de abertura de dados com origem nos órgãos governamentais e consequentemente estando pouco presente nos artigos científicos. Na sequência serão apresentadas as recomendações identificadas nos processos que poderão auxiliar a incorporação desta melhor prática em atividades de publicação de dados. 1.1. Identificar os benefícios para a abertura de dados A identificação de benefícios para os interessados é um elemento motivacional no desenvolvimento de qualquer projeto. Nesta direção o processo “Methodology for publishing datasets as open data – COMSODE” apresenta um rico detalhamento de como esta atividade deve ser desenvolvida, sugerindo que sejam discutidas as motivações e benefícios gerais (para a organização) e específicos (para cada conjunto de dados a ser aberto) decorrente de um processo de abertura e publicação de dados. Dentre os principais benefícios gerais, podemos listar [5]: (i) Aumentar a transparência; (ii) Estimular o crescimento econômico; (iii) Melhorar os serviços governamentais e capacidade de resposta do governo; (iv) Reduzir as solicitações de dados, considerando que haverá uma oferta proativa de dados governamentais; (v) Incentivar a reutilização de dados; (vi) Melhorar as relações públicas e as atitudes relacionadas ao governo; e (vii) Melhorar os dados e processos do governo. 1.2. Identificar as partes interessadas Outra recomendação identificada nos processos de publicação de dados consiste na correta identificação dos atores interessados na publicação de dados. O processo da Colômbia recomenda, de um modo geral, a identificação das partes interessadas. O processo brasileiro acrescenta que esta identificação deve estar contida num plano de abertura de dados governamentais, devendo ser relacionadas e engajadas as principais partes interessadas. O processo COMSODE complementa que esta identificação deve ser feita dentro e fora da organização publicadora, visando registrar as percepções da ótica de quem publica e de quem consome os dados, gerando sinergia e engajamento entre publicadores e consumidores. Ademais, negligenciar esta recomendação pode resultar num impedimento ao início do processo de abertura e publicação de dados. É necessário saber quem são os atores com poder de decisão para estimular ou inviabilizar o processo. Do ponto de vista técnico, deve-se identificar quem são os atores que possuem capacidade e disposição técnica para atuar no processo, e ainda, é recomendável a identificação dos principais consumidores dos dados, de tal maneira que a oferta de dados a ser gerada seja coerente com as expectativas e suas demandas. É importante ressaltar que, especialmente quando da abertura de dados que ainda não foram publicados, poderá haver uma tarefa dispendiosa e tediosa que demandará um contato mais intenso e negociado com os “proprietários” dos dados para que seja concedido o acesso aos mesmos [8]. Tal situação enfatiza a importância do desenvolvimento da etapa de preparação das partes interessadas, especialmente para a publicação de dados que ainda não foram abertos. 1.3. Definir perfis profissionais a serem envolvidos Alguns processos recomendam que sejam definidos os perfis profissionais a serem envolvidos com o processo de abertura e publicação. O processo do Brasil sugere que sejam envolvidos os gestores das áreas responsáveis pelas bases de dados que serão objetos da abertura, especialistas com conhecimento do negócio, o gestor da área de TI e os desenvolvedores e analistas de dados que tenham conhecimento da base de dados. O processo do Equador recomenda que seja estabelecido um “Comitê de Dados Abertos”para cada instituição publicadora, que deve ser composto pelo Diretor de Tecnologia da Informação, o Coordenador de Planejamento, o Coordenador Jurídico e representantes em nível técnico para atividades de apoio e assessoramento. Este comitê tem como atribuições a localização, identificação, catalogação, publicação e atualização de dados abertos publicados no Portal Equatoriano de Dados Abertos. O processo COMSODE não apresenta especificamente quais profissionais devem ser envolvidos no processo de publicação, todavia, estabelece a existência de vários papéis profissionais que serão desempenhados pela equipe técnica envolvida e que possuirão alguma responsabilidade ao longo das etapas deste processo de abertura, que são: Publicador, Proprietário dos dados, Curador, Proprietário do Catálogo de Dados Abertos, Coordenador de Dados Abertos, Publicador do Catálogo de Dados Abertos, Profissional de TI, Gestor de Qualidade de Dados, Especialista de Qualidade de Dados e Especialista Jurídico. O processo da Colômbia estabelece a definição de uma equipe de trabalho, estabelecendo com clareza os perfis profissionais que devem ser envolvidos, suas atribuições com as atividades de publicação de dados e ainda, os momentos de atuação de cada perfil profissional ao longo de todo o processo, conforme esclarecido na Figura 1. Este processo sugere o engajamento de profissionais com perfis de negócio, de tecnologia da informação, gestão da qualidade e riscos, jurídico e de comunicação, destacando que devem ser estabelecidos estes papeis ao longo do projeto, independente do cargo que tais profissionais ocupem, sendo permitido o acúmulo de papéis por um mesmo profissional.

Figura 1 – Papéis e atividades necessárias para desenvolver a publicação de dados no processo da Colômbia [3]

1.4. Definir grupos de usuários dos dados

Além da identificação das partes interessadas e dos perfis profissionais, os processos do Brasil e o COMSODE também recomendam a identificação e envolvimento, quando possível, dos principais grupos de usuários dos dados. O processo do Brasil estabelece, de forma geral, que estes usuários costumam ser os próprios órgãos governamentais, empresas e especialistas. O processo COMSODE identifica estes como: Órgãos governamentais e seus servidores; Empresas; Organizações não governamentais e associações que atuam com controle social, acompanhamento e fiscalização das ações do setor público; Desenvolvedores de aplicativos; Jornalistas; outras organizações, como bancos e instituições do mercado financeiro; os próprios funcionários do órgão governamental publicador; Comunidade acadêmica; E ainda, cidadãos de um modo geral [4].

1.5. Elaborar um plano de ações para publicação dos dados

Para organizar e estruturar as atividades ao longo do processo de abertura e publicação dos dados, vários processos recomendam a elaboração de um plano de ações. Os processos do Brasil, da Colômbia e o COMSODE estabelecem que deva existir inicialmente um plano de abertura de dados governamentais recomendando ainda que este plano deve ser detalhado mediante o estabelecimento de uma matriz de responsabilidades pelo preparo e atualização dos dados e respectivo detalhamento com metas e prazos. No processo do Equador[6], compete a um comitê de dados abertos criar e executar um planejamento para a publicação dos dados abertos da instituição publicadora, contemplando a conversão dos dados disponibilizados em seções de Transparência Pública para formatos abertos bem como identificar outros dados de interesse público que possam ser ofertados em formato aberto. Complementarmente, é desejável que os usuários dos dados sejam engajados no desenvolvimento do plano de ações. A participação dos usuários permite a obtenção de informações a respeito da real demanda por dados. Esta identificação da demanda também poderá ser utilizada para subsidiar as atividades de seleção e priorização dos dados a serem abertos. Dentre as principais técnicas de engajamento que podem ser utilizadas destacam-se: enquetes, questionários, escolha e priorização online de uma lista pré-estabelecida de conjuntos de dados, workshops, audiências públicas, conferências, dentre outros [4].

1.6. Capacitar os envolvidos

Considerando a identificação e engajamento prévio dos atores nas atividades de publicação de dados, o processo do Brasil destaca a importância de capacitar os técnicos e responsáveis nas áreas de negócio dos dados selecionados para abertura sobre alguns temas como: (1) O processo de publicação de dados abertos; (2) O processo de catalogação dos  metadados no Portal Nacional de Dados Abertos e a inclusão de dados em Infraestruturas Nacionais de Dados Espaciais, quando se tratarem de dados geoespaciais [1]. Daremos continuidade na apresentação de recomendações para a publicação de Dados Abertos Conectados nos próximos artigos desta série. Até a próxima!!! * Este artigo foi desenvolvido a partir da pesquisa de Mestrado “Uma Proposta de Modelo de Processo para Publicação de Dados Abertos Conectados Governamentais”, de autoria de Thiago José Tavares Ávila, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional do Conhecimento, do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). [1] ÁVILA, T. J. T. Uma proposta de modelo de processo para publicação de dados abertos conectados governamentais. 223 p. Dissertação (Mestrado) — Instituto de Computação, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, Alagoas, Brasil, 2015. Dissertação de Mestrado em Modelagem Computacional do Conhecimento. [2] BRASIL. Manual para Elaboração de Plano de Dados Abertos. [S.l.], 2014. v. 7, 38 p [3] COLOMBIA. Guía para la apertura de datos en Colombia. [S.l.], 2012. 67 p. Disponível em: <http://programa.gobiernoenlinea.gov.co/apc-aa-files/da4567033d075590cd3050598756222c/Datos Abiertos Guia v2 0.pdf>. [4] COMSODE. Methodology for publishing datasets as open data – COMSODE. [S.l.], 2014.1-31 p. [5] ECUADOR. Guia de Política Pública de Datos Abiertos. [S.l.], 2014. 21 p.  [6] LBC. Open data and use of standards: Towards a Better Supply and Distribution Process for Open Data. . [S.l.], 2012.  [7] W3C. Best Practices for Publishing Linked Data. 2014. Acessado em 02/05/2017.  [8] VILLAZÓN-TERRAZAS, B. et al. Methodological guidelines for publishing government linked data. Linking Government Data, p. 27-49, 2011 Texto publicado no site Thiago Ávila. Ele faz parte da série de artigos Dados abertos conectados.
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Dados Conectados

Elza Maria Albuquerque - November 20, 2017 in dados, Dados Abertos, Destaque, Internet, linked data, W3C

Por Thiago Ávila* Vamos começar este artigo analisando a figura 01, extraída do site DataPortals.org [1], que mostra a ocorrência de catálogos de dados abertos no mundo:

Figura 01 – Distribuição dos catálogos de dados abertos governamentais no mundo [1]

Hummm … 200 catálogos na Europa, 140 na América do Norte, 22 na América do Sul, 23 na África, 21 na Ásia e 15 na Oceania. Tudo bem. E como fazer para responder algumas questões relevantes como:
  • Quais os dados disponíveis sobre ocorrência de doenças no hemisfério sul ?
  • Ou ainda, quais as ocorrências de determinado tipo de crime nestes países ?
  • Quantas escolas foram abertas desde 2008 em cada país que possua um catálogo de dados ?
Como se tratam de catálogos de dados abertos, provavelmente, para tentar responder a pelo menos uma dessas perguntas será preciso acessar os 424 catálogos, buscar em cada um deles o dado desejado, fazer o download de cada conjunto de dado, padronizar o formato de dados, metadados, levar para uma ferramenta de extração, tratamento de carga de dados (ETL), construir uma consulta para depois ter um resultado. Muito esforço, não? E deixando a coisa um pouco mais complexa, se a licença de uso de um conjunto de dados impedir que esse dado seja cruzado com outro dado, ou ainda, se o formato disponibilizado seja proprietário ou um formato de baixa qualidade, como o PDF? Provavelmente você ficará sem responder as suas perguntas. A web que conhecemos atualmente é a web dos documentos onde são priorizados e disponibilizados páginas HTML, arquivos de diversos formatos, como planilhas, documentos de texto, mapas, coordenadas geográficas, animações, conteúdo multimídia, etc. Acontece que os dados, mesmo que estejam disponíveis em formatos abertos, para serem acessíveis primeiro é preciso encontrar o arquivo que armazena os dados, para aí sim, acessar cada dado, pois, em sua maioria são formatos não estruturados e são adequados para facilitar o acesso e leitura para humanos e não são compreensíveis por máquina [2]. Considerando situações corriqueiras como essa, o World Wide Web Consortium – W3C tem desenvolvido muitos esforços para não apenas estabelecer os padrões da internet global, mas para a oferta de dados na Web, como já apresentamos no post anterior. E como seria se pudéssemos acessar diretamente os dados disponíveis na web, mediante consultas a servidores de dados? Consultas que acessem dados de diversas origens, espalhados ao longo do mundo e ainda, obtendo não apenas os dados, mas a semântica relacionada a eles?  Buscando construir esta web dos dados que, dentre outras muitas coisas, resolvem aos problemas corriqueiros do início do artigo que ao longo destes esforços e pesquisas desenvolvidas pelo W3C, Tim Berners-Lee (ele mesmo, o mesmo cara que inventou a Web) propôs um conceito muito promissor que são os Dados Conectados, do termo em inglês, Linked Data [3]. Em definição, Linked Data se resume ao conjunto de boas práticas para a publicação de dados na web. Linked Data define princípios para a publicação e consumo dos dados e os classificam de acordo com sua disponibilidade, acesso, estruturação e conexão [2]. Assim como a web do hipertexto, a web dos dados é construída a partir de documentos na web, porém, diferentemente da web do hipertexto, onde os links são âncoras que relacionam uma página web a outra (ou a um arquivo), na web dos dados, os links são apontados para os dados que são descritos por um framework de recursos, conhecido como RDF (Resource Description Framework). Além disso, cada dado é identificado por um identificador universal – URI (Universal Resource Identifier) e ainda, podem ser acessados mediante uma linguagem de consulta que é o SPARQL (SPARQL Protocol and RDF Query Language). Para um dado ser conectado, ele precisa obedecer aos quatro princípios para publicação [4]:
  1. Use URIs para definir coisas;
  2. Use HTTP URIs para que os dados possam ser encontrados por humanos e agentes na web;
  3. Quando um dado for solicitado através de HTTP URIs, fornecer todas as informações sobre o mesmo, em um formato de dados estruturados utilizando padrões como RDF e SPARQL;
  4. Incluir links para outras fontes de dados relacionados (usando URIs) para que seja possível obter mais informações.
A partir do conceito de Dados Conectados, algumas nações globais já estão considerando este novo paradigma e incentivando a sua produção e oferta. Países como o Reino Unido e os Estados Unidos da América já possuem uma boa oferta de dados em formato RDF nos seus catálogos de dados governamentais. Além disso, grandes projetos em escala global tem crescido a cada ano, como a DBPedia[5], que é a base de dados conectada a partir da Wikipedia ou a LODSpringer[6], que visa ofertar dados conectados sobre artigos, periódicos e conferências científicas editorados pela Springer. Enfim, sobre o Reino Unido já é possível responder a terceira pergunta do início deste artigo “Quantas escolas foram abertas desde 2008 em cada país que possua um catálogo de dados ?”. Basta executar a seguinte consulta SPARQL abaixo: PREFIX sch-ont: <http://education.data.gov.uk/ontology/school#> PREFIX xsd: <http://www.w3.org/2001/XMLSchema#> SELECT ?school ?name ?date ?easting ?northing WHERE { ?school a sch-ont:School; sch-ont:establishmentName ?name; sch-ont:openDate ?date ; sch-ont:easting ?easting ; sch-ont:northing ?northing . FILTER (?date > “2008-01-01″^^xsd:date && ?date < “2009-01-01″^^xsd:date) } Nos próximos artigos, continuaremos apresentando o potencial, casos de uso, vantagens, limitações e muito mais sobre o universo dos Dados Conectados. Até a próxima!!!
  • Thiago Ávila é conselheiro consultivo da Open Knowledge Brasil.
  •  Estes artigos são oriundos de pesquisas científicas desenvolvidas no Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES), do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e contam com a contribuição direta dos pesquisadores Dr. Ig Ibert Bittencourt (UFAL), Dr. Seiji Isotani (USP), e Armando Barbosa, Danila Oliveira, Judson Bandeira, Thiago Ávila e Williams Alcântara (UFAL).
[1] DataPortals. (2015). A Comprehensive List of Open Data Portals from Around the World. Open Knowledge Foundation. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.dataportals.org [2] Bandeira, Judson; Alcantara; Williams;  Barbosa, Armando; Ávila, Thiago; Oliveira, Danila; Bittencourt, I. & Isotani, S. (2014). Dados Abertos Conectados. Jornada de Atualização em Tecnologia da Informação. Anais do III Simpósio Brasileiro de Tecnologia da Informação – SBTI 2014. [3]Berners-Lee, Tim (2006). Linked Data. W3C. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.w3.org/DesignIssues/LinkedData.html [4] Bizer, Christian; Hheath, Tom; Berners-Lee, Tim (2009). Linked data – the story so far. International Journal On Semantic Web And Information Systems, v. 5, n. 3, p. 1-22. [5] DBPedia – http://www.dbpedia.org [6] Springer Linked Open Data – http://lod.springer.com Texto publicado no site Thiago Ávila. Ele faz parte da série de artigos Dados abertos conectados. Flattr this!

Entendendo a atuação do W3C para a Web dos Dados (fala do W3C Web Activity)

Elza Maria Albuquerque - October 23, 2017 in Artigo, Dados Abertos, W3C, Web dos Dados

 

Foto: Creative Commons CC0.

Por Thiago  Ávila* Conforme estamos explorando nesta série de artigos [1] e [2] o crescimento da oferta de dados global vem trazendo desafios interessantes e, entre os caminhos para o melhor aproveitamento do potencial destes dados, a “Web dos Dados” vem se consolidando como o novo paradigma para os próximos anos. Isso se deve porque cada vez mais as aplicações Web têm fornecido acesso aos dados e, consequentemente, consumindo-os. Desde visualizações simples às ferramentas interativas sofisticadas, há uma crescente dependência da disponibilidade de dados que pode ser “baixa” ou “intensa”, vir de origens distintas, e ainda em diferentes formatos. Entretanto, os dados têm sido publicados de forma desconectada e descoordenada de outros publicadores e muito menos sem uma modelagem adequada e vocabulários comuns. Neste contexto, o W3C estabeleceu o W3C Data Activity [3] que reconhece e trabalha para facilitar o potencial de integração e processamento de dados em escala da Web mediante um conjunto de ações e diretrizes que incluem padrões de troca de dados, modelos, ferramentas e guias para a construção da Web dos Dados. A visão geral do W3C Data Activity [3] é que as pessoas e organizações devem ser capazes de compartilhar dados, tanto quanto possível, utilizando suas ferramentas existentes e desenvolvendo práticas que habilitem outros usuários a gerar dados derivados agregando-os alto valor, utilizando-os da melhor maneira que desejarem. Indo além da interoperabilidade dos dados, mas das comunidades produtoras e usuárias. O W3C Data Activity [3] está sendo desenvolvido de forma integrada sobre as atividades já existentes de Governo Eletrônico (eGovernment) e Web Semântica, tendo atualmente os seguintes grupos de trabalho em atividade:
  • Spatial Data on the Web Working Group (Grupo de Trabalho de Dados Espaciais na Web) [4] – Objetiva o desenvolvimento das melhores práticas para publicação e consumo de dados geoespaciais para a Web, visando sua integração com outros conjuntos de dados e ainda, ampliando o potencial do consumo destes dados por máquinas;
  • RDF Data Shapes Working Group (Grupo de Trabalho de Camadas de dados em RDF)[5] – Objetiva o desenvolvimento de uma recomendação que estabeleça as limitações estruturais e validação de dados descritos em RDF;
  • Linked Data Platform Working Group (Grupo de Trabalho para uma Plataforma de Dados Conectados)[6] – Objetiva o desenvolvimento de uma recomendação e padrões para a integração de aplicações baseadas em HTTP (RESTful) para leitura e escrita de Dados Conectados;
  • Data on the Web Best Practices Working Group (Grupo de Trabalho de Boas Práticas de Dados na Web)[7] – Objetiva o desenvolvimento das melhores práticas para publicação e consumo de dados para a Web visando desenvolver um ecossistema de dados abertos, provendo guias e orientações para publicadores de dados promovendo especialmente o seu reuso, bem como aprimorar a confiança em torno dos dados incrementando o seu potencial para a geração de novas informações
  • CSV on the Web Working Group (Grupo de Trabalho sobre CSV na Web)[8] – Objetiva o aprimoramento de tecnologias em que aplicativos dependentes de dados na Web possam oferecer maior interoperabilidade ao trabalhar com conjuntos de dados usando o formato CSV (valores separados por vírgulas) ou formatos semelhantes.
  • Semantic Web Interest Group (Grupo de Interesse da Web Semântica)[9] – Anteriormente conhecido por grupo de interesse sobre o Resource Description Framework (RDF), visa promover a discussão sobre o desenvolvimento e o uso da Web Semântica, incluindo as suas tecnologias como o RDF, OWL (Ontology Web Language) e o SPARQL (SPARQL Protocol and RDF Query Language).
  • Semantic Web Health Care and Life Sciences Interest Group (Grupo de interesse sobre a Web Semântica para a Assistência Médica e Ciências da Vida)[10] – Objetiva o desenvolvimento, o incentivo e o suporte ao uso da Web Semântica na área da assistência médica, ciências da vida e pesquisa médica.
  • Data Activity Coordination Group (Grupo de Coordenação)[11] – Objetiva o desenvolvimento e a coordenação de toda a Web Data Activity.
Outros dois grupos, não menos importantes, encerraram suas atividades após conclusão de relevantes trabalhos que são o:
  • RDF Working Group (Grupo de Trabalho para o desenvolvimento do RDF) [12] – Objetivou o aprimoramento do RDF incluindo novos recursos desejáveis e importantes para a interoperabilidade;
  • E ainda, o Government Linked Data Working Group (Grupo de Trabalho para os Dados Conectados Governamentais)[13] que objetivou o desenvolvimento de padrões que apoiassem governos a publicarem seus dados de forma efetiva e conectada, utilizando as tecnologias da Web Semântica. Este grupo destacou-se pela produção de importantes guias para a oferta de dados governamentais, dentre eles as “Boas Práticas para Publicação de Dados Conectados”, guia que será explorado nos próximos artigos desta série.
Felizmente, apesar da problemática do artigo anterior, as perspectivas podem ser promissoras considerando todo este maravilhoso trabalho que vem sendo desenvolvido por inúmeros especialistas mundo a fora sob a coordenação do W3C. Nos próximos artigos estaremos explorando ainda mais a Web dos Dados, buscando entender como ela está sendo estruturada, os novos conceitos e aplicações relevantes. Até a próxima!!! * Estes artigos contam são oriundos de pesquisas científicas desenvolvidas no Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES), do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e contam com a contribuição direta dos pesquisadores Dr. Ig Ibert Bittencourt (UFAL), Dr. Seiji Isotani (USP), e Armando Barbosa, Danila Oliveira, Judson Bandeira, Thiago Ávila e Williams Alcântara (UFAL). [1] Ávila, Thiago (2015). O que faremos com os 40 trilhões de gigabytes de dados na Web?. Disponível em: http://areasdeintegracao.blogspot.com.br/2015/07/o-que-faremos-com-os-40-trilhoes-de.html [2] Ávila, Thiago e Bandeira, Judson (2015). A Web dos Dados. Disponível em: http://areasdeintegracao.blogspot.com.br/2015/08/aweb-dos-dados-por-thiago-avila-ejudson.html [3] W3C. (2013). W3C Web Activity – Building The Web of Data. Disponível em: http://www.w3.org/2013/data/ [4] W3C. (2015). Spatial Data on the Web Working Group. Disponível em: http://www.w3.org/2015/spatial/wiki/Main_Page [5] W3C. (2014). RDF Data Shapes Working Group. Disponível em: http://www.w3.org/2014/data-shapes/wiki/Main_Page [6] W3C. (2012). Linked Data Platform Working Group. Disponível em: http://www.w3.org/2012/ldp/ [7] W3C. (2013). Data on the Web Best Practices Working Group . Disponível em: http://www.w3.org/2013/dwbp/ [8] W3C. (2013). CSV on the Web Working Group. Disponível em: http://www.w3.org/2013/csvw/ [9] W3C. (2001). Semantic Web Interest Group. Disponível em: http://www.w3.org/2001/sw/interest/. Acesso em: jul. 2015 [10] W3C. (2010). Semantic Web Health Care and Life Sciences Interest Group . Disponível em: http://www.w3.org/blog/hcls/ [11] W3C. (2013) Data Activity Coordination Group . Disponível em: [12] W3C. (2011) RDF Working Grouphttp://www.w3.org/2011/rdf-wg/wiki/Main_Page [13] W3C. (2011) Government Linked Data Working Group – http://www.w3.org/2011/gld/wiki/Main_Page *Texto publicado no site Thiago Ávila. Ele faz parte da série de artigos Dados abertos conectados.
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